“MOMENTOS DE CRISE SÃO ABENÇOADOS” (ELIZABETH CAVALCANTE)

Momentos de crise são abençoados
:: Elisabeth Cavalcante ::

Quando estamos vivenciando um momento dificil, -em que tudo o que aprendemos, ou no que acreditávamos, parece repentimente inútil para iluminar nosso caminho, – sentimo-nos como alguém perdido em alto mar sem qualquer instrumento para se orientar.
Nestas ocasiões, aqueles que ainda não iniciaram a jornada interior são tomados pela angústia e pelo desespero. Muitos se perdem para sempre, entregues à insanidade, sem sequer buscar algum tipo de ajuda.
Outros, agarram-se aos tratamentos convencionais da medicina, que tratam apenas os sintomas, sem eliminar a causa raiz do sofrimento. Vivemos uma época desafiadora, em que os valores, até então, vistos como seguros e confiáveis começam a se desintegrar.
O que fazer para não sucumbir à loucura e ser capaz de encontrar nesta circunstância uma oportunidade valiosa de adentrar uma outra dimensão do ser, que a mente e sua pseudo-sabedoria jamais poderão conhecer?
Caminhos desconhecidos, até então, tornam-se agora a única saída para nos libertar das amarras as quais nos mantemos presos, unicamente pela nossa incapacidade de confiar em nossa percepção interior.
Somente quando o sofrimento se torna realmente insuportável é que começamos a questionar as bases nas quais fincamos nossa segurança, pois enquanto vivíamos apoiados nas verdades, ainda que ilusórias, que nos foram impostas pela sociedade, tudo parecia estar sob controle.
Agora chegou o momento de descobrir que existe dentro de nós um manancial inesgotável de sabedoria, capaz de nos guiar para a paz, a serenidade e a alegria, sejam quais forem as circunstâncias.
Aceitar esta realidade é o primeiro passo para que nos motivemos a iniciar a caminhada. Ainda que em princípio precisemos de auxílio para não deixar que a falta de confiança nos domine. Aos poucos, com paciência e perseverança descobriremos em nós o poder que emana de nossa fonte, o divino.
“Amado Osho,
Como o controle da sociedade sobre a mente das pessoas começa a se desintegrar, em tempos de crise social, como agora, parece haver uma tendência para um número crescente de pessoas ficarem abaixo da mente, na loucura. Além disso, é verdade que isto é acompanhado por uma tendência das pessoas a olhar para a possibilidade de ir além da mente para a iluminação?
Osho:
Tempos de crise são perigosos e extremamente importantes – perigosos para aqueles que não têm coragem de explorar novas dimensões da vida. Eles são obrigados a desintegrar-se em diferentes tipos de loucura – porque sua mente foi feita pela sociedade. Agora a sociedade está se desintegrando, a mente não pode permanecer; suas raízes estão na sociedade. É constantemente alimentada pela
sociedade – agora que a alimentação está desaparecendo.
Porque a sociedade está se desintegrando, uma grande suspeita, uma dúvida que
nunca esteve lá antes, é obrigada a surgir nos indivíduos. E se foram apenas pessoas obedientes que nunca foram além de qualquer limite que a sociedade decidiu, que sempre foram respeitados, cidadãos honrados – em outras
palavras, apenas medíocres – eles irão imediatamente enlouquecer.
Eles vão começar a cometer suicídio, eles vão começar a saltar do alto
de edifícios ou mesmo se eles viverem, agora eles não têm uma mente que possa ajudar -los a descobrir a situação de sua vida… podem tornar-se esquizofrênicos, divididos em duas pessoas – ou talvez uma multidão.
Em tempos de crise, o perigo é para aqueles que tenham gostado das vezes em que a sociedade foi resolvida, quando não havia nenhum problema, tudo estava à vontade, eles foram honrados, respeitados. Estas foram as pessoas que desfrutaram a obediência da mente, e estes vão ser os sofredores… Eles serão psicóticos, eles serão neuróticos – e estas palavras não fazem muita diferença.
…Mas os tempos de crise são de uma enorme importância para as almas ousadas que nunca se preocuparam sobre a respeitabilidade da sociedade, suas honras, que nunca se preocuparam sobre o que os outros pensam sobre eles, mas fizeram apenas o que eles sentiram certo fazer; que têm em certa maneira, foram sempre
rebeldes, individualistas.
Para essas pessoas, os momentos de crise são apenas de ouro – porque a sociedade está se desintegrando. Agora ela não pode condenar ninguém – ela própria é condenada, amaldiçoada. Ela não pode dizer aos outros que eles estão errados. Está se provando errada; toda sua sabedoria está provando apenas ser tola, supersticiosa.
Os indivíduos aventureiros podem aproveitar esta oportunidade para ir além da mente -, porque agora a sociedade não pode impedi-los… Agora eles estão livres.
Assim, momentos de crise são ambos … e é isso que está acontecendo em todo
o mundo. Nunca foi tão intensa a busca pelo crescimento espiritual, pela meditação. Mas nunca houve tanta loucura também. Ambos estão acontecendo porque o status quo não é mais poderoso, ele perdeu o controle.
…as pessoas mais inteligentes estão correndo em direção ao Oriente para encontrar alguma forma, algum método, alguma meditação – Yoga, hassidismo Zen, Sufismo,. Em algum lugar alguém deve saber como superar essa fase crítica, como ir além da mente tradicional e ainda se manter centrado, sensato e inteligente. Milhares de pessoas estão se movendo para o leste.
É muito divertido – porque milhares de pessoas estão vindo do Oriente
para o Ocidente para estudar a ciência, medicina, engenharia, eletrônica, e as
pessoas que sabem tudo isso estão indo para o Oriente, apenas para aprender a sentar-se silenciosamente e não fazer nada.
Mas é um momento bonito.. as pessoas que vão para além da mente irão criar o Homem Novo, a nova mente. E a coisa mais especial para ser lembrada sobre a nova mente é que ela nunca irá se tornar uma tradição, que será constantemente renovada. Se se tornar uma tradição, será de novo a mesma coisa.
A nova mente tem de se tornar continuamente nova, a cada novo dia, pronta para aceitar qualquer experiência inesperada, qualquer verdade inesperada… apenas disponível, vulnerável. Será uma emoção enorme, um grande êxtase, um grande desafio.
Então, eu não acho que esta crise é ruim, é boa. Algumas pessoas vão perder
suas máscaras, e vão ser realmente o que são – psicóticas, neuróticas –
mas pelo menos elas serão verdadeiras… Elas acreditaram muito na velha mente, e ela os traiu.
Mas o melhor da inteligência chegará a alturas desconhecidas antes. E se mesmo em um mundo tradicional, um homem como Gautama Buda ou Chuang Tzu ou Pitágoras foi possível, podemos conceber que na atmosfera que a mente vai criar, um povo mil vezes mais desperto, pessoas esclarecidas se tornará facilmente possível.
Se a nova mente pode prevalecer; então, a vida pode tornar-se um processo esclarecedor. E a iluminação não será algo raro, que acontece de vez em
quando a alguém muito especial, ela vai se tornar uma experência humana muito comum…”
OSHO – Além da Psicologia.

Elisabeth Cavalcante é Taróloga, Astróloga,
Consultora de I Ching e Terapeuta Floral.
Atende em São Paulo e para agendar uma consulta, envie um email.
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Email: elisabeth.cavalcante@gmail.com

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DISCURSO DE DISSOLUÇÃO DA ORDEM DA ESTRELA – KRISHNAMURTI

‎”Sustento que a Verdade é uma terra sem caminhos, e vocês não podem aproximar-se dela por nenhum caminho, por nenhuma religião, por nenhuma seita. Este é meu ponto de vista e eu o sigo absoluta e incondicionalmente… Se compreenderem isso em primeiro lugar, verão que é impossível organizar uma crença. A crença é uma questão puramente individual, e não podemos nem devemos organizá-la. Se assim o fizermos, ela morrerá, ficará cristalizada; tornar-se-á um credo, uma seita, uma religião para ser imposta aos outros. É isso o que todos no mundo inteiro estão tentando fazer!
A Verdade é confinada e transformada em um brinquedo para os fracos, para os que estão momentaneamente insatisfeitos. A Verdade não pode ser trazida para baixo; é o indivíduo que deve fazer o esforço de ascender até ela. Não podemos trazer o topo da montanha para o vale…
Apesar disso, vocês provavelmente formarão outras Ordens, continuarão a pertencer a outras organizações à procura da Verdade. Caso se crie uma organização com este propósito, ela irá tornar-se uma muleta, uma fraqueza, uma servidão e incapacitará o indivíduo, impedindo-o de crescer, de estabelecer sua unicidade, que jaz na descoberta por si mesmo daquela absoluta, incondicionada Verdade. Não se trata de nenhum feito magnífico, porque não quero seguidores, e é esse o meu propósito. A partir do momento em que seguirmos alguém, cessaremos de seguir a Verdade. Não me preocupo se estão prestando atenção no que estou dizendo ou não.
Quero fazer certa coisa no mundo e vou fazê-la com resoluta concentração. Estou preocupado com uma coisa essencial: libertar o homem. Desejo libertá-lo de todas as prisões, de todos os temores, e não fundar novas religiões, novas seitas nem estabelecer novas teorias e novas filosofias. Diante disso, naturalmente me perguntarão por que percorro o mundo todo, falando continuamente. Vou dizer-lhes por que faço; não porque desejo seguidores, nem porque desejo um grupo especial de discípulos especiais. Não tenho discípulos, nem apóstolos, seja na Terra, seja no reino da espiritualidade. Tampouco é o fascínio do dinheiro, nem o desejo de viver uma vida confortável que me atrai. Se eu quisesse viver confortavelmente, não viria para um acampamento ou viveria num país húmido! Estou falando francamente porque quero deixar isso bem claro de uma vez por todas.
Um jornalista que me entrevistou considerou um acto magnífico a dissolução de uma organização com milhares de seguidores. Ele disse que ‘Se não terá mais seguidores, não mais o ouvirão’…
Se houver apenas cinco pessoas dispostas a ouvir, a viver, com os rostos voltados para a Eternidade, será suficiente. Que adianta ter milhares que não compreendem, que estão completamente embalsamados em preconceitos, que não querem o novo, que só fazem traduzir o novo para adequar-se a seus próprios eus estéreis e estagnados!
Há dezoito anos vocês vêm preparando-se para este acontecimento, para o advento do Instrutor do Mundo. Por dezoito anos vocês organizaram, procuraram alguém capaz de dar um novo deleite a seus corações e mentes, de transformar suas vidas, de dar-lhes uma nova compreensão; alguém que os elevaria a um novo plano de vida, que lhes daria um novo encorajamento, que os libertaria – e agora, vejam o que está acontecendo! Considerem, pensem consigo mesmos e descubram de que maneira essa crença tornou-os diferentes – não superficialmente diferentes pelo fato de portarem uma insígnia, que é trivial, absurda. De que maneira essa crença afastou para longe todas as coisas não-essenciais da vida? Essa é a única maneira de julgar: de que maneira vocês estão mais livres, maiores, mais desafiadores para a sociedade que se baseia no falso e no não-essencial? De que maneira os membros desta organização tornaram-se melhores?
Vocês dependem para sua espiritualidade de outra pessoa, para sua felicidade, de outra pessoa, para sua iluminação, de outra pessoa… quando digo olhem para dentro de si mesmos para buscar a iluminação, a glória, a purificação e a incorruptibilidade do eu, nenhum de vocês se dispõe a fazê-lo. Devem existir alguns, mas são muito, muito poucos. Vocês se acostumaram a que lhes digam até que ponto avançaram, qual é seu status espiritual. Que infantilidade! Quem mais a não ser vocês próprios poderão dizer se são ou não incorruptíveis?
Mas aqueles que realmente desejam compreender, que estão buscando o eterno, sem princípio nem fim, caminharão juntos com maior intensidade, serão uma ameaça para tudo que não é essencial, para as irrealidades, as sombras… Minha única preocupação é tornar os homens livres, incondicionalmente livres”.
(J. Krishnamurti, discurso de dissolução da Ordem da Estrela)

SOBRE MEDITAÇÃO

“Temos alguma idéia a respeito do significado da oração; mas, o que é meditação? Esta é uma boa pergunta, pois a meditação é uma arte esquecida hoje em dia, e o povo cristão sofre dolorosamente por ignorar sua prática. Meditação é o ato de trazer à mente as várias coisas que se conhece sobre as atividades, os modos, os propósitos e as promessas de Deus; pensar em tudo isso, refletir sobre estas coisas e aplicá-las à própria vida. É a atividade de um pensamento santo, conscienciosamente apresentado diante de Deus, sob os seus olhos, com seu auxílio e como meio de comunicação com Ele.
Seu propósito é esclarecer nossa visão mental e espiritual de Deus, e deixar que sua verdade produza um impacto total na mente e no coração do indivíduo. É o modo de falar consigo mesmo a respeito de Deus e de si próprio; é, na realidade, um meio de raciocinar consigo mesmo em ocasiões de dúvida e apreensão até chegar ao claro entendimento do poder e da graça de Deus.
Essa meditação nos torna humildes, ao contemplarmos a grandeza e a glória de Deus e nossa insignificância e pecaminosidade, e nos dá coragem e segurança, confortando-nos, no velho e forte sentido bíblico do termo, enquanto contemplamos as riquezas insondáveis da divina misericórida manifestada no Senhor Jesus Cristo”.
(PACKER, J. I. “O conhecimento de Deus”. Ed. Mundo Cristão, p. 15)

O cristão deve atentar para, em nenhum momento, desviar a sua atenção e o seu pensamento daquilo que, de algum modo, agrada a Deus. Mesmo em suas atividades corriqueiras, cumpre manter o pensamento na presença do Senhor, buscando eliminar qualquer foco de resistência a Deus. O pecado em nossas mentes é o que nos afasta de pensar no Deus vivo, e obscurece a bendita comunhão divina, abrindo-se espaço para o pecar. “Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso que ocupe o vosso pensamento” (Filipenses 4.8)

Via Blog Do Seino

O perdão leva à vida. A falta de perdão é uma morte lenta….

O perdão leva à vida. A falta de perdão é uma morte lenta. O perdão é contínuo porque, uma vez que lida com o passado, transgressões constantes ocorrem no presente. Nenhum de nós passa por isso sem ter nosso orgulho ferido ou sem ser manipulado, ofendido ou machucado por alguém. Toda vez que acontece, isso deixa uma cicatriz na alma quando não confessado, perdoado e tratado diante do Senhor. Além disso, a falta de perdão também o separa das pessoas que você ama. Elas sentem um espírito de falta de perdão, ainda que não possam identificá-lo, e isso as deixa pouco à vontade e distantes. Você talvez esteja pensando: “Não tenho de me preocupar com isso porque não tenho ninguém a quem deva perdoar.” Mas perdão também é deixar de criticar os outros, lembrar que as pessoas, muitas vezes, são como são por causa do modo como a vida as moldou. É lembrar que Deus é o único que conhece toda a história e, por conseguinte, nunca temos o direito de julgar. Estar acorrentado pela falta de perdão o impede de receber a cura, a alegria e a restauração que existem para você. Estar libertado para receber tudo o que Deus tem para você, hoje e amanhã, significa desprender-se de tudo o que aconteceu no passado. Significa fazer uma oração de libertação.
(Stormie Omartian,
Livro: 7 Orações Que Vão Mudar Sua Vida, cap. III,
Editora: Thomas Nelson Brasil)

A MENINA E O MAR

Conta uma lenda que, muito antigamente, no tempo quando nem existia televisão ainda. Quando viajar era de trem e para poucos, e a vida era ganha com muita dificuldade. Era um tempo onde as crianças brincavam de jogar bola de gude nas calçadas de barro, empinar pipa e pique-pega. A vida passava tão lentamente que crescer durava uma eternidade. Telefone e farmácia se escrevia com “ph” e para ligar para uma pessoa, em outra cidade, era preciso pedir à telefonista, que se conhecia pelo nome, para completar a chamada.
Havia uma pequena menina que morava no interior, numa cidadezinha cujo nome, até hoje, nem consta nos mapas. Um lugar no meio do nada, longe de tudo, na verdade, chamar de “cidade” poderia ser considerado um exagero. Estava mais para um pedaço de estrada, com um pequeno conglomerado de casas humildes que eram utilizadas como armazéns, bares e uma pequena pousada para quem passava por ali de viagem. Mas tudo bem. Deixa como está! Vamos chamar de cidade assim mesmo.
Esta menina observava os viajantes chegarem à sua casa e falar sobre os lugares por onde passavam, contavam histórias da cidade grande, mas havia algo que sempre a deixou intrigada. Eles falavam de uma coisa chamada “mar”. Para uma menina acostumada com a poeira da estrada de chão e a sequidão do sertão, onde água, quando tinha, só na torneira ou na bica. Tentar conceber a imagem de um lugar cheio de água que cobria todo o horizonte, até onde os olhos podiam alcançar, era um misto de curiosidade, incredulidade e temor.
Aos poucos, dentro daquele pequeno universo, a pequena menina foi crescendo. Um dia brincar de boneca já não era tão interessante e a vida naquele bucólico vilarejo ficava chata demais com o passar dos dias. Seu único desejo era poder sair daquele lugar para conhecer o tal do mar. Ela sempre ouviu falar sobre o barulho que ele fazia quando quebrava suas ondas nas rochas, de como conseguia engolir embarcações gigantescas e até mesmo o sol todos os dias. Ela ouvia histórias dos tesouros que o mar escondia e dos peixes que poderiam ser maiores do que a sua própria casa. A menina ficava curiosa, tentando imaginar como as pessoas conseguiam atravessar de um país para outro através das suas águas. Era uma imagem grande demais para sua pequena mente alcançar, mas mesmo assim ela se apaixonava cada vez mais por aquele sentimento. Chegava até sonhar com o que poderia ser o mar ou, pelo menos, com o que ela achava que seria o mar.
Seu aniversário de 15 anos se aproximava e ela pediu ao pai para não fazer festa. Queria uma viagem de presente. Naquela época, uma moça fazer 15 anos, era um acontecimento com porte de desfile de feriado nacional com honras militares. Mas ela estava disposta a abrir mão daquele momento tão esperado por sua família, para realizar o grande sonho de sua vida. Conhecer o mar.
O pai não teve outra escolha, a não ser cumprir o desejo da filha. Afinal eles nunca haviam viajado para tão longe juntos, e era justo realizar o único pedido da pequena filha que estava virando moça.
Viagem preparada, passagens compradas no guichê da estação de trem. Teve até bandinha para se despedir da menina no dia do seu aniversário. Era uma longa jornada até chegar no litoral, mas a menina nem prestava atenção nas paisagens que iam aparecendo na janela do trem.
— Pai, você já viu o mar?
Perguntava a menina, tentado tirar o máximo de informações do pai para construir sua própria imagem do mar. E ele tentava descrever como podia, hora rindo, hora impaciente com a quantidade de perguntas sobre o mar.
A viagem levaria uns dois dias, mas ela não se importava, valia o sacrifício para ter o sonho realizado.
Chegando o grande dia, já estavam se aproximando do litoral. A menina eufórica nem quis passar no hotel, foi primeiro para a praia. A primeira lágrima escorreu dos olhos dela. Era lindo o que via, nada do que ela imaginou era tão grande e estonteante como o que ela estava vendo e presenciando naquele momento.
— Pai, eu posso chegar perto dele?
Perguntou a menina, ao pai, sem conseguir segurar as lágrimas misturadas com o sorriso mais radiante que ele já tinha visto nela. Antes que ele respondesse, ela já corria pela areia da praia tirando os sapatos.
Ela só queria chegar perto o suficiente para descobrir se a água era tão salgada e gelada quanto falavam. Ela já começava a sentir a areia molhada na sola dos pés e de repente, a euforia se misturou com um medo que ela nunca havia sentido antes. Todas as histórias que ela já tinha ouvido sobre o mar, até então, começaram a vir à sua mente ao mesmo tempo. A violência do barulho das ondas quebrando na areia a segurou por um momento até que, calmamente, a sobra de água de uma onda avançou pela areia e cobriu seus pés lentamente. Ela levou um susto, quis fugir, mas aqueles poucos segundos se eternizaram e a paralisaram enquanto a água escorria novamente para o mar fazendo cócegas na sola dos pés da menina.
O medo aos poucos se transformou em confiança e a menina tentou chegar mais perto do mar e o mar também se aproximava dela com ondas cada vez mais fortes. Ela teria que escolher entre não provar o mar ou molhar o único vestido que tinha ganho de aniversário. Até que, sem esperar, de repente, uma grande onda a cobriu e a molhou por completo. Pronto, já não havia mais o que escolher, a surpresa da onda a fez se entregar por definitivo àquela nova experiência.
A menina finalmente encontrou o mar e o mar a encontrou também.
Em nossas vidas também é assim: Nos relacionamos com Deus da mesma forma que esta menina se relacionava com o mar. Vivemos na sequidão e expectativa de encontrar um Deus que, às vezes, só conhecemos de ouvir falar. Ouvimos o testemunho de terceiros sobre suas experiências com a regeneração, cura e perdão experimentados em Deus. Nada do que imaginamos pode chegar perto do que Ele realmente é e significa mas, muitas vezes, quando temos a oportunidade de prová-lo e conhecê-lo de fato, temos medo de molhar nossa aparência. Perdemos, então, a oportunidade de vivenciar este poder de Deus em nossas vidas. Para experimentá-Lo precisamos nos envolver profundamente.
Conhecer Deus por inteiro é a maior experiência que alguém pode desejar e alcançar em toda a sua vida. Nada se compara ao seu poder e glória, nenhum oceano consegue ser maior ou mais profundo que o amor e perdão nEle encontrados para cada um de nós.
Buscá-lo, pode ser uma longa jornada, mas quando nos encontramos com a plenitude de Sua Glória não conseguimos deixar de tocá-lo ou ser tocados por Ele. Quando encontramos Deus, ao mesmo tempo somos achados por Ele. Algumas vezes somos pegos de surpresa por Deus e depois disto não há mais como voltar atrás.
Um dia, até mesmo o mar se rendeu à Palavra Viva de seu Criador. Quem tem poder para criar e dar ordens ao mar, tem poder para trazer abundância de água a qualquer deserto. Mais que o mar, quem o criou deseja transformar a sequidão do pecado e da morte em abundância de água viva de graça e misericórdia. Permita, hoje, que a onda do amor de Deus inunde sua alma e lhe traga vida.

O Deus que pairava sobre as águas te abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!

VIA
OVELHA MAGRA (Pr. Pablo Massolar).