AMOR SEM LIMITES – 23. A queda dos muros

AMOR SEM LIMITES – 23. A queda dos muros


A cidade forte, cercada de muralhas, aonde não se pode entrar e de onde não se pode sair, é uma imagem comovente da separação. Representa a própria negação do amor sem limites.
Toda separação originada na falta de amor é pecado, qualquer que seja sua forma. E todo pecado é separação. A separação é “o” pecado.
Separar-se, tornar-se estrangeiro ou seguir sendo para o “outro” vai contra o sentido da evolução da vida. Os animais primitivos se isolavam sob pesados escudos. Eles se abrigavam com seus poderosos instrumentos de defesa.
Pouco a pouco e, cada vez mais, eles foram perdendo esses meios defensivos, porém, desenvolveram seu sistema nervoso e ampliaram seus contatos. O homem é o menos protegido dos seres vivos, mas o mais aberto à comunicação. Tudo isso foi assim querido pelo Senhor-amor.
A cidade fechada é, em certos casos, uma pessoa ou um grupo de pessoas das quais gostaríamos de nos aproximar e com quem gostaríamos de entrar em um relacionamento amoroso. Mas a cidade fechou suas portas diante de nós.
O que fazer? Forçar as muralhas? Não é necessário, em muitos casos, dar a volta na fortaleza sete vezes, setenta e sete vezes, em silêncio, com um cuidado respeitoso e afetuoso, sem nos deixar impressionar pelas pedras e insultos que podem nos lançar. E, acima de tudo, neste circuito, precisamos levar conosco a arca da aliança, a arca da nossa aliança com o Senhor-amor, isto é, tudo o que dentro de nós temos de mais sagrado e mais generoso.
E, assim por diante, até que o Senhor-amor nos diga: “Agora coloquei este ou estes em tuas mãos. Destruí o muro da separação. Eu os entrego o a ti. E, eu te dou a eles”.
Talvez chegemos ao fim de nossa vida sem ter visto capitular aqueles aos que chamávamos ao amor. Mas, no que nos diz respeito, teremos, de certo modo, saído vencedores. Assediando assim os isolados voluntários somente com a força do amor, teremos demolido nossos próprios muros.
A nossa própria pessoa também não estava entrincheirada em face do amor? A fortaleza hostil é, em primeiro lugar, o meu “eu-mesmo”.
Os muros da cidade fechada não foram construídos em um dia. Essas construções requerem anos. Freqüentemente, devido a uma lenta segregação acumulada, produz-se a surdez. Da mesma forma, pedra a pedra, dia a dia, ano após ano, construí um muro de egoísmo cada vez mais alto.
Eu me isolei em um duplo recinto: primeiro, o muro, visível para todos, de minhas palavras e de minhas ações negativas; depois, o muro invisível, ainda mais sombrio, de meus pensamentos obstinadamente fixos em mim mesmo.
A cidade forte construída por mim foi sitiada. Nossa cidade fechada, a de cada um de nós, quem a assedia? Os outros homens. O amor.
Não somos nós que podemos facilmente destruir nossos próprios muros. Não podemos levantar as pedras uma a uma. Mas o Senhor-amor nos rodeia constantemente, pacientemente. Nossas barricadas não serão demolidas por mãos humanas. Não serão suficientes rápidos retoques. É preciso uma demolição profunda, que liberta. É necessário um tremor de terra para fazer rolar a pedra que fechava a tumba no horto. Nossos muros só cairão depois de abalados os seus fundamentos.
Senhor-amor, dá-me a grande sacudida inicial! O choque de uma pedra contra outra faz saltar a faísca. Que o choque produzido pela quebra dos muros de separação acenda em mim o fogo desejado e faça-me partícipe da sarça ardente! Que todos esses miseráveis limites ​​sejam abolidos pela grande entrada do amor sem limites!

FONTE: ECCLESIA

AMOR SEM LIMITES – 22. Venho a ti nas pequenas coisas

AMOR SEM LIMITES – 22. Venho a ti nas pequenas coisas


Eu venho a ti, filho meu, nas pequenas coisas, nos mais humildes detalhes. Cada um de teus gestos pode se tornar a expressão do amor sem limites.
Lavas um prato, o enxágüas. Faça disto um ato de amor para com todos os que comeram nesse prato, para todos os que comerão nele.
A mulher da limpeza sai da tua casa. Acaba de pendurar roupas na corda onde irá secar.
Esse simples gesto de serviço não te recorda nada? Esses dois braços, estendidos um instante, não te fazem pensar nos dois braços que se elevaram no bosque sagrado?
Tudo se torna sagrado se o teu amor o transfigura.
O amor está entre nós como aquele que serve.

FONTE: ECCLESIA

AMOR SEM LIMITES – 21. Faíscas

AMOR SEM LIMITES – 21. Faíscas


Um homem caminha através da noite escura; uma noite de inverno. O frio é glacial; a neve cai. A paisagem e a atmosfera parecem apagar toda a esperança.
É aí que, de repente, entre os flocos de neve que mordem a mão do viajante, aparecem faíscas.
De onde podem vir essas faíscas? Há uma chama, há fogo próximo daqui? Há possibilidade de se aquecer, uma fonte de luz e de calor!
Há uma chama, há um fogo próximo … infinitamente próximo.

FONTE: ECCLESIA