"A Casa Sobre A Rocha" (Mt5:24).

“O Amor é a Lei de Deus. Viveis para que aprendais a amar. Amais para que aprendais a viver. Nenhuma outra lição é exigida do homem.” (O Livro De Mirdad)

6 – BEM-AVENTURADOS OS PUROS DE CORAÇÃO, PORQUE ELES VERÃO A DEUS

Posted by José Eduardo Glaeser em 18/12/2010

Os pobres pelo espírito são os possuidores do Reino dos Céus.
Os puros de coração são os videntes do próprio Deus.
Os possuidores do Reino dos Céus são os que, interiormente, pela atitude do seu espírito, se despossuíram dos reinos da terra, e assim abriram o caminho para o Reino dos Céus.
Os videntes de Deus são os que se libertaram, não só dos bens materiais, mas também dos bens mentais e emocionais, de todos os pensamentos e desejos incompatíveis com o mundo divino.
Quem é puro de coração é também pobre pelo espírito; quem se libertou de pensamentos e desejos egoístas, também se liberta de posses egoístas.
Pureza, na linguagem do Evangelho, é sempre desapego de tudo que não seja compatível com o mundo do espírito; não se refere apenas a desordens sexuais, que são apenas um pequeno setor dessa vastíssima impureza do ego.
Nenhum objeto em si pode escravizar o homem, quando o homem se mantém, mental e emocionalmente, livre pela atitude interior; o que escraviza não é a posse interna, e sim o apego interno. Pode um milionário estar livre daquilo que possui – e pode um pobre mendigo não estar livre daquilo que não possui, pois deseja desordenadamente possuir.
Liberdade e escravidão não são, em última análise, uma questão de ter ou não ter, mas sim um problema de não ser possuído por aquilo que se possui, ou mesmo não possui.
A pobreza pelo espírito supõe necessariamente a pureza do coração. Nenhum ato em si, nenhum fato, nenhum objeto escraviza o homem, se ele mantém no seu interior uma atitude de desapego e liberdade.
Não existem objetos moralmente bons ou maus; todos os objetos são moralmente neutros, nem bons nem maus. Somente o sujeito é que pode ser bom ou mau, pela atitude correta ou incorreta do seu livre arbítrio.
A morte priva o homem do seu corpo material – mas não o priva necessariamente do seu materialismo, que é uma atitude mental e emocional. Possivelmente, existem mais materialistas no mundo imaterial do que no mundo material. A morte não nos priva do materialismo, que é uma atitude mental do ego, e pode ser mantida indefinidamente; priva-nos apenas da matéria. O nosso livre arbítrio é responsável pelo nosso materialismo ou não materialismo, seja antes, seja depois da morte.
Quem, durante a vida terrestre, em corpo material, não superou o seu materialismo, não tem a garantia de superá-lo após a morte, no mundo imaterial.
A morte não nos faz o que a vida não nos fez.
Por isto, é importantíssimo que o homem se liberte do seu materialismo, aqui e agora. Se o homem sem corpo material, porém materialista, não se libertar desse materialismo e só idolatrar a vida da matéria, possivelmente conseguirá voltar à matéria, mas nem por isto superou o seu materialismo. Pelo contrário, reforçou o materialismo mental pela rematerialização física. E se, nessa rematerialização física, não se desmaterializar mentalmente pela espiritualização do seu livre arbítrio, poderá repetir quantas vezes quiser esse regresso à matéria sem progredir um passo, num eterno círculo vicioso.
“O homem é aquilo que ele pensa no seu coração” – estas palavras da sagrada escritura são uma grande verdade. O pensamento do homem é a locomotiva da sua vida; se os pensamentos seguem por trilhos errados, todos os vagões da vida humana seguem o mesmo caminho. E isto, sobretudo, quando são pensamentos do coração, isto é, pensamentos onerados de afetividade. Pensar é luz, querer é força; pensar afetivamente é uma luz poderosa, é um poder luminoso.
A pureza do coração visa, de preferência, ao mundo invisível dos pensamentos e dos afetos, que, mais do que outro fator qualquer, libertam ou escravizam o homem, consoante a natureza positiva ou negativa dessa atitude mental.
O que modifica o homem não são as circunstâncias, como o nascer, o viver ou o morrer; mas sim a substância do seu ser.
Nascemos, mercê de nossos pais.
Vivemos, graças aos alimentos que assimilamos.
Morreremos em conseqüência de um acidente, de uma doença ou da velhice.
Nada disto é obra nossa, da nossa substância, é obra das circunstâncias alheias ao nosso verdadeiro ser. Nosso é somente a substância do nosso ser, que se focaliza no livre arbítrio. O homem é, aqui na terra, o único ser que se pode fazer melhor ou pior do que Deus o fez. Disse alguém que Deus creou o homem menos possível, para que o homem se possa crear o mais possível. De Deus recebeu o homem a sua creaturidade creativa, e, de acordo com sua creatividade, o homem se pode tornar melhor ou pior do que Deus o fez.
O livre arbítrio é a chave do céu ou do inferno, da felicidade ou da infelicidade, da vida eterna ou da morte eterna.
Quando o livre arbítrio não está em sintonia como infinito, o homem está, por assim dizer, num ambiente opaco que não permite ver a Deus; mas, quando o homem sintoniza a sua consciência individual com a consciência universal, a sua visão se torna diáfana e transparente; ele vê Deus, não somente em Deus, mas também em todas as obras de Deus. Para ele, o mundo mineral, vegetal e animal deixou de ser algo espesso e opaco; todos os invólucros se tornaram como que transparentes e cristalinos, que lhe permitem enxergar o seu conteúdo, a sua essência interna através das existências externas. Se Deus não estivesse presente em todas as coisas – ou melhor, se Deus não fosse a íntima essência de todas as coisas – o homem só poderia imaginar a presença de Deus, só poderia sugestionar-se ilusoriamente como se Deus estivesse presente. Mas, como a onipresença de Deus é uma realidade ontológica e metafísica; como não há nada onde Deus não esteja presente, o homem, em toda a plenitude da verdade, pode ver Deus em tudo, sem nenhuma necessidade de recorrer a sugestões e camuflagens artificiais. Ver o Deus onipresente, presente em qualquer creatura – em átomos e astros, em pedras e plantas, em animais e hominais – isto é iniciar o Reino de Deus aqui na Terra.
A pureza do coração produz, pois, uma espécie de clarividência, digamos, uma teo-vidência.
Aliás, todo o progresso do mundo do espírito consiste, sempre e invariavelmente, num processo de remoção de obstáculos. A realidade espiritual nunca está ausente; nunca o homem necessita de tornar presente o que está ausente. O que o homem necessita fazer é unicamente ver o que está imperceptivelmente presente; conscientizar o que está realmente presente, mas de que o homem era inconsciente.
Quando a vidraça de uma janela está coberta de fuligem ou outra substância impenetrável, e o sol meridiano brilha do outro lado e eu estou deste lado da vidraça, o sol presente em si está ausente de mim. É invariavelmente isto que acontece ao homem profano, quando não percebe Deus, o espírito, a Realidade eterna, objetivamente presentes, mas subjetivamente ausentes.
Nos seus Solilóquios Santo Agostinho pergunta a Deus: “Onde estavas tu quando eu vivia nos meus pecados?” E Deus lhe responde: “Eu estava no meio do teu coração; estava sempre presente a ti, mas tu estavas ausente de mim”. Ao que Agostinho replica: “Como podia eu estar ausente de ti se tu estavas presente a mim? Presença não supõe dois?” E Deus lhe responde: “Eu estava sempre presente a ti, porque sou onipresente a todas as coisas; mas tu fazias de conta que eu estava ausente, para poderes viver nos teus pecados; e esta suposta ausência minha tu chamavas a minha ausência”.
Nenhum homem pecador gosta de admitir a presença de Deus, assim como as trevas não gostam da presença da luz. E o homem para justificar a sua atitude antidivina, recorre a toda a espécie de camuflagens e escamoteações, para se convencer, ou pelo menos persuadir, de que Deus não existe.
Todo o ateísmo metafísico é uma conseqüência do ateísmo moral. Somente o homem que enxerga alguma vantagem subjetiva na idéia da ausência de Deus está inclinado a negar a existência objetiva dele. O sistema da nossa filosofia, disse alguém, é quase sempre o produto do nosso modo de viver. Nenhum homem eticamente bom está em perigo de professar ateísmo.
Os puros de coração verão a Deus, porque a pureza interior é uma transparência espiritual.
Os romanos chamavam o Universo “mundus” que quer dizer, puro.
O mundo de Deus é sempre puro, inconscientemente puro. Somente o mundo do homem pode ser conscientemente puro ou conscientemente impuro. Quando o homem, pelo uso correto do seu livre arbítrio, crea em si um mundo puro, faz ele coincidir a sua pureza consciente com a pureza inconsciente do cosmos – e é então que ele descobre, pela primeira vez, que o mundo, que é “mundus” (puro), é também um “kosmos”, isto é um mundo “belo”, como os gregos chamavam o mundo.
Para o puro de coração, a pureza e a beleza de Deus transparecem através de todos os mundos de Deus.
A diafania da alma torna diáfanos todos os corpos opacos.

http://asabedoriadejesusdenazare.blogspot.com/

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