O MENTALISMO SE APÓIA NA IDÉIA DE QUE O PODER ESTÁ DENTRO DE CADA UM E NÃO NO EXTERIOR. TRANSCREVEMOS AQUI O TEXTO DO PORTAL REFLEXÃO SOBRE JESUS CRISTO QUE DEMONSTRA ESSA VERDADE

O MENTALISMO SE APÓIA NA IDÉIA DE QUE O PODER ESTÁ DENTRO DE CADA UM E NÃO NO EXTERIOR. TRANSCREVEMOS AQUI O TEXTO DO PORTAL REFLEXÃO SOBRE JESUS CRISTO QUE DEMONSTRA ESSA VERDADE:

A história de Jesus Cristo é realmente linda. É a história de um Manifestante de Deus. Antes de Cristo revelar Sua Missão à humanidade, existiu um santo homem chamado João, o Batista.
Foi visto na história de Buda como um outro homem santo dera a notícia de que o Salvador da humanidade logo apareceria. Foi isto exatamente o que aconteceu antes de Cristo revelar a sua Missão.
João, o Batista, trouxe as boas-novas para o povo de seu tempo, de que o Mensageiro de Deus logo viria para livrá-lo de todos os sofrimentos.
As pessoas daquele tempo não gostavam de mudar suas idéias. Preferiam continuar imitando o que seus antepassados vinham fazendo durante séculos antes deles.
Os sacerdotes da época, que dominavam o povo, não queriam um novo Mensageiro de Deus, porquanto temiam que se Ele viesse poderiam perder a posição e as regalias que tinham. Portanto, prenderam João Batista e depois de algum tempo cortaram-lhe a cabeça. João sentia-se feliz, mesmo dando a própria vida no caminho de Deus.
Jesus Cristo nasceu num lar muito simples. José, seu pai, era apenas um carpinteiro. Cristo nasceu na Terra Santa. Era muito bom e carinhoso para o seu povo, mesmo em criança e na juventude, quando trabalhava com seu pai como carpinteiro.
Mais tarde, já homem feito, disse: “Agora é chegado o tempo para tratar dos negócios de meu verdadeiro e divino Pai.”
Saiu para meditar por longo tempo, voltando depois para revelar Sua verdadeira Missão. Deu as boas novas sobre o Reino de Deus.
Certa vez dirigiu-se a um lugar santificado, que era um centro de peregrinação e reverência para os judeus, mas que estava transformado em verdadeiro centro de comércio.
Disse Jesus: “Esta é uma Casa de Deus. Não deveis poluí-la com vossos interesses mundanos.” Queria Ele mostrar que a Religião de Deus não devia tornar-se uma fonte de ganhos materiais.
Nos dias de Cristo havia muitas pessoas espiritualmente doentes e espiritualmente mortas. Ele curou-as e deu-lhes vida com o poder da Palavra de Deus. Logo tornou-se muito conhecido.
Os sacerdotes ficaram com ciúmes e não gostaram que os seus seguidores fossem atrás daquele homem simples que ensinava um novo modo de vida para o povo.
Quando Ele lhes disse ser seu rei espiritual, o Prometido de seus livros sagrados, os sacerdotes então ficaram muito zangados, pois esperavam que o Rei prometido fosse um homem de faustosa riqueza e poder humano, enquanto Jesus Cristo era um homem simples e pobre. Nem mesmo sapatos usava.
Contudo, Ele proclamou ser o Rei de Israel. Disse: “Eu sou vosso verdadeiro Rei… Eu sou o Mestre do Novo Reino. Os reinos do mundo são como nada comparados com o eterno Reino de Deus.”
Mas os judeus não queriam acreditar n’Ele. Levantaram-se contra Ele e crucificaram-no entre dois ladrões.
Mesmo na cruz, Jesus orou pedindo perdão para Seus inimigos.
Os judeus não entenderam o verdadeiro significado de seus livros sagrados. Nem mesmo sabiam que embora matassem o Manifestante de Deus, não podiam matar Sua voz, pois ela era a voz de Deus e seria ouvida em todas as partes do mundo. Quando Cristo morreu, existiam algumas pessoas, simples e nobres entre aquelas que acreditavam n’Ele. Essas pessoas haviam recebido uma nova vida espiritual pelo poder da Palavra de Cristo e tinham-se levantando de seus túmulos de ignorância.
Embora esses primeiros discípulos de Cristo fossem humildes pescadores, lavradores e pastores, eles foram guiados por um Manifestante de Deus e receberam novos poderes através d’Ele. Separaram-se, espalhando-se pelo mundo, para levar a mensagem de seu Mestre – Jesus Cristo.
Muitos deles chegaram a sacrificar suas vidas pela causa que defendiam. Entretanto grandes dificuldades e a ameaça da espada inimiga, levaram sua Mensagem para diferentes povos, afirmando bem alto que o Reino de Deus tinha sido estabelecido na terra através de Jesus.
Embora simples homens do povo, conseguiram enfrentar as poderosas forças do mundo e conquistaram nação atrás de nação com a Palavra de Deus, levando uma nova vida espiritual àqueles que encontravam. Isso foi devido ao poder divino de Jesus Cristo, o Manifestante de Deus.
Antes de deixar este mundo, Cristo, como Krishna e Moisés, assegurou aos povos do mundo que no fim dos tempos Ele voltaria novamente, na Glória de Seu Pai Celestial. Disse aos seus contemporâneos que tinha ainda outras coisas para lhes revelar, mas que eles não podiam ainda compreender.
Prometeu, porém, que outro grande Mensageiro viria mais tarde, para lhes contar muitos outros segredos sobre Deus e a Religião.

A MENSAGEM DO CRISTO

Em dezembro de 1945, alguns felás (beduínos egípcios) deslocavam-se com seus camelos por perto de um rochedo chamado Jabal al-Tarif, que margeia o rio Nilo, no Alto Egito, não muito longe da moderna cidade de Nag Hammadi. Eles estavam procurando um tipo de fertilizante natural na área, chamado sabaque.
No sopé do Jabal al-Tarif começaram a cavar em torno de uma pedra que caíra no talude, e, sem esperarem, encontraram um jarro de armazenagem com um recipiente selado na parte superior. Um dos felás, chamado Muhammad Ali Samman, quebrou o jarro com uma picareta na esperança de encontrar algo valioso, talvez um pequeno tesouro. Deve ter ficado um tanto quanto decepcionado ao ver que ao invés de ouro ou algum tipo de objeto de igual valor, no jarro só havia fragmentos de papiro
Muhammad Ali Samman, sem querer ou se dar conta, havia descoberto treze livros de papiro (códices), a que hoje chamamos de a biblioteca copta de Nag Hammadi, dois anos antes de outra descoberta famosa, a dos Manuscritos do Mar Morto, conjunto de documentos encontrados na Palestina e que haviam pertencido a uma comunidade judaica que professavam uma forma ascética diferente de judaísmo, conhecido como essênios. Porém, apesar destes últimos manuscritos terem tido maior divulgação, serem mais famosos e terem sido alvos de debates, os primeiros possuem, todavia, caráter muito mais revolucionário, em especial por estarem ligados diretamente ao cristianismo.
Além de outras obras valiosas, entre estes papiros estava algo muito interessante: o chamado Evangelho de Tomé, que é uma coletânea de sentenças de Jesus que teriam sido compiladas, segundo a primeira frase deste Evangelho, por Judas Tomé, O Gêmeo.
Antes desta descoberta excepcional, os estudiosos dos evangelhos já tinham algumas referências dos pais da Igreja referentes a um documento denominado Evangelho de Tomé (ou de Tomás). Porém, o conteúdo deste documento punha em xeque alguns posicionamentos dogmáticos da Igreja. Cirilo de Jerusalém, em suas Catequeses 6.31 afirmava que o Tomé que escreveu este Evangelho não era um seguidor de Jesus, mas um maniqueu – um maniqueísta, portanto, seguidor gnóstico e místico de Mani, mestre herético do século III. Só que, atualmente, é quase consenso de que o texto de Nag Hammadi foi bem escrito antes do movimento maniqueísta ter vindo a lume e, ainda mais, tudo indica que a cópia copta deste evangelho se baseia em um texto ainda mais antigo, provavelmente escrito em grego e/ou aramaico, a língua falada por Cristo. Além dos testemunhos dos chamados padres da Igreja, temos fragmentos de três papiros gregos – encontrados num monte de lixo em Oxirronco, atual Behnesa, no Egito -, publicados em 1897, e que contêm sentenças de Jesus quase idênticas aos encontrados no Evangelho de Tomé de Nag Hammadi, escrito em língua copta. Estes fragmentos de papiros eram, portanto, representantes ou cópias de edições em grego do Evangelho de Tomé.
Ao contrário dos outros evangelhos conhecidos, quer sejam canônicos ou apócrifos, o Evangelho de Tomé não expõe em nada narrativas sobre a vida de Jesus de Nazaré, mas atém-se especificamente às sentenças que teriam sido proferidas por Jesus a seus discípulos. Entre elas, destaco as que se seguem:
Jesus disse: “Se seus líderes vos dizem: ‘Vejam, o Reino está no céu’, então saibam que os pássaros do céu os precederão, pois já vivem no céu. Se lhes disserem: ‘Está no mar, então o peixe os precederá pelo mesmo motivo. Antes, descubram que o Reino está dentro de vocês, e também fora de vocês. Apenas quando vocês se conhecerem, poderão ser conhecidos, e então compreenderão que todos vocês são filhos do Pai vivo. Mas se vocês não se conhecerem a si mesmos, então vocês vivem na pobreza e são a pobreza”.
Evangelho de Tomé, logion 3.
Perguntaram-lhe os discípulos: “Quando virá o Reino?” Jesus respondeu: “Não é pelo fato de alguém estar à sua espera que o verá chegar. Nem será possível dizer: Está ali, ou está aqui. O Reino do Pai está espalhado por toda a terra e os homens não o vêem”.
Evangelho de Tomé, logion 113
Jesus disse: “Eu sou como a luz que está sobre todos. Eu sou o Todo: o Todo saiu de mim e o Todo retornou a mim. Rachem um pedaço de madeira: lá estou eu; levantem a pedra e me encontrarão ali”.
Evangelho de Tomé, logion 77.
Passagens semelhantes a estas, ao menos no conteúdo que expressam, podem ser encontradas nos Evangelhos Canônicos, ou seja, nos Evangelhos reconhecidos pela Igreja, apesar do grande número de manipulações, enxertos e cortes pelos quais estes textos reconhecidamente passaram para se adaptar aos interesses que a Igreja, como instituição, passou a compor desde que Constatino a reconheceu como Instituição Oficial. Podemos encontrar exemplos, como em Lucas 19,20, e que expressam a idéia de Reino de Deus não como um evento ou local espacial ou temporalmente determinado, mas uma conquista do espírito ou mesmo uma tomada de consciência de que, sem que se perceba, o Reino já existe dentro do homem, não sendo extrinsecamente necessário a presença de intermediários institucionais, ou doutores teológicos, que se arvorem na presunção de fazer a ligação entre Deus e o homem, ou a dizer onde está a entrada para um exo-Paraíso que as Igrejas fizeram cada vez mais longe do homem:
Havendo-lhe perguntado os fariseus quando chegaria o Reino de Deus, lhes respondeu Jesus: “- O Reino de Deus vem sem se deixar sentir. E não dirão: ‘- Vede-o aqui ou ali, porque o Reino de Deus já está dentro de vós’ “
É notável a semelhança entre o conteúdo destas sentença de Jesus com a máxima adotada por Sócrates, e que foi emprestada do pórtico do Templo de Apolo, em Delfos: “Homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo”. De igual forma, outro grande mestre do espírito humano, Buda, dizia que só o conhecimento de si levava à iluminação, do mesmo modo que Láo-Tsé dizia que apenas o conhecimento da ordem dentro de si levava à compreensão do Tao, do aspecto transcendente que a tudo engloba e vivifica. Da mesma forma, os órficos falavam do processo evolutivo como uma tomada de consciência de que somos deuses por sermos filhos de Deus. Apenas não temos nem a percepção, nem a consciência disto.
Segundo Stephen Mitchell, cujo livro “O Evangelho Segundo Jesus” recomendo, quando Jesus falava do Reino de Deus, ele de fato não estava dizendo ou profetizando um evento que acontecerá de repente e nem uma perfeição fácil e livre de perigos, como interpretaram ao seu bel-prazer alguns doutores da teologia, ou como ainda o fazem alguns líderes de religiões institucionalizadas, retirando a ênfase no presente e pondo-a num futuro sempre mais ou menos distante. Ele estava falando de um estado de espírito que, ao se fazer presente, muda o modo como o homem se comporta com seu semelhante, como fica bem demonstrado em muitas de suas parábolas, como, por exemplo, a da mulher que perde uma moeda e revira a casa inteira em sua busca e, quando a acha, sai a correr chamando os vizinhos e dizendo: alegrem-se comigo, pois achei a moeda que havia perdido. Ela encontrou algo aparentemente muito simples, algo que sempre esteve bem perto dela…
Este estado de espírito pode ser tão simples e poético quanto a revoada de pássaros no céu ou os lírios no campo. Ele não está fora, mas fora e dentro de nós. Tudo está ligado a tudo. O homem é um ser que depende da natureza e de outros homens para sobreviver. Tudo é um e temos de passar por várias etapas para adquirir a consciência disto:”Na casa de meu Pai há muitas moradas”. Enfim, o Reino é o reconhecimento no coração de que todos somos filhos de um mesmo Pai, portanto, irmãos e irmãs, cada um refletindo o próprio Deus, portanto, a maior alegria é conviver com Deus que se reflete na presença do irmão. Jesus demonstrava isso na prática de várias formas, em especial durante as refeições, já que ele fazia questão de unir na mesma mesa tanto os sábios e Doutores da Lei, quanto gente simples, publicanos, pecadores e pessoas socialmente consideradas impuras.
Todos nascemos, porém com grau variável de pessoa para pessoa, com um pouco da percepção feliz deste Reino e a mantemos enquanto a cultura – o meio – não ajuda o retirar de nós a natural tendência à afetividade, corrompendo-nos. “Se vos fizerdes como uma criança, entrarás no Reino dos Céus”. Os que se envolvem em demasia com as preocupações materiais têm certa dificuldade em entrar neste estado de espírito, pois são possuídos por suas posses que exigem um esforço considerável para serem mantidas e estão tão encarcerados em seus poderes e em sua fantasia social, que, para eles, é quase impossível desapegarem-se delas e terem a liberdade de SEREM longe do peso de demonstrar APARENTAR O TER.
“Não que seja fácil para qualquer um de nós. ” Escreve Stephen Mitchell. “Mas, se precisarmos avivar a memória, sempre poderemos nos sentar ao pé de nossas criancinhas. Elas, como ainda não desenvolveram uma noção muito firme do passado e do futuro, sabem aceitar de peito aberto e com plena confiança a infinita abundância do presente”. Para elas, o tempo corre de forma diferente que para o adulto.
Nossa realidade é moldada pelas nossas crenças. Normalmente vemos aquilo que esperamos ver e outras coisas escapam simplesmente ao nosso olhar por não levarmos outras possibilidades em consideração. Se tememos ao relógio, se nos apegamos ao passado e se nos apavoramos com o futuro, nunca poderemos viver o presente. De certa forma, entrar no Reino de Deus significa sentir que existe algo que cuida de nós a cada instante, da mesma forma como alimenta as aves do céu e veste os lírios do campo, com infinito amor. Algo que Jesus chamava de Abba – Papai. Um pai bem diferente do patriarcal e vingativo Deus dos Exércitos do Antigo Testamento, ainda muito presente em algumas das igrejas cristãs atuais. Talvez Abba seja uma maneira carinhosa de Jesus de se referir a um Deus Pai-Mãe… “Qual de vós, se vosso filho vos pedir pão, lhe dará uma serpente, ou um escorpião se vos pedir peixe? Pois se vós, que sois imperfeitos sabeis o que dar de bom para vossos filhos, quanto mas vosso Pai, que está nos céus!”
Todos os Mestres da humanidade, em todas as épocas e lugares, sempre apontaram para a necessidade de voltarmos a viver o presente como única realidade concreta da alma no mundo: “Não vos preocupeis com o dia de amanhã, pois a cada dia basta a sua própria preocupação….”, disse Jesus.
As passagens do Evangelho em que Jesus fala de um Reino dos Céus no futuro não podem ser autênticas transcrições do pensamento do Cristo, e sim interpretações de pessoas ainda muito ligadas ao pensamento judaico da época, a não ser, como fala Stephen Mitchell, que Jesus tivesse dupla personalidade, como se fossem torneiras de água quente e fria. O problema é que Jesus usava uma linguagem figurada freqüentemente composta por imagens fortes, mais propícias a impressionar a mente simples do povo igualmente simples que o ouvia, fazendo-os refletir seus atos de cada dia. Estas palavras, contudo, podiam ser interpretadas de modo tão diferente quanto o número de ouvidos que as ouviam.
O que chegou à nós, em formas de textos evangélicos, não são mais do que interpretações sobre os dizeres do Cristo feito por discípulos. Algumas passagens são tão opostas à doce doutrina de amor e compreensão de Jesus que dificilmente não nos deixam de chocar. Estas estão muito impregnadas de um espírito de vingança e de uma agressividade apocalíptica de mesmo aspecto como encontrado nos textos dos profetas do Antigo Testamento, e cabem muito bem aos judeus que vivenciaram os terríveis acontecimentos da Revolta Judaica do ano 66 d. C. que terminaria com a destruição de Jerusalém pelos romanos e com a dispersão dos judeus por todo o mundo. Cristo desejava mudanças sociais sim, mas a partir da mudança íntima das pessoas que encontrasse a intuição em si de que são filhos de Deus e, portanto, que todas as demais criaturas são irmãos e irmãs que merecem respeito. Estas passagens de um reino externo por vir, muito provavelmente, poderiam ter sido inseridas no Evangelho por discípulos que interpretaram os acontecimentos como um início da materialização do Reino que Jesus pregava, sem atinarem que este Reino é de uma profundidade maior do eles pensavam. Eles viveram estes acontecimentos e tentaram ver neles uma concretização da mudança social que Jesus aspirava a implantar na Terra, ou ainda, por interpretações feitas por discípulos de discípulos. Já que Jesus não deixou nada escrito, tudo o que dele sabemos é de segunda ou terceira mão, sendo o primeiro evangelho sinótico, o de Marcos, sido escrito provavelmente por volta do ano 60, ainda que baseado – segundo experts – em um texto anterior, chamado de quelle – fonte, em alemão, e que muitos pensam estar contido em grande parte no Evangelho de Tomé. Fora isso, a distância ajudou a acomodar os ensinos de Cristo ao que viviam seus seguidores (veja a Home Page O Cristianismo depois de Jesus).
Estes discípulos ainda estavam cheios da tradição judaica. Passagens que falam do Reino de Deus como algo que virá no futuro existem aos borbotões nos profetas e nos escritos apocalípticos judaicos redigidos sob o jugo romano dos primeiros séculos de nossa era, bem como na maioria dos textos geralmente muito patriarcais atribuídos a Paulo pela Igreja primitiva. Elas são repletas de uma esperança passional, exclusivista, e, como apontou Nietzsche, de um amargurado ressentimento contra “eles” (os poderosos políticos e econômicos, os ímpios). Mas tudo isso é fruto de uma interpretação intelectual e passional das reformas sociais propostas por Jesus, que, em toda a sua vida, aboliu todo tipo de distinção de castas e de origens, devido à sua consciência de irmandade entre todos. Os discípulos dos discípulos tiveram uma noção apenas intelectual disto e não da vivência do estado de espírito ou da consciência cósmica vivenciada por Jesus. Uma vivência que foi plenamente vivida por um Francisco de Assis ou por um Mahatman Gandhi, e que é profundamente revolucionária.
Stephen Mitchell fala, com muita propriedade, que o Reino de Deus “não é algo que irá acontecer, porque não é algo que, temporalmente falando, possa acontecer. Não pode surgir num mundo” como se fosse uma invasão externa – “O meu Reino não é deste mundo” – “é uma condição que não tem plural, mas apenas infinitos singulares. Jesus falava das pessoas ‘entrando’ no Reino, e que as crianças já estavam nele (…). Se pararmos de olhar para frente e para trás, foi o que ele nos disse, poderemos nos dedicar a buscar o Reino que está bem debaixo de nosso pés, bem diante de nosso nariz; e, quando o encontrarmos, alimentos, roupas e outras coisas necessárias também nos serão dados, tal como o são às aves e aos lírios. (…) Este reino é como um tesouro enterrado num campo que é nossa alma; é como uma pérola de grande valor; é como voltar para casa. Quando o encontramos, encontramos a nós mesmos, tornamo-nos donos de uma riqueza infinita (…)”, é por isto que todos os místicos falam em perderem-se em Deus. “Eu e o Pai somo um”, pois nossa personalidade é apenas uma máscara mutável, mas o self, como diria Jung, é a parte mais próxima do divino, em nós. Vivenciando o Deus que há em nós, poderemos reconhecer o Deus que há no outro e, assim, poderemos viver, naturalmente, devido à nosso grau de consciência, a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade.
O verdadeiro Jesus é o Jesus do Sermão da Montanha, o Jesus entre as crianças, o Jesus que admitia mulheres, publicanos e leprosos entre seus seguidores, um homem que se esvaziou dos desejos mundanos comuns, esvaziou-se de doutrinas e regras – todos os inúteis aparatos intelectuais – e se deixou preencher pela vida, como o demonstram as suas parábolas, onde o reino é o campo, é a festa de núpcias, é a rede lançada ao mar… Porque se desapegou de tudo o que é egóico e passou a sentir o TODO – o Tao, como diria Lao-Tsé -, ele deixou de ser meramente alguém, para ser também todos, todo o mundo: “Tudo isso que fizeres a um destes pequeninos, fareis a mim”. Porque admitiu Deus em si, sua personalidade é como um ímã que atrai a todos. Quanto mais se aproximam dele, mais sentem a pureza de seu coração. Um coração que é como um quarto claro e espaçoso: “Vinde a mim todos vós que estais aflitos e sobrecarregados, e eu vos aliviarei”. As pessoas ou as possibilidades abrem a porta e entram. O quarto recebe a todas o tempo que quiserem, sem impor regras além da do amor. É bem diferente de um coração cheio de pertences, de crenças e de certezas, cujo dono senta-se atrás da porta trancada com uma arma em punho, como o fazem as Igrejas de todas as denominações.
Jesus também reconhecia as verdades espirituais que foram ditas pelos outros Grandes Mestres da humanidade, em todas as épocas. É assim que se explica as grandes similaridades entre seus ensinamentos e os de Buda, por exemplo, que nasceu mais de 500 anos antes de Cristo.
Jesus enfatizava a importância da evolução e da transformação pessoal: “Não te maravilhes de eu ter dito: Necessário vos é nascer de novo (João, 3. 3-7)”. Reconhecia a imortalidade da alma: “De fato, Elias há de vir e restabelecer todas as coisas. Eu porém vos digo: Elias já veio e fizeram dele o que quiseram! E os discípulos compreenderam que era de João Batista de quem ele falava” (Mateus, 17, 11-13; Marcos, 9, 11-13). Bem, como Elias não voltou numa carruagem celeste ao tempo de Jesus, e como “os discípulos compreenderam que era de João Batista de quem ele lhes falava”, Elias e João têm de ser a mesma pessoa… Ora, todos conheciam a história do nascimento de João – aliás, o anjo que aparece a Zacarias diz que o menino “irá adiante do Senhor no espírito e no poder de Elias (Lucas, 1. 17)”.
Sendo assim, a única possibilidade real de Elias ter retornado à terra como João era a de que ele reencarnou como João, conhecido como O Batista, primo de Jesus… Esta idéia na reencarnação, conhecida ao tempo e na região de Jesus com o nome confuso de ressurreição (Mateus, 16.13-15), era familiar a inúmeros sistemas filosóficos da era helenística, Parte inferior do formulário
e é encontrado em Pitágoras, Sócrates e Platão, sendo retomado por Amônio Sacas e por seu discípulo Plotino e, já na era cristã, por Orígenes de Alexandria, um dos pais da Igreja. Esta crença permaneceu mais ou menos atuante durante os primeiros séculos do cristianismo até que os interesses temporais e políticos a tornaram numa crença herética. Cristo também solapou a proibição de Moisés de não invocar os mortos, pois sabemos de seu encontro visível com dois mortos (Mateus, 17. 14-21; Lucas 9. 37-43) – o próprio Moisés, e Elias (João já havia sido degolado a esta época) -, no fenômeno da transfiguração, isso sem falar nas aparições póstumas durante os quarenta dias após a crucificação, já que Cristo podia aparecer e desaparecer de repente, tanto em Emaús (“então se lhes abriram os olhos, e o reconheceram; mas ele desapareceu da presença deles.” Lucas, 24, 31), como em Jerusalém “estando as portas fechadas” (“Ao cair da tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando trancadas as portas da casa onde estavam os discípulos com medo dos judeus, veio Jesus, pôs-se no meio e disse-lhes: Paz seja convosco! João, 20, 19; “Finalmente apareceu Jesus aos onze, quando estavam em casa…” Marcos, 16,14). Tal fenômeno se explica perfeitamente pelo processo da materialização do nobre e poderoso espírito de Jesus. É interessante notar, nesse ponto, o comportamento de algumas seitas de base fundamentalista que aceitam tudo ao pé da letra que está escrito na Bíblia mas, quando chegam nestas partes dos Evangelhos, INTERPRETAM o que está escrito da forma que mais lhes convenha para negar a realidade destes fatos, isso quando não invocam o suposto ser que acaba por se transformar em seu maior aliado em questões que os embaraçam, ou seja, o “demônio”, para dizer que estão errados os outros, os que aceitam a reencarnação ou a vida após a morte e que estão possuídos do espírito do mal, e não eles, detentores de todo o saber sobre o absoluto…. “Ai de vós, doutores da lei…” pois estão plenos de orgulho, e são como “Cegos a guiar outros cegos”.
Enfim, ainda citando Mitchell, Jesus foi o maior exemplo de quão longe pode o homem chegar. Ele soube viver plenamente entre os dois mundos: o material e o espiritual. Soube dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Ele foi uma árvore. Como fala Mitchell, a árvore não tenta arrancar da terra as suas raízes e plantar-se no céu, nem tampouco estende suas folhas para baixo, junto à lama. Ela precisa tanto do solo quanto da luz, e sabe a direção de cada coisa. Exatamente porque enterra as suas raízes na terra escura, é que pode sustentar suas folhas no alto para receber a luz do sol… É pena que Jesus de Nazaré seja freqüentemente incompreendido pelos Cristãos.

Este texto foi transcrito do Portal Reflexão
http://www.saopauloapostolo.hpg.ig.com.br/jesus.htm
http://www.geocities.com/portalreflexao/

VIA WWW.MENTALISMO.NET

MAGIA, PODER E PERIGO NO CAMINHO DO MEDITADOR (MAGIC, POWER AND DANGER ON THE MEDITATOR’S WAY)

Você sabe como funciona a magia? Sabia que usamos esse poder naturalmente em nosso dia-a-a ? Qual a relação entre poder e meditação? Faça conosco uma viagem rumo ao universo da magia e do poder, refletindo sobre estas e outras questões.

O MAGO
A magia negra esteve, durante muito tempo, relacionada à idéia de rituais macabros, feitiços, porções, maldições, sacrifícios de animais etc. Mas, o que pouca gente sabe é que a magia trabalha com o domínio de forças da natureza, invisíveis , imperceptíveis e ignoradas pela grande massa. O mago aprende a identificar e dominar conscientemente essas energias, direcionando-as conforme sua vontade e desejo. A diferença entre um mago e uma pessoa comum é que enquanto o primeiro manipula essas forças de modo consciente, o segundo não tem consciência de como estas forças atuam em suas vidas. Assim, além de não saberem direcionar essas forças para benefício próprio, tornam-se vítimas delas sendo, inclusive, usadas por elas. Essas forças atuam constantemente em nosso dia-a-dia e , muitas vezes não percebemos o estrago que elas nos causam. São muitas vezes responsáveis por discórdias, brigas, desentendimentos, separações e até tragédias, refletindo também sobre nosso campo mental, espiritual e físico.

AS FORÇAS
Deixando um pouco de lado o clima de mistério, muitas dessas forças são bem conhecidas de todos nós pois são comuns em nossa vida. Pensamentos, desejos, intenções, emoções e vontades- são poderosas forças do Universo. Elas influenciam nossa vida, as pessoas e o meio em que vivemos. Pensamentos e sentimentos de ódio, fúria ou inveja são verdadeiras bombas energéticas que, quando detonadas, causam danos a si mesmo e aos outros-incluindo o ambiente. Quem nunca se sentiu mal ao chegar em um local com atmosfera “pesada”? Ou não suportou a “energia” de uma pessoa? Estamos continuamente usando ou manipulando essas energias em nossa vida diária.Por isso que a vigilância é tão importante. Aqueles que se vigiam protegem tanto a si mesmo, quanto aos outros. Além disso, vigiar-se é uma forma eficaz de se autoproteger contra os ataques energéticos dos outros. É assim que em nossa vida diária atuamos como verdadeiros magos, manipulando forças ou sendo manipulados por elas, mesmo que não saibamos ou não estejamos conscientes disto.

OS PODERES E A CONSCIÊNCIA PARCIAL
Todavia, há poderes que só tem eficácia quando usados de forma consciente e proposital. São os poderes da mente, da vontade direcionada, do desejo intenso , da visualização, da palavra intencional, do pensamento controlado e da “mentalização”. Neste tipo de poder, a pessoa está em um nível mais elevado de consciência mas ela ainda é limitada e parcial. Daí o grande perigo. O problema é que, mesmo usando esses poderes de forma consciente o indivíduo ainda não está livre da ILUSÃO do EGO. Isso me lembra aquelas cenas em que os super-vilões vibram quando tem em mãos armas superpotentes prontos para dominar o mundo. Assim também é o EGO quando descobre o grande poder que ele tem em mãos. Poder que pode controlar quase tudo. Ainda bem que é “quase”, já imaginou o estrago que um EGO superpoderoso causar às pessoas, ao ambiente, ao mundo? A história está cheia de exemplos desses.

OS PERIGOS DO USO DOS PODERES
Devemos ter cautela ao usar estes poderes para realização de sonhos, objetivos e planos. Muitas pessoas, por imaturidade, ingenuidade ou maldade mesmo, usam desses poderes para influenciar fatos, manipular, e prejudicar as pessoas. Obviamente, nem sempre são bem sucedidas . Mas, uma coisa é certa, a força que movemos para o bem ou para o mal retornam para nós com muito mais força. Mas mesmo aqueles que movem essas forças apenas para alcançar objetivos e realizar sonhos, que não estão causando mal a ninguém, correm um sério risco . Quando você se dedica a algo com bastante intensidade e energia, a chance de alcançá-lo é grande. O problema é quando nos tornamos excessivamente ambiciosos, materialistas, ou tiranos. O indivíduo torna-se totalmente cego, o que leva ao enfraquecimento das dimensões emocional, social, espiritual de sua vida. Quando se dá conta da gravidade da situação, muitas vezes já é tarde demais. É quando vem a doença, as tragédias ou até mesmo a morte. O filme “ O Advogado do Diabo” com Keanu Reeves e Al Pacino ilustra com maestria esse processo . Por isso que a meditação é tão necessária. Sem ela o homem caminha num limbo, perdido em meio à escuridão, sujeito às surpresas, ataques e perigos de seu próprio EGO.

OS SIDHIS OU PODERES IÓGUICOS
Outro tipo de poder são os do iogues, místicos e santos. A tradição cristã tem vários casos e exemplos deste tipo em sua história, Francisco de Assis, Santo Expedito, Santo Antonio e muitos outros. A tradição hindu, ao longo dos séculos e milênios, produziu grandes iogues em sua história. Por isso, a tradição iogue reconhece os poderes como eventos naturais no processo de evolução e desenvolvimento do ser. Os sidhis – como são conhecidos – são tratados por Patanjali, no Yoga Sutras, como resultado natural da meditação profunda ou Samadhi. No livro Autobiografia de um Iogue, de Paramahansa Yogananda, há vários relatos desse poderes fantásticos, tais como: telepatia, bilocação, materializações, curas, premonições, ressuscitamento, dentre outros. Mas o que pouca gente sabe é que mesmo um iogue pode se tornar um mago negro. Basta, para isso, que ele use seus poderes – geralmente alcançado após anos de prática de alguma técnica- passe a usá-los para fins unicamente pessoais e egoístas.

O IOGUE LADRÃO
Sri Yuktéswar, o mestre de Yogananda, contou que conheceu “um muçulmano autor de prodígios”. Este muçulmano, chamado Afizal Khan, aprendera uma técnica com um mestre iogue que lhe dava domínio sobre um dos reinos invisíveis. Após anos e anos de prática, ele finalmente alcançou o domínio completo do poder de materialização e teletransporte de objetos. Mas, lamentavelmente, passou a usá-lo para roubar as pessoas. Sri. Yukteswar contou que o viu fazer várias materializações. Não eram jóias pequenas, nem cinzas, nem objetos produzidos num palco de fundo preto. Ele viu um banquete inteiro ser produzido na sua frente saído do “nada”. Mas então porque ele roubava? A explicação dada foi a seguinte: os objetos astralmente produzidos tem pouca durabilidade, ou seja, desmaterializam-se rapidamente. Ao contrário dos objetos do mundo material cuja durabilidade e consistência é bem maior. Por isso, ele ambicionava as coisas produzidas pelo processo natural, por serem mais duráveis e, portanto , mais valiosas. Não contarei detalhes, nem o final desta história fascinante descrita no Autobiografia. Citei esse caso aqui, apenas para mostrar que mesmo um iogue, ou meditador corre também o risco de se perder ao longo do caminho- talvez até mais do que os outros .

O CASO FAMOSO DE UM SUPOSTO “ IOGUE” DO MAL
É importante registrar que a literatura espiritualista já registra vários casos de iogues que passaram para o “outro lado”. Tudo indica que não resistiram à tentação dos poderes e passaram a usá-los de forma incorreta e egoísta. Se há egoísmo é porque ainda há EGO. O que demonstra que existe sim possibilidade dos poderes se desenvolverem mesmo que a pessoa não esteja ainda totalmente livre das ilusões. Quando isso acontece, o estrago é grande. Joyce Collin Smith, prestigiada escritora e pesquisadora britânica, no livro, “NÃO CHAME NINGUÉM DE MESTRE”*, cita o caso de um conhecido “iogue e guru” espiritual que fez muito sucesso nos anos 60. Por ter sido sua secretária particular durante muito tempo, ela testemunhou vários absurdos cometidos por este senhor e como ele usava seus poderes de telepatia e hipnotismo para alcançar seus objetivos. Segundo seu relato em primeira mão, este homem foi tornando-se cada vez mais estranho e arrogante, até trasnformar-se num completo e perigoso “bruxo do mal”. Estes casos alertam-nos para os perigos ao longo do caminho do meditador . Todavia, não são apenas os meditadores e iogues que podem tornar-se magos negro. Qualquer pessoa que não se vigie, pode, mesmo inconscientemente, atuar como um mago das trevas.

VIGILÂNCIA SEMPRE!
Por isso que a vigilãncia é tão importante. Àqueles que buscam apenas realizar seus objetivos através das famosas técnicas de desenvolvimento dos poderes da mente, tais como, mentalização, visualização, força de vontade etc. Cuidem-se ! Pois enquato o EGO ainda estiver atuando, se ainda houver qualquer vestígio de desejo e ambição, o risco de problemas no presente e no futuro é grande. Para aqueles que meditam e buscam a libertação ou despertar, o cuidado deve ser redobrado, pois quando os poderes despertam, a tentação de usá-los para fins pessoais é maior ainda. É bom lembrar que ao longo da nossa vida, movemos e manipulamos forças desconhecidas e por isso devemos ter cautela, para não nos tornarmos presas fáceis de forças e energias negativas. Para que isso não aconteça, e não venhamos a sofrer as consequências do uso errado dessas forças, temos que vigiar nossos pensamentos, emoções e ações. Como se processa essa vigilância? Para que não haja mal entendidos vamos explicar melhor. Para as pessoas que não são meditadoras ou buscadoras, mas apenas querem ter uma vida “normal”, é importante vigiarem seus pensamentos , sentimentos, ações, palavras e emoções negativos, para que não atraiam coisas ruins para suas vidas. Lembrem-se o quanto essas coisas são poderosas e perigosas.Para aqueles que usam esses poderes conscientemente para realização de objetivos, devem cuidar ou vigiar, para não serem tragados pela ambição, autoritarismo, egoísmo, orgulho ou materialismo exacerbado. Faça autorreflexões periódicas, reze, ore ou medite, procure sempre manter o equilíbrio entre as diversas dimensões da vida.

A VIGILÂNCIA NÃO-DUAL DO MEDITADOR
Por último, se você é um buscador ou meditador, fica uma importante advertência: tenham mais cuidado pois “ a quem mais foi dado, mais será pedido”. Todavia, esta vigilância do buscador não se dá de forma dualística, como normalmente acontece com as outras pessoas. A vigilância do meditador ocorre na Unidade, quando não há observador e objeto observado. Nesse estado de pura e simples observação, sem interferência ou qualquer tipo de ação direta por parte do meditador é que a verdadeira vigilância acontece. Não há alguém vigiando, nem nada para ser vigiado. Há apenas o estado de VIGILÂNCIA ou ALERTA. Nesse estado de Unidade, Tranquilidade e Paz, o meditador não precisa temer o despertar dos poderes – contanto que permaneça um simples expectador dos mesmos. Aconteça o que acontecer deve continuar fixo na Unidade da Meditação ou Consciência Passiva, sem que o Ego interfira ou se utilize dos mesmos para seus propósitos egoístas. Esta é, normalmente, a orientação de todos os sábios, iogues e iluminados, é o “movimento em repouso”- citado por Jesus no quinto evangelho.

“CHORO E RANGER DE DENTES”
Este é o caminho mais seguro para evitar que o meditador transforme-se num perigoso Mago Negro. É bom lembrar que todo aquele que usar seus poderes, ocultos ou não, terá que prestar contas ao Universo. Caso tenha feito bom uso dos mesmos, terá sua recompensa , caso contrário, pagará caro pela inconsequência e irresponsabilidade de seus atos. E aí “haverá choro e ranger de dentes”- como disse o grande mestre nazareno.

AUTOR: ALSIBAR (inspirado)
http://alsibar.blogspot.com
MSN: alsibar1@hotmail.com
*O livro Não Chame Ninguém de Mestre de Joyce Collin Smith pode ser baixado gratuitamente no link abaixo:
http://www.4shared.com/document/umXCtaOe/Joyce_Collin-Smith_-_No_Chame_.htm

VIA ALSIBAR

Impregnado de Amor (Dallas Willard)

Jesus anunciou nas bem-aventuranças que mesmo as pessoas mais desprovidas de insignificantes da terra poderiam ser abençoadas por viver no reino: os pobres, os tristes, os em reputação ou crédito (os mansos), e assim por diante (Mt 5.3-10; Lc 6.20-23). A bem-aventurança não estava em sua condição de pobres, tristes ou desrespeitados. Eles eram abençoados porque podiam entrar no reino, e estar no reino significa ser abençoado não importa o que mais aconteça. Eles podem descansar nisso. Seu futuro em Deus está assegurado, e sua condição presente, redimida. Para sempre. De qualquer forma.
Assim, na visão de mundo de Jesus, ser próspero, ter a “boa vida”, não inviabiliza o ser uma pessoa verdadeiramente boa. O conflito que os moralistas têm enfrentado em vão por séculos reconciliar é reconciliado por aqueles que vivem no reino de Deus. Não tenho de entregar minha integridade para me assegurar ao que é bom para mim. Uma pessoa realmente boa, como Jesus ensina, é alguém impregnado de amor: amor pelo Deus que “nos amou primeiro” e que, em seu Filho nos ensinou o que é o amor (1 Jo 4. 9-11). E então, como resultado da abundância de tal vida no reino, levará amor a todos com quem temos contato significativo, nossos “próximos”. A riqueza da vida Shemá (Dt. 6. 4-5) naturalmente flui para dentro da cena humana.
O amor significa disposição para o bem, determinação em beneficiar o que ou quem é amado. Podemos dizer que amamos bolo de chocolate, mas não amamos. Antes, queremos comê-lo. Isso é desejo, e não amor. Em nossa cultura, temos um grande problema em distinguir entre amor e desejo, mas é essencial que façamos essa distinção. O grego do Novo Testamento tem várias palavras para “amor”. Duas são eros (de onde obtemos a palavra “erótico”) e ágape. Amor ágape, talvez a maior contribuição de Cristo à civilização humana, deseja o bem a quem quer esteja voltado. Ele não deseja consumi-lo. O ensino sobre amor que ainda permeia a civilização ocidental em seus melhores momentos entende isso. O chamado mais eleveado a seres morais é o de amar. Muito antes da vinda de Cristo isso era compreendido de maneira obscura. Sócrates observou, de acordo com Platão, que “o bem faz bem a seus vizinhos e o mal lhe faz mal”. Mas os gregos, como todo o seu fulgor, nunca conseguiram resolver o próximo problema da fila, que era como alguém se torna uma pessoa verdadeiramente boa no sentido já abordado. Como Jesus responde a essa quarta pergunta sobre visão de mundo?
Como você se torna uma pessoa verdadeiramente boa? Você coloca a sua confiança em Jesus Cristo e se torna seu aluno ou aprendiz na vida no reino. Isso equivale a, progressivamente, entrar na abundância de vida que ele nos traz. Você aprende dele como viver no reino de Deus como ele mesmo viveu. Há muito a ser aprendido depois que você entra. Passar pela porta não é necessariamente viver na casa. Nossa confiança de que Jesus é “O Único” nos leva a ir constantemente à escola com ele, levando nossa vida inteira conosco, e é em fazer isso que o amor vem impregnar nossa vida a ponto de sermos de maneira inequívoca seus alunos. Ele disse: “Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros” (Jo 13.35). Ele pode impor esse desafio a si mesmo como mestre porque não conhece nenhum outro que possa produzir a transformação humana que ele tem em mente.
Como discípulo de Jesus, estou aprendendo com ele como levar minha vida como ele levaria minha vida se fosse eu. Você está aprendendo como Jesus como levar sua vida como ele levaria a sua vida se fosse você. Sim, a vida que você tem. As mulheres não precisam se preocupar com serem excluídas dessa declaração. Por razões específicas, embutidas em sua missão, sem dúvida, ele precisava ser do sexo masculino. Mas fora algumas circunstâncias localizadas, não há nenhuma pessoa nesta terra que Jesus não poderia ter sido. Ele veio de forma humilde e assim viveu (Fp 2.5-11). ELe abdicou do poder supremo. Aprendeu a viver no reino de Deus como ser humano comum. Deus também estava na vida humana comum. A “encarnação” não diz respeito apenas aos eventos de sua concepção e nascimento. Ela representou o vestir-se de “carne” em todo o seu significado humano. Ele poderia viver em suas circunstâncias agora. Poderia ser você e ainda viver no reino de Deus. Você pode ser seu aprendiz, não importa quem você é e onde você esteja. É como seus amigos pessoais, vivendo interativamente com ele, que conhecemos a verdade e temos a liberdade — o poder sobre o mal — que vem com esse conhecimento (Jo 8.31-32)
(Dallas Willard, Conhecendo a Cristo Hoje, pp. 64-67)

VIA DLIVER BLOG

EUCARISTIA DO DOMINGO, DIA 26 DE SETEMBRO DE 2010 – O RICO E O POBRE LÁZARO

EUCARISTIA DO DOMINGO
DIA 26 DE SETEMBRO DE 2010
O RICO E O POBRE LÁZARO

Abaixo leia os comentários de Frei Jacir de Freitas Farias, ofm,
Publicados na Revista Vida Pastoral (editora Paulus).

O RICO E O POBRE LÁZARO:
QUANDO A VIDA É PERDIDA POR OPÇÃO

I. INTRODUÇÃO GERAL
As leituras deste domingo estão em sintonia com aquelas do domingo anterior, quando reforçam o tema da economia na ótica da justiça social. Amós tece duras críticas contra a classe dominante, os ricos de Israel e de Judá. A comunidade de Lucas faz memória do ensinamento de Jesus sobre o rico avarento e o pobre Lázaro. Dois opostos insuportáveis aos olhos de Deus, e isso deve ser a nossa bússola de orientação nesses dias que antecedem as eleições. Saber escolher os nossos governantes é fundamental para a realização de uma sociedade justa e fraterna.
Neste último domingo do mês de setembro, também não podemos nos esquecer do dia dedicado à Bíblia. Ela que é a carta magna da fé judaica e cristã. O substantivo Bíblia nos remete a um outro, biblioteca. É isso mesmo. A Bíblia é uma biblioteca composta de livros, os quais fazem parte de uma literatura que levou séculos para ser escrita. Parafraseando o grande mestre da leitura popular da Bíblia, Frei Carlos Mesters, a Bíblia nasceu da vontade de o povo ser fiel a Deus e a si mesmo. Nasceu da preocupação de transmitir aos outros e a nós essa fidelidade. Ela nasceu sem rótulo. Só mais tarde, o próprio povo descobriu nela a expressão da vontade e da presença real de uma Palavra Santa (Bíblia, livro feito em mutirão. São Paulo: Paulus, 1986, p. 8).
Divididos em Primeiro e Segundo Testamentos, os livros da Bíblia estão organizados em forma de uma grande inclusão (forma literária em que uma palavra, uma frase ou um conceito presente no início reaparece no fim e funciona como um enquadramento, que delimita e encerra tudo o que ficou “incluído” entre eles, como em um sanduíche); no início (Gênesis) e no fim (Apocalipse), encontramos referência ao Éden, o paraíso da economia vivida na liberdade e na fraternidade entre homens e mulheres. No centro, nos livros de Malaquias e Mateus, temos duas personagens ímpares do judaísmo e cristianismo, Elias e Jesus. Elias voltará e Jesus veio para nos propor, na inspiração da fé judaica, o Reino de Deus, que tem como baliza fundamental a opção pelos pobres e oprimidos de ontem e de hoje. É o que veremos nos textos das leituras que passamos a comentar.

II. COMENTÁRIOS DOS TEXTOS BÍBLICOS

1. I leitura (Am 6, 1-7): punição para os nobres corruptos
1. Ai dos que vivem tranqüilos em Sião, dos que estão confiantes no planalto de Samaria, os chefes principais do povo a quem acode a casa de Israel!
2. Viajai até Calane para ver, de lá ide à grande cidade de Emat, depois descei a Gat dos filisteus. Acaso sois melhores do que esses reinos, ou o território deles é maior do que o vosso?
3. Ai dos que querem afastar o dia mau e apressam o domínio da força bruta.
4. Ai dos que se deitam em camas de marfim ou se esparramam em cima dos sofás, comendo cordeiros do rebanho, vitelos cevados em estábulos.
5. Deliram ao som da harpa, inventam como Davi instrumentos musicais,
6. bebem canecões de vinho e usam os mais caros perfumes, indiferentes ao sofrimento de José.
7. É por isso que ireis acorrentados à frente dos cativos! Acabou a festa dos boas-vidas!
Amós se volta de forma drástica contra os ricos governantes de Israel e Judá – as críticas se dirigem, de fato, aos nobres da Samaria, capital político-administrativa do Reino do Norte. O texto foi modificado para referir-se a Sião/Jerusalém (Reino do Sul), os nobres da primeira das nações: governantes, cortesãos, oficiais e latifundiários. O motivo é simples: eles vivem tranquilos e seguros na capital e nas montanhas, os seus leitos são de marfim, possuem divãs, se alimentam de cordeiros e novilhos, fazem festas orgiásticas ao som de harpa e com vinhos finos. E o que é pior: eles não estão nem aí para os pobres do país que estão ao seu lado. Eles usufruíam o bem-estar das minorias, advindo das conquistas de Jeroboão II, bem como esperavam o dia de Javé, que seria a redenção de Israel. Amós dirá que esses homens são os verdadeiros responsáveis pela violência social e econômica do seu povo. A vida luxuosa deles era fruto da opressão dos pobres, do roubo e da corrupção (Am 3,9-10; 2,6-8; 4,1-3; 5,10-12). Tendo que manter essa situação, como não criar injustiças? Esses ricos viviam numa situação de orgia (v. 7b), alicerçados numa falsa intuição de que toda aquela situação era de bênção de Deus.
A semelhança dessa situação com os nossos dias é mera coincidência? Não. As classes dirigentes parecem mudar somente os figurantes. Os mensalões e os “panetones de Brasília” continuam a se repetir. Infelizmente, a classe política brasileira deixou se levar pela corrupção.
O que diria o profeta Amós? Vocês, os nobres, serão exilados, vão puxar a fila dos deportados para uma terra estrangeira. E foi isso mesmo que ocorreu anos depois, em 722 a.E.C., quando os dominadores assírios chegaram e destruíram a capital de Israel, Samaria, e levaram todos para o exílio. E aí o ai do profeta já não mais pode surtir efeito. Não tinha mais como voltar atrás. Deus tinha dado o seu veredicto.

2. Evangelho (Lc 16,19-31): o rico injusto escolhe a própria condenação
19. “Havia um homem rico, que se vestia com roupas finas e elegantes e dava festas esplêndidas todos os dias.
20. Um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, ficava sentado no chão junto à porta do rico.
21. Queria matar a fome com as sobras que caíam da mesa do rico, mas, em vez disso, os cães vinham lamber suas feridas.
22. Quando o pobre morreu, os anjos o levaram para junto de Abraão. Morreu também o rico e foi enterrado.
23. Na região dos mortos, no meio dos tormentos, o rico levantou os olhos e viu de longe Abraão, com Lázaro ao seu lado.
24. Então gritou: ‘Pai Abraão, tem compaixão de mim! Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a língua, porque sofro muito nestas chamas’.
25. Mas Abraão respondeu: ‘Filho, lembra-te de que durante a vida recebeste teus bens e Lázaro, por sua vez, seus males. Agora, porém, ele encontra aqui consolo e tu és atormentado.
26. Além disso, há um grande abismo entre nós: por mais que alguém desejasse, não poderia passar daqui para junto de vós, e nem os daí poderiam atravessar até nós’.
27. O rico insistiu: ‘Pai, eu te suplico, manda então Lázaro à casa de meu pai,
28. porque eu tenho cinco irmãos. Que ele os avise, para que não venham também eles para este lugar de tormento’.
29. Mas Abraão respondeu: ‘Eles têm Moisés e os Profetas! Que os escutem! ’
30. O rico insistiu: ‘Não, Pai Abraão. Mas se alguém dentre os mortos for até eles, certamente vão se converter’.
31. Abraão, porém, lhe disse: ‘Se não escutam a Moisés, nem aos Profetas, mesmo se alguém ressuscitar dos mortos, não acreditarão’”.
O texto que antecede essa parábola é o que vimos na semana anterior, “não é possível servir a Deus e ao Dinheiro” (Lc 16,13), ensinamento central do capítulo. A parábola, modo de ensinar de forma comparativa, muito utilizada por Jesus, tem como seu público-alvo os fariseus, chamados de amigos do dinheiro (16,14). Ela faz parte da grande viagem de Jesus a Jerusalém, chamada também a viagem lucana (9,51-19,27), de cunho teológico-catequético. Quem acompanha a trajetória de Jesus vai entendendo os desafios e as condições para ser um cristão, um seguidor do mestre Jesus de Nazaré.
O evangelho de hoje tem forte relação com a primeira leitura. É um modo encontrado por Jesus para ensinar a tradição da fé judaica: é preciso fazer esmola, isto é, fazer justiça. Em hebraico, esmola se diz Tzedakáh e justiça, Tzedek. Esmola deriva de justiça. Fazer esmola, como ensinam os judeus, significa cumprir a Torá (Bíblia), isto é, fazer justiça. Quando um judeu pobre gritava pelas ruas Tzedakáh, todos entendiam: “Faça justiça! Cumpra a Torá!”. E esse grito incomodava qualquer judeu piedoso. A Torá, a Lei de Deus, não estava sendo cumprida, o que implicava estar fora do caminho de Deus. O judaísmo conclama os seus adeptos a fazer esmola. E fazer esmola (Tzedakáh) é agir com justiça no que diz respeito a como cada judeu ganha, gasta e compartilha suas riquezas. No pensamento judaico, esmola não tem um sentido religioso moral cristão de “dar esmola”. Esmola é um modo de ser, mais que oferecer ou dar. Tzedakáh é mais que caridade, expressão de fé piedosa diante do sofrimento do outro. Viver de modo justo na relação com as pessoas é fazer Tzedakáh. A esmola não pode ser em função da vanglória daquele que dá esmola, mas deve ser um gesto de solidariedade e justiça. Fazer esmola, fazer justiça, é melhor que dar esmola. Nisso, sou mais judeu que cristão.
A cena do evangelho, nessa perspectiva do fazer esmola, é simples. De um lado, um rico epulão e bem-vestido, com púrpura e linho – material importado da Fenícia e do Egito, e, do outro, um pobre de nome Lázaro que jazia à sua porta, esperando comer as migalhas de seus banquetes. Lázaro significa “aquele que vem em ajuda de”. Ele espera ser ajudado com obras de justiça, de divisão dos bens.
Com elementos da fé dos antepassados: inferno, céu e o Patriarca Abraão, a parábola relata a cena que paira na cabeça de muitos: os bons estão no céu e os maus, no inferno, separados por um abismo. Tranquilidade e banquete de um lado, tormento e fogo do outro. A Bíblia nos oferece muitas imagens do inferno (Jacir de Freitas Faria, O outro Pedro e a outra Madalena. Uma leitura de gênero. 3 ed. Petrópolis: Vozes, p. 76-102): uma delas é essa da parábola de hoje: um lugar do desespero e do pavor. Receber a pena do inferno é o mesmo que entrar em pânico. É saber que um lugar sombrio me espera. Jesus usa a imagem do choro e do ranger os dentes dos que forem para o inferno (Lc 13,28). Ele também compara o inferno com o verme que não morre (Mc 9,48), bem como à Geena, lixão da cidade de Jerusalém. As imagens usadas na Bíblia para descrever o inferno são todas simbólicas. O fogo que devora simboliza a absoluta frustração humana e o seu total distanciamento de Deus (Leonardo Boff, Vida para além da morte. Petrópolis: Vozes, 1988, p. 90). Diante de tal situação, só resta ao ser humano chorar e ranger os seus dentes, na escuridão de uma vida sem utopias, no exílio de opção feita por ele mesmo. É o que ocorre com o rico da parábola de hoje. Ele implora ao pai Abraão que Lázaro venha lhe trazer água, que vá até à casa de seus cinco irmãos para avisá-los da sua situação desesperadora e que mudem de vida. Nenhum desses pedidos pode ser atendido. A situação estava posta por opção do rico, o ser humano opressor. O número citado, cinco, relembra o Pentateuco; Moisés, toda a lei e os profetas. Isso quer dizer que o rico e seus cinco irmãos tinham e têm a Palavra de Deus (Bíblia) para observar e mudar de vida. Se assim não o fazem, mesmo que um morto, Lázaro, ressuscite para ensinar-lhes o caminho, eles não o fariam. Os judeus não acreditavam em sinais, milagres. Jesus fez muitos deles, e, mesmo assim, eles não se converteram. O fim é trágico, mas é fruto da opção que fazemos, assim como os ricos da primeira leitura.

3. II leitura (1Tm 6,11-16): viver como homem de Deus
11. Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas, procura antes a justiça, a piedade, a fé, a caridade, a constância, a mansidão.
12. Combate o bom combate da fé, conquista a vida eterna, para a qual foste chamado quando fizeste a tua bela profissão † de fé diante de muitas testemunhas.
13. Diante de Deus, que dá a vida a todos os viventes, e do Cristo Jesus que, perante Pôncio Pilatos, deu o seu testemunho fazendo sua bela profissão, eu te ordeno:
14. observa o mandamento com todo o cuidado, irrepreensivelmente, até à manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo.
15. Esta manifestação será realizada, a seu tempo, pelo bem-aventurado e único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos Senhores,
16. o único que possui a imortalidade, que habita numa luz inacessível, que ninguém viu nem pode ver. A ele, honra e poder eterno. Amém.
Ao escrever ao amigo Timóteo, Paulo o exorta a viver como homem de Deus, isto é: seguir a justiça, a piedade, a fé, o amor, a perseverança e a mansidão, combater o bom combate da fé, conquistar a vida eterna, guardar o mandamento de Jesus até o dia de sua Aparição. Antes disso, que o cristão professe a fé e testemunhe Jesus ressuscitado (vv. 12-13).
Ser homem de Deus é ser profeta, assim como Elias e Eliseu que receberam esse título por terem deixado o palácio e se aproximado do povo. Com eles, o rei, se precisasse de um profeta, teria de ir aonde o profeta estava, no meio do povo. Muitos cristãos da comunidade de Éfeso estavam fazendo da pregação do evangelho uma fonte de lucro. Atitude parecida com a de muitos cristãos de hoje. Abrir uma igreja é o mesmo que abrir negócio, uma empresa lucrativa. Paulo é claro no ensinamento: “Fuja dessas coisas” (v. 11). A fé não é para ser debatida, sobretudo de forma fundamentalista, mas vivenciada.
Paulo termina com uma doxologia (vv. 15-16): a Deus honra e poder eterno. É um hino litúrgico de origem judaica. Ele ensina que o cristão deve prestar culto somente a Jesus, pois ele possui a imortalidade, a vida plena. Viver o projeto apresentado por Jesus é encontrar Deus (vv. 11-12).
Essa breve leitura reforça o ensinamento das outras leituras deste domingo, mostrando que o cristão é aquele que segue os ensinamentos de Jesus e não anda conforme as injustiças dos seres humanos deste mundo. O seu combate está em outra esfera. Ele luta como atleta para chegar ao Reino pregado por Jesus, e este já começa aqui.

III. PISTAS PARA REFLEXÃO
Chamar atenção para o dia da Bíblia e suas interpretações a partir das leituras deste domingo. Dar um destaque para a Bíblia na celebração.
Fazer uma análise da situação econômica do país, dando destaque para as eleições e tendo como pistas de reflexão a questão da riqueza e seu uso indevido pelos governantes. Mostrar que quem faz opção de servir ao Dinheiro acabará perdendo a vida.
Perguntar pelos sinais de solidariedade que a comunidade demonstra na relação entre rico e pobre. Ela está a serviço dos pobres e contra a pobreza? Ou existe um abismo, um fosso, entre ela e os pobres? A comunidade se preocupa em dar ou fazer esmola?

VIA ORAE ET LABORA