"A Casa Sobre A Rocha" (Mt5:24).

“O Amor é a Lei de Deus. Viveis para que aprendais a amar. Amais para que aprendais a viver. Nenhuma outra lição é exigida do homem.” (O Livro De Mirdad)

PARA QUE SERVEM OS TAIS ‘ILUMINADOS’?

Posted by José Eduardo Glaeser em 05/11/2011

Qual a necessidade de um Iluminado? Qual a diferença entre um iluminado verdadeiro e os “tais iluminados”? O que um iluminado pode ou não fazer por você? Por que os idolatramos tanto? Por que os seguimos? Será que desejamos algo deles? E esse “algo” eles podem nos dar? Vamos refletir sobre estes e outros temas afins?
No começo do Novo Milênio está acontecendo um fenômeno sem precedentes na história da espiritualidade: a popularização dos chamados “iluminados”. Obviamente, que sempre existiu pessoas com tais pretensões. Mas, a popularização da Internet, incluíndo redes sociais, blogs e chats- potencializaram mais ainda este fenômeno, dando-lhe mais publicidade, em níveis de rapidez nunca dantes visto. Quando falo “iluminados”, entre aspas, refiro-me àqueles que se autoentitularam como tais. São, em geral, indivíduos que foram discipulos de A ou B, ou que tiveram alguma experiência “mística”, ou simplesmente um “devaneio” ou outro surto qualquer. Isso lhes confereriam o status de “Despertos”. E ainda há os que não se autoentitulam assim, mas agem assim. São pessoas que fecham-se em seu próprio conhecimento e agem como se fossem donos da razão. Verdadeiros detentores do conhecimento Absoluto.
Mas, o presente artigo, não visa analisar as características de um iluminado- assunto que já explorei em diversas outras postagens do meu Blog. Pretendo, no entanto, fazer uma reflexão mais ampla, objetivando aprofundar a questão. Assim, qual o sentido de alguém dizer : “ sou iluminado”? E se ele não for? E se for, o que isto representa para mim? O que quero de um iluminado? O que é ‘isso” que ele tem para me dar? E será realmente que alguém pode me dar esse “algo”? E porque desejo tanto esse “algo”? Será que “isso” que tanto procuro e desejo, é realmente “aquilo” que tanto procuro e desejo? E se não for? E se for uma grande ilusão?Assim, parece-nos importante analisar qual a verdadeira necessidade de um iluminado e o que ele pode ou não fazer por você.
Vamos imaginar que você está fazendo uma viagem pelas praias do Nordeste. É a sua primeira vez. Você procura a casa -de um familiar ou amigo seu. Talvez você não tenha GPS e tudo ficará um pouco mais dificil. Além disso, às vezes há os imprevistos. Quem já viajou muito sabe disso: são pontes quebradas, desvios inesperados, interdições, obras em estradas etc. E, de repente, você se vê perdido, em meio a um lugar desconhecido. Alguém tem que lhe ajudar a encontrar o caminho que você quer. Ao procurar ajuda, você encontra alguém que diz saber onde fica o local que você tanto procura. Ele lhe orienta, dizendo o que tens que fazer e que rumos seguir para chegar ao seu objetivo. Isso parece bem racional. E é. Principalmente para uma concepção cartesiano do mundo. Ou para a “3D” ( o plano das 3 Dimensões como diz o pessoal da Nova Era). Explicando a história hipotética: O lugar em que você se encontra perdido é o mundo e a sua vida. O alguém que você encontra é um desses assim chamados “iluminados” que lhe mostra a rota a seguir. E o caminho são as práticas, rituais, técnicas de meditação e disciplinas que você deve executar para chegar aonde você quer. Parece perfeito, não? Mas, antes de seguir para o próximo parágrafo, faça o seguinte: releia o parágrafo e procure o erro ou erros no cenário que acabei de descrever . Tente descobri-lo, faça isso como algo pessoal, para você mesmo e só depois continue a leitura do próximo parágrafo.
Bom, talvez você tenha conseguido encontrar o “erro”. Talvez não. Mas, reflita junto comigo: é correto usar uma situação como esta, do mundo real, concreto, como referência para o mundo “espiritual”? Será mesmo que da mesma forma que procuro uma casa em um lugar desconhecido, deverei buscar “aquilo” que pressupõe-se estar também em um local desconhecido? Mas, como buscaremos o Desconhecido? E se o Desconhecido não estiver tão longe assim ? Uma casa pode estar longe, mas o Desconhecido está? Ora, e se o Desconhecido, Deus, não estiver longe? E se estiver bem pertinho? Tão perto que confunde-se com sua própria pessoa? E, se assim for, precisarei mesmo “buscá-lo” em algum outro lugar? E se não preciso buscá-lo em nenhum outro lugar: para que preciso dos tais “Iluminados”? Krishnamurti tinha, neste particular, um argumento fenomenal, ele costumava perguntar : “se conheço para onde quero ir, se conheço o meu objetivo, isso é o Desconhecido?”. A explicação é simples, mas sutil. Ora, se já conheço o meu objetivo, então ele é coisa do passado. Pela própria lógica da assertiva, só posso reconhecer o que já conheci no passado e o Desconhecido está no passado? Em outras palavras: como posso buscar o que não conheço? Se busco o que não conheço, como se o conhecesse, será que é realmente aquilo que busco? Como saberei?
Na Bíblia, no Tao-Te-Ching , no Bhagavad-Gita e nas palavras de Buda, Deus é considerado “algo” ou “alguém” que transcende o tempo, o espaço, o pensamento, os desejos e a lógica comum. Na Bíblia, Deus diz a Moisés : “aquele que vê minha face morre!” Obviamente é uma metáfora para dizer que somente quando o EGO morre é que Deus se revela. Jesus disse coisas parecidas tanto nos evangelhos canônicos quanto nos apócrifos. Paulo de Tarso identificou o Deus Desconhecido- como sendo o mesmo de seus patriarcas judeus (Atos 17:23). No Bhagavad-Gita, Árjuna, que representa o EGO, pede a Krishna ( Átman) para revelar sua glória. Mas quando Krishna atende ao pedido, Árjuna implora para Ele parar pois não suporta a visão da Glória de Deus. No Tao-Te-Ching, Lao Tsé começa suas memoráveis e sábias palavras dizendo: “ O Inonimável que se pode nominar, não é o Inonimável. O Inconcebível que se pode conceber, não é o Inconcebível”. E, por último, Krishnamurti em suas milhares de palestras, sempre ensinou que Deus é o Desconhecido. Essa visão, concorda com a de todos os verdadeiros sábios e iluminados .
Daí, concluímos que não podemos reduzir Deus a um local fixo no tempo e no espaço. Este foi o “erro” da história hipotética que apresentei no segundo parágrafo. E se Deus não é algo ou alguém com endereço fixo. Se ele não tem casa, nem está plantado em algum “lugar incipiente do céu” – como disse Sri. Yuktéswar a Yogananda- então, para que a viagem? Para que os “caminhos”? Para que as técnicas, práticas e disciplinas? Para que servem os assim chamados “iluminados”? A história hipotética da viagem que descrevi, agrada nossa mente que funciona – dentro desta concepção cartesiana de vida. Mas Deus, o Desconhecido não está sujeito as regras e imposições deste nosso plano que a própria Ciência já reconheceu ser apenas uma forma de se entender o Universo. E esta compreensão cartesiana, já foi ultrapassada pelas fantásticas descobertas da Física Quântica. Assim , se Deus não está em algum lugar fixo, onde estará? Se , não há “caminhos” para ele qual a necessidade dos tais “iluminados” ?
Vamos voltar para nossa historinha. Vamos imaginá-la de uma outra forma. Imagine novamente que você se vê, de repente, em um local desconhecido. Você está perdido. Não sabe onde está , não conhece ninguém e nem sabe quem você é. Tem uma vaga lembrança, vaga eu disse, sobre seu verdadeiro lar, familiares e amigos. Você sai à procura de alguém que possa ajudar-lhe . Que possa mostrar-lhe como encontrar o caminho de casa. Você procura e procura. Alguns dizem uma coisa, você segue e nada. De repente se vê mais perdido e confuso. Então, você continua sua busca, procurando e pedindo mais informações. Muitas vezes, você segue exatamente as instruções dadas, mas, quando chega no endereço que lhe fora ensinado, o dono diz não conhecer-lhe . E você, de novo, sai pelas ruas procurando. Chega um momento em que você se desespera e sai gritando pelas ruas, procurando desesperadamente pelo seu lar. Sua angústia vai aumentando, aumentando até que, de repente, você ouve alguém chamando-o pelo seu nome. É uma voz familiar, doce e conhecida. E quando, você se vira, de repente… você acorda com a voz de sua esposa, pai ou mãe. Eles livram você de um terrível pesadelo! Certamente, você começa a sorrir, sentindo aquela sensação de felicidade, agradecendo aos céus por estar ao lado dos seus entes queridos e por saber que nunca estivera longe do seu lar! Tudo não passou de um pesadelo, um delírio!
Mas, a verdade é que os verdadeiros iluminados não podem nem mesmo lhe acordar- como fizeram os pais no caso descrito acima. O sono da vida é muito mais pesado e despertar dele é muito mais difícil. O fato é que ninguém poderá acordá-lo por você. Se fosse assim, seria bom demais. Jesus teria despertado metade do mundo. Buda a outra metade e o restante ficaria com Lao Tsé. Na contemporaneidade, homens como Ramana Maharish, Babaji, Lahiri Mahasaya , Sri Yuktéswar e Krishnamurti teriam promovido o maior despertar em massa que a humanidade já conheceu. Mas não. Eles nada podem fazer isso, nem se quisessem. Essa é a nossa parte no “jogo de Maya”. Os verdadeiros iluminados estão constantemente gritando ao mundo: despertem! Acordem dos seus sonhos! Não há nenhum lugar para se ir, nada foi perdido, a separação é uma ilusão, não há nada a se alcançar ! Você já está em casa… apenas desperte! Não busque, não corra, não faça nada pois você está dormindo. Você precisa acordar… este é o primeiro passo! “O primeiro e último passo”- nas palavras de Krishnamurti. Parece enigmático? Parece absurdo? Será mesmo? Então medite nestas palavras de Jesus, o maior de todos os iluminados:
“ Se lhe perguntarem qual é o sinal do Pai em vós dizeis: é movimento e repouso ao mesmo tempo”. – Quinto Evangelho
É a mesma coisa que Krishnamurti disse, eles apenas usaram expressões diferentes para descrever o mesmo fenômeno. O EGO só existe enquanto estamos dormindo, na Ilusão do “fazer”, na ilusão dos caminhos, das práticas e técnicas. Quando “despertamos” deste sonho. Quando o EGO compreende sua pobreza e ilusão e morre por si mesmo . Então para onde caminhar? Para onde ir? Existe ainda o “fazer”, a “caminhada”? Não. Simplesmente porque começa um “outro movimento”. E este não é você quem produz, você não é o responsável por ele – ele existe por si mesmo. Então, quando você – representado pelo seu EGO, DESEJO e PENSAMENTO- pára totalmente, inicia-se um outro movimento, o movimento do Desconhecido, do Sagrado. O mesmo movimento que coordena os astros, as estrelas, os átomos e os ciclos da natureza. Depois que você “desperta” para esta compreensão e percepção o que mais terá que “fazer”? O “despertar” é o primeiro passo, depois dele… não há mais passo nenhum. Findou-se uma jornada que nunca existiu de verdade- tudo era um sonho, um pesadelo, e nada mais! A “caminhada” ilusória terminou! Já estamos aqui! Já estamos Nele!
Precisamos de Iluminados? Sim . Mas apenas para acordamos, e isso significa compreender as limitadas atuações deles no que concerne ao nosso despertar. Somos gratos a quem nos ajudou a despertar? Obviamente. Mas isso não significa prestar-lhe culto, adoração ou segui-lo cegamente. Temos que despertar nossa própria luz. Krishnamurti foi talvez o único defensor do “não-seguir”. Ele costumava dizer que não faz sentido usar a vela do outro para iluminar aquilo que é nosso. E Jesus dizia que “ um cego não pode guiar outro cego” . E como saberemos que o outro é cego se não despertarmos? Se não abrirmos nosso olho espiritual, se não acendermos nossa luz interior? O verdadeiro iluminado não se regala com bajulações ou adorações. Os tais “iluminados” querem apenas seguidores e discípulos pois buscam o poder e a expansão. Em geral, prometem tudo o que a mente mais gosta: felicidade, bem-aventurança, expansão da consciência, êxtase, prazer- e este não é caminho do Desconhecido, mas do conhecido. E, por isso mesmo, não é o Supremo!
Mas, se um dia acontecer de você encontrar alguém, que lhe diga que não há caminhos para casa, pois você já se encontra nela. Se não lhe pedir nada em troca, nem se autopromover através de nenhum meio ou subterfúgios. Se não lhe pedir dinheiro pois a Verdade não é uma mercadoria. Se não viver tagarelando um monte de asneiras verborrágicas, aparentemente poéticas e profundas ,mas que são apenas arrufos de falsa sabedoria que fascinam a mente. Se ele apenas lhe mostrar que o “caminho” não é um caminho. Se não fizer propaganda de si mesmo, nem se considerar o dono da verdade. Se for reflexivo e lhe ajudar de todas as formas a também ser reflexivo e humilde. Se não lhe prometer coisas como o céu, o Nirvana, a Iluminação, a Verdade , Deus- como se estes fossem propriedades de alguém. Se ele o ajuda a se autoconhecer, ser independente e a trilhar seu próprio “caminho”. Se lhe mostra os perigos e a infantilidade do “seguir alguém”. Enfim, se ele promove o seu Despertar e não o seu dormir- então este homem é um iluminado! Seja grato a ele e tenha-no como um irmão mais velho, um companheiro de viagem, um amigo mais maduro e experiente. Saiba que você não deve nada a ninguém pois tudo, absolutamente tudo é de Deus. Os verdadeiros iluminados sabem disso e, por isso, não se consideram autor ou “fazedor” de nada. Sabem que só existe um ator no Universo . Só existe uma única Força que move tudo e todos: chame-o de Deus, Krishna , Tao, Desconhecido… não importa o nome. Ele está além, muito além de todos os nomes e de todas as formas.
A Ele deves toda tua gratidão e todo o teu amor ! Mas, onde Ele está? Não o procure nos livros, nem nas religiões, nem nos gurus! Ele está onde você estiver e manifesta-se todos os dias em todas as coisas visíveis e invisíveis! Basta abrir os olhos para vê! Por isso, DESPERTE e veja! Como fazer isso? Medite! A Meditação verdadeira nada tem a ver com práticas, disciplinas, posturas e rituais! Tem a ver com “percepção” apenas. Por isso, não “pratique” a Meditação. Apenas “acorde”, apenas “veja”, apenas perceba “Aquilo que já é”!

Alsibar (inspirado)

REPOSTAGEM AUTORIZADA!

http://alsibar.blogspot.com

alsibar1@hotmail.com

Via Alsibar [BLOG]

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