"A Casa Sobre A Rocha" (Mt5:24).

“O Amor é a Lei de Deus. Viveis para que aprendais a amar. Amais para que aprendais a viver. Nenhuma outra lição é exigida do homem.” (O Livro De Mirdad)

ABDRUSCHIN – O SILÊNCIO

Posted by José Eduardo Glaeser em 08/05/2012

RETIRADO DA OBRA MENSAGEM DO GRAAL – ABDRUSCHIN

TÃO logo surja em ti um pensamento, trata de retê-lo, não o exponhas logo, porém nutre-o; pois ele condensa-se mediante a contenção no silêncio e ganha em forças, como o vapor sob compressão.
A pressão e a condensação geram a propriedade duma reação magnética segundo a lei de que tudo o que é mais forte atrai o fraco. Formas de pensamentos análogas serão através disso atraídas de todas as partes, seguradas, reforçando cada vez mais a força do próprio pensamento primitivo, e apesar disso atuam de modo que a primeira forma gerada se vá moldando, transformando-se e adquirindo formas variáveis por ação de outras desconhecidas, até atingir seu amadurecimento. Sentes tudo isso dentro de ti; todavia, julgas que isso resulta unicamente da tua própria vontade. Mas em coisa alguma dás inteiramente tua própria vontade, tens sempre junto algo alheio!
Que te diz esse fenômeno?
Que somente com a fusão de muitas partículas algo perfeito pode ser criado! Criado? Está isso certo? Não, mas sim formado! Pois realmente não há nada de novo a criar, trata-se em tudo apenas de um novo formar, visto que todas as partículas já existem na grande Criação. Cumpre apenas impulsionar essas partículas em direção ao caminho da perfeição, o que traz a fusão.
Fusão! Não passes de leve por tal termo, procura antes aprofundar-te nesse conceito de que também o amadurecimento e a perfeição são alcançados por meio da fusão. Essa sentença repousa em toda a Criação, como uma preciosidade que quer ser descoberta! Acha-se intimamente ligada à lei de que somente no dar também se pode receber! E o que condiciona a exata compreensão dessas sentenças? Isto é, a vivência? O amor! E por isso o amor constitui também a força máxima, como poder ilimitado dentro do mistério do grande existir!
Assim como a fusão, no caso dum único pensamento, forma, amolda e lapida, assim se dá com o próprio ser humano e com toda a Criação, que na interminável fusão de formas individuais existentes passa por transformações, devido à força de vontade, tornando-se assim o caminho para a perfeição.
Um ser isolado não pode oferecer-te a perfeição, mas sim a humanidade toda, na pluralidade de suas características! Cada qual tem algo que pertence de maneira incondicional ao conjunto. Daí acontecer também que uma pessoa que já atingiu amplo progresso, já não conhecendo mais nenhuma cobiça terrena, sinta amor pela humanidade inteira e não por um ser isolado, visto que somente a humanidade toda consegue fazer vibrar em harmoniosa sinfonia celestial as cordas de sua alma amadurecida, libertadas através da purificação. Traz harmonia dentro de si, porque todas as cordas vibram!
Voltemos ao pensamento que atraiu para si as formas alheias e que assim se foi tornando cada vez mais forte: acaba finalmente elevando-se para cima de ti em cerradas ondas de força, rompe a aura da tua própria pessoa e passa a exercer influência sobre um âmbito mais amplo.
A isso a humanidade cognomina magnetismo pessoal. Os leigos dizem: “Irradias algo!” Conforme a espécie, trata-se de algo agradável ou antipático, atraente ou repulsivo. Mas sente-se!
Contudo, não irradias nada! O fenômeno que ocasionou tal sensação nos outros origina-se no fato de atraíres magneticamente tudo o que tem afinidade espiritual contigo. É esse atrair que as pessoas próximas sentem. É que nisso também reside a ação recíproca. Assim, nesse contato, essa outra pessoa sente então nitidamente a tua força, nascendo através disso a “simpatia”.
Mantém sempre diante dos olhos o seguinte: Tudo quanto é espiritual, expresso segundo nossos conceitos, é magnético; e bem sabes que sempre o mais fraco é superado pelo mais forte, pela atração e pela absorção. Por isso “é tirado dos pobres (fracos) até mesmo o pouco que possuem”. Tornam-se dependentes.
Nisso não ocorre nenhuma injustiça, e sim tudo se passa segundo as leis divinas. O ser humano precisa apenas tomar a iniciativa, querer deveras, então ficará protegido disso.
Naturalmente perguntarás: E como será quando todos quiserem ser fortes? Quando nada tiverem a tomar de alguém? Então, querido amigo, será um intercâmbio espontâneo, subordinado à lei de que somente dando é que também se pode receber. Não ocorrerá paralisação; apenas será anulado tudo quanto é inferior.
Assim, pois, acontece que, devido à preguiça, muitos se tornam dependentes no espírito, chegando até mesmo à incapacidade de desenvolver seus próprios pensamentos.
Urge salientar, entretanto, que somente o de igual espécie é atraído. Daí o provérbio: “Igual com igual se entendem bem”. Assim se juntarão sempre os que são dados à bebida, fumantes têm “simpatias”, tagarelas, jogadores, etc.; mas também os de índole nobre se encontram para fins elevados.
No entanto, ainda prossegue: o que espiritualmente se aspira também se efetiva por fim fisicamente, visto todo o espiritual perpassar a matéria grosseira, razão pela qual cumpre reter sempre em mente a lei da ação de retorno, porque um pensamento sempre mantém ligação com a origem, causando nessa ligação irradiações retroativas.
Refiro-me aqui sempre apenas aos pensamentos reais, que contêm em si a força vital da intuição anímica. E não me refiro ao desperdício de forças da substância cerebral confiada a ti como instrumento, formando apenas pensamentos voláteis que se manifestam como emanações difusas em desordenada confusão e que, felizmente, logo se desfazem. Tais pensamentos só te custam tempo e força, e desperdiças com isso um bem que te foi confiado.
Meditas, por exemplo, a sério sobre determinada coisa, tal pensamento se tornará fortemente magnético dentro de ti pela força do silêncio e atrairá todos os afins, tornando-se, desse modo, fertilizado. Ele amadurece e transpõe os limites da rotina, penetra devido a isso em outras esferas também, recebendo aí a afluência de pensamentos mais elevados… a inspiração! Por essa razão, em contraste com a mediunidade, na inspiração o pensamento básico deve partir de ti mesmo e deve formar a ponte para o além, o mundo espiritual, a fim de ali haurir conscientemente de uma fonte.
Por conseguinte, a inspiração não tem nada a ver com a mediunidade. Dessa forma o pensamento amadurecerá dentro de ti. Avanças para a realização e trarás, condensado por tua força, aquilo que já pairava antes em inúmeras partículas no Universo, como formas de pensamentos.
Dessa maneira crias uma nova forma por meio da fusão e da condensação daquilo que desde há muito já existia espiritualmente! Assim, na Criação toda, apenas mudam sempre as formas, pois tudo o mais é eterno e indestrutível.
Acautela-te de pensamentos confusos, e de toda a superficialidade no pensar. O descuido vinga-se amargamente, pois sem demora te verás rebaixado a um lugar tumultuado de influências estranhas, o que te tornará facilmente irritado, inconstante e injusto para com os que te rodeiam.
Se tens um pensamento autêntico e o sabes reter bem, assim finalmente essa força concentrada também tem de ser impelida para a realização, pois o desenvolvimento de tudo se desenrola espiritualmente, já que toda força é apenas espiritual! O que então consegues distinguir são sempre apenas as últimas manifestações dum processo magnético-espiritual ocorrido antes e que se realiza em ordem predeterminada e sempre uniforme.
Observa, e quando pensas e sentes, logo terás a prova de que toda a vida real só pode ser na verdade a espiritual, onde unicamente se encontram a origem e o desenvolvimento. Tens de chegar à convicção de que tudo quanto vês com os olhos corpóreos realmente são apenas manifestações do espírito eternamente impulsionante.
Qualquer ação, até mesmo os menores movimentos duma pessoa, tudo foi precedido sempre de uma vontade espiritual. Os corpos exercem em tais casos apenas a função de instrumentos vivificados pelo espírito, que propriamente só adquiriram consistência através da força do espírito. Assim também árvores, pedras e toda a Terra. Tudo é vivificado, traspassado e impulsionado pelo espírito criador.
Visto que a matéria toda, portanto o que é visível terrenamente, só vem a ser efeito da vida espiritual, não te será difícil compreender que, conforme a espécie mais imediata da vida espiritual que nos rodeia, assim se formarão também as circunstâncias terrenas. O que daí se deduz logicamente é claro: ao próprio ser humano é dada, pela sábia disposição da Criação, a força para formar as condições de vida mediante a própria força do Criador. Feliz dele se a utilizar somente para o bem! Mas ai dele, se deixar induzir-se a utilizá-la para o mal!
Nos seres humanos o espírito somente é envolvido e escurecido através das ambições terrenas que, como escórias, aderem, sobrecarregam e arrastam-no para baixo. Seus pensamentos são, pois, atos de vontade nos quais repousa a força do espírito. O ser humano dispõe da decisão para pensar bem ou mal e pode assim orientar a força divina tanto para o bem como para o mal! Nisso se baseia a responsabilidade que o ser humano tem consigo, pois a recompensa ou o castigo hão de vir, já que todas as conseqüências dos pensamentos voltam ao ponto de início através da lei da reciprocidade instituída, que nunca falha, e que nisso é inamovível, portanto, inexorável. E por isso também incorruptível, severa e justa! Não se diz o mesmo também a respeito de Deus?
Se muitos inimigos da fé hoje nada mais querem saber da divindade, tudo isso não consegue alterar em nada os fatos que expus. Basta que essas pessoas suprimam a palavra “Deus” e se aprofundem deveras na ciência, virão a encontrar então exatamente o mesmo, só que expresso em outras palavras. Não é, portanto, ridículo discutir sobre isso?
Nenhum ser humano pode se esquivar das leis da natureza, ninguém consegue nadar em sentido contrário a elas. Deus é a força que impulsiona as leis da natureza, a força que ninguém ainda compreendeu, que ninguém viu, mas cujos efeitos cada um, dia a dia, hora a hora, até mesmo nas frações de todos os segundos, tem de ver, intuir, observar, se apenas quiser ver, em si próprio, em cada animal, cada árvore, cada flor, cada fibra de uma folha, quando irrompe do invólucro para chegar à luz.
Não é cegueira opor-se tenazmente, quando todos, até mesmo esses negadores obstinados, reconhecem e comprovam a existência dessa força? O que os impede então de chamar Deus a essa força reconhecida? Teimosia pueril? Ou uma certa vergonha por terem de declarar que durante tanto tempo procuraram negar obstinadamente algo, cuja existência há muito lhes era evidente?
Certamente não é nada de tudo isso. A causa deve residir no fato de que foi apresentado à humanidade, de tantas partes, caricaturas da grande divindade, com as quais, num sério pesquisar, não podia concordar. A força da divindade, que tudo abrange e tudo perpassa, tem de ser diminuída e desvalorizada com a tentativa de imprimi-la num quadro!
Com reflexão profunda, nenhum quadro pode harmonizar-se com isso! Exatamente porque cada ser humano traz em si o conceito de Deus, é que se opõe cheio de pressentimentos contra a restrição da grandiosa e inapreensível força que o gerou e que o conduz.
O dogma é em grande parte culpado de que aqueles que em seus conflitos procuram transpor cada meta, muitas vezes o façam até mesmo contra a certeza que vive dentro deles.
Mas não está distante a hora do despertar espiritual! Em que se interpretarão direito as palavras do Salvador, compreendendo-se corretamente sua grande obra de salvação, pois Cristo trouxe libertação das trevas, já que apontou o caminho para a verdade, mostrando, como ser humano, o caminho para as alturas luminosas! E com o seu sangue imprimiu na cruz o selo de sua convicção!
A verdade nunca deixou de ser o que foi outrora e que ainda é hoje e há de ser daqui a dezenas de milênios, já que é eterna!
Por isso, aprendei a conhecer as leis que se encontram no grande livro de toda a Criação. Submeter-se a elas significa: amar a Deus! Pois com isso não provocarás nenhuma dissonância na harmonia, mas sim concorrerás para que os acordes vibrantes atinjam amplitude total.
Quer digas: Submeto-me voluntariamente às leis vigentes da natureza, porque elas são em meu benefício, ou quer digas: Submeto-me à vontade de Deus, que se revela nas leis da natureza ou na força inconcebível que impulsiona as leis da natureza… ocorre alguma diferença na atuação delas? A força aí está e tu a reconheces, tens de reconhecê-la, sim, já que não te resta outra alternativa, tão logo reflitas um pouco… e com isso reconheces teu Deus, o Criador!
E essa força atua em ti até mesmo quando pensas! Por conseguinte, não a degrades, servindo-te dela para o mal; pelo contrário, pensa apenas em função do bem! Nunca te esqueças: Quando crias pensamentos, utilizas força divina, com a qual podes alcançar deveras o que há de mais límpido e excelso!
Procura jamais deixar de atentar que todas as conseqüências do teu pensar recaem sempre sobre ti, segundo a força, o tamanho e amplitude dos efeitos dos pensamentos, tanto no bem como no mal.
E como o pensamento é espiritual, assim retornam as conseqüências de maneira espiritual. Encontrar-te-ão, portanto, seja lá como for, ou aqui na Terra, ou então no espiritual, depois de teu falecimento. Por serem espirituais, também não são ligadas à matéria. Disso resulta que a decomposição do corpo não revoga o resgate devido! A retribuição, como conseqüência do retorno, ocorrerá na certa, mais cedo ou mais tarde, aqui ou acolá.
A ligação espiritual permanece firme em todas as tuas obras, pois também as obras materiais terrenas possuem, sim, origem espiritual através dos pensamentos que as geraram, e permanecem, mesmo que tudo o que é terreno tenha desaparecido. Por isso, há veracidade na expressão: “As tuas obras te aguardam, enquanto a prestação de contas não se der pela ação de retorno”.
Caso, por ocasião duma dessas ações retroativas, ainda estejas aqui na Terra, ou aqui tenhas voltado, assim efetiva-se então a força das conseqüências do espiritual, de acordo com a espécie, para o bem ou para o mal, através das circunstâncias, no teu ambiente ou em ti mesmo diretamente, em teu corpo.
Aqui seja mais uma vez indicado especialmente o seguinte: A verdadeira vida se processa no espiritual! E essa não conhece nem tempo nem espaço, logo, também qualquer separação. Situa-se acima dos conceitos terrenos. Por essa razão, as conseqüências te encontrarão onde estiveres, no tempo em que, devido às leis eternas, os efeitos retornam ao ponto inicial. Nada se perde, tudo volta, com toda a certeza.
Isso soluciona também a pergunta, já tantas vezes apresentada, de como acontece que pessoas visivelmente boas às vezes têm de sofrer tanto na vida terrena, e de tal forma, que é visto como injustiça. Trata-se de resgates que têm de atingi-las!
Conheces agora a resposta a essa pergunta; é que teu corpo ocasional não desempenha nisso nenhum papel. Teu corpo não significa bem tu próprio, não é o teu “eu” completo, e sim um instrumento que escolheste ou que tiveste de tomar segundo as leis respectivas da vida espiritual, às quais poderás chamar também leis cósmicas, caso assim te pareça mais compreensível. A respectiva vida terrena é somente um curto espaço da tua existência real.
Um pensamento arrasador, se não houvesse nenhuma saída, nenhum poder que se contrapusesse protetoramente. Quantos deveriam desanimar ao despertarem para o espiritual, e desejariam, de preferência, que o sono da rotina continuasse. Eles não sabem, pois, o que os aguarda e o que ainda os atingirá de outrora pela ação de retorno! Ou, como dizem os seres humanos: “O que eles ainda têm de reparar!”
Contudo, não tenhas receio! Com o despertar te será mostrado também, na sábia disposição da grande Criação, um caminho através daquela força da boa vontade, a que já me referi detidamente e que atenua os perigos do carma que se desencadeia, ou os afasta totalmente para o lado.
Também isso o Espírito do Pai depôs na tua mão. A força da boa vontade forma à tua volta um círculo capaz de destruir a ação nociva do mal ou atenuá-la bastante, da mesma forma que a camada de ar protege o globo terrestre.
Contudo, a força da boa vontade, essa proteção eficaz, aumentará e se consolidará através do poder do silêncio.
Por isso, a vós que procurais, chamo mais uma vez e insistentemente a atenção:
Conservai puro o foco dos vossos pensamentos, e praticai antes de mais nada o grande poder do silêncio, se é que quereis ascender.
O Pai já depositou em vós a força para tudo. Precisais apenas utilizá-la!

VIA A B D R U S C H I N

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