"A Casa Sobre A Rocha" (Mt5:24).

“O Amor é a Lei de Deus. Viveis para que aprendais a amar. Amais para que aprendais a viver. Nenhuma outra lição é exigida do homem.” (O Livro De Mirdad)

ORAÇÕES – SATSANGA COM SWAMI DAYANANDA SARASWATI

Posted by José Eduardo Glaeser em 10/03/2012


Swamiji, você pode nos dizer como a oração funciona e como a oração feita por alguém pode afetar particularmente esta pessoa?

Como você não pode se alimentar por outra pessoa, pode parecer, no entanto, que a oração não possa ser feita para uma outra pessoa. Mas orar não é como se alimentar. Não é como aquele que tem fome e que precisa ser satisfeito. Orar é uma ação, um karma, como tomar banho. Não apenas você pode banhar o seu próprio corpo, mas você pode dar banho no corpo da sua criança. Orar, então, não é como se alimentar; é mais como tomar banho. Ou seja, orar é um processo de pensar, um tipo particular de pensar.
Numa oração, há alguém que ora e um altar em que a pessoa oferece a sua oração. Há também uma maneira de se orar envolvida, a qual difere de pessoa para pessoa. Uma oração pode ser feita com palavras simples ou pode ser elaborado um ritual altamente tradicional que é aprovado pelas escrituras. Ela pode ser puramente oral ou mental. 
Ramana Maharishi, na Upadesa Saram, descreve a oração como uma ação que envolve três atos ou Karma: físico (kayikam), oral (vasikam) e mental (manasam). O ritual é uma forma física de orar. Cantar em louvor ao Senhor, (bhajans) é uma forma oral de orar e cantar um mantra mentalmente é uma forma mental de orar.
Junto ao sujeito que ora e o altar, a oração sempre tem um propósito como qualquer ação. Você sempre ora porque quer alguma coisa. Sem um objeto de desejo não há uma oração. Você pode querer alguma coisa específica ou você pode querer clareza mental (antahkarana suddhi). Ou você pode orar “Permita que o senhor fique contente com a minha oração”, porque você quer fazer parte da lista dos bonzinhos do Senhor. Você quer que ele olhe por você agora e depois.
Ainda que o Senhor tenha olhos que escaneam a todos, você pode sentir, de algum modo, que é sempre inspecionado. Ele parece olhar para os outros o tempo todo, mas quando se dirige a você, algo acontece – Ele pisca ou fecha os olhos ao mesmo tempo. Você pode não pedir por um olhar direto, ma apenas por uma olhadinha.
Mesmo que eu ore com o fim de alcançar algo para mim ou para alguém e até mesmo quando eu ore em benefício de uma outra pessoa, a oração ainda é a minha oração. Quando eu noto alguém que está infeliz, que está sofrendo, eu também sofro porque eu sou humano.
Eu sou afetado pela condição daquela pessoa e eu não posso suportar isso. Eu quero que a pessoa seja feliz, o que verdadeiramente significa que eu quero ser feliz. Portanto, uma oração feita para os outros é também feita em interesse da minha própria felicidade.
Tudo está centrado apenas em mim. E, então, eu não sou, deste modo, uma pessoa embotada, insensível, que fica feliz quando alguém por perto se sente infeliz. Portanto, toda vez que eu oro por alguém, eu estou orando pela minha própria felicidade. Até mesmo quando eu sou culturalmente maduro o suficiente para orar, “Permita que o mundo todo seja feliz”, isto é porque eu não posso ficar em um mundo que seja infeliz.
Eu estou falando aqui, certamente, em nível empírico. Eu gosto de ver os outros felizes e então eu posso ser feliz. Então, toda oração é apenas para o meu bem. Quando eu oro para a minha esposa ou minha criança, quando eu digo, “Permita que minha família esteja protegida”, há um prolongamento de mim, que eu edito o tempo todo.
Não é preciso ser americano, por exemplo, para ser influenciado pelo fato de um americano ter sido feito refém. Qualquer ser humano será influenciado, uma vez que ele ou ela saiba sobre as possíveis conseqüências de tal ação. Assim, orar pelos outros é eficaz, mas a oração é para você mesmo.
Para ver como uma determinada oração é eficaz, como produz resultados, nós temos que analisar a natureza daquele que ora. Duas coisas acontecem quando você ora. Pois, orar é importante. Não é fácil sentar e orar, mas quando você o faz, um tipo de ação acontece. Por outro lado, você não poderia apenas sentar e orar, pois o ego não iria permitir.
Alguns oram porque acreditam que Deus vai ficar zangado se você não orar. Elas são pessoas simples que não tem entendimento de si mesmas ou do Senhor, mas elas oram. Há outros que não podem orar ou que acham muito difícil orar. Mas, você pode orar e produzir um resultado que é imediato (drstaphalam). Portanto, você já fez alguma coisa.
Quando a oração é para ter clareza mental, “Permita que minha mente fique limpa”, a oração por si só é uma auto-sugestão. E pedindo por algo, você está aceitando um outro poder, um poder mais elevado do que você mesmo, um poder que é absoluto. Você também está aceitando a limitação do seu próprio conhecimento. Isso é um simples pragmatismo. Geralmente você tende a esquecer as limitações do seu próprio poder e conhecimento e então a oração por si só faz você se lembrar deles. Se uma pessoa tem que ser objetiva, ele ou ela deve conhecer as suas limitações.
Não ser capaz de aceitar uma derrota, por exemplo, significa que nós não conhecemos os nossos limites e aqui está o problema. Mesmo que eles sejam conhecidos, nós não queremos aceitar as nossas limitações. Na verdade, não há derrotas, por causa de nossas limitações, pois nós achamos que nós temos sido um sucesso. Em todas as áreas da vida, nós encontramos algum sucesso. Toda vez que nós cruzamos a estrada, nós somos um sucesso, se nós fizermos isso! Quando nós dirigimos um carro e chegamos a nosso destino, nós somos bem sucedidos. Esses sucessos requerem muita graça. Se você pode orar, isto é uma grande coisa, porque isto implica uma aceitação da sua parte, não apenas das suas limitações, mas também a aceitação de uma fonte ilimitada, que pode trazer algumas mudanças. Isto por si só é muito belo e é o que significa ser um resultado imediato (drstaphalam) da oração. Você pode chamar isso de efeito psicológico ou o que quer que seja, mas o resultado é visível. Há também um resultado não visto (adrstaphalam) da oração, que está onde a fé aparece. O fazedor, o agente da ação de orar diz “Isto é o que eu quero”. A ação e o que foi expresso traz um resultado o qual é puramente sutil em espécie, não percebido. Este resultado não percebido manifestará no tempo e é o que nós chamamos de graça. Ele é produzido pela ação e provém do agente da ação, aquele que ora.
Se você aceita a lei do karma, você pode vir a perceber que a maioria dos problemas são trazidos por um karma passado, desta vida ou de vidas passadas. Um problema no estomago ou câncer, por exemplo, pode ser o resultado de uma karma do passado; ou você diz que o problema é hereditário ou genético, o que é apenas um jeito diferente para explicar isso. No mesmo sentido, isto é a mesma coisa. Indo mais longe, você poderia perguntar por que nasceu com esses genes particulares. Por que você deveria estar nesta situação? Por que você não teve pais diferentes? Se você fizer estas perguntas a um biólogo, ele ou ela desistirá de responder e dirá “Vá e pergunte a um Swami, este não é meu campo.”
Nós dizemos que há uma seleção natural de país que acontece de acordo com certas leis. Se há esta tal coisa como a uma alma sobrevivendo à morte, deve haver leis que governam uma grande gama de combinações possíveis. Muitos aspectos tem que ser organizados – tempo, lugar, ascendência, a posição dos pais, significando as condições pelas quais eles estão casados – tudo o que afeta, de algum modo, a criança que vai nascer. Desse modo, cada pessoa tem um tipo particular de karma. 
Karma é uma grande rede e é puramente mecânico. Do ponto de vista do Karma, sua dor no estomago pode ser um resultado tanto de um karma do passado ou de um karma do presente. Isto pode ser devido a algumas inúmeras razões: excesso de comida, álcool ou a condição da sua mente, as quais podem ser vistas em termos de tanto do imediato ou do passado remoto. Se você se preocupa com isso, você apenas adiciona mais a seu passado. Portanto, afligir-se é inútil. O passado já aconteceu e não pode ser mudado. Eu aceito isto e então eu oro. Certos danos podem ter sido feitos ao meu estomago por causa de eventos passados. E, então, há alguma coisa que eu possa fazer quanto a isso agora? Sim, eu posso orar “Permita que esta oração produza resultados que poderão neutralizar o karma passado.”
A lei do karma é sutil. Nós não sabemos o que é o karma passado. Nós apenas nos damos conta disso quando alguma coisa ocorre e isto pode ser devido a um karma passado. Talvez você ganhe na loteria e chame isso de sorte ou perca alguma coisa e chame isso de má sorte. Tudo isso é karma do passado. Ao invés de todos os esforços e planos, situações que nós chamamos de má sorte continuam acontecendo. Não apenas acontecimentos extraordinários são considerados pelo karma. O karma está se revelando todos os dias. 
O que você está fazendo neste exato momento pode ser devido a um karma passado. Você pode nem vê-lo. Quando acontecimentos extraordinários ocorrem e nós não podemos imediatamente nos dar conta por essas causas, nós recorremos a algum karma do passado para explicá-los.
Se o resultado é favorável você chama isso de sorte. Até um sério e não doutrinado ateísta explica tal evento em termos de sorte sempre que ele ou ela pega um ônibus, por exemplo. O ônibus parte tão logo que a pessoa entra, deixando outras pessoas para trás. Olhando de volta, ele ou ela diz “Que maravilhoso! Que sorte! Da mesma forma, quando a pessoa perde o ônibus, ele ou ela chama isso de má sorte. Pessoas perdem ônibus na vida e há muitos ônibus. Não importando como cuidadosamente nós nos planejamos, no último minuto alguma coisa pode acontecer o que nos faz pensar em má sorte. Esses acontecimentos são puramente sutis, indicadores da existência de alguma coisa em que nós não somos capazes colocar o nosso dedo. Nós não sabemos onde isso existe, o que é, ou como se desenrola. Nós apenas sabemos que continua acontecendo e há algum padrão nisso.
Como eu posso neutralizar o passado imediato e o remoto? Há certas coisas que eu posso fazer. O que eu tenho que fazer, eu faço, usando o meu esforço. Junto com o esforço eu necessito de entusiasmo, coragem, conhecimento, recursos, disposição e capacidade para enfrentar os obstáculos. E, com tudo isso, eu posso ainda perder o ônibus e é por isso que eu necessito orar. Se estas seis qualidades estiverem presentes, o Senhor pode ajudar, se eu orar. Todas as seis devem estar lá. Eu não posso simplesmente sentar e orar. O senhor oferece a sua ajuda para nós quando oramos. Isto é porque, a ação de orar é prescrita três vezes ao dia, ao nascer do Sol, ao meio dia e novamente ao por do Sol.
O propósito da oração é agradar ao Senhor e eliminar ou neutralizar as ações equivocadas de alguém. Mesmo que você não esteja compromissado às ações que não são equivocadas, naquele dia, sempre há uma pendência do passado que está se revelando a cada dia.
Todo ser humano é uma mistura de boas ações (punya) e ações equivocadas (papa). Não existe exceções. Punya significa, aquela situação conducente que se revelará e papa significa aquela não conducente ou a dolorosa situação que se revelará. Algumas vezes você verá tanto punya ou papa virem em ondas num período de tempo, em alguns anos, em alguns meses ou em algumas semanas, uma após a outra. Pode não haver nada, mas papa por um período de tempo e então, posteriormente, você percebe que tudo vai indo bem, em termos gerais. Mas, num certo dia, você perceberá que há sempre uma combinação dos dois, punya e papa.
A manhã pode ser maravilhosa, mas porque o Sol está brilhando, você sai para jogar tênis e torce seu tornozelo. Por quatro dias você não pode fazer nada. E é assim que funciona. A vida nada mais é do que uma mistura de punya e papa porque o corpo nasceu disso. Portanto, nós encontramos acontecimentos que nos agradam e que não nos agradam o tempo todo. Todos sabemos disso. Nós bem sabemos o que nós não ditamos os desígnios da vida. Nós até temos uma filosofia pessoal para enfrentarmos isso, como essa: “É assim que a vida é! O bom e o mau estão prontos a acontecer.”
Nós precisamos de uma filosofia pessoal para lidar com as situações agradáveis e desagradáveis que sempre estão lá. Tudo pode estar indo bem, mas o carro não pega. Ou o carro pega, mas para no meio da via expressa, nas altas horas da noite, a seis milhas do posto de gasolina. Teria sido melhor se não tivesse funcionado logo no início. Tais situações podem ser devido a omissões e ordens de um passado imediato ou talvez devido a papas antigos os quais você tem que neutralizar ou diminuí-los. E isto é o que se entende por resultado invisível da oração. Um resultado invisível é neutralizado por um outro resultado invisível.
Suponha que enquanto você está dormindo, seus bolsos estão cheios de dinheiro e cartões de créditos e você sonha que está faminto e que não tem nada para comer por três dias e que você não tem dinheiro. Que utilidade tem o dinheiro no seu bolso? Eu nem posso comprar uma coca-cola no sonho. Para comprar uma coca-cola sonhada você precisa de um dinheiro sonhado. Similarmente para encontrar punya e papa que estão se revelando diariamente, minuto a minuto, você tem que continuar reunindo anticorpos neutralizadores. Orar faz isso. Orar não é apenas para a clareza mental. Ao produzir resultados que não são vistos, estes resultados também podem cuidar previamente das ações que são erradas. Assim, orar é eficaz. Então você pode dizer; “Eu tenho orado, mas nada acontece.” E para isso eu digo: “ Se você não orar. Muitas outras coisas podem acontecer.” Como nós podemos saber que elas não iriam acontecer?
Havia uma senhora idosa que recitava mantra (japa) com seu rosário o dia todo. Mesmo que ela fizesse isso religiosamente, ainda ela criava problemas para a sua nora. Ela somente parava o tempo suficiente para lhe dizer: “O leite está fervendo,” ou “Faça isso, faça aquilo.”
Assim, ela atrapalhou a vida da pobre garota que era uma recém chegada aos serviços domésticos. Após vários anos de convivência na mesma casa, a nora me disse que mesmo que a sogra tivesse feito muito japa, ela não notou qualquer mudança nela. “Ao passar de dez anos, eu apenas tenho visto as contas do rosário se tornarem mais finas, desgastadas, enquanto que a mente dela e comportamento continuavam tão áspero como eram antes. Apenas as contas do rosário é que perderam a aspereza.”
Minha resposta foi: “Suponha que ela não tivesse feito japa, imagine o que ela poderia ter feito no lugar disso.” Teria sido impossível viver na mesma casa com ela. Como você sabe que isto não teria sido pior? A idosa que orou na forma de japa produziu resultados, talvez não muitos, porque há um longo caminho a percorrer; mas, definitivamente, isto produziu algum resultado.
Há leis que tomam conta de tudo isso e então tudo o que temos a fazer é orar, pois orar é uma parte inteligente de um esforço inteligente que uma pessoa faz. Uma pessoa inteligente é aquela que leva vários fatores em conta antes de fazer algo. E, nós desconsideramos as nossas limitações e oferecemos uma oração, assim mesmo; então, as leis cuidam dos resultados.

OM TAT SAT.

VIA YOGA.PRO.BR

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