POR QUE O EVANGELHO NÃO SE CUMPRE NA SUA VIDA? (CAIO FÁBIO)

POR QUE O EVANGELHO NÃO SE CUMPRE NA SUA VIDA?

Jesus disse que as Palavras Dele são espírito e são vida!
No entanto, o que Ele nos mandou obedecer como Sua Palavra se põe em oposição a tudo o que o mundo pode compreender; posto que viole as convenções da honra, da reputação, da justiça própria, da valentia que se expõe às brigas, do enfrentamento de quem deseje nos defraudar, da defesa ante a calunia, do julgamento que se tem por certo, do ódio ao que se assuma como direito em razão da ofensa; ou ainda: da antipatia que decorra dos maus tratos, ou mesmo da indiferença para conosco; e, também, dando complemento a isto, Ele fala de abrir mão do desejo de possuir, mesmo que se possa atender ao nosso capricho como poder —; e, em contrapartida a tudo, Ele recomenda a via dos otários; dos que não aceitam a provocação, dos que desviam seu caminho do enfrentamento odioso, dos que levam desaforo para casa em oração, dos que não topam o embate com o perverso, dos que dão a outra face, dos que oferecem além da capa demandada até mesmo o paletó que não foi pedido, dos que recolhem os seus direitos, os seus tesouros, as suas pérolas, por não terem nenhuma necessidade de demonstração de quem sejam ou do que pensem, especialmente quando os circunstantes tenham espirito de porco ou sejam cães raivosos.
Entretanto, mesmo sabendo que este é o espirito do ensino de Jesus para a vida, a maioria dos que se dizem Seus discípulos, odeiam tais mandatos, tal espírito e tal vida.
O interessante é que mesmo nada querendo com as palavras que são espirito e são vida segundo Jesus, esses mesmos discípulos querem que a Palavra de Jesus se torne real sem que tais realidades da Palavra — seus conteúdos —, se tornem fatos, princípios, atitudes, posturas, sentimentos, decisões e práticas de nossas vidas e cotidianos.
É como querer habitar a profundidade dos mares sem guelras, como desejar voar sem asas, como ambicionar correr sem pernas, como pretender respirar sem pulmões, como buscar ver sem olhos, ouvir sem ouvidos; ou seja: é como quer ser sem alma e sem espírito!
O que vejo nas ambições dos crentes que querem que a Palavra se cumpra sem obediência à própria Palavra é equivalente a todas as formas de insanidade!
O argumento da maioria é que Jesus disse o que disse para nos dar referencias superiores, mas que, de um modo ou de outro, se crermos Nele, não necessariamente em Suas Palavras, mas no Seu poder, nas Suas milagrices, nos Seus dons de cura, nas Suas magias, ou, em algumas ocasiões, cremos também numa espécie de sequestro da honra de Jesus, quando se diz: “Eu sei que tu és Deus; então não me desapontes, pois estou confessando com a boca que Tu és o Maior dos maiores; não me deixes ficar, portanto, envergonhado ante aqueles a quem eu declaro o Teu poder sobre os ídolos!” — Ele fica sem saída; sendo esta uma formula mágica de uma crença muito divulgada acerca do encurralamento de Deus; crendo-se, assim, que desse modo se O põe a trabalhar em nosso favor em nome da Honra do Nome de Jesus para os outros; embora, para nós, Jesus seja apenas um nome destituído de pessoalidade, caráter, ensino, verdade e convocação à obediência; sempre esquecidos de que Ele disse: “se me amais, guardareis os meus mandamentos”; e mais: “…vós sóis meus amigos se fazeis o que eu vos mando”.
Então com esse Nome/Crença na boca […] pulamos do pináculo do templo, aventuramo-nos contra os perversos, saímos no tapa em nome da honra ou da valentia; e mais: damos pérolas aos porcos, odiamos os que nos odeiam, antipatizamos os diferentes, julgamos quem achamos que deve ser julgado, andamos no caminho largo dos caprichos, edificamos nossa casa na areia, ficamos amigos do lobo vestido de ovelha [ou até casamos com ele ou ela]; enquanto, também, pedimos misericórdia de Deus para a nossa incapacidade de obedecer, de guardar puro o coração, de perdoar sempre, de amar os nossos inimigos, de orar pelos que nos perseguem; sim, rogamos a Ele que nos perdoe o adultério do qual nunca desistiremos, que nos justifique do que sabemos e não nos dispomos a pôr em prática em relação ao que ensinamos aos outros, mas, para nós mesmos, não acolhemos como espírito e vida.
Então […] — apesar de tudo isto, reclamamos que a Palavra não nos faz bem, não realiza o prometido, não trás a paz que excede a todo entendimento, não nos faz viver em contentamento verdadeiro, não qualifica a nossa existência com a vida em abundancia.
O conceito de insanidade é fazer sempre as mesmas coisas [erradas], esperando obter resultados diferentes!
Ora, no caso das Palavras de Jesus a insanidade é ainda maior, posto que Ele tenha dito que todo aquele que ouve e conhece as Suas palavras, e não as pratica, é um tolo que constrói sua casa na areia de uma praia na qual a maré sobe todo dia; e mais: as intempéries nunca deixam de assolar.
Eu teria muito mais a dizer sobre isto, mas deixo com você a busca de aplicar na sua existência, com toda simplicidade obvia […] estes pensamentos infalíveis; posto que não seja filosofia minha, mas a pura, simples e irrebatível Palavra de Jesus.
“As minhas palavras são espírito e são vida” — ; mas apenas para os quais elas [as palavras] se tornem espírito e vida mesmo; ou seja: interioridade, pensamento, entendimento, prática, atitude e comportamento. Do contrário, creia, é loucura pensar que não sendo assim possa realizar qualquer coisa em nossa vida.
Nele, em Quem somente é […] aquilo que Ele disse que é,

Caio
21 de janeiro de 2012
Lago Norte
Brasília
DF

VIA CAIO FÁBIO

PARA AQUELES COMPANHEIROS DE JORNADA GOSTARIA DE COMPARTILHAR O QUE DESCOBRI NOS ÚLTIMOS ANOS

Para aqueles companheiros de jornada, gostaria de compartilhar o que descobri nos últimos anos………
Como todos sabemos, uma jornada espiritual e uma viagem interna. Esta jornada pessoal começou ha muitos séculos atrás e provavelmente vai continuar por um tempo. Pessoalmente, acho esta jornada uma aventura. Adoro. Muitas vezes pode ser dolorosa, dar medo e acima de tudo requerer fe e perseverança. Mas no fim vale pena, porque a paz começa a substituir o caos interno.
Enquanto este processo vertical vai progredindo, outra coisa vai acontecendo horizontalmente. O coração vai se abrindo, a compaixão vai aumentando, o amor vai crescendo, a vontade de abrir os braços para incluir todos e tudo vai ficando cada vez maior.
Quanto mais a jornada vertical vai se aprofundando, mais aberta a pessoa fica para a vida. O medo que parecia inabalável, vai perdendo a sua forca, dando espaço para o amor universal.
Quando esta abertura horizontal começa, o processo exige que os braços sejam abertos para receber a humanidade, o universo, os planetas, as plantas, as montanhas, os animais neste abraço gigantesco. O sentimento de conexão e real e profundo.
De repente, no meio desta jornada comecei a entender que o que penso, sinto, faço, afeta a mente coletiva. Estou ciente que tenho muito que caminhar, mas sei também que esta viagem tem um fim.
Sou muito grata ao universo por esta experiência. Para aqueles que começaram a estudar o Curso, ou não, desejo que seus caminhos sejam cheios de luz e alegria.
VIA HARMONIA E PAZ

PRESO NA ILUSÃO DE SI MESMO! Caught in the prison of himself!

PRESO NA ILUSÃO DE SI MESMO!
Caught in the prison of himself!

POR ALSIBAR BARBOSA

Quais os perigos da autoilusão e do autoengano? Qual é a dinâmica da autoilusão? Será que apenas os autoproclamados gurus correm o risco de ficarem presos em suas autoimagens e ilusões? Como podemos evitar esse problema? Qual a importância da meditação, reflexão e autorreflexão? Vamos refletir sobre isso?
Alguns assuntos dos meus posts surgem de repente. Não sei como. Não sei de onde. “Out of the Blue”. Vem do nada, como se diz em Inglês. Este que hora vos apresento surgiu assim. Achei um título forte e verdadeiro. Embora, até este exato momento, eu ainda não tenha a mínima noção sobre o que vou escrever. Claro que conheço do assunto. Mas ele é muito vasto e amplo. Pode versar sobre vários tipos de Ilusão: a ilusão do EGO, da autoimagem, da ignorância, dos desejos, do materialismo, das crenças etc. Enfim, o título acima pode versar sobre várias coisas. E você pode estar se perguntando porque estou escrevendo desta maneira. Explico-me: se vou falar sobre reflexão, devo começar refletindo sobre o próprio ato de escrever (metalinguagem).
A Ilusão detesta reflexão. Ela sabe que a reflexão liberta. Não é à toa que em todos os casos de lavagem cerebral, a primeira coisa que se destrói é a capacidade reflexiva da vítima. São como água e óleo. Sombra e luz- simplesmente um não pode coexistir com o outro. Ambos se anulam. A ilusão se instala quando morre nossa capacidade de refletir sobre nós mesmos e o mundo. Todos os iluminados (verdadeiros) sempre insistiram na importância da capacidade reflexiva. Foi assim com os maiores filósofos clássicos, foi assim com Jesus e Buda e também com os grandes iluminares contemporâneos. Sem reflexão e autorreflexão corremos um grande risco de nos desviarmos do caminho. E ficarmos presos na própria Ilusão. Não é raro isto acontecer. Pelo contrário, é muito comum e corriqueiro. É um grande risco na jornada do autoconhecimento. O caminho da percepção de si é longo e cheio de armadilhas. Por isso, iremos tratar deste assunto, com o máximo de reflexão e cuidado. Você é o nosso convidado nesta viagem para dentro das nossas próprias Ilusões . Seja muito bem vindo e boa leitura!
Por que será que é tão fácil iludir-se? Um simples deslize, uma simples distração e, de repente, estamos lá, presos em mais uma Ilusão. Não é a toa que o grande mestre Jesus insistia tanto no “orai e vigiai”. Ele sabia o quanto é fácil ao homem “cair em tentação”. Há vários tipos de ilusão: acreditar que somos somente matéria . Acreditar que o dinheiro compra felicidade. Acreditar que somos um EGO permanente e eterno. Acreditar que a Meditação tem haver com técnicas. Seguir os gurus acreditando que eles poderão lhe dar a iluminação, paz ou felicidade. Acreditar em um monte de coisas só porque aquilo me convém. Não acreditar em nada só porque me convém também. Acreditar nas religiões e nos movimentos religiosos como caminho para Deus. Acreditar que a Felidade está nas coisas ou numa pessoa específica. Ser dominado pelo medo, desejos e pensamentos descontrolados. Enfim, o leque de Ilusões é bem variado. O mundo está dominado por ela. Maya ou Ilusão, está na raiz de todos os nossos problemas, tanto em nível coletivo quanto individual. Mas, uma das ilusões mais destrutivas e sutis, é a ilusão que nos prende a nós mesmos. E como é isso? É o que veremos no próximo parágrafo.
Ora, quem somos nós? Para respondermos a esta pergunta, temos primeiro que nos autoconhecer. Alguma vez você já se olhou sem medo? Já viu seus motivos, suas raízes, aquilo que está na base das suas ações e atitudes? Se realmente você teve a coragem de se olhar, deves ter visto que a base da maioria de nossas ações é o medo e o desejo. Em outras palavras, somos medo e desejo. É daí que se desdobra quase todas – senão todas – nossas ações, fazendo-nos ser o que somos. Tendo estes dois venenos como base do nosso ser, surgem daí uma série de reflexões : por que faço o que faço do jeito que faço? Qual é a razão? Exemplo: porque creio nos gurus e os sigo? Porque vejo neles o caminho para o Céu, o Nirvana, para a Libertação ? E por que quero isso? Será que não existe aí uma prisão? E o que me prende? Não é o desejo? O desejo de ter o que não tenho, de ser o que não sou, o desejo de alcançar a iluminação etc? Quero ter o que penso que o guru tem. Geralmente paz, felicidade e sabedoria. Mas isso se alcança através do desejo? Será mesmo que alguém poderá me dar a felicidade, a paz e a sabedoria?
Nesta busca por Iluminação, o que geralmente vemos por aí é muita Ilusão. O processo é muito simples: leio alguns livros de sabedoria, ocultismo e filosofia, visito alguns “gurus”, escolas e mosteiros. E depois de um certo tempo me sinto um “iluminado”. Leia-se : alguém livre para explorar e ser explorado. Se é de forma consciente ou não- não sei. É daí que surge a maior e mais perigosa de todas as ilusões: considerar-se Iluminado. Existe algo que o EGO mais goste, mais aprecie, mais ame? Ele deixa de ser um reles “ João-Ninguém” e de, uma hora pra outra, vira “o guru Iluminado”. Alguém acima da massa ignara. Acima dos pobres mortais. Na maioria das vezes, isso se torna um grande negócio. Funda-se uma organização em que seu rosto e nome estão sempre estampados. Que raios de iluminado é esse? Onde já se viu iluminado, ser marqueteiro de si mesmo? E porque ele tem que viver a custa dos outros? Explorando os outros? Porque não dá o exemplo a partir de si mesmo? De sua própria vida? Como alguém assim pode considerar-se liberto e, ainda, preparado para libertar os outros?
Mas a ilusão dos “autoproclamado iluminados” é algo que ainda precisar ser estudado com mais cautela. Poderia haver estudos específicos sobre as características deste fenômeno psiquíco. O problema é que muita gente embarca nessa barca furada e quem passa por isso, nunca admitirá ser ‘estudado” ou analisado. Pelo contrário, são considerados os seres psicologicamente mais “sãos” do planeta – pelos discípulos e por ele próprio- obviamente. Em geral, começam uma organização que lhes dão todo apoio e sustentáculo. E a blindagem necessária para continuarem se sentindo seres “especiais”. Inicia-se, assim, uma deplorável tradição de “cegos guiando outros cegos”. E o absurdo disso tudo, é que , mesmo quando o cego fundador morre, os cegos seguidores continuam seu trabalho. E a cegueira se gereraliza. Antes, pelo menos, o líder, que geralmente tem um pouco de inteligência, estava ali. Era uma coisa viva. E quando ele “se vai” passam a cultuá-lo como um Deus. Passam a venerar lembranças mortas e vazias de alguém que já se foi. Em pouco tempo, o movimento torna-se apenas um centro de adoração e culto à personalidade do fundador. Preciso dar exemplos? Não serei tão tolo a este ponto. Os exemplos estão aí. “Quem tem olhos para ver, que veja”.
Mas, não são só os autoproclamados iluminados que me preocupam. Nós todos corremos este risco de ficarmos presos em nossa própria autoimagem. Se você se considera inteligente, sabido ou superior a qualquer pessoa… Cuidado! Sua autoimagem está começando a dominá-lo. E que triste é a nossa sina quando caimos escravos de nossas imagens. Se você se considera sábio, iluminado, salvo, “cabeça” e isso lhe dá uma sensação de superioridade em relação aos demais… Muito cuidado nessa hora. Faça uma autorreflexão. Uma grande ilusão pode estar se instalando no seu ser. Os clássicos estão cheios de exemplos em que a autoimagem torna-se uma praga, uma maldição. Foi assim com Narciso que tornou-se preso de si mesmo. Encantado com sua própria beleza. No clássico conto de fada, da Branca de Neve, o grande vilão era a Bruxa malvada e seu espelho bajulador. O espelho é o EGO, sempre lhe dizendo que você é o melhor, e sempre atiçando a inveja, o ciúme e a disputa insana.
Isso não significa que não devemos nos amar ou cuidar de nós mesmos. O que quero dizer é muito simples. E se você tem dificuldade de entender, talvez precise de uma autorreflexão- algo o está impedindo de ver uma verdade muito simples sobre si mesmo: amar a si mesmo é algo muito diferente de sentir-se superior ou melhor do que os outros. Sentir-se “Iluminado” deveria ser o primeiro “alerta”, o primeiro “alarme” de que algo está errado. Se a pessoa sente-se assim, é porque não é. Iluminação ou sabedoria, surgem quando não há mais a sensação de “Eu sou isso, ou eu sou aquilo”. É somente quando estamos totalmente esvaziados do conteúdo de nós mesmos – que é o EGO- é que realmente algo se instalou ali. Não há luz quando há trevas. Não há Iluminação se o EGO ainda lhe prende a uma autoimagem mental. Puro desejo de querer ser algo ou alguém. E por que queremos ser algo ou alguém? Por que queremos fama e dinheiro? Porque queremos ser reconhecidos? Por que procuramos nos “dar de bem” às custas dos outros? Por que interiormente me sinto um fracassado e através da imagem do guru quero ser aplaudido, adorado e bajulado? Olha aí de novo o desejo.
Mas, poderiam perguntar, como nos livrarmos desse engodo? Como podemos nos prevenir de tal escravidão ? A autorreflexão pode nos ajudar. Mas se não tivermos sinceridade em nossos corações não iremos muito longe, pois evitaremos refletir sobre o que realmente interessa e importa. Reflita sobre suas atitudes. Observe-as. Olhe seus motivos, suas raízes, sua base. Mas olhe com coragem e sinceridade. Será realmente que você é o “rei da cocada preta”? Será mesmo que você se “iluminou’? Mas, como pode ser, se “iluminação” nada tem a ver com a “idéia de iluminação”? Será que essa sensação de paz e felicidade que você diz sentir, vem da percepção da Verdade, ou do seu desejo de viver e sentir isso? Será mesmo que o êxtase e a Ananda que dizes sentir, provêm do Desconhecido, ou ainda está no campo do conhecido? Será que tudo o que digo sentir, não é apenas um resultado do meu desejo? Será que não estou com medo de admitir para mim mesmo e para os outros que estou me iludindo?
Mas… não! Como ficarão meus seguidores e bajuladores? O que direi para aqueles que depositaram em mim suas confianças, seu dinheiro, sua vida? Não. Não posso suportar a ideia de ser publicamente desmascarado, ridicularizado. É humilhação demais para o meu EGO. Ele não suportaria. Ou seja, tenha cuidado para não chegar até este ponto. Vigie, de modo a extirpar a raiz da Ilusão logo no começo. No comecinho, enquanto ainda estás livre das detestáveis organizações. Pois elas, as organizações, parecem um monstro que se vira contra seu dono. Elas passam a ser mais poderosas que seus fundadores e líderes. Uma organização, por natureza, precisa expandir-se, crescer e, para isso, precisa lucrar. E para lucrar muitos exageram na dose. Poucos, muito poucos tem a ética necessária para diferenciar o que é lícito, do que é ilícito. O que é razoável do que é exagero. Aí começam as velhas enganações e os velhos discursos: “ Não fazemos isso por nós, mas pela obra”. “ Estamos trabalhando por uma causa maior: libertar as massas”. “ Estamos a serviço de Deus e por isso vale tudo!” Será mesmo?
E assim, o EGO, Maya, usa de todos os artifícios para justificar para si mesmo e para os outros todo tipo de crueldade, abuso e exploração. Foi assim com as Cruzadas e os Tribunais de Inquisição. Está sendo assim agora, com todas as organizações religiosas que exploram o homem, na sua ânsia de expandir e crescer. Estão sempre se escondendo atrás da idéia de que estão à serviço de uma causa nobre, maior do que eles próprios. Mas na verdade estão a serviço de si mesmo, de sua própria manutenção e expansão. Tudo o que querem é crescer e expandir-se cada vez mais. Querem o poder e o dinheiro. Nada mais. E para isso vale tudo. O fim passa a justificar todos os meios. Por mais cruéis, abusivos, imorais e antiéticos que sejam. Por isso a corrupção se instalou no mundo. Porque ela está primeiramente dentro de nós. Porque nos consideramos muito puros, acima do bem e do mal. Mais uma vez a autoimagem nos destruindo. Mais uma vez cegamos nossos próprios olhos para não vermos o que nos salta aos olhos. E enquanto tivermos veneração por nós mesmos, enquanto não compreendermos que não somos nada e que nada, ABSOLUTAMENTE nada nos pertence, o EGO irá nos ludibriar, enganar e destruir. Mas o EGO se apossa desse discurso, fica preso a esta idéia e por isso nunca chegará a sentir um estado além de si mesmo. Pois este estado não é uma ideação. Se me sinto como “Deus” é porque ainda não me tornei. Quando realmente ultrapasso os limites da Ilusão e do EGO, não me sinto mais coisa nenhuma. Uma consciência livre é uma consciência que não afirma nada, que não diz nada, que não se apega a nada. Nem mesmo e, principalmente, a ideia de ser algo, ou alguém.
Tome um chá de autorreflexão diariamente. Ou, se possível, constantemente. Mas seja realmente sincero e sério em suas intenções. Do contrário, nada valerá ser autorreflexivo, pois suas reflexões serão limitadas. Mas quando realmente queremos crescer. Quando realmente queremos nos libertar das ilusões, então a autorreflexão se torna imprescindível. Olhar sempre para si, para seus pensamentos, intenções e sentimentos, ajuda no autoconhecimento. Se quando, em Meditação, te sentires importante, ou tiveres a sensação de que estás “evoluindo” ou se “iluminando”, reflita sobre isso com sinceridade. Veja isso e extirpe essa ideia ainda em sua gênese. Será mais fácil no começo do que no futuro -quando estiveres comprometido com seguidores, discípulos e organizações. Por isso, não deixe que ninguém o bajule, o idolatre ou o adore. Não permita que ninguém o chame de mestre. Isso é um grande risco. Muitos caíram por sentirem-se “mestres”, antes de sê-los. A coisa vai num crescendo: primeiramente sábio, depois mestre e o passo seguinte é sentir-se Iluminado, e finalmente, o Cristo. Daí por diante, a tragédia, o sofrimento e o caos se instalarão em sua vida como uma terrível maldição, uma herança maldita.
Fuja de qualquer tentativa de o endeusarem. Abomine as adorações e o culto. Isso é coisa da Índia. É algo de suas tradições e por isso, existem tantos falsos gurus lá. Todo mundo quer ser guru. Dá status. É o caminho mais fácil de se “dar bem na vida”. Não estou dizendo, com isso, que não existam os verdadeiros mestres e iluminados. Claro que existem. Mas eles não fazem propaganda de si mesmos. Não andam com uma placa dizendo: “ sou iluminado! Sigam-me”! Veja o caso de Babaji. Raramente aparece. E, quando aparece, se apresenta como um ser humano comum. Sri. Yuktéswar o viu, em um festival religioso, mas não o reconheceu. Não havia sinais externos que indicasse que ali estava um Avatar. Somente depois de um tempo, Babaji se revelou. E, assim, Sri Yuktéswar pôde perceber quem era aquela figura enigmática que lavava os pés de um monge. Veja o caso de Lahiri Mahasaya. Um simples contador. Um pai de família que ganhava sua vida honestamente, e nunca às custas dos discípulos. Durante boa parte de sua vida, ninguém desconfiou da grandeza espiritual de Lahíri Mahasaya-nem mesmo ele- de tão humilde que era. Só quando ele encontrou seu mestre Babaji em uma caverna secreta dos Himalaias, foi que ele percebeu quem ele era. Foi aí que ele lembrou-se que era um Iogue e que sua missão na Terra seria contribuir para o despertar da humanidade. Mas mesmo após essa revelação, continuou trabalhando na companhia de Trem. Nunca deixou de trabalhar, até aposentar-se. E a mesma atitude ele ensinava a seus discípulos. Entre eles, Sri. Yuktéswar o mestre de Paramahansa Yogananda. Sri. Yuktéswar era um Jnanavatar, mas quase ninguém sabia. Era uma pessoa muito discreta, não bajulava ninguém e nem gostava de bajulações. Seu sustento provinha das propriedades e negócios deixados por seus ancestrais. Yogananda dizia que seu mestre nunca “pavoneava-se” de sua sabedoria ou poderes. Pelo contrário, ocultava-os e evitava manifestá-los publicamente. A Bíblia diz que nem mesmo os irmãos de Jesus criam nele. Krishnamurti destruiu a Ordem que foi criada para endeusá-lo. Depois disso, passou a viver dos livros e da ajuda das Fundações que pagavam suas despesas. Que não eram muitas. Costumava dizer que nada possuía e nada precisava. Apenas coisas básicas como casa, roupas e comida. Enfim, percebemos que os verdadeiros iluminados, não tinham EGO. Não tinham autoimagem. Não tinham a ilusão de ser isso ou aquilo. Eles viviam em um estado de liberdade de si mesmo, que é difícil para nossa mente conceber.
Que possamos aprender com os verdadeiros sábios e iluminados, o valor da autorreflexão e que suas vidas nos inspire a vivermos honestamente do nosso trabalho, sem explorar ou enganar a ninguém- inclusive a nós mesmos. Como disse sabiamente o grande Lao Tsé:
“Quem está baseado no Tao, oferece aos outros da sua plenitude. Por isto, age o sábio: sem nada pretender para si, sem se apegar à sua obra. Sem nada QUERER SER, sem nada querer ter”. (Tao te Ching)
Que a MEDITAÇÃO a REFLEXÃO e a AUTORREFLEXÃO sejam nossos antídotos contra toda a forma de engodo, Autoenganação e Ilusão!

Muito obrigado por sua atenção e até a próxima!

Alsibar (inspirado)
http://alsibar.blosgspot.com
msn: alsibar1@hotmail.com

DISCURSO DE DISSOLUÇÃO DA ORDEM DA ESTRELA – KRISHNAMURTI

‎”Sustento que a Verdade é uma terra sem caminhos, e vocês não podem aproximar-se dela por nenhum caminho, por nenhuma religião, por nenhuma seita. Este é meu ponto de vista e eu o sigo absoluta e incondicionalmente… Se compreenderem isso em primeiro lugar, verão que é impossível organizar uma crença. A crença é uma questão puramente individual, e não podemos nem devemos organizá-la. Se assim o fizermos, ela morrerá, ficará cristalizada; tornar-se-á um credo, uma seita, uma religião para ser imposta aos outros. É isso o que todos no mundo inteiro estão tentando fazer!
A Verdade é confinada e transformada em um brinquedo para os fracos, para os que estão momentaneamente insatisfeitos. A Verdade não pode ser trazida para baixo; é o indivíduo que deve fazer o esforço de ascender até ela. Não podemos trazer o topo da montanha para o vale…
Apesar disso, vocês provavelmente formarão outras Ordens, continuarão a pertencer a outras organizações à procura da Verdade. Caso se crie uma organização com este propósito, ela irá tornar-se uma muleta, uma fraqueza, uma servidão e incapacitará o indivíduo, impedindo-o de crescer, de estabelecer sua unicidade, que jaz na descoberta por si mesmo daquela absoluta, incondicionada Verdade. Não se trata de nenhum feito magnífico, porque não quero seguidores, e é esse o meu propósito. A partir do momento em que seguirmos alguém, cessaremos de seguir a Verdade. Não me preocupo se estão prestando atenção no que estou dizendo ou não.
Quero fazer certa coisa no mundo e vou fazê-la com resoluta concentração. Estou preocupado com uma coisa essencial: libertar o homem. Desejo libertá-lo de todas as prisões, de todos os temores, e não fundar novas religiões, novas seitas nem estabelecer novas teorias e novas filosofias. Diante disso, naturalmente me perguntarão por que percorro o mundo todo, falando continuamente. Vou dizer-lhes por que faço; não porque desejo seguidores, nem porque desejo um grupo especial de discípulos especiais. Não tenho discípulos, nem apóstolos, seja na Terra, seja no reino da espiritualidade. Tampouco é o fascínio do dinheiro, nem o desejo de viver uma vida confortável que me atrai. Se eu quisesse viver confortavelmente, não viria para um acampamento ou viveria num país húmido! Estou falando francamente porque quero deixar isso bem claro de uma vez por todas.
Um jornalista que me entrevistou considerou um acto magnífico a dissolução de uma organização com milhares de seguidores. Ele disse que ‘Se não terá mais seguidores, não mais o ouvirão’…
Se houver apenas cinco pessoas dispostas a ouvir, a viver, com os rostos voltados para a Eternidade, será suficiente. Que adianta ter milhares que não compreendem, que estão completamente embalsamados em preconceitos, que não querem o novo, que só fazem traduzir o novo para adequar-se a seus próprios eus estéreis e estagnados!
Há dezoito anos vocês vêm preparando-se para este acontecimento, para o advento do Instrutor do Mundo. Por dezoito anos vocês organizaram, procuraram alguém capaz de dar um novo deleite a seus corações e mentes, de transformar suas vidas, de dar-lhes uma nova compreensão; alguém que os elevaria a um novo plano de vida, que lhes daria um novo encorajamento, que os libertaria – e agora, vejam o que está acontecendo! Considerem, pensem consigo mesmos e descubram de que maneira essa crença tornou-os diferentes – não superficialmente diferentes pelo fato de portarem uma insígnia, que é trivial, absurda. De que maneira essa crença afastou para longe todas as coisas não-essenciais da vida? Essa é a única maneira de julgar: de que maneira vocês estão mais livres, maiores, mais desafiadores para a sociedade que se baseia no falso e no não-essencial? De que maneira os membros desta organização tornaram-se melhores?
Vocês dependem para sua espiritualidade de outra pessoa, para sua felicidade, de outra pessoa, para sua iluminação, de outra pessoa… quando digo olhem para dentro de si mesmos para buscar a iluminação, a glória, a purificação e a incorruptibilidade do eu, nenhum de vocês se dispõe a fazê-lo. Devem existir alguns, mas são muito, muito poucos. Vocês se acostumaram a que lhes digam até que ponto avançaram, qual é seu status espiritual. Que infantilidade! Quem mais a não ser vocês próprios poderão dizer se são ou não incorruptíveis?
Mas aqueles que realmente desejam compreender, que estão buscando o eterno, sem princípio nem fim, caminharão juntos com maior intensidade, serão uma ameaça para tudo que não é essencial, para as irrealidades, as sombras… Minha única preocupação é tornar os homens livres, incondicionalmente livres”.
(J. Krishnamurti, discurso de dissolução da Ordem da Estrela)