"A Casa Sobre A Rocha" (Mt5:24).

“O Amor é a Lei de Deus. Viveis para que aprendais a amar. Amais para que aprendais a viver. Nenhuma outra lição é exigida do homem.” (O Livro De Mirdad)

Archive for the ‘MÍSTICA DAS BEATITUDES’ Category

O SERMÃO DA MONTANHA – I

Posted by José Eduardo Glaeser em 18/02/2012

Mateus 5

Bem-aventuranças: anseio por um mundo novo – Jesus viu as multidões, subiu à montanha e sentou-se. Os discípulos se aproximaram, e Jesus começou a ensiná-los:
“Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu.
Felizes os aflitos, porque serão consolados.
Felizes os mansos, porque possuirão a terra.
Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
Felizes os que são misericordiosos, porque encontrarão misericórdia.
Felizes os puros de coração, porque verão a Deus.
Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.
Felizes os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino do Céu.
Felizes vocês, se forem insultados e perseguidos, e se disserem todo tipo de calúnia contra vocês, por causa de mim. 12 Fiquem alegres e contentes, porque será grande para vocês a recompensa no céu. Do mesmo modo perseguiram os profetas que vieram antes de vocês.”
A força do testemunho – “Vocês são o sal da terra. Ora, se o sal perde o gosto, com que poderemos salgá-lo? Não serve para mais nada; serve só para ser jogado fora e ser pisado pelos homens.
Vocês são a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte. Ninguém acende uma lâmpada para colocá-la debaixo de uma vasilha, e sim para colocá-la no candeeiro, onde ela brilha para todos os que estão em casa. Assim também: que a luz de vocês brilhe diante dos homens, para que eles vejam as boas obras que vocês fazem, e louvem o Pai de vocês que está no céu.”
A lei e a justiça – “Não pensem que eu vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim abolir, mas dar-lhes pleno cumprimento. Eu garanto a vocês: antes que o céu e a terra deixem de existir, nem sequer uma letra ou vírgula serão tiradas da Lei, sem que tudo aconteça. Portanto, quem desobedecer a um só desses mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazer o mesmo, será considerado o menor no Reino do Céu. Por outro lado, quem os praticar e ensinar, será considerado grande no Reino do Céu. Com efeito, eu lhes garanto: se a justiça de vocês não superar a dos doutores da Lei e dos fariseus, vocês não entrarão no Reino do Céu.”
Ofensa e reconciliação – “Vocês ouviram o que foi dito aos antigos: ‘Não mate! Quem matar será condenado pelo tribunal’. Eu, porém, lhes digo: todo aquele que fica com raiva do seu irmão, se torna réu perante o tribunal. Quem diz ao seu irmão: ‘imbecil’, se torna réu perante o Sinédrio; quem chama o irmão de ‘idiota’, merece o fogo do inferno. Portanto, se você for até o altar para levar a sua oferta, e aí se lembrar de que o seu irmão tem alguma coisa contra você, deixe a oferta aí diante do altar, e vá primeiro fazer as pazes com seu irmão; depois, volte para apresentar a oferta. Se alguém fez alguma acusação contra você, procure logo entrar em acordo com ele, enquanto estão a caminho do tribunal; senão o acusador entregará você ao juiz, o juiz o entregará ao guarda, e você irá para a prisão. Eu garanto: daí você não sairá, enquanto não pagar até o último centavo.”
Adultério e fidelidade – “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Não cometa adultério’. Eu, porém, lhes digo: todo aquele que olha para uma mulher e deseja possuí-la, já cometeu adultério com ela no coração.
Se o olho direito leva você a pecar, arranque-o e jogue-o fora! É melhor perder um membro, do que o seu corpo todo ser jogado no inferno. Se a mão direita leva você a pecar, corte-a e jogue-a fora! É melhor perder um membro do que o seu corpo todo ir para o inferno.
Também foi dito: ‘Quem se divorciar de sua mulher, lhe dê uma certidão de divórcio’. Eu, porém, lhes digo: todo aquele que se divorcia de sua mulher, a não ser por causa de fornicação, faz com que ela se torne adúltera; e quem se casa com a mulher divorciada, comete adultério.”
Juramento e verdade – “Vocês ouviram também o que foi dito aos antigos: ‘Não jure falso’, mas ‘cumpra os seus juramentos para com o Senhor’. Eu, porém, lhes digo: não jurem de modo algum: nem pelo Céu, porque é o trono de Deus; nem pela terra, porque é o suporte onde ele apóia os pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei. Não jure nem mesmo pela sua própria cabeça, porque você não pode fazer um só fio de cabelo ficar branco ou preto. Diga apenas ‘sim’, quando é ‘sim’; e ‘não’, quando é ‘não’. O que você disser além disso, vem do Maligno.”
Violência e resistência – “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente!’ Eu, porém, lhes digo: não se vinguem de quem fez o mal a vocês. Pelo contrário: se alguém lhe dá um tapa na face direita, ofereça também a esquerda! Se alguém faz um processo para tomar de você a túnica, deixe também o manto! Se alguém obriga você a andar um quilômetro, caminhe dois quilômetros com ele! Dê a quem lhe pedir, e não vire as costas a quem lhe pedir emprestado.”
Amar como o Pai ama – “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo, e odeie o seu inimigo!’ Eu, porém, lhes digo: amem os seus inimigos, e rezem por aqueles que perseguem vocês! Assim vocês se tornarão filhos do Pai que está no céu, porque ele faz o sol nascer sobre maus e bons, e a chuva cair sobre justos e injustos. Pois, se vocês amam somente aqueles que os amam, que recompensa vocês terão? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa? E se vocês cumprimentam somente seus irmãos, o que é que vocês fazem de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? Portanto, sejam perfeitos como é perfeito o Pai de vocês que está no céu.”

Posted in 0. MÍSTICA DAS BEATITUDES – AUTO-RETRATO DA ALMA DE JESUS, 1. BEM-AVENTURADOS OS POBRES PELO ESPÍRITO – PORQUE DELES É O REINO DOS CÉUS, 2. BEM-AVENTURADOS OS TRISTES, PORQUE ELES SERÃO CONSOLADOS, 3. BEM-AVENTURADOS OS MANSOS, PORQUE ELES POSSUÍRÃO A TERRA, 4. BEM-AVENTURADOS OS QUE TÊM FOME E SEDE DA JUSTIÇA, PORQUE ELES SERÃO SACIADOS, 5. BEM-AVENTURADOS OS MISERICORDIOSOS, PORQUE ELES ALCANÇARÃO MISERICÓRDIA, 6. BEM-AVENTURADOS OS PUROS DE CORAÇÃO, PORQUE ELES VERÃO A DEUS, 7. BEM-AVENTURADOS OS PACIFICADORES, PORQUE ELES SERÃO CHAMADOS FILHOS DE DEUS, 8. BEM-AVENTURADOS OS QUE SOFREM PERSEGUIÇÃO POR CAUSA DA JUSTIÇA, PORQUE DELES É O REINO DOS CÉUS, Geral, MÍSTICA DAS BEATITUDES, NADA NA VIDA DO SENHOR É MAIS IMPRESSIONANTE DO QUE O SILÊNCIO DESTES 30 ANOS | Etiquetado: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Leave a Comment »

Não há problema em aproveitar a vida; o segredo da Felicidade é não ser apegado a nada. Sinta o cheiro da flor, mas veja Deus nele. Eu mantive a consciência dos sentidos somente até o ponto em que, utilizando-a, eu possa sempre perceber e pensar em Deus….

Posted by José Eduardo Glaeser em 01/03/2011

Não há problema em aproveitar a vida; o segredo da Felicidade é não ser apegado a nada. Sinta o cheiro da flor, mas veja Deus nele. Eu mantive a consciência dos sentidos somente até o ponto em que, utilizando-a, eu possa sempre perceber e pensar em Deus. “Meus olhos foram feitos para observar tua beleza em todo lugar. Meus ouvidos foram feitos para ouvir tua voz onipresente”. Isso é yoga. União com Deus. Não é necessário ir até a floresta para encontrá-Lo.
Hábitos mundanos nos deterão rápidamente onde quer que possamos estar,até que nos libertemos deles. O yogi aprende à encontrar Deus na caverna do seu coração. Onde quer que ele vá, ele carrega consigo a extática consciência da presença de Deus.
(Paramahansa Yogananda, “A Eterna Busca do Homem”)

Posted in 1. BEM-AVENTURADOS OS POBRES PELO ESPÍRITO – PORQUE DELES É O REINO DOS CÉUS, 2. A FESTA NUPCIAL (Mt 22,1 ss), 3. BEM-AVENTURADOS OS MANSOS, PORQUE ELES POSSUÍRÃO A TERRA, 4. BEM-AVENTURADOS OS QUE TÊM FOME E SEDE DA JUSTIÇA, PORQUE ELES SERÃO SACIADOS, FUNDI-ME NELA E ALCANCEI A SENSAÇÃO DE DEUS, O MEU CORAÇÃO PULSOU COM O CORAÇÃO DE TODAS AS CRIATURAS IRMÃS E NESTAS PALPITAÇÕES PERCORREU-ME O AMOR DE DEUS, TODAS AS VOZES FALARAM EM MIM E EU RESPONDI A TODAS AS VOZES | Etiquetado: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | 1 Comment »

Serenidade não é frivolidade nem complacência…

Posted by José Eduardo Glaeser em 14/02/2011

Serenidade não é frivolidade nem complacência;
é a sabedoria e o amor mais elevado,
é a confirmação de que toda a realidade se encontra
desperta na orla de todos os abismos e profundezas.
A Serenidade é o segredo da beleza e
a verdadeira substância de toda a Arte.
(Hermann Hesse)

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2 – BEM-AVENTURADOS OS TRISTES, PORQUE ELES SERÃO CONSOLADOS

Posted by José Eduardo Glaeser em 12/11/2010

Por Huberto Rohden

Quem são esses tristes?
O grego diz “penthountes” que o latim traduziu por “qui lugent” os que estão de luto.
Evidentemente, essa tristeza, esse luto se referem ao ego humano; só ele pode estar triste ou de luto. É experiência geral que, no princípio, o nosso ego fica triste, chora e se veste de luto, quando o Eu divino em nós nasce, porque este não pode nascer sem que aquele morra de algum modo.
É linguagem geral de todos os Mestres espirituais que algo no homem deve morrer para que algo possa nascer. Não há nascimento sem morte. Paulo de Tarso afirma que ele (seu ego) morre todos os dias, para que seu Eu, o seu Cristo interno, possa nascer e viver.
E o próprio Cristo diz: “Se o grão de trigo não morrer ficará estéril, mas, se morrer, produzirá muito fruto”.
Morte e vida são os dois pólos sobre os quais gira toda a existência humana.
Se o ego, convidado a morrer, soubesse que ele não vai morrer realmente, mas mudar de vida e de vivência, não se entristeceria com essa quase-morte. Mas o ego não sabe, por ora, dessa outra espécie de vivência em que vai entrar, e por isto fica triste, chora e se veste de luto. O que o ego tem de mais caro e querido é a sua idolatrada egoidade, tão antiga como a própria humanidade, milhões de anos. E essa egoidade multimilenar na raça humana, tem também alguns decênios na pessoa individual de cada homem. E agora, um Mestre carinhosamente cruel convida esse idolatrado ego a morrer…
É perfeitamente natural, que o ego, se aceitar o convite mortífero, se revista de luto e tristeza. Segue atrás do negro ataúde do seu ego morto, baixa o ego-cadáver ao túmulo, deita umas pasadas de terra fria sobre o esquife, derrama amargas lágrimas sobre os restos mortais do seu ídolo morto e sente-se todo em chaga viva.
Que coisa sobrou ao homem-ego depois que sepultou o seu único ídolo sobre a face da terra?
Por algum tempo, talvez por anos a fio, a vida desse homem não tem mais encantos… Em vão desabrocham flores à beira do caminho… Em vão brilham as estrelas no firmamento noturno da sua vida… A treva é espessa, e as estrelas são longínquas… Em vão procuram os amigos consolar esse morto-vivo… Ele perdeu tudo – e ainda não encontrou nada… A alvorada de uma vida nova não amanheceu ainda para além do ocaso da vida velha que se foi… O crepe escuro do negro ataúde não permite ainda vislumbrar a gaze branca de um berço novo…
E o Mestre tem a coragem de dizer que é feliz o homem que chora sobre o túmulo do seu ego morto… Pode não ser feliz por causa desse luto – mas pode ser feliz a despeito dele. Pode ser feliz por causa de algo que vem depois dessa morte e desse luto – se é que esse homem suspeita ou adivinha esse algo que vem depois.
Aos poucos, percebe esse enlutado que as suas alegrias antigas eram algo profano e triste, e que sua tristeza de agora tem um discreto sabor de alegria, não dessa alegria ruidosa que os profanos chamam alegria, mas, de algo que tem sabor de uma tristeza superficial e duma alegria profunda.
Mas essa alegria do enlutado está numa outra dimensão, está no misterioso anonimato da felicidade. Essa felicidade anônima é tão sagrada que nada tem que ver com as chamadas alegrias dos profanos. É como o misterioso cintilar das estrelas da meia-noite, mais adivinhadas do que conhecidas.
A alegria que o ego enlutado sente é tão sagrada que o homem não ousa falar dela aos seus antigos companheiros ainda não mortos, com medo duma possível profanação ou decepção.
Por isto, esse ego enlutado prefere viver a sós, na sua doce amargura, na sua amarga doçura. Se tiver a sorte de encontrar um sócio de luto, fala com ele a meia voz sobre sua sagrada tristeza, medindo as palavras cautelosamente.
Verifica aos poucos que, por nada deste mundo, trocaria sua tristeza por nenhuma das chamadas alegrias dos profanos. Tem pena dos alegres por não gozarem a querida tristeza de que ele goza.
Um belo dia – ou numa noite feliz – descobre ele que a sua tristeza é apenas a sombra projetada por uma luz misteriosa que nele está e cuja presença ele ignorava. Por amor a essa luz ama também as suas sombras e verifica que é uma sombra luminosa, espécie de sol da meia-noite que ilumina as regiões nórdicas do globo terrestre.
E quando um antigo companheiro de profanidade o convida para aquelas outras “alegrias” repletas de ruídos, esse homem prefere a sua doce amargura a todas as doces doçuras dos inexperientes desse novo mundo que nele despontou.
Uma gotinha dessa felicidade anônima lhe vale mais que toneladas daquele bagaço profano que outrora ele chamava de gozo e prazer.
Esse felizardo enlutado compreende que a “consolação” de que o Nazareno fala não é algo que venha depois da tristeza, mas que é a quintessência dessa mesma tristeza, a alma daquilo que aos inexperientes parece ser tristeza.
Verifica que o Reino dos Céus dessa consolação não é algo como recompensa por essa tristeza, mas é esta própria tristeza vista através de outro prisma, contemplada duma outra perspectiva e dimensão.
Esse homem não espera trocar a sua tristeza por alguma consolação, espera apenas conservar para sempre a sua clarividência e contemplar para sempre a Realidade do Seu Eu verdadeiro para além de todas as facticidades do seu ego ilusório.
Compreendeu, finalmente, que a felicidade não é algo que o homem receba de fora, mas que é ele mesmo essa felicidade, quando conscientiza a sua realidade divina de dentro.
O milionário da felicidade interior não necessita de correr freneticamente no encalço das pequenas moedas dos gozos externos, que os profanos chamam felicidade. Pode abrir mão desses pobres prazeres – e assim ser considerado como triste aos olhos dos sonhadores de sonhos e caçadores de sombras. Quem goza de uma felicidade profunda pode prescindir de gozos superficiais.
A verdadeira felicidade está numa outra dimensão, ignorada dos pobres gozadores. E quando alguém goza de uma profunda felicidade vinda de dentro da alma, pode até encontrar gozo nas pequeninas coisas de fora; não necessita de estímulos violentos para gozar; uma modesta florzinha à beira da estrada; o sorriso de uma criança; o gorgeio de um passarinho; o murmúrio de uma fonte; a fosforescência de um vaga-lume; um nascer ou pôr do sol; o silêncio da floresta ou o ribombar do trovão – tudo dá gozo e prazer a quem encontrou dentro de si a fonte de uma felicidade perene. Os gozos dos profanos, sem base na felicidade interior, sofrem de um mal intrínseco: necessitam de estímulos cada vez mais violentos para serem ainda sentidos e gozados. E, por fim, a possibilidade de gozar fica tão embotada que acaba em total incapacidade de gozar ainda. O próprio gozo progressivamente intensificado produz, por fim, a incapacidade de gozo. O gozo atrofia a gozabilidade – e então o infeliz gozador está maduro para o hospício, para o hospital ou para o cemitério – ou então para um inferno em plena vida.
Toda a física acaba fatalmente em fastio se não tiver um fundo de metafísica.
O felizardo que não baseia a sua felicidade em gozos externos, mas usa esses como simples condimentos e acessórios, pode gozar sempre sem fastio nem náuseas de super-saturação. Pode parecer triste aos olhos dos inexperientes, mas é um homem profundamente feliz dentro de si mesmo.

VIA http://asabedoriadejesusdenazare.blogspot.com/

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1 – BEM-AVENTURADOS OS POBRES PELO ESPÍRITO – PORQUE DELES É O REINO DOS CÉUS

Posted by José Eduardo Glaeser em 11/11/2010

Por Huberto Rohden

Quem é pobre pelo espírito?
Quem é bem-aventurado, feliz?
Que é o Reino dos Céus?
Durante quase 20 séculos se têm discutido as palavras “ptóchói to pnéumati” como está no original grego do primeiro século, ou “pauperes spiritu”, como lemos na tradução latina. E as interpretações dessas palavras têm sido as mais diversas.
Alguns chegaram ao absurdo de traduzir os “pobres de espírito”, proclamando felizes os que têm pouco espírito, os que são pobres, deficientes de espírito, os imbecis e idiotas. Neste caso, o próprio Jesus não faria parte dos bem-aventurados, e dele não seria o Reino dos Céus, porque não era pobre de espírito nesse sentido, mas sim rico e riquíssimo, quer se entenda por espírito a faculdade espiritual, quer a faculdade intelectual.
Mas os que o Mestre chamou felizes são os que são pobres pela livre escolha do seu próprio espírito, do seu livre arbítrio; não os que são compulsoriamente pobres, que são milhões, e talvez infelizes, mas os que, podendo possuir todas as riquezas da terra, se sentem tão ricos dos bens espirituais que voluntariamente se desapegaram dos bens materiais, usando apenas o necessário para sua manutenção física.
Também, que ia fazer um milionário espiritual com essas pobres riquezas materiais? Como ia um homem espiritualmente adulto ocupar-se com as bonecas de celulóide ou outra matéria com que se divertem as crianças num jardim de infância? O rico de espírito não sabe como brincar com essas bonecas dos ricos da matéria; a sua mentalidade espiritualmente adulta não acha suficiente ponto de contacto com esses brinquedos que encantam os espiritualmente infantes.
Disse alguém: “É tão difícil para um sábio adquirir riquezas como é difícil para um rico adquirir sabedoria”.
Muitos pensam que, para não dar importância aos bens materiais, deva o homem ser muito virtuoso. Não é bem exato. Pode o homem virtuoso renunciar aos bens materiais e não ser sábio nem feliz. A verdadeira renúncia não vem da virtuosidade, mas sim da sabedoria, da compreensão da verdade. Pode a virtuosidade, em certos casos, ser um preliminar para a sabedoria, mas não é a própria sabedoria. Saber quer dizer saborear, tomar o sabor de um alimento e senti-lo como saboroso. Mas, para o homem meramente virtuoso, pode a renúncia ter sabor amargo, pode ser “caminho estreito e porta apertada”; somente para o sábio, o sapiente, é a renúncia “jugo suave e peso leve”.
Pode alguém renunciar por dever, e até por querer – e é um homem virtuoso.
Mas o verdadeiro sábio renuncia por compreender, por saber – e saboreia a verdadeira felicidade.
O dever e o querer do virtuoso são atos de boa vontade do homem-ego – mas o compreender do sábio é uma atitude da razão espiritual, do Eu divino no homem.
Virtude vem de “virtus”, que em latim, quer dizer força; o virtuoso age em virtude de uma obrigação, de compulsão moral; ele se sente como um escravo, como um bom escravo – “eu devo renunciar”. Ele renuncia sob a pressão de um doloroso e maldito tu deves. Age como um bom escravo – não age como um homem livre, porque não compreende a verdade, a verdade sobre si mesmo; identifica-se ainda com o seu ego, com o seu ego virtuoso, de boa vontade. A verdade é o único poder libertador: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. A compreensão da verdade é a única força que realmente liberta o homem. Quem age sem compreender pode agir virtualmente, mas não age sabiamente.
Sabedoria, ou sapiência, não é outra coisa senão a compreensão da verdade libertadora.
Quem se identifica ainda com o seu ego, mesmo com um ego virtuoso, age virtuosamente, mas não age livremente.
Somente quem, pelo autoconhecimento da mística, se identifica com o seu Eu divino, esse compreende a verdade sobre si mesmo, esse age com sabedoria, age livremente – e este é realmente feliz. O sábio saboreia a deliciosa verdade sobre si mesmo, saboreia que “eu e o Pai somos um”, que “eu sou a luz do mundo”, que “o Reino de Deus está dentro de mim”, e age livre e deliciosamente à luz desta compreensão da verdade que o libertou, inclusive da virtuosidade.
“Por Moisés foi dada a lei – pelo Cristo veio a verdade e veio a graça”.
O homem virtuoso é um bom discípulo de Moisés, porque age sob o signo do dever – tu deves fazer isto, tu não deves fazer aquilo. Ele age como escravo do dever.
O homem sábio é discípulo do Cristo, age em nome da verdade e da graça, age à luz do compreender.
A lei escraviza.
A verdade e a graça libertam.
Feliz, realmente bem-aventurado, é somente aquele que renunciou aos bens materiais por sapiência, pelo saboreamento da verdade sobre si mesmo, e esta renúncia por compreensão nunca é dolorosa, mas indizivelmente deliciosa.
O homem virtuoso sofre a sua renúncia – o homem sábio saboreia a sua renúncia.
Renunciar é, para o sábio, para o compreendedor da verdade, para o autoconhecedor, uma afirmação de força e poder, de entusiasmo e plenitude, da “gloriosa liberdade dos filhos de Deus”.
Por isto, o homem que renunciou por sabedoria e compreensão nunca se sente como se fosse um herói, algum super-homem, alguma exceção da regra; sente a sua renúncia como algo natural e evidente. O apego aos bens materiais seria para ele desnatural. A natureza toda age com leveza e facilidade; segue sempre o caminho de menor esforço, como diz Einstein. A natureza não conhece virtuosidade, compulsão – ela age sempre com silêncio e naturalidade, porque é inconscientemente sábia, regida pela suprema sabedoria cósmica, que nada sabe de esforço, de dificuldade ou sacrificialidade.
Enquanto o homem se acha na escola primária da lei, soletrando o abc do dever, pode ele ser vicioso ou virtuoso, não fazer ou fazer dificilmente o que deve; mas quando ingressa na universidade da verdade e da graça, entra ele na zona do compreender, da sapiência e do saboreamento da verdade.
Para os principiantes é necessário o “caminho estreito e a porta apertada” da virtuosidade do dever.
Os finalizantes, porém, só conhecem “o jugo suave e peso leve” da sabedoria e compreensão.
Aqueles andam ainda “aflitos e sobrecarregados”, com sua virtuosidade – mas estes acharam “descanso para sua alma”, na sabedoria da compreensão.
Os pobres pelo espírito são os que desapegaram interiormente, e, quanto possível também exteriormente, dos bens materiais, mentais e emocionais, de toda a bagagem do velho ego, não em virtude de um maldito dever, mas à luz de um bendito compreender. Estes são os felizardos, os realmente felizes – porque deles é o Reino dos Céus.
“É” e não apenas “será”. Esses saboreiam, aqui e agora, o Reino dos Céus que está conscientemente dentro deles. Não esperam um céu só depois da morte, mas vivem agora mesmo, aqui e agora, no céu da verdade, da liberdade e da felicidade. Superaram o inferno do ego vicioso, de má vontade, e também o purgatório do ego virtuoso de boa vontade e ingressaram no céu do Eu da sabedoria.
O jovem rico do Evangelho era um homem virtuoso, que havia cumprido todos os mandamentos, tudo que devia fazer – mas não era um homem sábio; era um perfeito discípulo de Moisés, pelo cumprimento da lei – mas não chegou a ser um discípulo do Cristo, pela verdade e pela graça. Formado na escola primária do dever, não ingressou na universidade do compreender.
Que me falta ainda? Pergunta ele a Jesus, depois de ter feito tudo o que devia fazer. E o Mestre lhe responde: “Uma coisa te falta ainda”. Nada lhe faltava naquilo que ele devia fazer – tudo lhe faltava no que devia ser. À pergunta “o que devo fazer” o Mestre responde “se queres ser”. Não se trata mais de fazer algo, tratava-se de ser alguém. Só é alguém quem está na verdade do ser, para além de todas as pseudo-verdades do fazer. O fazer algo é necessário, mas somente o ser alguém é suficiente. Aquilo é dos virtuosos – isto é dos sábios.
A suprema sabedoria e felicidade consiste em ser alguém pela compreensão da verdade libertadora.
A auto-realização do reto-agir da ética supõe o autoconhecimento do reto-ser da mística.

Via http://asabedoriadejesusdenazare.blogspot.com/

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