"A Casa Sobre A Rocha" (Mt5:24).

“O Amor é a Lei de Deus. Viveis para que aprendais a amar. Amais para que aprendais a viver. Nenhuma outra lição é exigida do homem.” (O Livro De Mirdad)

O LEGADO DA MENTE INDIANA – POR PEDRO KUPFER

Posted by José Eduardo Glaeser em 29/03/2012

O LEGADO DA MENTE INDIANA
POR PEDRO KUPFER

Muito se fala sobre a mente indiana. Algumas pessoas tendem a ver a sociedade, a cultura e a civilização indianas como algo exótico e muito diferente do que é familiar para nós, e que chamamos de cultura ou civilização ocidental. Este texto tem o objetivo de descrever e ajudar na compreensão do que seria a mente indiana, bem como demonstrar que aquilo que parece exótico à primeira vista, talvez não seja tão diferente do que consideramos nosso.
Se formos levar em consideração a opinião do filósofo suíço Jean Gebser, a mente humana não variou significativamente nos últimos 100.000 anos. Tampouco haveria motivos para pensar que o psiquismo dos orientais seja diferente do dos ocidentais. Não obstante, a civilização indiana tem fascinado os estrangeiros, dos gregos aos persas, dos chineses aos afegãos, dos portugueses aos ingleses e demais povos asiáticos e ocidentais que ao longo da história, visitaram ou invadiram o subcontinente. Por outro lado, a influência cultural da grande civilização indiana se fez sentir no mundo antigo em lugares tão distantes como o Golfo Pérsico, o Sudeste Asiático e o Extremo Oriente.
Entretanto, pode surgir também um sentimento de espanto ou repulsa pelo desconhecido em algumas pessoas que olham para a cultura indiana. Esse estranhamento que esta cultura possa provocar é mais oriundo da sua sofisticação do que do seu exotismo. Por momentos, esse requinte desorientou visitantes ou estudiosos desavisados que, sem suspeitar a complexidade subjacente na aparente simplicidade das expressões culturais da Índia, julgaram estar diante de um povo primitivo, preguiçoso e dominado por superstições. Uma dessas pessoas foi o conhecido indólogo alemão Max Müller que, sem pejo da própria ignorância, declarou serem os indianos védicos, “uma raça de gente simplória”. Cabe anotar que Max Müller nunca esteve pessoalmente no subcontinente.
Já Mark Twain, o impagável e perspicaz escritor estadunidense declarou, durante uma prolongada visita à Índia que fez junto com sua família: “Índia é o berço da raça humana, o lugar do nascimento do discurso humano, a mãe da História, a avó da lenda, e a bisavó da tradição. Os mais valiosos e instrutivos materiais na História do homem estão entesourados apenas na Índia”. Romain Rolland, o grande escritor francês, disse, por sua vez: “Se há um lugar na face da terra onde todos os sonhos da humanidade encontraram um lar desde os primórdios, quando os homens começaram a sonhar com a existência, esse lugar é a Índia”. Somos da opinião de que Twain e Rolland acertaram onde Müller se equivocou. Procuraremos demonstrar isso nas próximas paginas.

A mente indiana e o nascimento da civilização.

A civilização dos vales dos rios Indo e do Sarasvati é uma das três primeiras da Humanidade, e a mais extensa e evoluída delas. Os Puranas, antigos textos hindus, incluem relatos sobre o início da civilização, que narram o domínio do fogo, o dilúvio, dentre outros fatos históricos, junto com instruções sobre espiritualidade e religião. Igualmente, esses textos nos permitem apreciar os conhecimentos técnicos sobre medicina, arquitetura e arte da época.
Observamos nesta civilização uma sofisticada planificação urbana, com ruas rigorosamente traçadas, casas com vastos pátios interiores, celeiros, piscinas públicas, água corrente, drenagens, diques e canalizações para irrigação artificial. É surpreendente nesta civilização a sua “alta adaptabilidade”, como afirma o arqueólogo indiano S. P. Gupta, aos mais variados terrenos: as costas do Oceano Índico, o deserto do Rajastão e Ásia Central, as neves do Hindu Kush e as planícies e vales dos rios no Afeganistão, Paquistão e Índia. Isto evidencia, entre outras coisas, o altíssimo nível da engenharia urbana aliada à uma grande capacidade de planejamento e administração.
Os antigos indianos vendiam e intercambiavam mercadorias com a Suméria, a Síria, as ilhas do Golfo Pérsico e regiões costeiras da Mesopotâmia, o Irã, a Turkmênia, o Uzbequistão, o Paquistão e o noroeste da Índia. Exportavam algodão, marfim, contas de pedra e madeira para fazer colares, cachorros de caça, pássaros e animais raros, pedras semipreciosas, madeiras de lei, entalhes em concha, balanças e pesos de quartzo, machados de cobre e outras ferramentas. Eram tão organizados que, quando os navios voltavam do Golfo Pérsico e da Suméria, aproveitavam a viagem de retorno para encher seus porões nas costas do Afeganistão e Turkmênia com turquesas, lápis-lazúli, chumbo e latão. Possuíam um completo e preciso sistema de pesagem, que hoje pode ser apreciado nos museus da Índia.
Há pelo menos quatorze maneiras diferentes de referir-se às casas no Rig Veda, indicando que esta civilização era notoriamente urbana. Ainda nesta mesma obra, encontramos fartas referências ao mar (samudra), rios (sindhi), barcos, navegação, movimento de comerciantes, transações em moeda, empréstimos, recursos minerais, domesticação do cavalo e indústria, que nos mostram um pouco da vida cotidiana deste povo.

A mente indiana na cultura.

Poucos países no mundo possuem uma diversidade cultural semelhante à indiana. Essa diversidade não se estende apenas pelo amplo território, mas também se expande no tempo, ao longo de milênios de cultura e civilização contínuas. Essa cultura foi enriquecida por sucessivas ondas migratórias que foram absorvidas pelo povo indiano, num belo exemplo de tolerância e respeito pelo outro. A variedade étnica do povo indiano é tão fascinante como suas manifestações religiosas, artísticas ou lingüísticas. À Índia antiga apresentava uma diversidade na sua unidade que poderia servir como modelo e inspiração para pautar as relações entre os povos.
Os valores essenciais sobre os quais estão construídas a civilização e a cultura indiana são certamente familiares para o amigo leitor. O mais conhecido sem dúvida é a não-violência, ahimsa, cujas manifestações são a tolerância, a flexibilidade, a unidade e a solidariedade. Outra característica desta cultura é o imenso valor que é dado à família. O sistema social está baseado no conceito da família estendida, que abrange não apenas pais, irmãos e filhos do núcleo familiar, mas toda uma intrincada rede de relacionamentos políticos com outros núcleos dentro do mesmo estrato social.
A história da arte da Índia é igualmente a história da mais flexível das culturas antigas. Ela é uma interessante amálgama de influências nativas e forâneas ao longo do tempo, que possui uma identidade própria muito característica. Por exemplo, as formas artísticas do oeste da Índia, têm um inegável sabor de Oriente Médio, enquanto que as do norte se assemelham bastante às das culturas tibetana e chinesa. No entanto, todas elas preservam um sabor indiscutivelmente indiano. As formas da arte indiana são tão fortemente influenciadas pela espiritualidade que todas essas expressões poderiam ser consideradas arte sagrada. Isso vale tanto para a escultura e a pintura, quanto para a música, a arte dramática e a literatura.
Existe uma teoria estética que permeia todas essas formas de arte, chamada rasa, palavra sânscrita que significa “essência”, e define as emoções básicas com as quais o artista irá trabalhar. Os rasas são nove: hasya (felicidade), krodha (raiva), bhibasta (desgosto), bhaya (medo), shoka (sofrimento), vira (coragem), karuna (compaixão), vismaya (surpresa) e shantah (serenidade). Quando o artista completa sua obra, seja um poema, uma dança ou uma peça musical, ele provocou todas as nove emoções no leitor ou espectador, e sempre conclui com shantah, um sentimento de tranqüila paz, que é para a arte o que moksha, a libertação, significa para o Yoga.
Quem já foi para a Índia fica curioso sobre o quanto a dança e a música permeiam o cotidiano das pessoas, trazendo alegria e cor a todos os momentos. A música indiana, chamada sangitam, abrange uma enorme série de expressões folclóricas, religiosas, populares e clássicas. As formas musicais mais antigas encontram-se no Sama Veda, o “Veda das Melodias”, que é uma seleção de hinos musicados do Rig Veda. Até hoje, alguns sacerdotes ainda guardam essa antiga ciência. Tive o privilégio de ouvir um deles ano passado em Rishikesh; foi uma das experiências mais marcantes que tive escutando música.
A música clássica é sempre de câmara, tocada com poucos instrumentos e, tradicionalmente, para audiências pequenas. Ela é dividida em dois tipos: a da Karnataka, no sul, que tem uma estrutura mais solta, parecida com os improvisos do jazz, e a do norte, chamada Hindustani. Esta, por sua vez, é dividida em dois estilos: o dhrupad e o kayal. O dhrupad é a música clássica antiga, dedicada ao deus Shiva, que tem como objetivo despertar no ouvinte o estado meditativo. Assim sendo, ela é mais lenta e explora os registros mais graves. O kayal é a música das cortes reais, mais leve e ornamentada. Geralmente, quando os ocidentais se referem à música clássica indiana, estão em verdade apontando para este sub-gênero, popularizado por artistas como Ravi Shankar, Hariprasad Chaurasia e Pandit Jasraj. A música folclórica abrange tanto poemas devocionais de bhaktas como Mirabhai ou Kabir, quanto temas profanos, mas ela está sempre muito próxima da música clássica, embora seja tocada com outros instrumentos. Dela nasceu a conhecida música dos filmes indianos.
A dança, chamada natya, é um capítulo aparte. Existem muitas formas de dança, associadas com os lugares onde elas nasceram e se desenvolveram. Cada uma dessas modalidades preserva o modo peculiar da sua região. Assim, encontramos estilos de dança clássica no sul, como o Bharata Natyam, o Odissi e o Kathakali, outros oriundos do norte, como o Bhangra e o Kathak, outros no oeste, como o Dandi e o Garba, e outros no leste, como o Manipuri e o Sattriya. A raiz comum a todas estas formas artísticas é um texto chamado Natya Shastra, do século II, atribuído ao sábio patriarca Bh€rata.
O interessante do natya é que desta forma de arte dramática não é apenas dança. Em primeiro lugar, natya é dança, sim, mas sagrada. Originalmente, dançava-se nos templos, para os deuses. O natya incorpora e transmite uma linguagem gestual (mudra) muito característica, que influenciou enormemente as outras manifestações artísticas do Sudeste Asiático, como as danças gestuais da Indonésia, da Tailândia e da China. Além do mais, natya é teatro: o dançarino conta uma história, narra os mitos do Ramayana ou dos Puranas. Essa história é contada não apenas através da expressão das mãos, mas igualmente de gestos feitos com a fisionomia e o olhar. O dançarino usa o corpo como um veículo para expressar sua devoção e celebrar as grandes verdades universais: o amor, a glória, a paz. Não obstante a complexidade da dança indiana, ela é extremamente fácil de se compreender, pois fala ao coração e não à mente.
Agora, cabe uma palavra sobre a vasta literatura indiana. O gênero literário mais antigo é o dos Vedas, uma ampla coleção de hinos e fórmulas rituais em forma de poemas, que evidencia uma visão da criação, do mundo e da vida humana. Esses textos surpreendem pela profundidade e beleza. Embora de temática aparentemente limitada, eles revelam-se obras primas do ponto de vista literário, dando-nos uma visão global da cultura, dos valores e da forma de vida do povo védico. Existem quatro Vedas: Rig, Sama, Yajur e Atharva.
O famoso poeta e dramaturgo Kalidasa, que já foi comparado a Shakespeare, escreveu, dentre outras obras, dois épicos inesquecíveis: o Raghuvamsa (“A Dinastia dos Raghus”) e o Kumaras?ambhava (“O Nascimento de Kumara”) e duas obras de teatro que são encenadas até hoje: Shakuntala and Meghaduta. Talvez o mais marcante poeta posterior a Kalidasa seja Jayadeva, que compôs a famosa Gita Govinda (“Canção de Govinda”). Outros autores relevantes são Chanakya, que escreveu o Arthashastra (“Ciência da Prosperidade”) e Vatsyayana, conhecido pelo Kamasutra. Afora a literatura clássica sânscrita, e tendo surgido a a partir do século XVI, existe ainda uma imensa literatura em línguas vernáculas, tais como prâcrito, tâmil, pali, bhojpuri, hindi, kannada, gujarati, bengali, kashmiri, marathi, oriya, punjabi, malayalam, telugu e urdu, entre outras.
Ainda no âmbito cultural, nasceram na Índia atividades como o boxe e as artes marciais. Dentre as mais de 4.200 esculturas de terracota achadas nos sítios arqueológicos do Vale do Indo, tem uma que representa um lutador em posição de defesa, com mãos e punhos enfaixados, da mesma maneira que os boxeadores da atualidade. O kalarippayatu (“luta do campo de batalha”), o vajramushti (“punho de diamante”) e outras artes marciais, da mesma maneira, tiveram sua origem na Índia. Essas artes marciais foram levadas para o Sudeste Asiático e, posteriormente, para o Extremo Oriente, pelo monje budista Bodhidharma. Na área da recreação, cabe lembrar que também jogos como o ludo (chaturanga) e o xadrez, (sh?atrañj ou ashtapada) são também criações da mente indiana.

A mente indiana na ciência.

Os árabes aprenderam as ciências exatas dos indianos. Eles chamaram as matemáticas hindse, que significa “da Índia”. Não sabemos quando o homem começou a contar, mas o conceito do zero (shunya, em sânscrito) é indubitavelmente uma criação do ??i Aryabhatta. Da mesma forma, são indianos o sistema decimal e a numeração que hoje se conhece como arábiga. Este conhecimento foi levado pelos árabes para o Oriente Próximo no século XII, de onde, através das cruzadas, atingiu a Europa, onde foi massivamente adotado, por ser muito mais lógico e fácil de usar que o desconfortável sistema romano. Uma vez, Albert Einstein disse: “devemos muito aos indianos, que nos ensinaram a contar, sem o que nenhuma descoberta científica válida teria sido feita.” O grande matemático La Place, por seu lado, afirmou: “foi a Índia quem nos deu o engenhoso método de expressar todos os números com dez símbolos. A enorme facilidade que isso deu a todos os cálculos coloca a aritmética no topo das invenções úteis, e deveríamos apreciar ainda mais a dimensão destas conquistas se lembrarmos que elas escaparam ao gênio de Arquimedes e Apolônio.”
Seria impossível construir as imensas estruturas de Harappa e Mohenjo Daro sem um conhecimento detalhado de engenharia, arquitetura e geometria. A ciência nasceu a partir do ritual: a arte de construir altares deu origem à arte de construir cidades. Num estudo que consumiu mais de vinte anos, o matemático e historiador da ciência A. Siedenberg demonstrou que os sistemas matemáticos egípcio e babilônico foram inspirados no Shulba Sutra. Os textos egípcios baseados nesta obra são anteriores ao ano 2000 a.C., o que prova que o conhecimento de matemática na Índia é bem antigo. Isto reforça ainda o ponto de vista que afirma que o movimento civilizatório se deu desde a Índia para Oriente Próximo e que Mesopotâmia e Egito são tributários da cultura índica.
No campo da medicina, o sistema de saúde chamado Ayurveda (“ciência da vida”), nasceu em solo indiano e foi ensinada na Universidade de Taxila, fundada em 700 a.C., que chegou a reunir mais de 10.000 estudantes. Esse sistema de medicina foi preservado através da obra de sábios como Charvaka e Su?ruta, que viveram há mais de 2.500 anos.
A astronomia também nasceu em solo indiano. O erudito estadunidense Ebenezer Burguess afirmou, mais de um século atrás, que as astronomias indiana, egípcia e grega, pareciam possuir a mesma base, e que sua origem deveria procurar-se na Índia antiga. Alguns hinos do Rig Veda e outros shastras começam ou terminam com a descrição da localização do sol em relação aos planetas e constelações. Os primeiros estudiosos ocidentais dos séculos XVIII e XIX desestimaram esse detalhe, pois não acharam possível que esses fossem dados astronômicos concretos.
A navegação e, igualmente, um feito que parece ter sido empreendido primeiramente pelos antigos indianos. O historiador R. K. Mookerjee disse: “a arte da navegação nasceu no rio Indus mais de 6000 anos atrás. A própria palavra navigation, em inglês, deriva do sânscrito navi gatih.” A palavra nave deriva igualmente do sânscrito nava. Por seu lado, os antropólogos Geldern e Ekholm afirmaram: “mil anos antes do nascimento de Colombo, os barcos indianos eram em muito superiores a qualquer um feito na Europa no século XVIII.” A bússola, maccha yantra em sânscrito, foi também criada por estes navegantes.
Considerando esses antecedentes, e a importância que sempre se deu nesta cultura à busca por uma expressão numérica da unidade que permeia todas as coisas, não surpreende que hoje a Índia seja o país que aporta mais cientistas ao mundo no campo das ciências exatas, pois os indianos levam no seu inconsciente coletivo uma cosmovisão completa, expressada por meio de números.

A mente indiana na espiritualidade.

Usamos aqui a palavra espiritualidade para abranger tanto as expressões religiosas quanto as filosóficas. Na Índia, não há separação entre vida e religião, entre arte e espiritualidade. Esse fato é um dos primeiros que impressiona o visitante. O povo indiano, seja hindu, muçulmano, budista, sikh ou parsi, parece viver o tempo todo com a devoção à flor da pele. Essa atitude do indiano faz parte de uma tradição maior, que remonta aos tempos védicos e permeia todas as formas desta cultura. Nesse sentido, poderíamos dizer que o indiano vivencia a espiritualidade de uma forma mais natural e intensa que outros povos. Isso é evidente no extenso calendário de atividades religiosas, festivais, celebrações e peregrinações, de todas as formas religiosas, hindus e não hindus.
Também é evidente no cotidiano desse povo que, apesar das agruras inerentes à vida daqueles que nasceram num país do Terceiro Mundo, mantém sempre um sorriso estampado no rosto. Cada povo tem sua idiossincrasia. Assim, costumamos ouvir e dizer que os japoneses são disciplinados, que os alemães são sérios, que os brasileiros somos alegres. Na mesma linha, os indianos consideram a si mesmos o povo mais khush do planeta. Mas, o que significa khush? Esta é uma palavra urdu que quer dizer intensa alegria, felicidade. Essa alegria nasce na natural devoção do povo que, por sua vez, parece derivar de uma confiança inata na vida. Essa confiança deriva do ensinamento do dharma.
Talvez o exemplo mais acabado dessa integração entre espiritualidade e cotidiano seja o conceito de dharma. Este termo, que significa literalmente “aquilo que mantém unido”, designa tanto a vocação individual e os meios para realizá-la, como o princípio da harmonia e justiça universais. Todas as filosofias e religiões da Índia outorgam um papel central à vida no dharma, que é uma vida centrada na correta compreensão da realidade e na percepção do Eu em tudo e em todos. Nesse sentido, podemos dizer que o dharma, tanto do ponto de vista hindu quanto do budista, parsi, sikh ou jaina, não é um esquema exclusivo, que rejeita pessoas desde dentro de um sistema fechado. Ele é inclusivo: todos têm um lugar, um papel para representar ou realizar na estrutura do dharma. Vi?e?a dharma é o dharma específico para um indivíduo numa determinada situação. Já samanya dharma é o universal, aplicável a todos e a tudo.
Tudo o que está aqui é uma manifestação da Consciência, que se manifesta na forma do dharma, da ordem universal. Todos os humanos sabem disso, embora a noção dentro de cada cultura possa variar bastante. A essência do ensinamento do sanatana dharma , o dharma eterno, é que o indivíduo é idêntico ao Ser ilimitado. Isto deve ser bem compreendido, e aceito, se quisermos uma vida tranqüila, apesar as dificuldades inerentes a qualquer existência humana. Essa não-dualidade existe e é um fato, apesar da distinção sujeito-objeto. A distinção sujeito-objeto não contradiz a não-dualidade. Este é o conhecimento do Veda. Está ao longo do Rig Veda e, especialmente, no fim dele, condensado nas Upani?ads. Esse ensinamento está presente ao longo de todos os textos sagrados, que são cheios de histórias e mitos que têm como objetivo transmitir o ensinamento da maneira mais clara para as diferentes gerações.
O propósito deste texto, como foi colocado no início, foi apresentar as contribuições da mente indiana ao pensamento humano. A civilização da Índia, como toda civilização tem seu lado B. O amigo leitor saberá nos perdoar por omitir esse aspecto. Namaste!

Pedro é praticante e professor de Yoga.

VIA YOGA.PRO.BR

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