"A Casa Sobre A Rocha" (Mt5:24).

“O Amor é a Lei de Deus. Viveis para que aprendais a amar. Amais para que aprendais a viver. Nenhuma outra lição é exigida do homem.” (O Livro De Mirdad)

Padre Henrique – O Espírito Santo gera corações adoradores 2/3

Posted by José Eduardo Glaeser em 16/01/2011

Caro internauta, ofereço-lhe a segunda das três palestras que apresentei no Encontro de Pentecostes, promovido pela Renovação Carismática, aqui em Maceió. Espero que lhe sejam de proveito espiritual.

Adorar em Espírito e Verdade

Conversando com a Samaritana, disse Jesus: “Vem a hora – e é agora – em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em Espírito e verdade, pois tais são os adoradores que o Pai procura. Deus é Espírito e aqueles que o adoram devem adora-lo em Espírito e verdade” (Jo 4,23-24).
Deus é Espírito! Aqui não se trata de uma definição filosófica de Deus, significando que ele é imaterial. Jesus quer dizer mesmo é que Deus é livre, soberano, infinito, misterioso, é uma força impetuosa e incompreensível, que o homem não pode controlar, compreender e domar com sua razão – Deus é Espírito, como o vento que sopra onde quer, sem que possamos compreendê-lo e controlá-lo; não podemos apreendê-lo, não podemos rastrear os seus passos. Ele vem tantas vezes na escuridão da dor, do sofrimento, no vazio do silêncio, dos absurdos da vida e da história humana… Ele vem quando e como menos esperamos! Sendo Deus assim, somente pode ser reconhecido e acolhido no Espírito Santo, que nos abre para o Mistério do Infinito. Aqueles que o adoram só podem fazê-lo em Espírito e Verdade, isto é, sob o impulso doce e firme do Santo Espírito do Ressuscitado! É o Espírito quem nos abre à dimensão de Deus – dimensão da eternidade, dimensão do infinito, do soberanamente livre e surpreendente!
Jesus havia dito: “Quando vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à verdade plena, pois não falará de si mesmo. Ele me glorificará porque receberá do que é meu e vos anunciará. Tudo que o Pai tem é meu!” (Jo 16,13.14). Ora, adorar o Pai em Espírito é descobrir o rosto e o coração do Pai em Jesus, é glorificar Jesus, é adorar Jesus! O Espírito nos dá testemunho de Jesus e a ele nos atrai para, finalmente, através dele, conduzir-nos ao Pai. É o Espírito quem nos convence de que Jesus está vivo e nos faz entrar em contato com ele com um coração cheio de unção amorosa: “Eu rogarei ao Pai e ele vos dará outro Paráclito para que convosco permaneça para sempre, o Espírito da Verdade que o mundo não pode acolher porque não o vê nem o conhece. Vós o conheceis porque permanece convosco! Eu virei a vós! O mundo não mais me verá, mas vós me vereis porque eu vivo e vós vivereis. Nesse dia compreendereis que estou em meu Pai e vós em mim e eu em vós” (Jo 14,16-17.19-20). Eis aqui uma experiência impressionante: enquanto o mundo não conhece Jesus, não o reconhece como o Vivente, nós podemos realmente experimentá-lo vivo, atuante, íntimo nosso! Basta pensar na experiência palpitante da oração: ninguém de nós pensa que entra em contato com um personagem do passado, um morto, presente somente na nossa memória e no nosso sentimento. Não é essa a nossa experiência com Cristo! Experimentamo-lo vivo e adorável; experimentamo-lo amável e realmente o amamos e o adoramos! Eis, somente no Espírito Santo tal experiência é possível! O que Jesus nos prometeu, ao nos dar o Espírito, é algo maravilhoso: nós experimentamos realmente que nosso Salvador está vivo, e não só: o próprio Espírito que ele nos dá faz-nos viver a vida de Jesus: “Eu vivo e vós vivereis!” Não somos nós que “vivificamos” Jesus no nosso coração e na nossa memória, mas é Jesus vivo quem, no Espírito, nos vivifica e nos une a ele, fazendo-nos amá-lo e adorá-lo em Espírito e Verdade! E nesse ninho de adoração, nesse gostoso e inenarrável aconchego de amor, experimentamos, no Espírito, que Jesus está no Pai e nós em Jesus e Jesus em nós. A adoração se torna comunhão, torna-se bendita fusão de amor, pregustação da doçura do céu!
Mas, onde fazer tal experiência do Espírito que nos joga no Coração de Jesus? Qual é esse espaço bendito, esse ninho de adoração criado e aquecido pelo Espírito? É a Igreja, Corpo de Cristo; é ele o ambiente por excelência do Espírito, o Templo vivificado e sustentado pelo Espírito do Ressuscitado. É na Igreja que o Espírito nos faz realmente experimentar Jesus vivo, Jesus inteiro, Jesus real. Fora da Igreja, comunidade fundada por Cristo e sustentada pelo Espírito, Jesus ou é morto (é o caso do mundo incrédulo) ou é, em certo sentido, mutilado (é o caso das comunidades cristãs que romperam a comunhão com o Papa e com a fé da Igreja de Roma). O Espírito nos faz experimentar Jesus vivo e atuante em todos os âmbitos da vida da Igreja, mas principalmente em três realidades:
(1) na Palavra proclamada. É pela unção do Santo Espírito que a inspira, que a Palavra de Deus, que dá sempre testemunho do Senhor Jesus, é uma Palavra viva e eficaz, que nos questiona, nos coloca em crise, nos consola, nos alegra, nos ilumina e nos cura. Essa Palavra denuncia o nosso pecado e nos anuncia a salvação. Quando a ouvimos, não pensamos que estamos escutando um velho texto, vindo da poeira do passado, mas uma Palavra viva e atual, que é dirigida a cada um de nós com força e suavidade. Ora, esta experiência somente pode acontecer no Espírito Santo. Ele inspirou a Escritura, inspira e unge quem a proclama e inspira e unge o coração de quem a escuta. Aí, sim, dá-se a experiência maravilhosa: Jesus nos fala, Jesus torna-se, na Palavra, nosso contemporâneo, falando do hoje para pessoas de hoje! Jesus deixa-se descobrir e experimentar por nós como Alguém amável, confiável e adorável! Eis a ação do Santo Espírito!
(2) nos Sacramentos celebrados. O que a Palavra proclama eficazmente na força do Espírito, os Sacramentos realizam, pois a Palavra de Deus, ungida pelo Espírito Criador, faz acontecer concretamente o que ela anuncia. Um cristianismo somente de proclamação da Palavra, sem a celebração dos Sacramentos, é um cristianismo capenga, mutilado. Pois bem, é nos Sacramentos que o Pai nos dá a vida do seu Filho morto e ressuscitado, tornando-o presente na nossa vida. Ora, isso acontece pela ação do Espírito: ele é a própria vida de Jesus, o Ressuscitado no Espírito (cf. At 2,32; 1Pd 3,18s). Assim, em cada sacramento, recebemos o Espírito do Ressuscitado que nos vai transfigurando em Cristo Jesus, vai nos unindo ao Senhor! Em cada sacramento o Espírito é dado com um efeito diferente na nossa vida, mas sempre para nos unir a Jesus, fazendo dele nosso Senhor e Deus, amável e adorável. Eis: no Batismo, o Espírito é Vida nova em Cristo; na Crisma, é Força para edificar o Corpo de Cristo, que é a Igreja, e para testemunhar o Senhor Jesus diante do mundo; na Eucaristia, o Espírito é Amor oblativo, que impregnando de sua presença o pão e o vinho, os transforma no Corpo e no Sangue daquele que, num Espírito eterno, entregou-se ao Pai por nós na cruz (cf. Hb 9,14); na Penitência, o Espírito é dado para a remissão dos pecados; na Unção dos Enfermos, ele é Espírito de consolo e paz, de alívio e vigor, que nos dá a coragem de completar na nossa carne o que faltou à paixão do Cristo; na Ordem, ele é Espírito que unge para gerar os que participarão da missão do Cristo Cabeça e Esposo da Igreja como sacerdotes, profetas e pastores. Portanto, no Espírito, experimentamos em nós toda a ação admirável e adorável do Senhor Jesus que nos salva continuamente.
(3) na Comunidade que escuta e celebra. Finalmente, o Espírito está presente na comunidade, que é a Igreja: o Espírito nos une num só Corpo, o Corpo de Cristo! É no Espírito de Cristo que, mesmo na diversidade de dons, carismas, ministérios, opiniões e mentalidades, a Igreja permanece unida na escuta da Palavra, na celebração dos Sacramentos e na proclamação da mesma fé em torno dos mesmos pastores. O Espírito gera unidade e diversidade, unidade do Corpo de Cristo na diversidade dos membros. Ungindo a Comunidade dos discípulos, o Espírito faz dela lugar de paz e reconciliação, de caridade e acolhimento, sinal e antecipação do Reino de Deus.
Nesses três âmbitos – Palavra, Sacramentos e Comunidade – o Espírito nos inunda da doçura de Jesus, de modo que tudo se torna admiração, gratidão, obediência, abandono em Deus, confiança no Senhor, entrega, esperança… Tudo se torna Vida eterna, que faz os cristãos, pessoalmente e como Comunidade, celebrarem um verdadeiro culto espiritual, isto é, um culto no Espírito, na adoração ao Senhor Jesus, reconhecido no mais profundo de nós como Deus e Senhor. Então, experimentamos que “o Espírito socorre a nossa fraqueza… e o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis, e Aquele que perscruta os corações sabe qual o desejo do Espírito” (Rm 8,26s). Em outras palavras: experimentando Jesus vivo e soberano na Palavra, nos Sacramentos e na doçura da convivência fraterna, somos tomados de doce admiração e ação de graças, que levam a uma atitude de profundo reconhecimento e adoração ao Senhor – o Espírito nos faz adoradores de Jesus! Uma adoração que brota do interior, das fontes mais profundas do nosso coração…
Mas, há uma condição para que tal atitude adorante brote em nós num verdadeiro culto espirituado (= culto no Espírito): é celebrar esse culto na nossa própria vida, como Jesus, por Jesus e com Jesus: “Exorto-vos, portanto, irmãos, pela misericórdia de Deus, a que ofereçais vossos corpos como hóstia viva, santa, e agradável a Deus: este é o vosso culto espiritual! E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, renovando a vossa mente, a fim de poderdes discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, agradável e perfeito” (Rm 12,1-2). “Ofereçais vossos corpos como hóstia viva”, isto é, uni vossa vida à vida de Cristo, fazei de vossa existência toda uma participação na existência de Cristo ofertada ao Pai, tomai as atitudes e sentimentos de Cristo em todo o vosso viver! “Este é o vosso culto no Espírito! E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos”, entrai por um caminho de conversão, de mudança! Vosso modo de pensar, de sentir, de agir, de viver não pode ser segundo o mundo, conformado com o mundo, mas com-formado com Cristo, isto é, tomando a forma do Cristo morto e ressuscitado, feito todo entrega ao Pai no Espírito Santo! Eis aqui o que significa adorar em Espírito e Verdade: deixar-se modelar pelo Espírito para ter na nossa vida a forma de Cristo! Assim, nosso coração palpitará no ritmo do Coração do Senhor e nós experimentaremos realmente que ele é o nosso Tudo, nossa Vida, nossa Verdade. Eis o verdadeiro ambiente da verdadeira e profunda adoração! Sendo assim, abrindo de verdade espaço para o Espírito, seremos inundados da dçura do Filho vivo (que o mundo pensa que está morto); adorando-o e glorificando-o, descobriremos que Deus é Pai – o Pai amado de Jesus e nosso Pai em Jesus – e o adoraremos em Espírito e Verdade. Então, seremos como tochas nas trevas deste mundo, tochas acesas no fogo do Espírito. Amém.

VIA PADRE HENRIQUE

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