"A Casa Sobre A Rocha" (Mt5:24).

“O Amor é a Lei de Deus. Viveis para que aprendais a amar. Amais para que aprendais a viver. Nenhuma outra lição é exigida do homem.” (O Livro De Mirdad)

Será Que Você Consegue Reconhecer Jesus?

Posted by José Eduardo Glaeser em 04/02/2011

Será que você consegue reconhecer Jesus?
Por Júnior Bocelli

Quando lemos os evangelhos encontramos poucas vezes Jesus falando especificamente sobre céu e inferno; apesar desse ser um dos assuntos mais comentados entre os “cristãos”, não era assunto de Jesus. Isso porque a perdição da alma para Jesus acontece em vida e aos poucos, a cada escolha egoísta que fazemos.
Porém, apesar de Jesus não falar muito sobre a “perdição eterna”, esse é um dos temas mais discutidos entre os “cristãos”. Pois a “igreja” tomou para si o direito de determinar quem está e quem não está “salvo”, e vem usando dessa falsa “autoridade” em benefício próprio ao longo da história. Caminhando nesse caminho estranho ao Evangelho, a “igreja” faz lembrar a parábola que Jesus contou acerca do Senhor da Vinha e os seus servos, onde se diz que os servos maus roubaram a vinha do seu Senhor matando cada um dos servos enviados para a reconciliação, inclusive o seu próprio Filho.
Já discutimos bastante em outras ocasiões sobre como a religião usa o medo da maldição para manter o controle das pessoas, estabelecer o direito de um grupo sobre os demais e conseguir novos adeptos. Portanto, não perderemos tempo com essa discussão; se bem que seria útil relembrar algumas coisas para que o leitor menos experiente saiba, por exemplo, porque ele se sente tão culpado e apavorado acerca de todos os assunto que se referem de alguma forma a a religião. Farei, portanto, algumas afirmações simples acompanhadas de explicações sucintas para que o leitor tenha alguma idéia desses assuntos.
O controle da ordem é feito criando-se estereótipos com base naqueles que a “igreja” não gosta e determinando que qualquer pessoa que se enquadre nesses estereótipos está prestes a receber a danação eterna.
Se você vem de algum grupo “cristão”, com certeza consegue reconhecer termos como “desviado”, “perdido”, “rebelde”, “caído” e etc. Isso acontece porque esses termos (dentro do grupo “cristão”) correspondem a um conjunto de características (geralmente exteriores) que determinam estereótipos nos quais algumas pessoas se enquadram, vindo a serem repudiadas pelo resto do grupo. Agora você deve se perguntar o seguinte: Por que no meio de tantas mentiras, heresias destruidoras, ganâncias e outras coisas vergonhosas que têm habitado entre os “cristãos”, somente pessoas capazes de causar prejuízos financeiros, ou divisões que enfraqueçam o grupo politicamente e economicamente, se enquadram nesses estereótipos da religião? Agindo dessa forma eles me lembram o que Jesus disse acerca dos fariseus que prezavam mais o ouro do templo do que Aquele que santificava o ouro do templo.
Essa análise foi feita sob o ponto de vista do interesse dos donos da religião, mas podemos também fazer uma outra sob o ponto de vista do interesse do povo. Pois o que os “cristãos” se acostumaram a chamar de “santidade” não passa de moral humana, sem nenhuma relação com a ética do Evangelho. Eles usam essa interpretação moral da vida como pretexto para se manterem indiferentes em relação ao próximo. Só que nesse caso os estereótipos são outros, temos os “beberrões”, os “fumantes”, os “idólatras”, os “fornicários”, os “gays”, os “pecadores”, “incrédulos” e etc; pessoas que adquirimos um direito divino de odiá-las apenas porque não se enquadram nos nossos padrões.
O avanço econômico e político da “igreja” é feito com base na existência de um suposto direito de soberania dos “eleitos de Deus” sobre os homens que possuem uma confissão de fé e costumes diferentes.
Essa doutrina de que o poder de Deus se manifesta na terra na forma de poder político e econômico tem sido usada desde o início das civilizações para fazer com que as camadas populares trabalhem em benefício dos líderes políticos e religiosos (sobre esse tema). Não é um defeito apenas dos “cristãos”, mas de todas as religiões pagãs, sobretudo daquelas que acreditam na existência de um deus pessoal. Vários conflitos atuais no mundo, aparentemente motivados por diferenças religiosas, na verdade atendem ao interesse político e econômico de milícias e grupos extremistas, que não conseguiriam o apoio do povo a não ser pelo pretexto religioso.
Já discuti bastante sobre como o mundo “cristão” adota a mesma doutrina na sua suposta guerra contra os pecadores, e, portanto não perderei muito detalhando essa afirmação (veja um exemplo). Segundo a religião, qualquer pessoa que tenha uma confissão de fé diferente da confissão do grupo será condenada ao inferno; ora, se o próprio Criador destinou essas criaturas ao inferno, que incentivo tenho eu para amá-las e respeitá-las? Essa “guerra” contra os pecadores é freqüentemente usada pela religião, por exemplo, para eleger políticos, justificar guerras, comprar propriedades, comprar emissoras de televisão e etc.
Quando se fala em “evangelização” dentro da instituição religiosa, na verdade se está falando em campanhas de captação de novos membros.
Essa afirmação está desatualizada e as pessoas mais novas, que estão começando a ter um contato mais intenso com a religião agora, talvez não entenderão o significado dessa afirmação. Pois hoje em dia os novos “cristãos” não usam muito a questão do inferno para conseguir novos membros; a moda hoje é oferecer um serviço de “assessoria e encaminhamento” com garantias de que o novo fiel será feliz, alcançará os seus sonhos, prosperará financeiramente e dominará sobre a Terra (em outro texto discutiremos esse ponto).
Há algum tempo atrás existia no meio religioso um medo real de que o mundo acabasse de uma hora para a outra e que as pessoas as quais amávamos, mas que não faziam parte da nossa seita, recebessem o juízo eterno de Deus. Esse medo mantido pelos donos de templos era o bastante para que o povo trabalhasse em prol da “obra de Deus”, que neste caso envolvia um esforço no sentido de conseguir mais membros.
De qualquer forma, o fato é que sistematicamente essas novas pessoas pessoas vão sendo expostas as doutrinas e aos costumes da “igreja”, mas não a Palavra de Deus. Ao invés de serem incentivadas a crescerem na fé e a andarem com as próprias pernas, são mantidas em um estado de imbecilidade crônica em completa dependência da religião, dos líderes e do acolhimento do grupo.
O resultado é que essas pessoas se tornam simples trabalhadores dos projetos que interessam a organização, e, apesar de se tornarem julgadoras do mundo, não conhecem quase nada sobre Jesus e o Evangelho. De tempos em tempos surgem novos “moveres do Espírito”, tentativas de aumentar a sobre-vida desses zumbis religiosos por mais algum tempo.
Após essa introdução, necessária para revelar o ardil religioso acerca desse tema, já somos capazes de perceber como assunto “quem vai para o céu e quem vai para o inferno” pode ser usado para manipular as pessoas, caso não seja tratado a luz do Evangelho. Agora, saindo desse emaranhado de mentiras, vejamos o que Jesus tem a dizer sobre o assunto.
Em primeiro lugar, quando lemos o evangelho segundo Mateus, vemos que o dia do juízo será de surpresa para ambos os grupos (justos e injustos). O Senhor começa dizendo sobre um dia em especial no qual, diante de um trono de glória, julgará todas as nações, separando suas ovelhas dentre os bodes.
“Quando o Filho do homem vier em sua glória, com todos os anjos, assentar-se-á em seu trono na glória celestial. Todas as nações serão reunidas diante dele, e ele separará umas das outras como o pastor separa as ovelhas dos bodes. E colocará as ovelhas à sua direita e os bodes à sua esquerda.
As ovelhas do lado direito do trono ouvirão o convite do Senhor “vinde benditos do meu Pai”, acompanhado de uma confissão de gratidão da parte de Jesus:
“Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo. Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês me acolheram; necessitei de roupas, e vocês me vestiram; estive enfermo, e vocês cuidaram de mim; estive preso, e vocês me visitaram’.
Jesus diz que os justos, ao ouvirem isso, ficarão surpresos e perguntarão: “Senhor, quando te vimos em má situação para poder ter te ajudado?” Essa é a primeira expressão de surpresa que surge no texto e indica que os “justos” serviram o Senhor durante a vida sem saber que estavam fazendo isso. Ora, essa pergunta vinda de alguém que viveu servindo a Jesus sem saber revela alguém que fez o que fez por amor e consciência, não por interesse; eles não estavam interessados em procurar um “Jesus” com uma cara religiosa para servi-lo.
Uma outra coisa que devemos notar no texto é que Jesus geralmente não anda entre aqueles que o mundo chama de “bem-aventurados”. Se eu perguntasse pra você, que se diz crente e que acredita que a unção de Deus é dinheiro, no meio de quem o Senhor está andando e esperando para ser servido, o que você me responderia? Pois o “Jesus” dos “cristãos” que eu conheço está entre os que são donos de poços, e não entre os que têm sede de copo d’água; está entre os glutões, e não entre os famintos; está entre os que têm saúde, pois os doentes são uns amaldiçoados por Deus; está entre os que diante do mundo possuem uma moral ilibada, e não entre os encarcerados; ele mora na casa que os “cristãos” fizeram pra ele morar (a “igreja”), e não entre os sem teto.
Jesus responde a essa pergunta feita pelos “justos” da seguinte forma:
“O Rei responderá: ‘Digo-lhes a verdade: O que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram’.
Jesus, portanto, afirma que é servido quando ajudamos os mais pequenos e incapacitados seres humanos, negando muita coisa que o Cristianismo afirma sobre si mesmo. De fato, se os que se dizem “cristãos” servissem a Jesus como Ele afirma no seu Evangelho, o mundo certamente seria um lugar melhor. Quando Jesus afirma que devemos “buscar o Reino de Deus”, dentre outras coisas, Ele está dizendo que devemos ter como objetivo um mundo sem injustiças sociais e diferenças que escravizam e separam os homens; daí o “bem-aventurado” ser o que “tem fome e sede de Justiça”.
A religião, no entanto, tem o poder de perverter essa mensagem quando toma para si o lugar de Cristo afirmando que servir a “igreja” equivale a servir a Cristo. Essa mentira tem se sustentado não só por causa do interesse político e econômico da religião em manter o controle sobre o povo, mas também os “cristãos” tem usado desse artifício para ausentar-se da vida e eximir-se da real tarefa daqueles que confessam o nome de Jesus.
O que vejo são os “cristãos” a cada dia usando sua crença para criar separações entre as pessoas, sobretudo das pessoas as quais eles não gosta. Essas separações acontece até mesmo dentro de famílias, onde é fácil encontrar um motivo “piedoso” (de preferência com base bíblica) para afastar-se daqueles dos quais não gostamos; quando o fundo o que existe é recalques, traumas, cobiças, invejas e sentimentos de inferioridade. Eles acreditam que receberam um direito especial de Deus já que praticam tantas obras religiosas.
Além disso, a interpretação moral da questão do mal por parte da religião (estou escrevendo sobre isso), que diz que calamidades são frutos da ira divina, tem sido usada como pretexto para que os “cristãos” não se solidarizem com a dor dos seus semelhantes.
João resumiu isso tudo dizendo que é impossível você amar a Deus e não amar o seu irmão, pois Deus é invisível; como você pode amar e servir um Deus invisível? Ele é adorado “em espírito e em verdade”, e tanto faz se “no monte ou em Jerusalém”, mas esse espírito devoto, por habitar nele a verdade essencial acerca da natureza de Deus, faz com que pratiquemos as mesmas obras que Ele. Particularmente eu não conheço nenhuma boa obra de Deus que não tenha sido feita em benefício da sua criação.
Se alguém afirmar: “Eu amo a Deus”, mas odiar seu irmão, é mentiroso, pois quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. Ele nos deu este mandamento: Quem ama a Deus, ame também seu irmão.
Depois de dar as boas-vindas aos justos, o Senhor dirige-se aos que estão separados do lado esquerdo e diz algo parecido a eles, mas dessa vez para a condenação:
“Então ele dirá aos que estiverem à sua esquerda: ‘Malditos, apartem-se de mim para o fogo eterno, preparado para o Diabo e os seus anjos. Pois eu tive fome, e vocês não me deram de comer; tive sede, e nada me deram para beber; fui estrangeiro, e vocês não me acolheram; necessitei de roupas, e vocês não me vestiram; estive enfermo e preso, e vocês não me visitaram’.
Igualmente os condenados ficarão surpresos e perguntarão ao Senhor: “Senhor, quando te vimos em má situação e não te servimos?” Ora, essa pergunta só pode ser feita nessas condições por alguém que aparentemente estava disposto a servir o Senhor, só que não o encontrou na caminhada. Na verdade eles o encontraram, só que não o reconheceram.
Não estou dizendo que os não religiosos são os salvos e os religiosos os condenados, e nem mesmo o contrário (como a religião afirma). Quero apenas mostrar como a religião tem o poder de confundir as coisas fazendo com que muitos sigam um caminho enganoso. Creio que o Senhor é servido em nossa caminhada no Caminho, que acontece no chão da vida. Como diz o escritor da carta aos Hebreus, o lugar onde encontramos Jesus é “fora do acampamento”.
O sumo sacerdote leva sangue de animais até o Santo dos Santos, como oferta pelo pecado, mas os corpos dos animais são queimados fora do acampamento. Assim, Jesus também sofreu fora das portas da cidade, para santificar o povo por meio do seu próprio sangue. Portanto, saiamos até ele, fora do acampamento, suportando a desonra que ele suportou. Pois não temos aqui nenhuma cidade permanente, mas buscamos a que há de vir.
O próprio Jesus também alertou sobre o engano que a religião é capaz causar nas pessoas acerca de como servir a Deus. Na parábola do bom samaritano Ele usou a figura do “sacerdote” e do “levita” – que seguiram a estrada e direção ao templo – para exemplificar a hipocrisia do serviço religioso frente aos verdadeiros desafios e problemas que a vida na Terra possui. O serviço a Deus, na maneira com que Jesus ensinou o povo, acaba sendo feito por quem nós consideramos “samaritanos” e “pagãos”.
Segundo Jesus você dá a Deus quando dá ao próximo e você rouba de Deus quando nega ajuda ao próximo. Jesus não louvou os justos por construírem um “poço artesiano”, mas por darem copos d’água; nem por “darem sopão aos desabrigados”, mas por darem pão quando Ele aparecia necessitado. Isso quer dizer que você não precisa ir para o continente Africano para servir a Jesus; com certeza você deve ter algum parente na sua família que vive isolado do resto do mundo. Será que você não conhece nenhum doente? Ora, você nem ajuda os que estão tão perto e quer preocupar-se com os que estão longe? Se você não e fiel nas pequenas coisas, como espera ser fiel nas grandes coisas?
“Para o bom Deus nada é pequeno porque Ele é tão grande e nós tão pequenos – é por isso que Ele se abaixa e se dá o trabalho de fazer essas pequenas coisas para nós – para nos dar a chance de provar nosso amor por Ele. Por que Ele as faz, elas são muito grandes. Ele não pode fazer nada pequeno; elas são infinitas.
Não procurem coisas grandes, apenas façam coisas pequenas com grande amor.”

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