"A Casa Sobre A Rocha" (Mt5:24).

“O Amor é a Lei de Deus. Viveis para que aprendais a amar. Amais para que aprendais a viver. Nenhuma outra lição é exigida do homem.” (O Livro De Mirdad)

Tentação De Jesus No Deserto, Paulo, “Escritura X Palavra”, “Forma X Conteúdo”

Posted by José Eduardo Glaeser em 18/10/2010

Muitas pessoas cristãs e sinceras estão acostumadas e até mesmo condicionadas a acharem que a Bíblia (no nível da letra) é a “PALAVRA DE DEUS”. Mas se formos analisar essa objeção mais profundamente veremos que a própria Bíblia (que eu considero como Escritura e muito importante) nos dá alguns eventos que nos fazem questionar.
Começaremos pela tentação de Jesus no Deserto e no Pináculo do Templo por Satanás antes de começar seu ministério como é narrado a seguir:

“Então Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo. Depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome. O tentador aproximou-se dele e disse: “Se você é o Filho de Deus, mande que estas pedras se transformem em pães”. Jesus respondeu: “Está escrito: ‘Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus'”. Então o diabo o levou à cidade santa, colocou-o na parte mais alta do templo e lhe disse: “Se você é o Filho de Deus, jogue-se daqui para baixo. Pois está escrito: ‘Ele dará ordens a seus anjos a seu respeito, e com as mãos eles o segurarão, para que você não tropece em alguma pedra'”. Jesus lhe respondeu: “Também está escrito: ‘Não ponha à prova o Senhor, o seu Deus'”. Depois, o diabo o levou a um monte muito alto e mostrou-lhe todos os reinos do mundo e o seu esplendor. E lhe disse: “Tudo isto lhe darei, se você se prostrar e me adorar”. Jesus lhe disse: “Retire-se, Satanás! Pois está escrito: ‘Adore o Senhor, o seu Deus e só a ele preste culto'”. Então o diabo o deixou, e anjos vieram e o serviram” (Mt4:1-11).

O mais interessante nesse episódio é que Satan cita das Escrituras um trecho do Salmo 91 (cf. Sl91:11,12), um dos mais lidos pelos cristãos (sejam eles católicos, ortodoxos, protestantes e até mesmo espíritas) para pedirem proteção e que muitas pessoas até mesmo imprimem cópias e deixam em suas bolsas, mochilas, carteiras, carros, etc.. E também nós cristãos aprendemos muito, seja no culto, na Escola Dominical, visitas de pastores nas casas que a “Palavra De Deus é a Espada Do Espírito” (cf. Ef6:10-12).
Se a Escritura é em si mesmo de forma literal a Espada Do Espírito como pôde Satan ter chegado perto dela, ter lido, saído vivo e ainda por cima citar versículos para tentar a Jesus Cristo no deserto? Mas aí tem alguma coisa que muitos esquecem, que é a sentença de Paulo na Segunda epístola à Igreja de Corinto:

“Ele nos capacitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do Espírito; pois a letra mata, mas o Espírito vivifica” (2Co3:6).

Paulo era um fariseu antes de sua conversão e como fariseu ele conhecia e estudava muito a Escritura (que compreende boa parte do nosso Antigo testamento), mas não conhecia a Palavra vivia e eficaz (cf. Hb4:12), tanto que apesar de sua erudição na escritura (principalmente no que diz a Lei) ele perseguia ferozmente a Igreja de Cristo. Podemos dizer aqui que Paulo antes de sua conversão conhecia tudo da letra da Escritura mas nao tinha uma espiritualidade e sim uma vida baseada somente nos formalismos da Lei. Apenas depois de sua viagem a Damasco onde Jesus aparece para ele perguntando “Saulo, Saulo, porque me persegues?” é que ele passa a compreender a Palavra Da Verdade. Paulo tambem passa a perceber que a Palavra não é meramente um livro, mas sim algo interior que começa a crescer em nós causando transformação, tanto que para os Gálatas ele afirma que não é mais ele quem vive mas Cristo que vive nele (cf. Gl2:20), e para a comunidade de Corinto ele afirma: “Acaso não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo que habita em vocês, que lhes foi dado por Deus, e que vocês não são de si mesmos” (1Co6:19)?
Paulo faz mais afirmações desse tipo depois que se torna “O Apóstolo Dos Gentios” após sua conversão. Veremos algumas:

“Entretanto, falamos de sabedoria entre os maduros, mas não da sabedoria desta era ou dos poderosos desta era, que estão sendo reduzidos a nada. Pelo contrário, falamos da sabedoria de Deus, do mistério que estava oculto, o qual Deus preordenou, antes do princípio das eras, para a nossa glória. Nenhum dos poderosos desta era o entendeu, pois, se o tivessem entendido, não teriam crucificado o Senhor da glória. Todavia, como está escrito: “Olho nenhum viu, ouvido nenhum ouviu, mente nenhuma imaginou o que Deus preparou para aqueles que o amam”; mas Deus o revelou a nós por meio do Espírito. O Espírito sonda todas as coisas, até mesmo as coisas mais profundas de Deus. Pois, quem dentre os homens conhece as coisas do homem, a não ser o espírito do homem que nele está? Da mesma forma, ninguém conhece as coisas de Deus, a não ser o Espírito de Deus. Nós, porém, não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito procedente de Deus, para que entendamos as coisas que Deus nos tem dado gratuitamente. Delas também falamos, não com palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas com palavras ensinadas pelo Espírito, interpretando verdades espirituais para os que são espirituais. Quem não tem o Espírito não aceita as coisas que vêm do Espírito de Deus, pois lhe são loucura; e não é capaz de entendê-las, porque elas são discernidas espiritualmente. Mas quem é espiritual discerne todas as coisas, e ele mesmo por ninguém é discernido; pois “quem conheceu a mente do Senhor para que possa instruí-lo? ” Nós, porém, temos a mente de Cristo” (1Co2:6-16).

“Oro para que, com as suas gloriosas riquezas, ele os fortaleça no íntimo do seu ser com poder, por meio do seu Espírito, para que Cristo habite em seus corações mediante a fé; e oro para que vocês, arraigados e alicerçados em amor, possam, juntamente com todos os santos, compreender a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo que excede todo conhecimento, para que vocês sejam cheios de toda a plenitude de Deus” (Ef3:16-19).

Jesus também diz algo parecido no Evangelho de João:

“Quem beber desta água terá sede outra vez, mas quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. Pelo contrário, a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna” (Jo4:13-14).

“O Espírito dá vida; a carne não produz nada que se aproveite. As palavras que eu lhes disse são espírito e vida” (Jo6:63).

Portanto, Palavra De Deus na verdade significa “Verbo” e é algo vivo que sempre se movimenta, transforma, principalmente o interior da pessoa através da metanóia (que significa uma conversao progressiva procurando trocar os valores da carne pelos do Espirito).
Paulo diferencia os frutos do espirito dos da carne em sua Epistola aos Gálatas:

Frutos da carne:
“Ora, as obras da carne são manifestas: imoralidade sexual, impureza e libertinagem; idolatria e feitiçaria; ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facções e inveja; embriaguez, orgias e coisas semelhantes” (Gl5:19-21).

Frutos do Espírito:
“Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio” (Gl5:22,23).

Portanto, devemos tratar a Bíblia como um livro Espiritual (onde cada historia principalmente no Velho Testamento tem uma lição subjacente em um nivel alem do literal), nunca lendo de forma literal (principalmente o Velho Tetamento). Devemos usar Cristo (seus ensinos e seu modo de atuação) como referência principal.
Se formos interpretar a Bíblia totalmente de forma literal, como se tudo fosse um Ditado por Deus, iríamos encontrar brechas para absurdos como racismo (muito comum no Século XX nos EUA principalmente nos estados do Sul, onde se dizia que negros eram amaldiçoados), guerras santas e inquisições com torturas, como na Idade Media na Europa (tanto do lado Católico como do lado Protestante), dentre outras coisas. Sendo que ira, discordia, facções estão entre os frutos da carne.
O Principal fruto do espirito é o AMOR: “Toda a lei se resume num só mandamento: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo'” (Gl5:14;cf. Rm13:8-10).

“Um deles, perito na lei, o pôs à prova com esta pergunta: ‘Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?’
Respondeu Jesus: ‘Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento’. Este é o primeiro e maior mandamento. E o segundo é semelhante a ele: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas (Mt22:35-40).

“Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o sino que ressoa ou como o prato que retine. Ainda que eu tenha o dom de profecia e saiba todos os mistérios e todo o conhecimento, e tenha uma fé capaz de mover montanhas, mas não tiver amor, nada serei. Ainda que eu dê aos pobres tudo o que possuo e entregue o meu corpo para ser queimado, mas não tiver amor, nada disso me valerá.
O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O amor nunca perece; mas as profecias desaparecerão, as línguas cessarão, o conhecimento passará. Pois em parte conhecemos e em parte profetizamos; quando, porém, vier o que é perfeito, o que é imperfeito desaparecerá. Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino.Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas, então, veremos face a face. Agora conheço em parte; então, conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido.
Assim, permanecem agora estes três: a fé, a esperança e o amor. O maior deles, porém, é o amor (1Co13).

Portanto, a Escritura se transforma em Palavra Viva quando se tornam vivificadas no interior da pessoa ferando frutos de amor e serviço abnegado ao próximo gerando frutos de perdão, paciencia, pois se nada disso acontecer, não passa de letra morta (como era com Paulo antes de sua conversão a Cristo).

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