DEUS OFERECE AGRADECIMENTOS A TI, QUE PRATICAS ASSIM O CUMPRIMENTO DO SEU VERBO. E, AO DAR A TUA MENTE ÀS IDÉIAS DO DIA MAIS UMA VEZ ANTES DE DORMIR, A SUA GRATIDÃO TE CERCA NA PAZ ONDE É A VONTADE DE DEUS QUE ESTEJAS PARA SEMPRE, A QUAL AGORA ESTÁS APRENDENDO A REIVINDICAR MAIS UMA VEZ COMO TUA HERANÇA.

Deus oferece agradecimentos a ti, que praticas assim o cumprimento do Seu Verbo. E, ao dar a tua mente às idéias do dia mais uma vez antes de dormir, a Sua gratidão te cerca na paz onde é a Vontade de Deus que estejas para sempre, a qual agora estás aprendendo a reivindicar mais uma vez como tua herança.

Que maneira mais bela de terminar essas introduções, em preparação para o período de revisão de dez dias, do que citar essa adorável passagem que nos lembra do Amor e gratidão de Deus, conforme abrimos nossas mentes e corações para recebermos Sua dádiva de Completeza, a dádiva do nosso Ser:
Deus oferece gratidão ao anfitrião santo que quer recebê-Lo e O deixa entrar e habitar onde Ele quer estar. E pelas tuas boas-vindas Ele também te dá boas-vindas em Si Mesmo, pois o que está contido em ti, que Lhe dás boas-vindas, é devolvido a Ele. E nós apenas celebramos a Sua Integridade quando damos boas-vindas a Ele em nós mesmos. Aqueles que recebem o Pai são um com Ele, sendo anfitriões para com Aquele Que os criou. E por permitir que Ele entre, a lembrança do Pai entra com Ele e com Ele aqueles que O recebem se lembram do único relacionamento que jamais tiveram e jamais querem ter (T-15.XI.9).

(Exercícios Comentados Kenneth Wapnick, Ph.D.)

É PRECISO MUDAR O COMPORTAMENTO?

Me parece bem difícil distinguir o nível de compreensão da realidade e da ilusão, na prática. Professores como Ken Wapnick e Gary Renard têm nos esclarecido que o perdão verdadeiro é realizado dentro da mente e não necessariamente se relaciona com o comportamento. Não precisamos deixar de fazer as coisas que todos fazem, como buscar segurança física, alimentar-se farta e saudavelmente, vestir-se bem, viver relacionamentos sexuais, etc. Ainda sim, a imagem que temos do perdão, em nossa cultura, é algo muito forte. No meu caso, sempre pareceu alguém ascético, que jamais diz “não” aos outros. Mas, embora possamos mudar a forma de nossa existência, conforme nos abrimos à condução do Espírito Santo, isso não é essencial. O que importa é se usamos o mundo pra celebrar em conjunto – independentemente da forma ilusória que escolhemos assumir. O comportamento é sempre secundário e, caso nos permitamos fluir, ganha a forma que melhor convier no momento.
(SRC: UCEM BRASIL)

O SILÊNCIO DA SALVAÇÃO: OUVINDO A MELODIA – 7 [Final]

[…] música silente do perdão, até que mesmo ela se vai, deixando apenas o verdadeiro silêncio no qual a criação é alegremente renascida no santo Nome do seu Criador:
Todas as pequenas coisas estão em silêncio. Agora, os pequenos sons são inaudíveis. As pequenas coisas da terra desapareceram. O universo não consiste de nada além do Filho de Deus, que invoca o seu Pai. E a Voz do seu Pai dá a resposta no santo Nome do seu Pai. Nesse relacionamento eterno e sereno, em que a comunicação transcende de longe todas as palavras e ainda assim excede em profundidade e altura tudo o que as palavras possam jamais transmitir, está a paz eterna. Em Nome do nosso Pai, hoje, queremos experimentar essa paz. E em Seu Nome, ela nos será dada (LE-pI.183.11).

O SILÊNCIO DA SALVAÇÃO: OUVINDO A MELODIA – 6

[…] Que Ele é o Filho de Deus. Você reconhece Seu toque
Em gentileza universal. Seu Amor
Estende-se a todos. Seus olhos olham para
O Amor de Deus em tudo o que Ele vê.
Nenhuma palavra além daquelas que a Voz de Seu Pai dita
Pode atingir Seus ouvidos. Suas mãos seguram para sempre
As de Seus irmãos, e Seus braços permanecem estendidos
Em santo acolhimento.
(As Dádivas de Deus, p. 95)
Esse, então, é o desafio a todos nós como estudantes de Um Curso em Milagres: não excluir ninguém do nosso perdão. Nossa prontidão para praticar essa lição reflete nossa disposição para silenciar os sons ásperos do ego e, portanto, despertar do sonho e voltar para casa. Apenas através da ausência de julgamento – refletindo a unicidade do Céu aqui – podemos deixar o sistema de pensamento do ego de separação, diferenciação e fragmentação.

Terminando o Sonho do Silêncio

Nossa oração a nós mesmos deveria ecoar as palavras de Lorenzo para Jessica, em O Mercador de Veneza, que pressagiam o que poderia ser o destino feliz de todos os nossos relacionamentos, se assim o escolhermos:
Aqui nós nos sentamos, e deixamos os sons da música
Deslizarem lentamente por nossos ouvidos: a quietude suave e a noite
Tornam-se os toques da doce harmonia. (V,i)
Portanto, nós realmente vemos cada um de nossos encontros diários como novas oportunidades de nos sentarmos em silêncio enquanto os sons suaves da música entram em nossos corações e mentes, docemente harmonizando nossos antigos relacionamentos especiais com a linda melodia que reflete nosso amor por Jesus, e o seu por nós. Esse silêncio resplandecente que termina com os sonhos de culpa e mal do ego é tocantemente retratado na segunda estrofe do poema de Helen, “Conversão”:
Existe um silêncio no qual a Palavra de Deus
Emanou um significado ancestral, e é quieta.
Nada permanece não dito nem não recebido.
Sonhos estranhos são lavados em água dourada do
Resplandecente silêncio da paz de Deus,
E o que era mal, subitamente se tornou
A dádiva de Cristo para aqueles que O chamam.
Sua dádiva final é nada além de um sonho,
No entanto, nesse único sonho, o sonhar é feito.
(As Dádivas de Deus, p. 61)
O sonho final é o perdão completo que desfaz a separação, e toca a todas as pessoas – as “boas” e as “más” da mesma forma, as vítimas e os vitimadores – em seu abraço curativo. Com os sons da batalha de separação pacificados, a áspera voz do especialismo silenciada, nossas mentes estão livres para reconhecer o Filho único Que Deus criou como a Si Mesmo. A canção da salvação re-entra em nossos corações que a culpa transformou em pedra, e uma melodia ancestral começar a fluir mais uma vez, anunciando nosso despertar do sonho de morte do ego. Os sons da terra se desvaneceram, e só por um instante mais longo, nós ouvimos a […]

O SILÊNCIO DA SALVAÇÃO: OUVINDO A MELODIA – 5

[…] não sente esse amor dentro de si. No entanto, se esse amor está realmente ali, como tem que estar em todos – “Nós somos mais humanos do que diferentes” -, então, tem que ser o medo desse amor que nos leva a nos defender contra ele, atacando – de forma ostensiva ou sutil – em pensamentos, palavras ou atos. Portanto, nós todos realmente sofremos o mesmo medo, defendendo-nos contra o amor, assegurando-nos de que permaneçamos separados, para sempre protegidos contra sua invasão.
A regra seguinte é um indicativo para nos guiar ao longo do caminho silente do não julgamento da salvação: Qualquer julgamento que façamos em relação à outra pessoa que também não faríamos em relação a todos vem do ego. Essa regra não tem exceção, pois o Amor de Deus não faz exceções. E, então, se formos tentados a julgar um Filho de Deus – figuras públicas ou pessoais em nossos sonhos individuais – como mau e além da redenção, precisamos parar e considerar se faríamos o mesmo julgamento em relação a Jesus, ou a qualquer outro símbolo de uma pessoa totalmente amorosa e livre do ego. De forma similar, se nós julgarmos Jesus como amoroso e bom – o Filho inocente de Deus -, iríamos excluir aquele que tornamos nosso símbolo do mal desse julgamento benevolente? Não pode ser que um Filho seja bom e outro mau, se a unicidade da criação de Deus vai ser trazida novamente à memória. Para nos certificarmos, dentro da ilusão do tempo existem diferenças, mas elas são inerentemente transitórias e, portanto, superficiais. Como Jesus diz sobre si mesmo: “não significa que eu seja de qualquer modo separado ou diferente de ti exceto no tempo, e o tempo realmente não existe” (T-1.II.4:1-3). E ele acrescenta: “Todos os meus irmãos são especiais” (T-1.V.3:9), o que claramente significa que somos todos especiais, juntamente com ele, portanto, anulando o uso exclusivista comum da palavra.
Uma vez que o amor é perfeita unicidade, nossa defesa contra esse amor é ver apenas a separação e as diferenças – a marca do especialismo -, no entanto, quando as portas da percepção estão purificadas, para usar uma frase evocativa de William Blake, será esse medo do amor que podemos reconhecer, em nós mesmos e em todas as pessoas. Para ouvir esse chamado universal, precisamos apenas estar quietos e ouvir o lamento por trás das palavras, sentir o desespero de desesperança além dos sintomas. Nossos sistemas de crenças diferentes são, no final das contas, irrelevantes para essa nova visão, pois eles não são nada além de veículos que usamos para transmitir a resposta subjacente de amor. E então, para ouvir essas canções de amor ou de medo, e apenas elas, nós precisamos estar quietos interiormente, para virmos sem necessidades até as figuras de nosso sonho. Nesse silêncio interior, nós reconhecemos que todos temos as mesmas duas melodias fluindo através de nossas mentes, determinando o que pensamentos, sentimos e fazemos. Portanto, precisamos esperar pacientemente, e a verdadeira paciência nasce da certeza do resultado (MP-4.VIII). A cura acontece quando somos capazes de lembrar aos outros que o amor espera quietamente além das nuvens de culpa, medo e ataque, e tudo o que eles precisam fazer é ser essa presença de quieta paciência. Eles realmente não fazem nada além de ser quietos.
Nesse silêncio, além das necessidades que distorcem a percepção, nós chegamos a entender que o que parecem ser problemas ou patologias são apenas formas especiais de medo, o mesmo medo do amor que se esconde em cada um de nós. Na extensão em que acreditarmos nessa identidade, vamos temer a melodia do perdão que recorda à mente – literalmente – a canção que o nosso Ser verdadeiro ainda canta para todos os que cruzam o nosso caminho, e que antes procuramos excluir do amor, assim como procuramos excluir a nós mesmos. No entanto, na presença da canção de amor sem som, o barulho discordante de identidades separadas e egoístas precisa se desvanecer e desaparecer. A visão de Jesus veio para substituir o julgamento do ego, e nós incluímos todas as pessoas – “em santo acolhimento” – em nosso abraço de perdão, emulando o Cristo do primeiro poema de Helen, “A Dádiva do Natal”:
Cristo não ignora ninguém. Dessa forma, você sabe […]

O SILÊNCIO DA SALVAÇÃO: OUVINDO A MELODIA – 4

[…] decisão da mente pelo ego que é a doença ou o problema, desfazer essa decisão, escolhendo o Espírito Santo como Professor é a única cura. É por isso que Jesus pede que o tomemos como nosso modelo de aprendizado (e.g., T-5.II.9-12), e, no poema de Helen, “Uma Oração a Jesus”, nós rezamos para nos tornarmos como ele, o que viver no silêncio da cura nos traz:
Uma criança, um homem e então um espírito. Assim
Eu sigo no caminho que Tu me mostraste
Para que eu possa, finalmente, ser como Tu.
O que além de semelhante a Ti eu iria querer ser?
Há um silêncio onde Tu falas comigo
E me dás palavras de amor para dizer por Ti
Para aqueles que Tu me envias. E eu sou abençoada
Porque, neles, vejo a Ti brilhando.
(As Dádivas de Deus, p. 82)
Nos tornarmos como Jesus, portanto, significa sermos silentes ao ego – mudos e cegos – para que possamos ouvir o radiante silêncio de Deus. Nesse silêncio, as palavras são sem significado, pois o amor transcende o específico e, portanto, não pode ser conhecido pelo corpo, mas apenas pela mente que escolheu deixar o sonho – mesmo que apenas por um instante -, e se reunir à unicidade que está além da separação do ego. Portanto, nós lemos no livro de exercícios outra referência à inadequação das palavras para expressar a natureza inefável da salvação:
A Unicidade é simplesmente a idéia de que Deus é. E no Que Ele É, Ele abrange todas as coisas. Não há mente que contenha algo que não seja Ele. Dizemos: “Deus é” e então deixamos de falar, pois nesse conhecimento as palavras são sem significado. Não há lábios para pronunciá-las e nenhuma parte da mente é distinta o suficiente para sentir que agora está ciente de algo que não seja ela mesma. Ela se uniu à sua Fonte. E, como a própria Fonte, meramente é.
Não podemos falar, escrever ou mesmo pensar sobre isso de modo algum. Vem a cada mente quando o reconhecimento total de que a sua vontade é a Vontade de Deus tiver sido completamente dado e completamente recebido (LE-pI.169.5; 6:1-4).
Em resumo, enquanto estivermos no mundo, o julgamento é inevitável. Nosso ataque a outros é a norma, sem o qual não acreditamos poder sobreviver. E, então, nós andamos pela terra como seres separados, vendo todos como separados também. A inocência do Filho de Deus se torna encoberta por véus de julgamento, e a silente melodia de amor do Céu é abafada pelos sons estridentes do mundo de diferenças e ataque. No entanto, segurando a mão de Jesus, os gumes afiados do sistema de pensamento do ego se dissolvem, e estamos suavemente quietos, repousando em sua presença e compartilhando sua visão de não julgamento e amor. Como ele nos diz em uma linha freqüentemente citada sobre o perdão:
O perdão… é quieto, e em sua quietude, nada faz… Ele meramente olha, e espera, e não julga (LE-pII.1.4:1-3).

Julgar um é julgar a todos

Mais uma vez, o julgamento e inevitável e irrevogável para todos nós que vagueamos pelo mundo, “incertos, solitários e em medo constante” (T-31.VIII.7:1), e, então, qual é a forma da mente certa de olhar para o julgamento – nosso ou dos outros? Se nós virmos nossos ataques como vindo do medo do amor, esses só podem ser defesas, não importando a forma que assumam. Afinal, ninguém que aceite o amor interior jamais poderia atacar qualquer outra pessoa. Isso seria impossível. Portanto, podemos concluir que uma pessoa que ataca outra […]

O SILÊNCIO DA SALVAÇÃO: OUVINDO A MELODIA – 3

[…] aprender a abrir mão do julgamento. Esse princípio fundamental da salvação nos capacita a ouvir os outros, em silêncio emudecido, cegos aos julgamentos do ego, e ofuscados pelo pedido fervoroso das pessoas para que seja provado a elas que estão erradas em relação às pré-concepções dos seus problemas e, na verdade, de seus próprios seres. Ao liberarmos as barreiras do julgamento que impedem a comunicação, a crença em interesses separados é desfeita. As formas dos problemas se foram, para que possamos olhar para o conteúdo único da separação. A cura ocorre conforme espelhamos uns para os outros o propósito compartilhado da salvação: ouvir a melodia esquecida e nos lembrarmos do amor que é nosso Ser verdadeiro e compartilhado.
Para que essa cura aconteça, é necessário que mudemos completamente nossa perspectiva sobre o mundo e a natureza de seus problemas múltiplos. Através de todo Um Curso em Milagres, Jesus nos diz que só existe um problema: a decisão de acreditarmos na separação do ego; e uma solução: mudarmos nossas mentes para acreditarmos na Expiação do Espírito Santo. Isso é tudo. Esse é o conteúdo que está sob todas as preocupações e soluções que o mundo apresenta, e acreditar em qualquer forma particular de problema ou solução é concordar com a primeira lei do caos do ego: existe uma hierarquia de ilusões (T-23.II.3:1-3). Dessa forma jaz a loucura, para citar Rei Lear, pois isso nos leva ainda mais profundamente para dentro do sistema de pensamento insano do ego de separação, diferenciação e especialismo. No entanto, sob a orientação firme, mas gentil de Jesus, somos levados de volta dos espasmos da loucura para sua sã abordagem à doença: todos os sintomas não são nada além de pedidos de ajuda e de cura – o lembrete de que nenhum pensamento de separação, culpa ou ataque tem o poder de tirar o Amor de Deus de nós. Portanto, nós podemos lembrar nossos irmãos e irmãs doentes de que eles simplesmente escolheram de forma errada, mas, com a mesma facilidade, podem escolher novamente – o amor ao invés do medo, a paz ao invés do conflito, a vida ao invés da morte. Como lemos em “A Função do Professor de Deus”, do manual:
O professor de Deus vem a eles [os doentes] para representar uma outra escolha, aquela que haviam esquecido. A simples presença de um professor de Deus é um lembrete. Os seus pensamentos solicitam o direito de questionar o que o paciente aceitou como verdadeiro. Como mensageiros de Deus, os Seus professores são os símbolos da salvação. Eles pedem ao paciente perdão para o Filho de Deus em seu próprio Nome. Eles representam a Alternativa. Com o Verbo de Deus em suas mentes, eles vêm para abençoar, não para curar os doentes, mas para lembrar-lhes do remédio que Deus já lhes deu. Não são as suas mãos que curam. Não é a sua voz que profere o Verbo de Deus. Eles meramente dão o que lhes foi dado. Com muita gentileza apelam para os seus irmãos para que se afastem da morte. “Contempla tu, Filho de Deus, o que a Vida pode te oferecer. Escolherias a doença em lugar disso?” (MP-5.III.2).
Se o problema é nós termos escolhido como nosso professor os gritos estridentes de separação do ego – pecado, culpa, medo e morte –, então, a cura da salvação é a silente melodia de Expiação do Espírito Santo. Esse, novamente, é o conteúdo subjacente a todos as formas que só parecem ser os instrumentos de cura. É no silêncio além das palavras que a cura realmente acontece, como vimos acima que a verdadeira música é encontrada no silêncio entre as notas. Portanto, Jesus realmente nos instrui sobre a irrelevância das palavras:
Estritamente falando, as palavras não têm qualquer papel na cura… Deus não compreende palavras, pois foram feitas por mentes separadas para mantê-las na ilusão da separação (MP-21.1:1-2,5-7).
Nós somos repetidamente instruídos em Um Curso em Milagres de que a salvação (o perdão, o milagre, a Expiação) é desfazer, e não envolve qualquer intervenção comportamental, tais como palavras ou orações que possamos fazer por outra pessoa. Uma vez que é apenas a [….]

O SILÊNCIO DA SALVAÇÃO: OUVINDO A MELODIA – 2

[…]
O objetivo do nosso currículo, não como a meta do aprendizado do mundo, é o reconhecimento de que o julgamento, no sentido usual é impossível. Isso não é uma opinião, mas um fato. De modo a julgar qualquer coisa acertadamente, a pessoa teria que estar inteiramente ciente de uma escala inconcebível de coisas passadas, presentes e por vir. A pessoa teria que reconhecer antecipadamente todos os efeitos dos seus julgamentos sobre todas as outras pessoas e coisas nele envolvidas de alguma forma. E a pessoa teria que estar certa de que não há nenhuma distorção na sua percepção, de modo que o seu julgamento seja totalmente justo em relação a todos aqueles sobre os quais recai agora e no futuro. Quem está em posição de fazer isso? Quem, a não ser em grandiosas fantasias, poderia reivindicar isso para si mesmo?… A sabedoria não está em julgar, está no abandono do julgamento. Faze, então, apenas um julgamento a mais. É o seguinte: há Alguém contigo Cujo julgamento é perfeito. Ele conhece todos os fatos passados, presentes e por vir. Ele na verdade conhece todos os efeitos do Seu julgamento sobre todas as pessoas e todas as coisas nele envolvidos de qualquer forma. E Ele é totalmente justo para com todos, pois não há distorção na Sua percepção (MP-10.3;4:6-13).
O que nós podemos saber, entretanto, é que a cura das necessidades de outra pessoa é o que nós precisamos: o desfazer da falsa crença na separação. Em outras palavras: “Perceber a cura do teu irmão como a tua própria é… a maneira de lembrar de Deus” (T-12.II.2:9). Abandonar o julgamento – a arma do ego de separação por excelência – é, portanto, o meio de ser curado, pois isso restaura à consciência a necessidade compartilhada e o propósito dos Filhos separados de Deus. Na realidade, como Jesus nos diz, essa é a essência do seu curso (MP-9.2), pois o verdadeiro julgamento não é possível para uma mente dividida.

“Mudo, cego e ofuscado”: Curando com Jesus

O grande poeta do início do século vinte, Rilke, emoldura nossa discussão em seu poema “Gongo”. Esse é um entre o grande número de poemas franceses que esse poeta tcheco escreveu, embora seus maiores trabalhos estejam em alemão. Aqui está a segunda estrofe:
Nós precisamos fechar nossos olhos, renunciar nossas bocas,
permanecermos mudos, cegos e ofuscados:
com um espaço totalmente abalado, o que nos toca
não quer mais do nosso ser do que atenção.
É o silêncio dos nossos sentidos – mudo, cego e ofuscado – que nos permite ser sem
julgamentos, e atentos ao choro melancólico dos outros. É o silêncio da verdadeira unicidade que nos permite ouvir a resposta: ouvir o pedido de amor de outra pessoa como o nosso próprio ecoa a verdade além de toda a vida aparentemente distinta. Essa premissa da unidade fundamental é a base, por exemplo, do cerne dos ensinamentos do budismo: compaixão por todos os seres suscetíveis. Além das distinções feitas entre certo e errado, ou bom e mal, repousa a simples verdade – nas palavras de Harry Stack Sullivan, o fundador da escola de Psiquiatria Interpessoal: Nós somos mais humanos do que diferentes. Esse atributo comum à existência humana é o sofrimento que compartilhamos, e é à dor inerente à vida aqui que precisamos prestar atenção. Não reconhecida, a fonte dessa dor – culpa – permanece nas sombras da nossa mente, para ser continuamente projetada em formas disfarçadas que impedem seu desfazer. Essas formas todas contêm julgamentos – de outros ou de nós mesmos -, e esses pensamentos que não perdoam protegem a culpa que foi projetada para fora (LE-pII.1.2:4). Um axioma em psicoterapia afirma que uma pessoa não pode compreender quando julga; o julgamento é a projeção sombria da separação que mantém as pessoas à parte umas das outras, enquanto a compreensão reflete a luz da verdadeira comunicação que nos une; o significado etimológico, incidentalmente, da palavra religião. Portanto, aprender a ouvir significa […]

O SILÊNCIO DA SALVAÇÃO: OUVINDO A MELODIA – 1

[…]

Jesus e o Abandono do Julgamento

Meu artigo “Aprendendo a Ouvir”, no Lighthouse de setembro de 2003, focalizou-se na importância de deixarmos de lado nossas necessidades pessoais (leia-se: especiais), para que possamos ser verdadeiramente capazes de ouvir os pedidos de ajuda e amor de outra pessoa, e responder a eles e aos nossos próprios pedidos também. Eu me referi lá, à metáfora do silêncio na música, e, a sermos capazes de ouvir o “silêncio entre as notas”, para citar o grande violonista Isaac Stern. Esse artigo também teve algum paralelo com meu workshop de 2003, “Cura: Ouvindo a Melodia”. Nesse artigo atual, gostaria de revisitar a idéia de ouvir outra pessoa, enfatizando a impossibilidade de fazer isso enquanto julgamos. Em paralelo a isso, é claro, está o tema importante em Um Curso em Milagres de pedir a ajuda do Espírito Santo, ou olhar para Jesus como nosso modelo de aprendizado.
Além disso, a época de Natal é sempre uma boa oportunidade para nos lembrarmos da importância de nos voltarmos para Jesus, especificamente para aprendermos a ser como ele, deixando de lado os julgamentos do nosso ego, permitindo que seu lugar seja tomado pela visão radiante de perdão e amor de Jesus. Em 1975, Jesus deu uma mensagem importante a Helen, uma que eu freqüentemente cito como um aviso aos estudantes sobre pedir ajuda específica a Jesus para problemas específicos, mesmo quando, no caso dela, o desejo sincero for estar a serviço de outra pessoa. Helen perguntou a Jesus o que deveria dizer a alguém que estava lidando com uma situação difícil. Essa foi a resposta:
Não se esqueça de se você tentar resolver um problema, é porque o terá julgado por si mesma e, então, terá traído seu papel apropriado. Lembre-se, você não precisa de nada, mas tem um estoque inesgotável de amor para dar. Mas ensine essa lição apenas para si mesma. Seu irmão não vai aprendê-la de suas palavras ou dos julgamentos que você depositou sobre ele. Você não precisa nem mesmo dizer uma palavra a ele. Você não pode perguntar, “O que eu devo dizer a ele?” e ouvir a resposta de Deus. Ao invés disso, peça, “Ajude-me a ver esse irmão através dos olhos da verdade e não do julgamento”, e a ajuda de Deus e de Seus anjos vai responder (Ausência de Felicidade, p. 381)
Nós devemos voltar agora a essa idéia importante de que não são nossas palavras que ensinam outros, mas a demonstração do nosso amor livre do ego, o amor que Jesus simboliza para nós. Portanto, ele realmente quer que nós todos peçamos sua ajuda para ouvirmos como ele ouve, e, então, respondermos de forma não julgadora – com amor ao invés de ataque, visão e não julgamento. As implicações aqui são claras. Uma vez que não existe forma de sequer podermos saber o que outra pessoa realmente precisa, precisamos nos focalizar apenas em nós mesmos; especificamente em tirarmos nosso ego do caminho. Só a arrogância do ego nos levaria a acreditar que poderíamos saber quais são os melhores interesses dos outros, e, portanto, como deveríamos responder verbalmente ou em forma de comportamento. Esse ponto evidente é ressaltado na seguinte passagem do manual para professores: […]

O SILÊNCIO DA SALVAÇÃO: OUVINDO A MELODIA – INTRODUÇÃO

O SILÊNCIO DA SALVAÇÃO: OUVINDO A MELODIA

(Volume 16, número 4, dezembro de 2005)

Kenneth Wapnick, Ph.D.

Tradução: Eliane Ferreira de Oliveira

Jesus e o Abandono do Julgamento

[…]

Identifique-se Com O AMOR

Identifique-se Com O AMOR

“O princípio da Expiação significa que não importando o que aconteça conosco, ou com aqueles com quem nos identificamos em nosso mundo pessoal, ou no mundo mais amplo, nada aqui tem o poder de tirar a paz de Deus de nós. Essa paz, nascida da memória do Amor do nosso Criador, está totalmente além do poder de qualquer força externa de afetá-la: nada fora de ti pode ferir-te, perturbar atua paz ou transtornar-te de modo algum (LE-pI.70.2:3-4). O mundo certamente tem poder sobre nossos corpos, mas não pode tocar a mente. Seria como acreditar que uma marionete pode afetar o titereiro, ou que um computador possa mudar seu programador… Portanto… estamos a salvo para estarmos em qualquer lugar, com qualquer um, em qualquer situação, e descansar seguros na paz de Deus e no pensamento de que estamos a salvo dentro do Seu Amor:
Completamente imperturbável, esse pensamento te carregará através das tempestades e da discórdia, além da miséria e da dor, além da perda e da morte, e mais adiante em direção à certeza de Deus. Não há sofrimento que ele não possa curar. Não há problema que ele não possa resolver… e enquanto o mundo é dilacerado por ventos de ódio, o teu descanso permanece completamente imperturbado. O teu descanso é o da verdade (LE-pI.109.3:1-5;4:1-3)“.