O PARADIGMA DO EMPREGO (DeRose)

O PARADIGMA DO EMPREGO
DeRose

Que época rica em almas inspiradas! Alexandre Dumas, Victor Hugo, George Sand, Honoré de Balzac, Lizst… Esses e tantos outros, todos juntos numa só época e num só lugar!
Balzac já havia escrito uma carrada de livros, era o mais lido em Paris e suas obras um sucesso pelo mundo afora. A essa altura sua mãe lhe disse: “Honoré, você não nasceu para escrever. Maldita hora em que enfiou essa idéia na cabeça. Você deveria ter um emprego regular e receber um salário, ao invés de viver cheio de dívidas e ser insultado nos jornais pelos críticos que o ridicularizam com suas caricaturas!” Até a Igreja colocou o nome de Balzac na lista negra, considerando seus livros perniciosos. Balzac, o herege, o maldito.
Ah! Se Balzac tivesse ouvido sua mãe… Ah! Se eu tivesse ouvido a minha mãe… Hoje a literatura não teria La Comédie Humaine e eu seria um empregado numa empresa qualquer. Não teria escrito mais de vinte livros, não teria viajado o mundo todo tantas vezes, não teria mudado para melhor a vida de tanta gente. Teria me limitado a trabalhar para viver e viver para trabalhar como as legiões de empregados infelizes, sem motivação, que viveram e morreram sem nunca saber a que vieram ao mundo. Nesta idade, provavelmente, eu estaria velho, pobre e doente, como em geral estão os empregados nessa fase da vida, ansiando por uma aposentadoria que, longe de ser libertadora, constituiria o prenúncio do fim.
Mas, se a instituição do emprego é nociva, por que nossos pais nos aconselham a sermos empregados? Pior: eles nos doutrinam, pressionam e, muitas vezes, obrigam a esse destino desafortunado e sem perspectivas.
Conscientize-se desta realidade humilhante. Um amigo pergunta: “O que o seu filho faz?” E o pai tem que responder: “Ele é um empregado.” Numa situação assim embaraçosa, é normal que esse genitor justifique: “Mas ele está muito bem. É uma carreira de futuro. Uma grande empresa.” (Com sorte e se trabalhar direito, dentro de vinte anos ele poderá estar ganhando bem, se não for despedido antes.)
Quando escuto isso sinto como se o pai de um escravo no Império Romano estivesse respondendo: “Meu filho é escravo. Mas ele está muito bem. Trabalha para um rico senhor, muito conceituado.”
E se o filho ou filha encontra um caminho melhor, instala-se em casa um clima de tragédia e tortura psicológica. Mas os pais não querem justamente o bem dos seus filhos?
Querem. Contudo, são condicionados pelo Sistema e acham honestamente que o melhor é ser empregado.
PRIMEIRO PARADIGMA: O SISTEMA DE ESCRAVAGISMO
Os historiadores estimam que nos últimos 50.000 anos, desde o período pré-histórico até o final do século XIX, o escravagismo era um princípio aceito e praticado por quase todos os povos. Pode-se declarar, então, que a humanidade sempre explorou a escravatura e que a supressão dela no século XX foi um pequeno espasmo, um soluço na história laboral. Era considerada uma prática natural, pois, se não fossem os escravos, quem construiria as grandes obras e quem trabalharia nas residências? O trabalho escravo parecia ter todas as vantagens e sempre contou com o beneplácito da religião. Mesmo pessoas tidas como bondosas e inteligentes não viam nada demais em ter escravos.
SEGUNDO PARADIGMA: A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
Num dado momento, ocorreu um espasmo de transição reforçado, em grande parte, pela revolução industrial. A maior parte das nações e todos os intelectuais, repentinamente, despertaram da sua letargia e declararam-se contra a escravidão. A nova onda era o emprego! O que eles não confessaram – talvez nem se tenham dado conta – é que a legião de empregados era apenas uma leve adaptação do sistema de escravagismo. Ninguém quis reconhecer que a instituição da mão de obra descartável beneficiava a todos, menos aos empregados que eram explorados para que o Sistema se mantivesse em movimento. Sem a massa anônima de empregados, as indústrias não funcionariam; o comércio entraria em colapso; e os serviços, quem os faria? Portanto, o melhor sempre foi usar um tapa-olho e enxergar só a metade que convinha à sociedade. Nessa ótica, os empregados são como os soldados de um exército. Os generais sabem que os soldados estão ali para ser sacrificados. Antes de uma batalha são avaliadas as expectativas de baixas: 30%, 50%, 70% – mas a batalha precisa ser ganha. Para a instituição militar, se o comandante tivesse pena de enviar seus comandados para a carnificina, estaria subvertendo o Sistema e seria, ele próprio, sacrificado. Na instituição do emprego é a mesma coisa. Os empregados ganham mal, são humilhados, contraem doenças laborais e vivem na corda bamba, já que a qualquer momento podem ser demitidos. E o serão, indiscutivelmente. Todo empregado já esteve desempregado e sabe que o estará outras vezes. Então, por que cargas d’água nossos pais nos empurram para esse destino impiedoso? Porque toda a sociedade tem que ser condicionada, mediante uma verdadeira lavagem cerebral sistemática, a considerar que a única opção é ser empregado.
É a mesma coisa com o militarismo. É melhor achar bonito um batalhão marchando ao som de hinos marciais, com seus uniformes e armas viris; é melhor louvar o heroísmo e condecorar os mortos. Porquanto, se questionássemos isso, o que poríamos no lugar? Como garantiríamos a soberania nacional? Como defenderíamos nossos lares?
Assim, mandamos nossos filhos para o sacrifício do emprego, um verdadeiro holocausto, achando que é para o bem deles. Não é. É para o bem da sociedade, que se nutre das vidas dilaceradas de tantos jovens que são obrigados a humilhar-se por um salário ofensivo, em um emprego sem segurança. Mas, se não tem segurança, por que nossos pais aplicam o chavão “a segurança de um emprego”?
É sabido que as empresas demitem. É sabido que se você for demitido com mais de trinta anos de idade será difícil conseguir outra colocação. Com mais de trinta e cinco será quase impossível. Conheço profissionais capacitados, com vários diplomas, que ficaram desempregados por vários anos. Por que ocorre isso? Primeiro, porque o Sistema educa as pessoas para ser empregadas como ideal de vida. Os cursos técnicos e as faculdades todos os anos despejam milhões recém-formados no mercado de trabalho. Isso cria uma oferta maior que a procura, o que desvaloriza o profissional e o obriga a aceitar condições indignas. Segundo, porque um recém-formado tem mais entusiasmo, dedica-se mais, exige menos regalias e aceita um salário mais modesto. Tudo isso, porque ele é jovem, cheio de esperanças, está ali para vencer e quer tomar o lugar dos mais antigos. Como vantagem adicional, tendo sido formado mais recentemente, deve estar mais atualizado. Quem você acha que o empregador vai preferir? O veterano que tem quase dez anos de casa, está mais velho, mais acomodado, já tem família, precisa ganhar mais, exige regalias e não aceita certas tarefas nem hora extra. Quem você acha que o empregador vai preferir? Isso mesmo. Qualquer um escolheria o mais novo. A tão propalada segurança do emprego é uma balela.
TERCEIRO PARADIGMA: A OBSOLESCÊNCIA DA RELAÇÃO PATRÃO/EMPREGADO
Em pleno século XXI, podemos afirmar sem margem de erro que o conceito de emprego e a relação patrão/empregado estão obsoletos. Ainda vão durar bastante, pois a mudança de paradigma demora muito para se processar. Contudo, hoje já existem plenas condições de sucesso para os jovens que optarem por carreiras não convencionais. Aliás, é onde se encontram as maiores e melhores oportunidades.
Fazer faculdade é importante, mas só para quem quer ser empregado.
Acontece que toda a sociedade está estruturada para produzir um contingente humano que constitua força de trabalho. Por isso, desde pequenos sempre escutamos: “Você tem que estudar para conseguir um bom emprego.” Tudo gira em torno disso. Emprego para o homem e casamento para a mulher. Até parece que estamos escrevendo no início do século passado! No entanto, as coisas continuam assim. É como os cadarços dos sapatos. Há mais de meio século, quando eu ainda era criança, lançaram os primeiros calçados sem cordão. Eram os sapatos de fivela. Tempos depois introduziram o elástico. Depois, o velcro. Depois, o zíper. E até hoje a maior parte dos sapatos continua usando os absurdamente unpractisch cadarços que dão trabalho para calçar, para descalçar e desamarram-se o tempo todo, fazendo crianças e adultos tropeçar e cair. Por que continuam usando uma coisa dessas, trabalhosa, sem praticidade e perigosa, ao invés de substituí-la por alguma das muitas alternativas mais modernas? A explicação é que o humanóide demora a incorporar as mudanças.
Com a universidade é a mesma coisa. Antigamente, poucos tinham o privilégio de estudar. O diploma era cobiçado. Os tempos mudaram, não obstante, ainda hoje é assim, especialmente para aqueles que não puderam estudar na época em que ter diploma era chique. Naquela época era um diferencial. Hoje todo o mundo tem diploma. E ele não vale mais nada. Foi banalizado. Quem cursa uma faculdade “para conseguir um bom emprego” vai ficar desempregado se não fizer uma pós-graduação no exterior, mestrado, doutorado, especializações, etc. Isso custa caro. Custa tempo. Anos verdes de vida, anos preciosos de início de carreira na juventude. Quando o brilhante e esforçado estudante consegue ingressar no mercado de trabalho terá perdido tanto tempo que jamais aprenderá a ganhar dinheiro, como o aprenderam aqueles que, sem diploma algum, começaram a trabalhar em tenra idade.
Estaríamos pregando que os jovens deixassem de estudar? De forma alguma. Mas defendemos o direito de quem quiser estudar para ser empregado numa carreira comum, que o seja; mas, por outro lado, que respeitemos a liberdade de escolha de quem quiser seguir uma carreira nova, criativa, inusitada, que o realize e gratifique mais. Ainda que seja a de saxofonista ou a de instrutor de Yôga!

VIA BLOG CONSCIENCIA “EU SOU!”

LIVRO RECOMENDADO: “Um Guia Para O Perdão: Leitura Sobre O Perdão Verdadeiro De Acordo Com Um Curso Em Milagres” (GRUPO MERA)


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Disponível também em:

Araras/SP – Livrarias Nobel e Eureka, Sebo Dr. Anselmo, Farmácias Naturista e Nova Era
Belo Horizonte/MG: Livraria Dharma – Av. Getúlio Vargas, 1624 – Lj. C7 – Piso Superior – Savassi
Campinas/SP – Livraria Elo Místiko e Livraria Cultura – Shopping Iguatemi
Divinópolis/MG – Celso Livros através do e-mail: celsolivros@hotmail.com
Limeira/SP – Livraria Catedral
Rio Claro/SP – Livrarias Eureka
Salvador/BA – UCEM-Bahia – através de e-mail para Ana Fernandez: aninhafernandez123@hotmail.com
São José do Rio Preto/SP – Livrarias Nobel, Planalto, Espaço, Emanuel e Empório Cultural.
São Paulo/SP – Livraria Cultura – Conjunto Nacional – e através de e-mail para Marina Oliveira: mmontemol@gmail.com
ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA – através de e-mail para Maria João Fajardo: mariajoaofajardo@gmail.com

Um Guia Para O Perdão
Leitura Sobre O Perdão Verdadeiro De Acordo Com Um Curso Em Milagres

Este livro foi idealizado por causa das observações feitas pelas autoras sobre as dificuldades que todos temos com relação ao conceito de perdão perfeito – ensinado pelo UCEM – e, principalmente, com a aplicação deste.
As autoras, cada uma em sua trajetória, constataram que a própria conceituação para elas foi sendo modificada, aprofundada, e que essa modificação nem sempre envolve palavras, mas sempre envolve experiência. E experiência é o que compilam aqui. Cada um dos exemplos descritos faz parte da vida das três autoras; são situações em que os ensinamentos do UCEM se concretizaram para elas, por isso a importância de descrevê-las.
É importante enfatizar, no entanto, que a leitura e a assimilação dos conceitos neste livro não serão suficientes, pois é sempre a vivência da experiência, ou seja, a prática do exercício do perdão que nos conduz à meta principal: a paz da mente.
Este livro não se atém à conceituação ou à explicação do que é o UCEM, pois isso tem sido feito por autores sérios e capazes nos últimos vinte anos.
Em momentos específicos na leitura, encontram-se sugestões de exercícios práticos já testados por elas e por algumas centenas de alunos que fizeram o curso para facilitação do Um Curso em Milagres, ministrado pelas mesmas, no Grupo Mera. São exercícios propostos para ajudarem a acalmar a mente com relaxamento, assim como podem ser considerados estratégias para facilitarem a assimilação dos conceitos. Com a intenção de ser efetivamente um recurso didático, alguns assuntos são revistos periodicamente nesta obra.
De forma alguma, este livro se destina a ser um substituto para o estudo do Um Curso em Milagres. Ele é, antes disso, um incentivo a esse estudo e sua prática.

“O perdão ensinado por Um Curso em Milagres não é o mesmo perdão que conhecemos no mundo. Todo aprendizado necessita de motivação. O Curso ensina que o perdão é um processo, por isso, focamos primeiro na vantagem de iniciarmos esse processo: a paz da mente. À primeira vista, essa pode não parecer uma motivação muito atraente, mas, quando paramos para ver o que signifi­ca, isso muda. Podemos começar pensando em como são nossos dias. Estamos sempre tranquilos, com poucas preocupações? Normalmente ninguém permanece calmo por um grande período. Podemos constatar no mundo atual que a grande maioria das pessoas permanece agitada e preocupada durante boa parte de sua vida.
Como vimos antes, nosso mundo é um mundo de percepção. Nosso estado emocional é, então, resultado de nossas percepções. E estas são decorrentes de pensamentos. Sendo assim, podemos concluir que nossas mentes não andam muito em paz.
Esse é um raciocínio inicial para que nos sintamos motivados a aprender o perdão ensinado por Um Curso em Milagres.”
(Trecho do livro: Um guia para o perdão – leitura sobre o perdão verdadeiro de acordo com Um Curso em Milagres)

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O EANGELHO DE TOMÉ – ORIGINAL

O EVANGELHO DE PURSAH E TOMÉ

Essas são as palavras secretas de Jesus, o vivo, que foram escritas por Didymos Tau’ma (Tomé (Tomás), o gêmeo)

1. E ele disse: “Quem descobrir o sentido dessas palavras, não provará a morte”.
2. J disse: “Aquele que procura, não cesse de procurar até achar; e, quando achar, será estupefato; e, quando estupefato, ficará maravilhado – e, então, terá domínio sobre tudo”.
3. J disse: “Se vossos guias vos disserem: ‘Vejam, o Reino está no céu’, então, as aves vos precederam; se vos disserem que está no mar, então os peixes vos precederam. Mas o reino está dentro de vós, e vós estais em todos os lugares. Se vos conhecerdes, sereis conhecidos e sabereis que somos um. Mas, se não vos conhecerdes, vivereis em pobreza, e vós mesmos sereis essa pobreza”.
4. J disse, “O homem idoso não deveria hesitar em perguntar a uma criancinha o significado da vida – e ele viverá. Porque muitos dos primeiros serão os últimos, e se tornarão um”.
5. “Conhece o que está ante os teus olhos – e o que está oculto te será revelado; porque não há nada oculto que não venha a ser revelado”.
6. Perguntaram os discípulos a Jesus: “Queres que jejuemos? Como devemos orar? Como dar esmolas? Que alimentos devemos comer?”. Respondeu J: “Quando estiverdes em qualquer região e andardes pelas cidades, e as pessoas vos convidarem a entrar, comei o que vos servirem. Afinal, o que entra em vossas bocas não vai macular-vos; entretanto, é o que sai de vossas bocas que vai revelar-vos”.
8. J disse: “Um pescador sábio lançou sua rede ao mar. Quando a puxou para fora, ela estava cheia de peixes pequenos. Mas, entre os pequenos, ele encontrou um peixe bom e grande. Sem hesitação, escolheu o peixe grande e devolveu ao mar todos os pequenos. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!”.
9. J disse: “Saiu o semeador. Encheu a mão e lançou a semente. Alguns grãos caíram no caminho; vieram as aves e os cataram. Outros caíram sobre os rochedos; não deitaram raízes para dentro da terra nem produziram grãos. Outros ainda caíram entre espinhos, que sufocaram a semente e o verme os comeu. Outra parte caiu em terra boa, e produziu uma boa colheita; produziu sessenta por uma, e cento e vinte por uma”.
11. “Os mortos não vivem, e os vivos não morrerão”.
13. J disse aos discípulos: “Comparai-me a algo e dizei-me com quem me pareço eu”. Respondeu Simão Pedro: “Tu és semelhante a um anjo justo”. Disse Mateus: “Tu és semelhante a um mestre de sabedoria”. Respondeu Tomé: “Mestre, minha boca é incapaz de dizer a quem tu és semelhante”.
Então, J levou Tomé à parte e afastou-se com ele; e falou com ele três palavras, e, quando Tomé voltou a ter com seus companheiros, estes lhe perguntaram: “Que foi que J te disse? Tomé lhes respondeu: “Se eu vos dissesse uma só das palavras que ele me disse, vós havíeis de apedrejar-me – e das pedras romperia fogo para vos incendiar”.
17. “Eu vos darei o que nenhum olho viu, nenhum ouvido ouviu, nenhuma mão tangeu, e que jamais surgiu no coração do homem”.
18. Perguntaram os discípulos a J: “Como será o nosso fim?” Respondeu-lhes J:
“Descobristes o princípio, para que estejais procurando o fim? Pois onde estiver o princípio ali estará o fim. Feliz de quem está no princípio; também conhecerá o fim – e não provará a morte”.
20. Disseram os discípulos a J: “Dize-nos, a que se assemelha o Reino dos céus?”. Respondeu-lhes ele: “Ele é semelhante a um grão de mostarda, que é menor que todas as sementes; mas, quando cai em terra preparada, produz uma grande planta, e se transforma num abrigo para as aves do céu”.
22. “Se reduzirdes dois a um, se fizerdes o interior como o exterior, e o exterior como o interior, se fizerdes o de cima como o de baixo, se fizerdes um o masculino e o feminino, de maneira que o masculino não seja mais masculino e o feminino não seja mais feminino – então entrareis no Reino”.
23. “Eu vos escolherei, um entre mil, e dois entre dez mil. E eles aparecerão como um só”.
24. Seus discípulos pediram: “Mostra-nos o lugar onde tu estás, pois precisamos procurá-lo”. Respondeu-lhes ele: “Quem tem ouvidos, ouça! Há luz dentro dum ser luminoso, e ele ilumina o mundo inteiro. Se não o iluminar, ele é escuridão”.
26. J disse: “Tu vês o cisco no olho do teu irmão, e não vês a trave no teu próprio olho. Se tirares a trave do teu próprio olho, verás claramente como tirar o cisco do olho do teu irmão”.
28. “Eu estava no mundo e encontrei todos embriagados, e não encontrei nenhum deles sedento. Assim como entraram no mundo vazios, querem sair do mundo vazios, enquanto isso, estão bêbados. Quando jogarem fora o vinho, abrirão seus olhos”.
31. “Nenhum profeta é aceito em sua cidade, nem pode um médico curar os que o conhecem”.
32. J disse: “Uma cidade situada num monte e fortificada, não pode cair, nem pode permanecer oculta”.
34. J disse: “Quando um cego guia outro cego, ambos cairão no buraco”.
36. “Não andeis preocupados, da manhã até a noite, e da noite até a manhã, sobre o que haveis de vestir. Os lírios não fiam nem tecem”.
37. “Se vos despojardes do vosso pudor; se, como criancinhas, tirardes as vossas roupas e as colocardes sob os vossos pés e as pisotearem, vereis o filho do Deus Vivo – e não conhecereis temor”.
40. “Uma videira foi plantada fora daquilo que é do Pai; e, como não tem vitalidade, será extirpada pela raiz e perecerá”.
41. J disse: “aquele que tem algo na mão, esse receberá mais; e aquele que não tem, esse perderá até o pouco que tem”.
42. “Sede transeuntes”.
45. “Não se colhem uvas de espinheiros, nem figos de cardos”.
47. “O homem não pode montar em dois cavalos, nem pode retesar dois arcos. O servo não pode servir a dois senhores, pois ele honra um e ofende o outro.
Nenhum homem que bebeu vinho velho deseja beber vinho novo. Não se coloca vinho novo em odres velhos, com medo que se rompam, e vinho velho não é colocado em odres novos, ou pode estragar-se. Não se cose um remendo velho em roupa nova, para não causar rasgão”.
48. J disse: “Se dois viverem em paz e harmonia na mesma casa, dirão a um monte ‘sai daqui!’ – e ele sairá”.
49. “Felizes sois vós, os solitários e os eleitos, porque achareis o Reino. Sendo que vós saístes dele, a ele voltareis”.
51. Os discípulos disseram a ele: “Quando virá o repouso dos mortos e em que dia virá o mundo novo?”. Respondeu-lhes ele: “Aquilo que vós aguardais já veio – mas vós não o conheceis”.
52. Disseram-lhe os discípulos: “Vinte e quatro profetas falaram em Israel, e todos falaram de ti”. Respondeu-lhes ele: “Rejeitastes aquele que está vivo diante de vós, e falais dos mortos”.
54. “Felizes os pobres, porque vosso é o Reino dos céus”.
56. “Aquele quem veio a entender o mundo, achou um cadáver; e quem achou um cadáver, dele não é digno o mundo”.
57. “O Reino do Pai é semelhante a um homem que semeou boa semente em seu campo. De noite, porém, veio o inimigo e semeou erva má no meio da semente boa. O senhor do campo não permitiu que se arrancasse a erva má, para evitar que, arrancando esta, também fosse arrancada a erva boa. No dia da colheita se manifestará a erva má. Então será ela arrancada e queimada”.
58. J disse, “Feliz da pessoa que perdoou e encontrou a vida”.
59. “Olhai para o Deus Vivo, enquanto viveis. Do contrário, quando morrerdes e tentardes ver o Deus Vivo, não o conseguireis”.
61. “Eu vim daquele que é inteiro. Eu vim das coisas do meu Pai. Portanto, eu digo que se um é inteiro, será repleto de luz; mas, se for dividido, será cheio de escuridão”.
62. J disse: “Eu revelo meus mistérios àqueles que estão prontos para ouvi-los. O que tua mão direita faz, não o saiba a tua mão esquerda”.
63. “Um homem rico tinha muito dinheiro. E disse: ‘Vou investir meu dinheiro; vou semear, colher, plantar e encher meus armazéns, para que não me venha a faltar nada’. Foi isso que ele pensou em seu coração, mas, nesta mesma noite ele morreu”.
66. J disse: “Mostrai-me a pedra que os construtores rejeitaram. Ela é a pedra angular”.
67. J disse: “Quem conhece tudo, mas não possui a si mesmo, esse não possui nada”.
70. J disse: “Se fizerdes vir à tona o que está dentro de vós, o que possuis vos salvará; mas, se não trouxeres à tona o que está dentro de vós, então, o que não possuis vos matará”.
72. Alguém disse a J: “Dize a meus irmãos que repartam comigo os bens de meu pai”. Respondeu J: “Irmão, quem me constituiu um divisor?”. E, dirigindo-se a seus discipulos, disse-lhes: “Serei eu um divisor?”.
75. Disse J: “Muitos estão diante da porta, mas os solitários entrarão na câmara nupcial”.
76. Disse J: “O Reino é semelhante a um negociante que possuía um fardo de mercadorias e achou uma pérola. Esse negociante era prudente, e vendeu todas as mercadorias e comprou essa pérola única para si mesmo. Procurai também vós o tesouro imperecível, que se encontra lá onde as traças não se aproximam para comê-lo, nem os vermes o destroem”.
79. Uma mulher na multidão disse-lhe: “Feliz o ventre que te gestou e os seios que te amamentaram”. Ele disse a ela: “Felizes os que ouviram o Verbo do Pai e viveram a Verdade. Porque dias virão em que direis: ‘Feliz o ventre que não concebeu, e felizes os seios que não amamentaram’”.
80. J disse: “Quem conheceu o mundo encontrou o corpo. Mas quem encontrou o corpo, desse não é digno o mundo”.
85. Disse J: “Adão nasceu de um grande poder de uma grande riqueza, mas não era digno de vós. Pois, se ele fosse digno, não provaria a morte”.
86. Disse J: “As raposas têm as suas tocas; as aves têm os seus ninhos – mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça”.
87. J disse: Miserável o corpo que depende de outro corpo, e miserável a alma que depende desses dois”.
88. J disse: “Os arautos e os profetas irão ter convosco e vos darão o que é vosso. Daí-lhes também vós o que tendes, e dizei a vós mesmos, ‘Quando eles virão buscar os que lhes pertence?’”.
89. Disse J: “Por que lavais o exterior do recipiente? Não sabeis que o mesmo que criou o interior criou também o exterior?”.
90. J disse: “Vinde a mim, porque o meu jugo é suave e o meu domínio é agradável – e encontrareis repouso para vós mesmos”.
91. Disseram-lhe eles: “Dize-nos quem és tu, para que tenhamos fé em ti”. Respondeulhes ele: “Vós examinais o aspecto do céu e da terra, mas não conheceis aquele que está diante de vós. Não sabeis dar valor ao tempo presente”.
92. Disse J: “Procurai e achareis. No passado, entretanto, eu não vos disse as coisas sobre as quais me perguntastes. Agora, quero dizê-las a vós, mas vós não as estais buscando”.
94. Disse J: “Quem procura achará; a quem bate, a porta abri-ser-lhe-á”.
95. J disse: “Quando tendes dinheiro, não o empresteis a juros, mas daí-o a quem não vos possa restituir”.
96. Disse J: “O Reino do Pai é semelhante a uma mulher que tomou um pouco de fermento, misturou-o com a massa, e fez com ela grandes pães. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!”.
97. Disse J: “O Reino é semelhante a uma mulher que levava por um longo caminho uma vasilha cheia de farinha. Pelo caminho, uma alça da vasilha quebrou e a farinha se espalhou atrás dela sem que ela o percebesse, e por isso não se afligiu. Chegando em casa, ela colocou a vasilha no chão – e achou-a vazia”.
99. Seus discípulos lhe disseram: “Teus irmãos e tua mãe estão aguardando lá fora”. Respondeu-lhes ele: “Os que, aqui, fazem a vonrtade de meu Pai são os meus irmãos e minha mãe, e são eles que entrarão no Reino do Pai”.
100. Mostraram a J uma moeda de ouro e disseram: “Os agentes de César exigem de nós o pagamento do imposto”. Respondeu ele: “Daí a César o que é de César, e daí a Deus o que é de Deus”.
103. Disse J: “Feliz do homem que sabe por onde penetram os ladrões! Assim, pode erguer-se, reunir suas forças Divinas, e estar alerta e pronto antes que eles venham”.
106. Disse J: “Se de dois fizerdes um, então vos fareis Filhos do Homem. E então, se disserdes a este monte ‘retira-te daqui’ – ele se retirará”.
107. Disse J: “O Reino é semelhante a um pastor que tinha cem ovelhas. Uma delas se extraviou, e era a maior de todas. Ele deixou as noventa e nove e foi em busca daquela única até achá-la. E, depois de achá-la, lhe disse: eu te amo mais do que as noventa e nove”.
108. Disse J : “Quem beber da minha boca se tornará como eu. Eu mesmo me tornarei aquela pessoa, e as coisas ocultas lhe serão reveladas”.
109. Disse J: “O Reino se parece com um homem que possuía um campo no qual estava oculto um tesouro de que ele nada sabia. Ao morrer, deixou o campo a seu filho, que também não sabia de nada; tomou posse e vendeu o campo – mas o comprador descobriu o tesouro ao arar o campo, e começou a emprestar dinheiro a juros a quem o quisesse”.
110. Disse J: “Quem encontrou o mundo e se enriqueceu, que renuncie ao mundo”.
111. Disse J: “O céu e a terra se desenrolarão diante de vós, e quem vive com o Deus Vivo não verá a a morte. Não disse eu, ‘Aqueles que encontraram a si mesmos, deles não é digno o mundo?’”.
113. Os discipulos perguntaram-lhe: “Quando virá o Reino?”. J respondeu: “Ele não virá pelo fato de alguém esperar por ele; nem se pode dizer ei-lo aqui! Ei-lo acolá!”. O Reino do Pai está espalhado pela terra, mas os homens não o enxergam”.

(RENARD, Gary.
Livro: “Sua Realidade Imortal”)

Não há problema em aproveitar a vida; o segredo da Felicidade é não ser apegado a nada. Sinta o cheiro da flor, mas veja Deus nele. Eu mantive a consciência dos sentidos somente até o ponto em que, utilizando-a, eu possa sempre perceber e pensar em Deus….

Não há problema em aproveitar a vida; o segredo da Felicidade é não ser apegado a nada. Sinta o cheiro da flor, mas veja Deus nele. Eu mantive a consciência dos sentidos somente até o ponto em que, utilizando-a, eu possa sempre perceber e pensar em Deus. “Meus olhos foram feitos para observar tua beleza em todo lugar. Meus ouvidos foram feitos para ouvir tua voz onipresente”. Isso é yoga. União com Deus. Não é necessário ir até a floresta para encontrá-Lo.
Hábitos mundanos nos deterão rápidamente onde quer que possamos estar,até que nos libertemos deles. O yogi aprende à encontrar Deus na caverna do seu coração. Onde quer que ele vá, ele carrega consigo a extática consciência da presença de Deus.
(Paramahansa Yogananda, “A Eterna Busca do Homem”)

O SER HUMANO PODE ENRIQUECER O QUANTO DESEJAR

O SER HUMANO PODE ENRIQUECER O QUANTO DESEJAR

Se os recursos da Terra tivessem quantidade definida e as riquezas fossem limitadas, certamente o aumento da riqueza de alguns implicaria diminuição da riqueza de outros. Porém, o reino de Deus é infinito, e o mundo real, como manifestação do reino de Deus, não sofre limitação de recursos e riquezas. Visto que o ser humano obtém a riqueza do Infinito, nenhuma riqueza lhe será demasiada.

(Livro: Mensagens de Luz)

SÊ BOM PARA CONTIGO

“Ser bondoso para contigo significa
olhares para ti com humanidade.
Ser bondoso significa sentires-te bem contigo próprio.
É reconhecer a criança ferida que existe em ti
e usares de misericórdia para com ela;
olhar para as próprias feridas com o olhar
compassivo do coração e agir com uma
dedicação sincera.
Não deves enfurecer-te com as tuas próprias fraquezas,
mas sim olhá-las com amor e aceitá-las.
Só um olhar carinhoso pode fazer com
que as nossas fraquezas se transformem.
Não dificultes a tua vida
ao levar demasiado a sério
aquilo que não te agrada em ti
e o que te aborrece nos outros.
Vive e deixa viver.
Vê para lá das coisas.
Sê criativo na forma como levas alegria
à vida das pessoas que vais encontrando.
As rosas que fazes florescer para os outros
não perfumam apenas a vida delas.
Também inebriam a tua.
Também enchem o teu coração de amor e alegria.
Sempre que te aproximas dos outros,
há algo em ti que se agita,
que te faz sentir livre e expansivo.”

(Anselm Grün, em “Em cada dia… um caminho para a felicidade”)

VIA ABRIGO DOS SÁBIOS

RECEBEMOS O CORRESPONDENTE AO QUE DAMOS.

RECEBEMOS O CORRESPONDENTE AO QUE DAMOS.

No mundo regido por Deus, ninguém engana nem é enganado. Na verdade, estamos num mundo sem roubos, um mundo de amplas perspectivas, um mundo onde se efetua rigorosa prestação de contas. Quem dá, recebe; quem rouba, é roubado; quem atira algo a outrem, recebe o troco. Todos os fatos e todas as coisas partem de nós mesmos e voltam para nós.

(Livro:
Mensagens de Luz)

VIA SEICHO-NO-IE

ORAÇÃO PARA ILUMINAR A HUMANIDADE

Pela paz da humanidade, mentalize:
Pela paz da humanidade, mentalize:
O Amor de Deus flui para o meu interior e preenche todo o meu ser, que neste momento resplandece intensamente e propaga vibração de Amor a toda a humanidade, abençoando-a.

(Do livro: Masaharu Taniguchi, do Livro “Minhas Orações”)

VIA SEICHO-NO-IE

EUCARISTIA DO DOMINGO, DIA 26 DE SETEMBRO DE 2010 – O RICO E O POBRE LÁZARO

EUCARISTIA DO DOMINGO
DIA 26 DE SETEMBRO DE 2010
O RICO E O POBRE LÁZARO

Abaixo leia os comentários de Frei Jacir de Freitas Farias, ofm,
Publicados na Revista Vida Pastoral (editora Paulus).

O RICO E O POBRE LÁZARO:
QUANDO A VIDA É PERDIDA POR OPÇÃO

I. INTRODUÇÃO GERAL
As leituras deste domingo estão em sintonia com aquelas do domingo anterior, quando reforçam o tema da economia na ótica da justiça social. Amós tece duras críticas contra a classe dominante, os ricos de Israel e de Judá. A comunidade de Lucas faz memória do ensinamento de Jesus sobre o rico avarento e o pobre Lázaro. Dois opostos insuportáveis aos olhos de Deus, e isso deve ser a nossa bússola de orientação nesses dias que antecedem as eleições. Saber escolher os nossos governantes é fundamental para a realização de uma sociedade justa e fraterna.
Neste último domingo do mês de setembro, também não podemos nos esquecer do dia dedicado à Bíblia. Ela que é a carta magna da fé judaica e cristã. O substantivo Bíblia nos remete a um outro, biblioteca. É isso mesmo. A Bíblia é uma biblioteca composta de livros, os quais fazem parte de uma literatura que levou séculos para ser escrita. Parafraseando o grande mestre da leitura popular da Bíblia, Frei Carlos Mesters, a Bíblia nasceu da vontade de o povo ser fiel a Deus e a si mesmo. Nasceu da preocupação de transmitir aos outros e a nós essa fidelidade. Ela nasceu sem rótulo. Só mais tarde, o próprio povo descobriu nela a expressão da vontade e da presença real de uma Palavra Santa (Bíblia, livro feito em mutirão. São Paulo: Paulus, 1986, p. 8).
Divididos em Primeiro e Segundo Testamentos, os livros da Bíblia estão organizados em forma de uma grande inclusão (forma literária em que uma palavra, uma frase ou um conceito presente no início reaparece no fim e funciona como um enquadramento, que delimita e encerra tudo o que ficou “incluído” entre eles, como em um sanduíche); no início (Gênesis) e no fim (Apocalipse), encontramos referência ao Éden, o paraíso da economia vivida na liberdade e na fraternidade entre homens e mulheres. No centro, nos livros de Malaquias e Mateus, temos duas personagens ímpares do judaísmo e cristianismo, Elias e Jesus. Elias voltará e Jesus veio para nos propor, na inspiração da fé judaica, o Reino de Deus, que tem como baliza fundamental a opção pelos pobres e oprimidos de ontem e de hoje. É o que veremos nos textos das leituras que passamos a comentar.

II. COMENTÁRIOS DOS TEXTOS BÍBLICOS

1. I leitura (Am 6, 1-7): punição para os nobres corruptos
1. Ai dos que vivem tranqüilos em Sião, dos que estão confiantes no planalto de Samaria, os chefes principais do povo a quem acode a casa de Israel!
2. Viajai até Calane para ver, de lá ide à grande cidade de Emat, depois descei a Gat dos filisteus. Acaso sois melhores do que esses reinos, ou o território deles é maior do que o vosso?
3. Ai dos que querem afastar o dia mau e apressam o domínio da força bruta.
4. Ai dos que se deitam em camas de marfim ou se esparramam em cima dos sofás, comendo cordeiros do rebanho, vitelos cevados em estábulos.
5. Deliram ao som da harpa, inventam como Davi instrumentos musicais,
6. bebem canecões de vinho e usam os mais caros perfumes, indiferentes ao sofrimento de José.
7. É por isso que ireis acorrentados à frente dos cativos! Acabou a festa dos boas-vidas!
Amós se volta de forma drástica contra os ricos governantes de Israel e Judá – as críticas se dirigem, de fato, aos nobres da Samaria, capital político-administrativa do Reino do Norte. O texto foi modificado para referir-se a Sião/Jerusalém (Reino do Sul), os nobres da primeira das nações: governantes, cortesãos, oficiais e latifundiários. O motivo é simples: eles vivem tranquilos e seguros na capital e nas montanhas, os seus leitos são de marfim, possuem divãs, se alimentam de cordeiros e novilhos, fazem festas orgiásticas ao som de harpa e com vinhos finos. E o que é pior: eles não estão nem aí para os pobres do país que estão ao seu lado. Eles usufruíam o bem-estar das minorias, advindo das conquistas de Jeroboão II, bem como esperavam o dia de Javé, que seria a redenção de Israel. Amós dirá que esses homens são os verdadeiros responsáveis pela violência social e econômica do seu povo. A vida luxuosa deles era fruto da opressão dos pobres, do roubo e da corrupção (Am 3,9-10; 2,6-8; 4,1-3; 5,10-12). Tendo que manter essa situação, como não criar injustiças? Esses ricos viviam numa situação de orgia (v. 7b), alicerçados numa falsa intuição de que toda aquela situação era de bênção de Deus.
A semelhança dessa situação com os nossos dias é mera coincidência? Não. As classes dirigentes parecem mudar somente os figurantes. Os mensalões e os “panetones de Brasília” continuam a se repetir. Infelizmente, a classe política brasileira deixou se levar pela corrupção.
O que diria o profeta Amós? Vocês, os nobres, serão exilados, vão puxar a fila dos deportados para uma terra estrangeira. E foi isso mesmo que ocorreu anos depois, em 722 a.E.C., quando os dominadores assírios chegaram e destruíram a capital de Israel, Samaria, e levaram todos para o exílio. E aí o ai do profeta já não mais pode surtir efeito. Não tinha mais como voltar atrás. Deus tinha dado o seu veredicto.

2. Evangelho (Lc 16,19-31): o rico injusto escolhe a própria condenação
19. “Havia um homem rico, que se vestia com roupas finas e elegantes e dava festas esplêndidas todos os dias.
20. Um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, ficava sentado no chão junto à porta do rico.
21. Queria matar a fome com as sobras que caíam da mesa do rico, mas, em vez disso, os cães vinham lamber suas feridas.
22. Quando o pobre morreu, os anjos o levaram para junto de Abraão. Morreu também o rico e foi enterrado.
23. Na região dos mortos, no meio dos tormentos, o rico levantou os olhos e viu de longe Abraão, com Lázaro ao seu lado.
24. Então gritou: ‘Pai Abraão, tem compaixão de mim! Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a língua, porque sofro muito nestas chamas’.
25. Mas Abraão respondeu: ‘Filho, lembra-te de que durante a vida recebeste teus bens e Lázaro, por sua vez, seus males. Agora, porém, ele encontra aqui consolo e tu és atormentado.
26. Além disso, há um grande abismo entre nós: por mais que alguém desejasse, não poderia passar daqui para junto de vós, e nem os daí poderiam atravessar até nós’.
27. O rico insistiu: ‘Pai, eu te suplico, manda então Lázaro à casa de meu pai,
28. porque eu tenho cinco irmãos. Que ele os avise, para que não venham também eles para este lugar de tormento’.
29. Mas Abraão respondeu: ‘Eles têm Moisés e os Profetas! Que os escutem! ’
30. O rico insistiu: ‘Não, Pai Abraão. Mas se alguém dentre os mortos for até eles, certamente vão se converter’.
31. Abraão, porém, lhe disse: ‘Se não escutam a Moisés, nem aos Profetas, mesmo se alguém ressuscitar dos mortos, não acreditarão’”.
O texto que antecede essa parábola é o que vimos na semana anterior, “não é possível servir a Deus e ao Dinheiro” (Lc 16,13), ensinamento central do capítulo. A parábola, modo de ensinar de forma comparativa, muito utilizada por Jesus, tem como seu público-alvo os fariseus, chamados de amigos do dinheiro (16,14). Ela faz parte da grande viagem de Jesus a Jerusalém, chamada também a viagem lucana (9,51-19,27), de cunho teológico-catequético. Quem acompanha a trajetória de Jesus vai entendendo os desafios e as condições para ser um cristão, um seguidor do mestre Jesus de Nazaré.
O evangelho de hoje tem forte relação com a primeira leitura. É um modo encontrado por Jesus para ensinar a tradição da fé judaica: é preciso fazer esmola, isto é, fazer justiça. Em hebraico, esmola se diz Tzedakáh e justiça, Tzedek. Esmola deriva de justiça. Fazer esmola, como ensinam os judeus, significa cumprir a Torá (Bíblia), isto é, fazer justiça. Quando um judeu pobre gritava pelas ruas Tzedakáh, todos entendiam: “Faça justiça! Cumpra a Torá!”. E esse grito incomodava qualquer judeu piedoso. A Torá, a Lei de Deus, não estava sendo cumprida, o que implicava estar fora do caminho de Deus. O judaísmo conclama os seus adeptos a fazer esmola. E fazer esmola (Tzedakáh) é agir com justiça no que diz respeito a como cada judeu ganha, gasta e compartilha suas riquezas. No pensamento judaico, esmola não tem um sentido religioso moral cristão de “dar esmola”. Esmola é um modo de ser, mais que oferecer ou dar. Tzedakáh é mais que caridade, expressão de fé piedosa diante do sofrimento do outro. Viver de modo justo na relação com as pessoas é fazer Tzedakáh. A esmola não pode ser em função da vanglória daquele que dá esmola, mas deve ser um gesto de solidariedade e justiça. Fazer esmola, fazer justiça, é melhor que dar esmola. Nisso, sou mais judeu que cristão.
A cena do evangelho, nessa perspectiva do fazer esmola, é simples. De um lado, um rico epulão e bem-vestido, com púrpura e linho – material importado da Fenícia e do Egito, e, do outro, um pobre de nome Lázaro que jazia à sua porta, esperando comer as migalhas de seus banquetes. Lázaro significa “aquele que vem em ajuda de”. Ele espera ser ajudado com obras de justiça, de divisão dos bens.
Com elementos da fé dos antepassados: inferno, céu e o Patriarca Abraão, a parábola relata a cena que paira na cabeça de muitos: os bons estão no céu e os maus, no inferno, separados por um abismo. Tranquilidade e banquete de um lado, tormento e fogo do outro. A Bíblia nos oferece muitas imagens do inferno (Jacir de Freitas Faria, O outro Pedro e a outra Madalena. Uma leitura de gênero. 3 ed. Petrópolis: Vozes, p. 76-102): uma delas é essa da parábola de hoje: um lugar do desespero e do pavor. Receber a pena do inferno é o mesmo que entrar em pânico. É saber que um lugar sombrio me espera. Jesus usa a imagem do choro e do ranger os dentes dos que forem para o inferno (Lc 13,28). Ele também compara o inferno com o verme que não morre (Mc 9,48), bem como à Geena, lixão da cidade de Jerusalém. As imagens usadas na Bíblia para descrever o inferno são todas simbólicas. O fogo que devora simboliza a absoluta frustração humana e o seu total distanciamento de Deus (Leonardo Boff, Vida para além da morte. Petrópolis: Vozes, 1988, p. 90). Diante de tal situação, só resta ao ser humano chorar e ranger os seus dentes, na escuridão de uma vida sem utopias, no exílio de opção feita por ele mesmo. É o que ocorre com o rico da parábola de hoje. Ele implora ao pai Abraão que Lázaro venha lhe trazer água, que vá até à casa de seus cinco irmãos para avisá-los da sua situação desesperadora e que mudem de vida. Nenhum desses pedidos pode ser atendido. A situação estava posta por opção do rico, o ser humano opressor. O número citado, cinco, relembra o Pentateuco; Moisés, toda a lei e os profetas. Isso quer dizer que o rico e seus cinco irmãos tinham e têm a Palavra de Deus (Bíblia) para observar e mudar de vida. Se assim não o fazem, mesmo que um morto, Lázaro, ressuscite para ensinar-lhes o caminho, eles não o fariam. Os judeus não acreditavam em sinais, milagres. Jesus fez muitos deles, e, mesmo assim, eles não se converteram. O fim é trágico, mas é fruto da opção que fazemos, assim como os ricos da primeira leitura.

3. II leitura (1Tm 6,11-16): viver como homem de Deus
11. Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas, procura antes a justiça, a piedade, a fé, a caridade, a constância, a mansidão.
12. Combate o bom combate da fé, conquista a vida eterna, para a qual foste chamado quando fizeste a tua bela profissão † de fé diante de muitas testemunhas.
13. Diante de Deus, que dá a vida a todos os viventes, e do Cristo Jesus que, perante Pôncio Pilatos, deu o seu testemunho fazendo sua bela profissão, eu te ordeno:
14. observa o mandamento com todo o cuidado, irrepreensivelmente, até à manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo.
15. Esta manifestação será realizada, a seu tempo, pelo bem-aventurado e único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos Senhores,
16. o único que possui a imortalidade, que habita numa luz inacessível, que ninguém viu nem pode ver. A ele, honra e poder eterno. Amém.
Ao escrever ao amigo Timóteo, Paulo o exorta a viver como homem de Deus, isto é: seguir a justiça, a piedade, a fé, o amor, a perseverança e a mansidão, combater o bom combate da fé, conquistar a vida eterna, guardar o mandamento de Jesus até o dia de sua Aparição. Antes disso, que o cristão professe a fé e testemunhe Jesus ressuscitado (vv. 12-13).
Ser homem de Deus é ser profeta, assim como Elias e Eliseu que receberam esse título por terem deixado o palácio e se aproximado do povo. Com eles, o rei, se precisasse de um profeta, teria de ir aonde o profeta estava, no meio do povo. Muitos cristãos da comunidade de Éfeso estavam fazendo da pregação do evangelho uma fonte de lucro. Atitude parecida com a de muitos cristãos de hoje. Abrir uma igreja é o mesmo que abrir negócio, uma empresa lucrativa. Paulo é claro no ensinamento: “Fuja dessas coisas” (v. 11). A fé não é para ser debatida, sobretudo de forma fundamentalista, mas vivenciada.
Paulo termina com uma doxologia (vv. 15-16): a Deus honra e poder eterno. É um hino litúrgico de origem judaica. Ele ensina que o cristão deve prestar culto somente a Jesus, pois ele possui a imortalidade, a vida plena. Viver o projeto apresentado por Jesus é encontrar Deus (vv. 11-12).
Essa breve leitura reforça o ensinamento das outras leituras deste domingo, mostrando que o cristão é aquele que segue os ensinamentos de Jesus e não anda conforme as injustiças dos seres humanos deste mundo. O seu combate está em outra esfera. Ele luta como atleta para chegar ao Reino pregado por Jesus, e este já começa aqui.

III. PISTAS PARA REFLEXÃO
Chamar atenção para o dia da Bíblia e suas interpretações a partir das leituras deste domingo. Dar um destaque para a Bíblia na celebração.
Fazer uma análise da situação econômica do país, dando destaque para as eleições e tendo como pistas de reflexão a questão da riqueza e seu uso indevido pelos governantes. Mostrar que quem faz opção de servir ao Dinheiro acabará perdendo a vida.
Perguntar pelos sinais de solidariedade que a comunidade demonstra na relação entre rico e pobre. Ela está a serviço dos pobres e contra a pobreza? Ou existe um abismo, um fosso, entre ela e os pobres? A comunidade se preocupa em dar ou fazer esmola?

VIA ORAE ET LABORA