Moderno #1

William P. Young – todos os caminhos levam a Deus?

OS QUE ME AMAM estão em todos os sistemas que existem. São budistas, mórmons, batistas ou muçulmanos, democratas, republicanos e muitos que não votam nem fazem parte de qualquer instituição religiosa. Tenho seguidores que foram assassinos e muitos que eram hipócritas. Há banqueiros, jogadores, americanos, iraquianos, judeus e palestinos.
Não tenho desejo de torná-los cristãos, mas quero me juntar a eles em seu processo para se transformarem em filhos e filhas do Papai, em irmãos e irmãs, em meus amados.
– Isso significa que todas as estradas levam a você?
De jeito nenhum – sorriu Jesus enquanto estendia a mão para a porta da oficina – A maioria das estradas não leva a lugar nenhum. O que isso significa é que eu viajarei por qualquer estrada para encontrar vocês.

(William P. Young em “A Cabana” – Sextante – p. 168-169.)
(Via Ricardo Gondim)

FELIZ NATAL A TODOS!

ATENÇÃO! Novas Postagens A Partir do dia 06/01/2011.

Naquela região havia pastores, que passavam a noite nos campos, tomando conta do rebanho. Um anjo do Senhor apareceu aos pastores; a glória do Senhor os envolveu em luz, e eles ficaram com muito medo. Mas o anjo disse aos pastores: ‘Não tenham medo! Eu anuncio para vocês a Boa Notícia, que será uma grande alegria para todo o povo: hoje, na cidade de Davi, nasceu para vocês um Salvador, que é o Messias, o Senhor. Isto lhes servirá de sinal: vocês encontrarão um recém-nascido, envolto em faixas e deitado na manjedoura.’ De repente, juntou-se ao anjo uma grande multidão de anjos. Cantavam louvores a Deus, dizendo: ‘Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens por ele amados.’
Quando os anjos se afastaram, voltando para o céu, os pastores combinaram entre si: ‘Vamos a Belém, ver esse acontecimento que o Senhor nos revelou.’ Foram então, às pressas, e encontraram Maria e José, e o recém-nascido deitado na manjedoura. Tendo-o visto, contaram o que o anjo lhes anunciara sobre o menino. E todos os que ouviam os pastores, ficaram maravilhados com aquilo que contavam. Maria, porém, conservava todos esses fatos, e meditava sobre eles em seu coração. Os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que haviam visto e ouvido, conforme o anjo lhes tinha anunciado. (Lc2:8-20).

Esse é o tempo em que logo um novo ano nascerá do tempo de Cristo. Eu tenho fé perfeita em ti, no sentido de que farás tudo o que queres realizar. Nada estará faltando e tu farás com que seja completo e não destruirás. Dize, então, ao teu irmão:
Eu te dou ao Espírito Santo como parte de mim mesmo.
Eu sei que serás liberado, a não ser que eu queira usar-te para me aprisionar.
Em nome da minha liberdade eu escolho a tua liberação, porque reconheço que nós seremos liberados juntos.
Assim começará o ano em alegria e liberdade. Há muito a fazer e nós temos estado muito atrasados. Aceita o instante santo enquanto esse ano nasce e toma o teu lugar, por tanto tempo vago, no Grande Despertar. Faze com que esse ano seja diferente fazendo com que tudo seja o mesmo. E permite que todos os teus relacionamentos sejam santificados para ti. Essa é a nossa vontade. Amém. (UCEM-T-15.XI.10).

No começo a Palavra já existia:
a Palavra estava voltada para Deus,
e a Palavra era Deus.
No começo ela estava voltada para Deus.
Tudo foi feito por meio dela,
e, de tudo o que existe, nada foi feito sem ela.
Nela estava a vida, e a vida era a luz dos homens.
Essa luz brilha nas trevas,
as trevas não conseguiram apagá-la.
Apareceu um homem enviado por Deus, que se chamava João. Ele veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. Ele não era a luz, mas apenas a testemunha da luz. A luz verdadeira, aquela que ilumina todo homem, estava chegando ao mundo.
A Palavra estava no mundo,
o mundo foi feito por meio dela,
mas o mundo não a conheceu.
Ela veio para a sua casa,
mas os seus não a receberam.
Ela, porém, deu o poder de se tornarem filhos de Deus
a todos aqueles que a receberam,
isto é, àqueles que acreditam no seu nome.
Estes não nasceram do sangue, nem do impulso da carne, nem do desejo do homem, mas nasceram de Deus.
E a Palavra se fez homem
e habitou entre nós.
E nós contemplamos a sua glória:
glória do Filho único do Pai,
cheio de amor e fidelidade.
João dava testemunho dele, proclamando: ‘Este é aquele, a respeito de quem eu falei: aquele homem que vem depois de mim passou na minha frente, porque existia antes de mim.’
Porque da sua plenitude todos nós recebemos,
e um amor que corresponde ao seu amor.
Porque a Lei foi dada por Moisés, mas o amor e a fidelidade vieram através de Jesus Cristo. Ninguém jamais viu a Deus; quem nos revelou Deus foi o Filho único, que está junto ao Pai. (Jo1:1-18).

UCEM – A Canção Da Oração C-1.in

CAPÍTULO 1
ORAÇÃO

1.in. Introdução
A oração é a maior dádiva com a qual Deus abençoou Seu Filho na sua criação. Já era então o que deve vir a ser: a única voz que o Criador e a criação compartilham; a canção que o Filho canta ao Pai, Que retorna os agradecimentos que ela Lhe oferece ao Filho. A harmonia é sem fim assim como também é sem fim o alegre acordo do amor que eles dão um ao outro para sempre. E nisso a criação é estendida. Deus agradece a Sua extensão em Seu Filho. O Seu Filho dá graças por sua criação na canção que ele cria em Nome de seu Pai. O amor que eles compartilham é o que todas as orações virão a ser através de toda a eternidade, quando o tempo tiver terminado. Pois tal ela era antes que o tempo parecesse existir.
Para ti que estás no tempo por pouco tempo, a oração toma a forma que mais se adapta as tuas necessidades. Tu só tens uma. O que Deus criou uno tem que reconhecer a própria unicidade e regozijar-se, pois o que as ilusões pareciam separar é uno para sempre na Mente de Deus. A oração agora tem que ser o meio pelo qual o Filho de Deus deixa para trás as metas e os interesses separados e se volta em santo contentamento para a verdade da união em seu Pai e nele mesmo.
Deita teus sonhos por terra, tu Filho santo de Deus, e erguendo-te como Deus te criou, dispensa os ídolos e lembra-te d’Ele. A oração irá sustentar-te agora e abençoar-te enquanto ergues o teu coração para Ele nessa canção ascendente que alcança o que é mais alto, e depois mais alto ainda, até que ambos o alto e o baixo tenham desaparecido. A fé na tua meta cintilante para os gramados do Céu e o porão da paz. Pois isso é oração e aqui está a salvação. Esse é o caminho. É a dádiva de Deus para ti.

Salmo 6

Deus liberta o aflito

Do mestre de canto. Com instrumentos de corda. Sobre a oitava. Salmo. De Davi.
Javé, não me castigues com tua ira, não me corrijas com teu furor!
Piedade, Javé, que eu desfaleço! Javé, cura-me, pois meus ossos tremem.
Todo o meu ser estremece… E tu, Javé, até quando?
Volta-te, Javé! Liberta-me! Salva-me, por teu amor!
Pois na morte ninguém se lembra de ti: quem te louvaria no túmulo?
Sinto-me esgotado de tanto gemer, e de noite eu choro na cama, banhando o meu leito com lágrimas.
Meus olhos se derretem de dor, envelhecem de tantas contradições.
Afastem-se de mim, malfeitores todos: Javé ouviu o meu soluço!
Javé ouviu o meu pedido. Javé acolheu a minha prece.
Envergonhem-se meus inimigos todos, retirem-se depressa, cheios de vergonha!

Salmo 5

Deus faz justiça ao inocente

Do mestre de canto. Para flautas. Salmo. De Davi.
Javé, escuta minhas palavras, leva em conta o meu gemido.
Ouve atento meu grito por socorro, meu Rei e meu Deus!
É a ti que eu suplico, Javé!
Pela manhã ouves a minha voz; pela manhã te apresento minha causa, e fico esperando…
Tu não és um Deus que ame a injustiça. O malvado não é teu hóspede.
Não, os arrogantes não se mantêm na tua presença.
Odeias todos os malfeitores
e destróis os mentirosos.
Javé rejeita o homem sangüinário e traiçoeiro.
Quanto a mim, por teu grande amor, eu entro em tua casa.
Cheio de temor, eu me prostro voltado para o teu sagrado santuário.
Guia-me, Javé, com tua justiça, por causa dos que me espreitam.
Endireita na minha frente o teu caminho!
Pois eles não falam com sinceridade, e o seu íntimo está cheio de maquinações.
Sua garganta é um túmulo aberto e sua língua é aduladora.
Declara-os culpados, ó Deus. Que seus planos fracassem!
Expulsa-os por seus crimes numerosos, porque se revoltam contra ti.
Fiquem alegres todos os que se abrigam em ti, e se rejubilem para sempre.
Tu os proteges, e em ti exultam os que amam o teu nome.
Pois tu, Javé, abençoas o justo, teu favor o protege como escudo.

Salmo 4

Deus defende o pobre

Do mestre de canto. Com instrumentos de corda. Salmo. De Davi.
Quando te invoco, responde-me, ó Deus, meu defensor! Na angústia tu me aliviaste: tem piedade de mim, ouve a minha prece!
Ó homens, até quando vocês ultrajarão minha honra, amando o nada e buscando a ilusão?
Saibam que Javé faz maravilhas por seu fiel: Javé ouve quando eu o invoco.
Tremam e não pequem. Reflitam no silêncio do leito.
Ofereçam sacrifícios justos e tenham confiança em Javé.
Muitos dizem: “Quem nos fará ver a felicidade?” Javé, levanta sobre nós a luz da tua face!
Puseste em meu coração mais alegria do que quando transbordam o trigo e o vinho deles.
Em paz me deito e logo adormeço, porque só tu, Javé, me fazes viver tranqüilo.

Louvores Ao Deus Altíssimo – São Francisco De Assis

Tu és santo, Senhor Deus único,
o que fazes maravilhas.
Tu és forte, tu és grande, tu és altíssimo.
Tu és rei omnipotente,
Tu, Pai Santo, rei do céu e da terra.

Tu és trino e uno,
Senhor Deus dos deuses.
Tu és o bem, todo o bem, o sumo bem,
Senhor Deus, vivo e verdadeiro!

Tu és amor, caridade! Tu és sabedoria!
Tu és humildade! Tu és paciência!
Tu és beleza! Tu és mansidão!
Tu és segurança! Tu és descanso!

Tu és gozo!
Tu és a nossa esperança e alegria!
Tu és justiça! Tu és temperança!
Tu és toda a nossa riqueza e saciedade!

Tu és beleza! Tu és mansidão!
Tu és o protector!
Tu és o nosso guarda e defensor!
Tu és fortaleza! Tu és consolação!

Tu és a nossa esperança!
Tu és a nossa fé!
Tu és a nossa caridade!
Tu és toda a nossa doçura!

Tu és a nossa vida eterna:
o Senhor grande e admirável,
o Deus omnipotente,
o misericordioso Salvador!

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O SUSSURRO SUBLIME DO NATAL

O SUSSURRO SUBLIME DO NATAL
A Promessa de Esperança
(Volume 8, número 4, dezembro 1997)
Kenneth Wapnick, Ph.D.
Tradução: Eliane Ferreira de Oliveira

As seguintes estrofes são as estrofes iniciais de um dos últimos poemas de Helen, “A Ressurreição e a Vida”, escrito no dia de Ano Novo, 1978. É um trabalho particularmente interessante por sua integração com os temas da Páscoa e do Natal. Na verdade, Helen expressou para mim o pensamento de que ela sentia que esse era realmente dois poemas, o primeiro terminando com essas primeiras quatro estrofes, e o segundo, as três seguintes. Eu discuto o poema e a reação de Helen a ele em “Ausência de Felicidade”, p. 431-433. Aqui, então, estão as estrofes iniciais, que servem como uma introdução adequada a esse artigo:

A Ressurreição e a Vida

Tu pensaste que Ele estava morto, Ele Que surgiu novamente para ti,
E, então, tu não podes ver a luz brilhante
Na qual tu és deixado. Vinde, Minha criança,
E não O julgue. Ele não está morto. Tão brilhante
É Sua radiância, que nada ainda permanece
Obscuro em relação ao Céu, na dúvida da noite.

O nascimento foi tão quieto, que tu não entendeste
Quem veio a ti. Ante teus olhos assustados,
O Senhor da luz e da vida pareceu falhar
Em Suas promessas da graça do Céu, e morre
Para sempre em uma cruz. Nem podes tu ver
A Criança da esperança Que repousa em uma manjedoura.

Os sábios são silentes. Aquieta-te por um instante
E deixa os sábios te mostrarem o que eles vêem
Que veio a ti da quietude e da paz
Que repousa em ti, mas fala a eles sobre Mim.
E, então, sintam-se confortados. O Senhor vivo
Veio novamente aonde era desejado.
Espera agora pela manhã. No silêncio, ouve
O sussurro sublime que chama o Filho
Em certeza quieta e calma adorável
De Quem a morte liberou para a vida. Ele é Aquele
Por Quem tu esperas. Então, olha novamente para Ele,
E une-te com Sua bênção, “Está feito”.
(As Dádivas de Deus, p. 100)

Nesse artigo, no boletim de setembro, “Estranhos em uma Terra Estranha: A Busca Pelo Significado e Esperança”, Gloria e eu discutimos a inevitável desesperança das pessoas que buscam o lar aqui, sem mencionar a busca por felicidade em um mundo cujo propósito específico é nos manter afastados da nossa verdadeira felicidade – a Vontade de Deus. Nesse artigo, eu me focalizo na esperança que ainda pode ser encontrada em meio ao que o Curso descreve como um mundo que está “muito cansado agora… velho e exausto, e sem esperança” (MP-1.4:4-5).
Como Jesus repetidamente nos ensina em Um Curso em Milagres, o objetivo do ego ao criar o mundo físico foi (e continua a ser) perpetuar a ilusão da esperança no que é inerentemente uma situação sem esperança. Ele atinge esse objetivo impelindo-nos a buscar e encontrar as respostas para nossos problemas percebidos em qualquer coisa que seja externa às nossas mentes, dessa forma, é claro, assegurando que nunca vamos realmente encontrá-las, uma vez que a Resposta só pode ser encontrada dentro da mente que o ego teve sucesso em enterrar:
Uma escolha real não é uma ilusão. Mas o mundo não tem nenhuma a oferecer. Todas as suas estradas só levam ao desapontamento, ao nada e à morte. Não existe nenhuma escolha entre as suas alternativas. Não busques escapar dos problemas aqui. O mundo foi feito para que não fosse possível escapar dos problemas. Não sejas enganado por todos os nomes diferentes que são dados às estradas. Elas só têm um fim. E cada uma não passa de um meio de adquirir aquele fim, pois é a isso que todas as suas estradas conduzirão, por mais que os seus inícios pareçam diferentes; por mais que os seus percursos pareçam diferentes. O seu fim é certo, pois não existe nenhuma escolha entre elas. Todas conduzirão à morte (T-31.IV.2:1-12).
E é a escuridão da morte que nos atrai, como a seção sobre o terceiro obstáculo à paz explica (T-19.IV-C). Portanto, nós intencionalmente chegamos a esse mundo sem escolha, para viver, sofrer e finalmente morrer.
No entanto, a estratégia do ego em fazer o mundo ilusório foi esconder essa atração subjacente por trás de um véu de esquecimento. É essa amnésia deliberadamente selecionada que impede que nos lembremos de que foi realmente a escolha de nossas mentes vivermos na escuridão da separação, individualidade e especialismo. É realmente nossa decisão não voltarmos para a luz da verdade, a Presença amorosa do Espírito Santo que, em nossas mentes certas, continuamente nos chama para escolhermos outra vez. Seu chamado é um sussurro sublime que gentilmente nos lembra, em meio aos gritos estridentes do ego, de escolhermos o Cristo vivo – o verdadeiro Filho de Deus – como nossa Identidade, e não o travesti moribundo da criação que o ego chama de “Filho”.
Nossas vidas aqui são salas de aula, como Jesus nos ensina em Um Curso em Milagres, nas quais temos a escolha de aprender ou as lições escuras de culpa, ódio e desespero do ego, ou as lições repletas de luz de perdão, amor e esperança do Espírito Santo. A escolha, de acordo com o Curso, se resume simplesmente a com qual professor vamos escolher aprender, uma decisão baseada nas lições que desejamos aprender. Pelo fato de termos escolhido o ego, a vida realmente tem sido difícil, o mundo sendo um lugar “seco e poeirento, aonde criaturas famintas e sedentas vêm para morrer” (LE-pII.13.5:1). No entanto, “na crucificação está depositada a redenção” (T-26.VII.17:1), e então, quando a vida parece mais escura e fútil, ainda podemos escolher ouvir a Voz interior que fala sobre outra forma de perceber o mundo.
Tudo o que é necessário é uma pequena disponibilidade para pedirmos ajuda a Jesus ou ao Espírito Santo. Isso faz com que nossa disponibilidade seja quieta, e permite que Ele aponte o caminho. “Os sábios são silentes”, o poema de Helen nos diz, pois eles viram através dos truques do ego e, portanto, perceberam que nenhuma resposta à ilusão é necessária. A paciência é uma das dez características dos professores avançados de Deus – os mais sábios -, pois eles “estão certos do resultado [e] podem esperar, e esperar sem ansiedade” (MP-4.VIII.1:1). Na verdade, uma das descrições mais importantes do Um Curso em Milagre sobre o perdão salienta esse aspecto de espera paciente e confiante:

O perdão… é quieto, e em sua quietude, nada faz… Meramente olha e espera e não julga (LE-pII.1.4:1,3).

Esse olhar e esperar pacientes nascem da certeza de que as coisas não são como parecem. A imagem escurecida de falha e morte do ego desvanece-se suavemente ante o gentil advento do perdão, afastada de nós por Jesus, nosso maior símbolo do mundo ocidental para a vida e a verdade. Como o poema afirma, em seu verso inicial, sobre o Jesus crucificado e aparentemente morto: “Venha, Minha criança/ E não O julgue. Ele não está morto. Tão brilhante é/ Sua radiância, que nada ainda permanece/ Obscurecido do Céu na dúvida da noite”.
Em outras palavras, nossas percepções mentem, pois elas nos dão o testemunho de uma realidade aparente de um mundo separado de tempo e espaço, ganho e perda, vida e morte. Nossos problemas aqui parecem tão reais, nossas necessidades tão prementes, que é quase impossível reconhecer o truque de ilusionismo do ego que nos faz ver algo onde não existe nada, e não ver o que realmente está lá. É por uma boa razão que através de todo o Curso, Jesus descreve o ego em palavras sugerindo um mágico, o mestre ilusionista. E então, Um Curso em Milagres nos ensina o quanto estamos errados e, na verdade, sempre estivemos – sobre tudo. É por isso que o poema diz: “Então, até o nascimento, tu não compreendeste/ Quem veio a ti. Nem podes ver/A Criança de esperança Que repousa em uma manjedoura”.
Nossas vidas individuais são as manjedouras nas quais, para reformular a adorável linha do livro de exercícios (LE-pII.182.10:1), Cristo renasce a cada vez que o viajante retorna para casa. Nosso lar é temporariamente a mente certa, que corrige e desfaz a insistência da mente errada do ego de que nosso lar é no corpo e no mundo, uma existência baseada em uma ordem ilusória de necessidades, derivada do nosso senso de falta. Essa falta começa no nascimento e não cessa até a morte, o final aparente do sonho corporal do ego. E, dentro desse sonho de escassez, o nascedouro de todo especialismo, nós cambaleamos por aí, com olhos que não vêem, e cérebros que não compreendem, ainda que a Criança da esperança repouse dentro de nossas mentes, pacientemente aguardando nossa decisão de voltarmos a Ela, nosso verdadeiro Ser.
A redenção que está depositada na crucificação, repousa dentro do poder de nossas mentes de escolher ver o mundo através dos olhos que realmente vêem, capacitando-nos a compartilhar a visão de Cristo. Assim como o prisioneiro liberto da famosa alegoria de Platão, os sábios que vêem através dos olhos do Cristo conhecem a diferença entre aparência e realidade, entre sombras e luz. Portanto, novamente, eles não são levados pelos problemas do mundo, reconhecendo que são todos o mesmo. E, sendo todos iguais, só requerem uma única solução – a visão de Cristo que vê através do véu ilusório da materialidade, vislumbrando a verdade interior. Como Jesus afirma sobre as “nuvens escuras de culpa”:

Permite que o teu Guia te ensine a sua natureza sem substância à medida que Ele te conduz além delas, pois lá embaixo há um mundo de luz, sobre o qual não projetam sombra alguma (T-18.IX.8:3).

E depois, no texto:

Não há problema, não há evento nem situação, não há perplexidade que a visão não selecione (T-20.VIII.5:6-8).

Uma vez que nossa própria voz de medo e especialismo tenha sido aquietada por nossa decisão de ouvir verdadeiramente, uma nova percepção vem a nós (LE-pII.313), e podemos ver e ouvir. O sussurro sublime do Espírito Santo finalmente está livre para falar conosco sobre a simples verdade da mensagem de Jesus sobre a ressurreição e vida, o perdão e o Amor. O mundo não mais nos aprisiona por seus cantos de sereia que nos tentam com as aparentes alegrias da vida separada, pois ultrapassamos o mundo ilusório da morte até a terra pacífica do nosso gentil renascimento como o filho mais Santo de Deus:

Quando tiveres olhado para o que aparentava ser aterrador e tiveres visto tudo isso se transformar em paisagens de beleza e paz; quando tiveres olhado cenas de violência e morte e observado que mudaram e vieram a ser panoramas tranqüilos de jardins sob céus abertos, com a água clara, portadora da vida, correndo alegremente por eles em riachos dançantes que nunca se perdem, quem precisará persuadir-te a aceitar a dádiva da visão? E depois da visão, há alguém que poderia recusar aquilo que necessariamente se segue? Pensa só por um instante apenas nisso: podes contemplar a santidade que Deus deu ao Seu Filho. E nunca mais precisas pensar que há alguma outra coisa para veres (T-20.VIII.11).

Historicamente, o Natal surgiu como uma celebração “pagã” de folia que se centrava no solstício de inverno, 22 de dezembro, o dia mais curto e, portanto mais escuro do ano. Séculos depois, os cristãos pegaram esse feriado para si mesmos (em algum momento transferido para o dia 25 de dezembro), e ele se tornou um símbolo do nascimento de Jesus, a luz cristã do especialismo que veio ao mundo escurecido (João 1:1-14). No entanto, como um mero símbolo, o Natal pode ter um significado diferente atribuído a ele, se assim o quisermos. Em Um Curso em Milagres, ele simboliza o renascimento de Cristo em todos nós, e, portanto, é uma luz verdadeira e não-especial, cujo sinal é uma estrela que brilha na escuridão (T-15.XI.2:1). E então, o Natal também é um símbolo da promessa de esperança, que não está fora de nós, em um Outro alguém mágico, mas, ao invés disso, nos guia, como uma estrela brilhante sobre nossas cabeças – “imutável, em um céu eterno” (T-30.III.8:4) -, para o Céu dentro de nossas mentes (T-15.XI.2:2). É a esperança de que Cristo, nosso verdadeiro Ser, nasce em nós sempre que escolhemos tornar Seu Pensamento o nosso próprio, deixando para trás os miseráveis pensamentos que uma vez tivemos sobre não sermos mais merecedores dos tesouros do Céu. Portanto, a estrofe final do lindo poema de Helen ecoa a promessa de esperança e conforto de Jesus a todos nós que ainda escolhemos a escuridão da morte ao invés da luz radiante da vida, e iríamos preferir entoar os cantos fúnebres de separação ao invés da ancestral e alegre canção da união:

Não vejas o fim onde o início está,
Nem escuridão na luz do sol. Tu que vieste para lamentar,
Lembra-te agora da ancestral canção de nascimento,
E deixa de lado os sinais da angústia apresentados
Pelas mães sem filhos. Eleva teu coração a Ele,
Pois mais uma vez, para ti, uma Criança nasceu.
(As Dádivas de Deus, p. 101).

[Caio Fábio] Aos Crentes Mágicos…

Uma das coisas que sempre me impressionaram na natureza humana é a nossa capacidade de criar qualquer realidade que desejemos; e, a seguir, projetá-la em alguém, em alguma coisa, em algum lugar ou individuo; ou ainda sobre uma instituição, seja ela de qual natureza for… — para, então, entregarmo-nos à fantasia… como se aquilo fosse a coisa mais real e genuína possível; até que depois de um tempo…, ao verificar que espinheiros não dão uva, saímos chorando, chocados, lamuriando contra Deus e a existência, sentido-nos enganados; e tudo porque espinheiros dão espinhos e videiras dão uva, embora nós tenhamos teimado em plantar uma natureza e esperando ceifar a outra…
Assim, relembrando que espinheiros não dão uvas, digo:
Toda mentira adoece o mentiroso, e inicia nele uma doença na mente; a doença da fantasia armada e destrutiva; além de que faz dele um ser mau caráter, pois, toda falsificação da realidade é a própria criação do diabo no interior do inventor, do mentiroso…
Não existe boa traição. Toda traição é traição, ainda que seja do policial ao bandido; e a sua conseqüência é que todo traidor fica pior do que qualquer traído, por pior que ele seja; e mais: quanto melhor for o traído, pior ficará o traidor…
Não existe pai e mãe que mereçam ser desonrados. Quem desonra pai e mãe deflagra o mecanismo de autodestruição no ser… Por isto ele não será longevo na alma…
Não existe o lúcido adorador de ídolos… Quem adora a um ídolo fica sempre menor do que ele, até que nele se dissolva…
Ninguém cuja profissão existencial seja perseguir acabará a vida doce…
Quem dissimula com habilidade se torna o diabo de si mesmo para sempre…
Quem dá falso testemunho cria para si mesmo aquilo que falsamente testemunhou…
Todo aquele que julga e decide o destino de alguém, cria para si mesmo o padrão pelo qual Deus o julgará…
Quem entrega os tesouros de sua alma a alguém que não seja confiável, será devorado pelo suíno que receber tais preciosidades como dádivas de um insensato…
Quem não serve copos de água ao sedento jamais beberá da fonte da água da vida…
Quem nada dá a ninguém, esse nunca terá o que seja Graça de Deus…
Quem ama a morte é filho do inferno…
Quem odeia é sócio do diabo na destruição da vida; e com ele compartilhará o mesmo destino…
Quem trama o mal ficará louco e paranóico, e morrerá de suas próprias armadilhas…
Todo aquele que inveja se torna o mais feio dos homens…
O arrogante é o coveiro de sua própria sepultura…
O sedutor vira lesma gosmenta na alma… E ele mesmo morrerá sem se suportar…
Todo aquele que vive para esconder um dia não mais saberá o caminho de volta de seu próprio labirinto de enganos e ocultamentos…
Assim é a vida…
E não há oração, unção, mágica ou poder algum que possam mudar a natureza de tais coisas!
Bem-aventurado o que crê na verdade da realidade e na realidade da verdade!
O que passar disso…, é tentativa de fazer mágica na existência!…

Nele, que nunca nos mandou praticar mágica, pois Ele não acredita em mágica,

Caio
2 de agosto de 2009
Lago Norte
Brasília
DF

CaioFabio.net

O Dom Secreto da Compaixão

A mobilidade descendente, o ir ter com os que sofrem e partilhar as suas penas, parece que sabe um pouco a masoquismo ou até doença. Que alegria pode haver na solidariedade para com os pobres, os doentes e os moribundos? Que alegria pode haver na compaixão? Pessoas como Francisco de Assis, Carlos de Foucauld, Mahatma Gandhi, Albert Wchweizter, Dorothy Day e muitos outros, eram tudo menos masoquistas ou doentes. Todos irradiavam alegria. Esta é, obviamente, uma alegria desconhecida do nosso mundo. Se nos guiássemos pelo que nos dizem os meios de comunicação social, a alegria devia ser o resultado do sucesso, da popularidade e do poder, mesmo que os que detêm essas coisas tenham, com frequência, um coração pesado e até deprimido.
A alegria que provém da compaixão é um dos segredos mais bem guardados da humanidade. É um segredo só conhecido de muito poucas pessoas, um segredo a descobrir continuamente. Eu, pessoalmente, tive umas “amostras” dela. Quando vim para Daybreak, uma comunidade com pessoas com deficiências mentais, pediram-me para passar algumas horas com Adam, um dos membros deficientes da comunidade. Todas as manhãs, tinha que o levantar da cama, dar-lhe banho, barbeá-lo, escovar-lhe os dentes, dar-lhe o pequeno-almoço e levá-lo para o lugar onde ele passa todo o seu dia. Durante as primeiras semanas, quase tive medo, sempre preocupado com não fazer nada mal ou com que ele tivesse algum ataque epiléptico. Mas, pouco a pouco, fui ficando mais calmo e comecei a apreciar a nossa rotina diária. Com o passar das semanas, descobri que já era com ansiedade que esperava por aquelas duas horas que passava com o Adam. Sempre que pensava nele durante o dia, experimentava um sentimento de gratidão por o considerar meu amigo. Embora ele não fosse capaz de falar e nem sequer de fazer um sinal de agradecimento, havia um autêntico amor entre nós. O meu tempo com Adam tornara-se o tempo mais precioso do dia. Quando uma visita amiga me perguntou um dia: “Não poderias passar melhor o tempo que a trabalhar com um homem deficiente? Foi para fazer esse tipo de trabalho que tiraste o teu curso?” , compreendi que não era capaz de lhe explicar a alegria que o Adam me trazia. Ele tinha que descobrir isso por si mesmo. A alegria é o dom secreto da compaixão. Continuamos a esquecer-nos disso e inconscientemente procuramo-la em outros lugares. Mas, cada vez que voltamos para onde existe a dor, conseguimos uma nova “amostra” de alegria que não é deste mundo.

[Henri Nouwen, Aqui e Agora]
(Via Conhecer E Seguir Jesus)