MAGIA, PODER E PERIGO NO CAMINHO DO MEDITADOR (MAGIC, POWER AND DANGER ON THE MEDITATOR’S WAY)

Você sabe como funciona a magia? Sabia que usamos esse poder naturalmente em nosso dia-a-a ? Qual a relação entre poder e meditação? Faça conosco uma viagem rumo ao universo da magia e do poder, refletindo sobre estas e outras questões.

O MAGO
A magia negra esteve, durante muito tempo, relacionada à idéia de rituais macabros, feitiços, porções, maldições, sacrifícios de animais etc. Mas, o que pouca gente sabe é que a magia trabalha com o domínio de forças da natureza, invisíveis , imperceptíveis e ignoradas pela grande massa. O mago aprende a identificar e dominar conscientemente essas energias, direcionando-as conforme sua vontade e desejo. A diferença entre um mago e uma pessoa comum é que enquanto o primeiro manipula essas forças de modo consciente, o segundo não tem consciência de como estas forças atuam em suas vidas. Assim, além de não saberem direcionar essas forças para benefício próprio, tornam-se vítimas delas sendo, inclusive, usadas por elas. Essas forças atuam constantemente em nosso dia-a-dia e , muitas vezes não percebemos o estrago que elas nos causam. São muitas vezes responsáveis por discórdias, brigas, desentendimentos, separações e até tragédias, refletindo também sobre nosso campo mental, espiritual e físico.

AS FORÇAS
Deixando um pouco de lado o clima de mistério, muitas dessas forças são bem conhecidas de todos nós pois são comuns em nossa vida. Pensamentos, desejos, intenções, emoções e vontades- são poderosas forças do Universo. Elas influenciam nossa vida, as pessoas e o meio em que vivemos. Pensamentos e sentimentos de ódio, fúria ou inveja são verdadeiras bombas energéticas que, quando detonadas, causam danos a si mesmo e aos outros-incluindo o ambiente. Quem nunca se sentiu mal ao chegar em um local com atmosfera “pesada”? Ou não suportou a “energia” de uma pessoa? Estamos continuamente usando ou manipulando essas energias em nossa vida diária.Por isso que a vigilância é tão importante. Aqueles que se vigiam protegem tanto a si mesmo, quanto aos outros. Além disso, vigiar-se é uma forma eficaz de se autoproteger contra os ataques energéticos dos outros. É assim que em nossa vida diária atuamos como verdadeiros magos, manipulando forças ou sendo manipulados por elas, mesmo que não saibamos ou não estejamos conscientes disto.

OS PODERES E A CONSCIÊNCIA PARCIAL
Todavia, há poderes que só tem eficácia quando usados de forma consciente e proposital. São os poderes da mente, da vontade direcionada, do desejo intenso , da visualização, da palavra intencional, do pensamento controlado e da “mentalização”. Neste tipo de poder, a pessoa está em um nível mais elevado de consciência mas ela ainda é limitada e parcial. Daí o grande perigo. O problema é que, mesmo usando esses poderes de forma consciente o indivíduo ainda não está livre da ILUSÃO do EGO. Isso me lembra aquelas cenas em que os super-vilões vibram quando tem em mãos armas superpotentes prontos para dominar o mundo. Assim também é o EGO quando descobre o grande poder que ele tem em mãos. Poder que pode controlar quase tudo. Ainda bem que é “quase”, já imaginou o estrago que um EGO superpoderoso causar às pessoas, ao ambiente, ao mundo? A história está cheia de exemplos desses.

OS PERIGOS DO USO DOS PODERES
Devemos ter cautela ao usar estes poderes para realização de sonhos, objetivos e planos. Muitas pessoas, por imaturidade, ingenuidade ou maldade mesmo, usam desses poderes para influenciar fatos, manipular, e prejudicar as pessoas. Obviamente, nem sempre são bem sucedidas . Mas, uma coisa é certa, a força que movemos para o bem ou para o mal retornam para nós com muito mais força. Mas mesmo aqueles que movem essas forças apenas para alcançar objetivos e realizar sonhos, que não estão causando mal a ninguém, correm um sério risco . Quando você se dedica a algo com bastante intensidade e energia, a chance de alcançá-lo é grande. O problema é quando nos tornamos excessivamente ambiciosos, materialistas, ou tiranos. O indivíduo torna-se totalmente cego, o que leva ao enfraquecimento das dimensões emocional, social, espiritual de sua vida. Quando se dá conta da gravidade da situação, muitas vezes já é tarde demais. É quando vem a doença, as tragédias ou até mesmo a morte. O filme “ O Advogado do Diabo” com Keanu Reeves e Al Pacino ilustra com maestria esse processo . Por isso que a meditação é tão necessária. Sem ela o homem caminha num limbo, perdido em meio à escuridão, sujeito às surpresas, ataques e perigos de seu próprio EGO.

OS SIDHIS OU PODERES IÓGUICOS
Outro tipo de poder são os do iogues, místicos e santos. A tradição cristã tem vários casos e exemplos deste tipo em sua história, Francisco de Assis, Santo Expedito, Santo Antonio e muitos outros. A tradição hindu, ao longo dos séculos e milênios, produziu grandes iogues em sua história. Por isso, a tradição iogue reconhece os poderes como eventos naturais no processo de evolução e desenvolvimento do ser. Os sidhis – como são conhecidos – são tratados por Patanjali, no Yoga Sutras, como resultado natural da meditação profunda ou Samadhi. No livro Autobiografia de um Iogue, de Paramahansa Yogananda, há vários relatos desse poderes fantásticos, tais como: telepatia, bilocação, materializações, curas, premonições, ressuscitamento, dentre outros. Mas o que pouca gente sabe é que mesmo um iogue pode se tornar um mago negro. Basta, para isso, que ele use seus poderes – geralmente alcançado após anos de prática de alguma técnica- passe a usá-los para fins unicamente pessoais e egoístas.

O IOGUE LADRÃO
Sri Yuktéswar, o mestre de Yogananda, contou que conheceu “um muçulmano autor de prodígios”. Este muçulmano, chamado Afizal Khan, aprendera uma técnica com um mestre iogue que lhe dava domínio sobre um dos reinos invisíveis. Após anos e anos de prática, ele finalmente alcançou o domínio completo do poder de materialização e teletransporte de objetos. Mas, lamentavelmente, passou a usá-lo para roubar as pessoas. Sri. Yukteswar contou que o viu fazer várias materializações. Não eram jóias pequenas, nem cinzas, nem objetos produzidos num palco de fundo preto. Ele viu um banquete inteiro ser produzido na sua frente saído do “nada”. Mas então porque ele roubava? A explicação dada foi a seguinte: os objetos astralmente produzidos tem pouca durabilidade, ou seja, desmaterializam-se rapidamente. Ao contrário dos objetos do mundo material cuja durabilidade e consistência é bem maior. Por isso, ele ambicionava as coisas produzidas pelo processo natural, por serem mais duráveis e, portanto , mais valiosas. Não contarei detalhes, nem o final desta história fascinante descrita no Autobiografia. Citei esse caso aqui, apenas para mostrar que mesmo um iogue, ou meditador corre também o risco de se perder ao longo do caminho- talvez até mais do que os outros .

O CASO FAMOSO DE UM SUPOSTO “ IOGUE” DO MAL
É importante registrar que a literatura espiritualista já registra vários casos de iogues que passaram para o “outro lado”. Tudo indica que não resistiram à tentação dos poderes e passaram a usá-los de forma incorreta e egoísta. Se há egoísmo é porque ainda há EGO. O que demonstra que existe sim possibilidade dos poderes se desenvolverem mesmo que a pessoa não esteja ainda totalmente livre das ilusões. Quando isso acontece, o estrago é grande. Joyce Collin Smith, prestigiada escritora e pesquisadora britânica, no livro, “NÃO CHAME NINGUÉM DE MESTRE”*, cita o caso de um conhecido “iogue e guru” espiritual que fez muito sucesso nos anos 60. Por ter sido sua secretária particular durante muito tempo, ela testemunhou vários absurdos cometidos por este senhor e como ele usava seus poderes de telepatia e hipnotismo para alcançar seus objetivos. Segundo seu relato em primeira mão, este homem foi tornando-se cada vez mais estranho e arrogante, até trasnformar-se num completo e perigoso “bruxo do mal”. Estes casos alertam-nos para os perigos ao longo do caminho do meditador . Todavia, não são apenas os meditadores e iogues que podem tornar-se magos negro. Qualquer pessoa que não se vigie, pode, mesmo inconscientemente, atuar como um mago das trevas.

VIGILÂNCIA SEMPRE!
Por isso que a vigilãncia é tão importante. Àqueles que buscam apenas realizar seus objetivos através das famosas técnicas de desenvolvimento dos poderes da mente, tais como, mentalização, visualização, força de vontade etc. Cuidem-se ! Pois enquato o EGO ainda estiver atuando, se ainda houver qualquer vestígio de desejo e ambição, o risco de problemas no presente e no futuro é grande. Para aqueles que meditam e buscam a libertação ou despertar, o cuidado deve ser redobrado, pois quando os poderes despertam, a tentação de usá-los para fins pessoais é maior ainda. É bom lembrar que ao longo da nossa vida, movemos e manipulamos forças desconhecidas e por isso devemos ter cautela, para não nos tornarmos presas fáceis de forças e energias negativas. Para que isso não aconteça, e não venhamos a sofrer as consequências do uso errado dessas forças, temos que vigiar nossos pensamentos, emoções e ações. Como se processa essa vigilância? Para que não haja mal entendidos vamos explicar melhor. Para as pessoas que não são meditadoras ou buscadoras, mas apenas querem ter uma vida “normal”, é importante vigiarem seus pensamentos , sentimentos, ações, palavras e emoções negativos, para que não atraiam coisas ruins para suas vidas. Lembrem-se o quanto essas coisas são poderosas e perigosas.Para aqueles que usam esses poderes conscientemente para realização de objetivos, devem cuidar ou vigiar, para não serem tragados pela ambição, autoritarismo, egoísmo, orgulho ou materialismo exacerbado. Faça autorreflexões periódicas, reze, ore ou medite, procure sempre manter o equilíbrio entre as diversas dimensões da vida.

A VIGILÂNCIA NÃO-DUAL DO MEDITADOR
Por último, se você é um buscador ou meditador, fica uma importante advertência: tenham mais cuidado pois “ a quem mais foi dado, mais será pedido”. Todavia, esta vigilância do buscador não se dá de forma dualística, como normalmente acontece com as outras pessoas. A vigilância do meditador ocorre na Unidade, quando não há observador e objeto observado. Nesse estado de pura e simples observação, sem interferência ou qualquer tipo de ação direta por parte do meditador é que a verdadeira vigilância acontece. Não há alguém vigiando, nem nada para ser vigiado. Há apenas o estado de VIGILÂNCIA ou ALERTA. Nesse estado de Unidade, Tranquilidade e Paz, o meditador não precisa temer o despertar dos poderes – contanto que permaneça um simples expectador dos mesmos. Aconteça o que acontecer deve continuar fixo na Unidade da Meditação ou Consciência Passiva, sem que o Ego interfira ou se utilize dos mesmos para seus propósitos egoístas. Esta é, normalmente, a orientação de todos os sábios, iogues e iluminados, é o “movimento em repouso”- citado por Jesus no quinto evangelho.

“CHORO E RANGER DE DENTES”
Este é o caminho mais seguro para evitar que o meditador transforme-se num perigoso Mago Negro. É bom lembrar que todo aquele que usar seus poderes, ocultos ou não, terá que prestar contas ao Universo. Caso tenha feito bom uso dos mesmos, terá sua recompensa , caso contrário, pagará caro pela inconsequência e irresponsabilidade de seus atos. E aí “haverá choro e ranger de dentes”- como disse o grande mestre nazareno.

AUTOR: ALSIBAR (inspirado)
http://alsibar.blogspot.com
MSN: alsibar1@hotmail.com
*O livro Não Chame Ninguém de Mestre de Joyce Collin Smith pode ser baixado gratuitamente no link abaixo:
http://www.4shared.com/document/umXCtaOe/Joyce_Collin-Smith_-_No_Chame_.htm

VIA ALSIBAR

O perdão leva à vida. A falta de perdão é uma morte lenta….

O perdão leva à vida. A falta de perdão é uma morte lenta. O perdão é contínuo porque, uma vez que lida com o passado, transgressões constantes ocorrem no presente. Nenhum de nós passa por isso sem ter nosso orgulho ferido ou sem ser manipulado, ofendido ou machucado por alguém. Toda vez que acontece, isso deixa uma cicatriz na alma quando não confessado, perdoado e tratado diante do Senhor. Além disso, a falta de perdão também o separa das pessoas que você ama. Elas sentem um espírito de falta de perdão, ainda que não possam identificá-lo, e isso as deixa pouco à vontade e distantes. Você talvez esteja pensando: “Não tenho de me preocupar com isso porque não tenho ninguém a quem deva perdoar.” Mas perdão também é deixar de criticar os outros, lembrar que as pessoas, muitas vezes, são como são por causa do modo como a vida as moldou. É lembrar que Deus é o único que conhece toda a história e, por conseguinte, nunca temos o direito de julgar. Estar acorrentado pela falta de perdão o impede de receber a cura, a alegria e a restauração que existem para você. Estar libertado para receber tudo o que Deus tem para você, hoje e amanhã, significa desprender-se de tudo o que aconteceu no passado. Significa fazer uma oração de libertação.
(Stormie Omartian,
Livro: 7 Orações Que Vão Mudar Sua Vida, cap. III,
Editora: Thomas Nelson Brasil)

A MENINA E O MAR

Conta uma lenda que, muito antigamente, no tempo quando nem existia televisão ainda. Quando viajar era de trem e para poucos, e a vida era ganha com muita dificuldade. Era um tempo onde as crianças brincavam de jogar bola de gude nas calçadas de barro, empinar pipa e pique-pega. A vida passava tão lentamente que crescer durava uma eternidade. Telefone e farmácia se escrevia com “ph” e para ligar para uma pessoa, em outra cidade, era preciso pedir à telefonista, que se conhecia pelo nome, para completar a chamada.
Havia uma pequena menina que morava no interior, numa cidadezinha cujo nome, até hoje, nem consta nos mapas. Um lugar no meio do nada, longe de tudo, na verdade, chamar de “cidade” poderia ser considerado um exagero. Estava mais para um pedaço de estrada, com um pequeno conglomerado de casas humildes que eram utilizadas como armazéns, bares e uma pequena pousada para quem passava por ali de viagem. Mas tudo bem. Deixa como está! Vamos chamar de cidade assim mesmo.
Esta menina observava os viajantes chegarem à sua casa e falar sobre os lugares por onde passavam, contavam histórias da cidade grande, mas havia algo que sempre a deixou intrigada. Eles falavam de uma coisa chamada “mar”. Para uma menina acostumada com a poeira da estrada de chão e a sequidão do sertão, onde água, quando tinha, só na torneira ou na bica. Tentar conceber a imagem de um lugar cheio de água que cobria todo o horizonte, até onde os olhos podiam alcançar, era um misto de curiosidade, incredulidade e temor.
Aos poucos, dentro daquele pequeno universo, a pequena menina foi crescendo. Um dia brincar de boneca já não era tão interessante e a vida naquele bucólico vilarejo ficava chata demais com o passar dos dias. Seu único desejo era poder sair daquele lugar para conhecer o tal do mar. Ela sempre ouviu falar sobre o barulho que ele fazia quando quebrava suas ondas nas rochas, de como conseguia engolir embarcações gigantescas e até mesmo o sol todos os dias. Ela ouvia histórias dos tesouros que o mar escondia e dos peixes que poderiam ser maiores do que a sua própria casa. A menina ficava curiosa, tentando imaginar como as pessoas conseguiam atravessar de um país para outro através das suas águas. Era uma imagem grande demais para sua pequena mente alcançar, mas mesmo assim ela se apaixonava cada vez mais por aquele sentimento. Chegava até sonhar com o que poderia ser o mar ou, pelo menos, com o que ela achava que seria o mar.
Seu aniversário de 15 anos se aproximava e ela pediu ao pai para não fazer festa. Queria uma viagem de presente. Naquela época, uma moça fazer 15 anos, era um acontecimento com porte de desfile de feriado nacional com honras militares. Mas ela estava disposta a abrir mão daquele momento tão esperado por sua família, para realizar o grande sonho de sua vida. Conhecer o mar.
O pai não teve outra escolha, a não ser cumprir o desejo da filha. Afinal eles nunca haviam viajado para tão longe juntos, e era justo realizar o único pedido da pequena filha que estava virando moça.
Viagem preparada, passagens compradas no guichê da estação de trem. Teve até bandinha para se despedir da menina no dia do seu aniversário. Era uma longa jornada até chegar no litoral, mas a menina nem prestava atenção nas paisagens que iam aparecendo na janela do trem.
— Pai, você já viu o mar?
Perguntava a menina, tentado tirar o máximo de informações do pai para construir sua própria imagem do mar. E ele tentava descrever como podia, hora rindo, hora impaciente com a quantidade de perguntas sobre o mar.
A viagem levaria uns dois dias, mas ela não se importava, valia o sacrifício para ter o sonho realizado.
Chegando o grande dia, já estavam se aproximando do litoral. A menina eufórica nem quis passar no hotel, foi primeiro para a praia. A primeira lágrima escorreu dos olhos dela. Era lindo o que via, nada do que ela imaginou era tão grande e estonteante como o que ela estava vendo e presenciando naquele momento.
— Pai, eu posso chegar perto dele?
Perguntou a menina, ao pai, sem conseguir segurar as lágrimas misturadas com o sorriso mais radiante que ele já tinha visto nela. Antes que ele respondesse, ela já corria pela areia da praia tirando os sapatos.
Ela só queria chegar perto o suficiente para descobrir se a água era tão salgada e gelada quanto falavam. Ela já começava a sentir a areia molhada na sola dos pés e de repente, a euforia se misturou com um medo que ela nunca havia sentido antes. Todas as histórias que ela já tinha ouvido sobre o mar, até então, começaram a vir à sua mente ao mesmo tempo. A violência do barulho das ondas quebrando na areia a segurou por um momento até que, calmamente, a sobra de água de uma onda avançou pela areia e cobriu seus pés lentamente. Ela levou um susto, quis fugir, mas aqueles poucos segundos se eternizaram e a paralisaram enquanto a água escorria novamente para o mar fazendo cócegas na sola dos pés da menina.
O medo aos poucos se transformou em confiança e a menina tentou chegar mais perto do mar e o mar também se aproximava dela com ondas cada vez mais fortes. Ela teria que escolher entre não provar o mar ou molhar o único vestido que tinha ganho de aniversário. Até que, sem esperar, de repente, uma grande onda a cobriu e a molhou por completo. Pronto, já não havia mais o que escolher, a surpresa da onda a fez se entregar por definitivo àquela nova experiência.
A menina finalmente encontrou o mar e o mar a encontrou também.
Em nossas vidas também é assim: Nos relacionamos com Deus da mesma forma que esta menina se relacionava com o mar. Vivemos na sequidão e expectativa de encontrar um Deus que, às vezes, só conhecemos de ouvir falar. Ouvimos o testemunho de terceiros sobre suas experiências com a regeneração, cura e perdão experimentados em Deus. Nada do que imaginamos pode chegar perto do que Ele realmente é e significa mas, muitas vezes, quando temos a oportunidade de prová-lo e conhecê-lo de fato, temos medo de molhar nossa aparência. Perdemos, então, a oportunidade de vivenciar este poder de Deus em nossas vidas. Para experimentá-Lo precisamos nos envolver profundamente.
Conhecer Deus por inteiro é a maior experiência que alguém pode desejar e alcançar em toda a sua vida. Nada se compara ao seu poder e glória, nenhum oceano consegue ser maior ou mais profundo que o amor e perdão nEle encontrados para cada um de nós.
Buscá-lo, pode ser uma longa jornada, mas quando nos encontramos com a plenitude de Sua Glória não conseguimos deixar de tocá-lo ou ser tocados por Ele. Quando encontramos Deus, ao mesmo tempo somos achados por Ele. Algumas vezes somos pegos de surpresa por Deus e depois disto não há mais como voltar atrás.
Um dia, até mesmo o mar se rendeu à Palavra Viva de seu Criador. Quem tem poder para criar e dar ordens ao mar, tem poder para trazer abundância de água a qualquer deserto. Mais que o mar, quem o criou deseja transformar a sequidão do pecado e da morte em abundância de água viva de graça e misericórdia. Permita, hoje, que a onda do amor de Deus inunde sua alma e lhe traga vida.

O Deus que pairava sobre as águas te abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!

VIA
OVELHA MAGRA (Pr. Pablo Massolar).

O PERDÃO É UMA PERDA MUITO GRANDE, SACOU?

Por Pablo Massolar

“Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós.” Mateus 6:14

“Perdão”. Palavrinha difícil esta… É incrível como muitas pessoas, não poucas, tem uma dificuldade gigantesca em lidar com este assunto. Não raro, vejo muita gente sendo devorada e corroída por dentro através das feridas inflamadas e purulentas que estão guardadas nas lembranças. Às vezes estas memórias estão escondias atrás de grandes muralhas de rejeição, impaciência, depressão, melancolia, autocomiseração, irritabilidade e algumas vezes transmitem uma falsa sensação de força, mas sempre acabam se revelando na brutalidade com que a dor retorna de vez em quando e a gente tenta esquecê-la sem sucesso.
Cresci ouvindo a sabedoria popular e ela dizia: “quem bate esquece, mas quem apanha não.” Esta é uma verdade que acompanha invariavelmente qualquer ser que tenha consciência de si memo.
A ofensa, o tapa, a humilhação, a traição, o roubo, o abuso, o abandono, a injustiça… Seja qual for o nome que você dê à sua ferida de estimação, por mais que se coloque sobre ela o peso do tempo ou da dureza de levar a vida amargamente, dificilmente ela vai cicatrizar, no máximo vai criar uma leve casca, mas ao menor toque vem à tona a dor novamente carregando consigo todo o potencial doloroso da lembrança de quando a ferida foi aberta.
Alguns vão vivendo como podem, ou melhor, vão morrendo aos poucos como podem. São leprosos de alma, vão levando a vida tomando sobre si armaduras e carapaças como pesadas vestiduras, erguendo seus castelos e fortalezas contra o menor sinal de um novo dano ou machucado. Nem dá para saber se é autodefesa ou autopunição. Muitos vão chorando pelos cantos, sozinhos na escuridão da noite, enxugando suas lágrimas internas e externas como dá, tentando não deixar ninguém perceber a sequidão que é viver assim. É preciso manter as aparências, dizem eles. Outros provocam o mundo com as mesmas dores com que foram afligidos, é quando o traído, por exemplo, tem uma neurótica e compulsiva vontade de trair também para mostrar, inconscientemente ou não, ao mundo que isto dói e muito. Ou quando o humilhado ameniza sua dor humilhando e pisando em qualquer outra criatura que venha ao seu encontro.
A mágoa e o rancor sempre procuram um culpado, disso não se escapa. O problema é que, às vezes, na falta de se encontrar um “bode expiatório”, muitos culpam a si próprios. Com ou sem razão muitos outros, pela falta de coragem para assumir seus erros, vão espalhando suas culpas obsessivas por seus familiares, amigos e inimigos próximos. Nem o próprio Deus, o Criador, escapa do alvo daqueles que querem achar, de qualquer jeito, um culpado para sua tristeza e dor. Estes vão sorteando nomes e culpados para suas feridas como quem distribui as cartas de um baralho numa mesa de Poker.
Faz tempo que muitos desistiram de viver, alguns literalmente, carcomidos por suas dores internas. Já dizia o sábio Shakespeare:“Guardar uma mágoa é como tomar um copo de veneno e torcer para que o seu agressor morra.” Parece irracional, mas o que o famoso escritor inglês descreveu nesta frase é a lógica inversa da cura para toda essa dor que tanta gente carrega e alimenta durante anos a fio. É provado cientificamente que o rancor arquivado pode ser somatizado pelo corpo através de doenças como câncer, gastrite, enxaqueca, cólicas agudas, doenças da pele, distúrbios hormonais, depressão e outras neuropatias sérias.
Etimologicamente perdão é o ato de não imputar a um transgressor a necessidade de pagar pelo erro cometido, ou seja, perdoar é o mesmo que liberar um condenado ou um réu de cumprir uma sentença, é como dizer a um presidiário amarrado na cadeira elétrica: “amigo, levanta daí, não vamos mais ligar a corrente elétrica em você. Você será liberado agora!” Aí está o grande problema encontrado na palavrinha “perdão”: quem perdoa perde muito. O perdão fere nosso senso comum de justiça, principalmente quando os ofendidos somos nós. Quem perdoa, na verdade, assume para si próprio o valor e a dor da punição. Perdoar é como ser ofendido duas vezes, a primeira pelo desafeto recebido, a segunda por abrir mão do justo direito de revidar ou se vingar.
Mas, acredite em mim! Por experiência própria e por ver muitos outros amigos vencendo seus dramas interiores e encontrando denovo o caminho da cura integral. Posso afirmar com a autoridade de quem já experimentou e tem aprendido a experimentar a dádiva de perdoar: existe muito mais benefício em não “cobrar a ofensa” do que alimentá-la dentro de você. Tenho consciência de que não é uma atitude fácil de se tomar, é verdade. Algumas vezes a sensação de náusea, confusão mental e de dor é muito mais forte do que qualquer argumento lógico e racional a favor de liberar ou não o seu perdão.
Não digo isso porque me considero bonzinho, realmente não sou! Tenho meus defeitos como qualquer outra pessoa. O que tenho aprendido até aqui é que, na maioria das vezes, esta capacidade para tomar tal atitude simplesmente não vem de nós. A única força capaz de superar a mágoa e remover toda raiz de amargura é o amor. Ele, o amor, vence todas as coisas, vence até a morte. Não é por acaso que João, o apóstolo, escreve em sua epístola afirmando categoricamente que Deus é amor. Sim, a essência de Deus é o amor.
A única fonte verdadeiramente confiável de amor é Deus, muitos são os textos revelados por toda a Bíblia que expressam este envolvente e imensurável amor de Deus pela sua criação e de forma especial pelo ser humano. Este amor sobrenatural nos ensina a viver e caminhar em direção à cura de nossas feridas emocionais e existenciais.
De forma contundente, o apóstolo Paulo afirma em sua carta aos Romanos, capítulo cinco, verso oito, dizendo: “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.” Não houve merecimento nosso, não foi o esforço humano que provocou uma reação de perdão de Deus para nós. Foi simplesmente por amor e espontaneamente. A teologia moderna chama isto de solidariedade de Deus em relação ao ser humano, mas a Palavra Revelada chama a isto de Graça. Sem preço, sem barganha, Ele, Deus, fez isto antes que qualquer um de nós pedíssemos ou merecêssemos.
A boa notícia é que em Jesus, Deus ofereceu perdão gratuito a toda humanidade, isto inclui a você e eu. É este mesmo amor que nos convida, igualmente, a perdoar quem nos tem ofendido. O perdão que liberamos hoje retorna como bálsamo, alívio e cura para nossas dores.
Em Jesus, o perdão não é condicional, é mandamento incondicional pois somos perdoados com a mesma medida em que perdoamos. Quando perdoamos nos enchemos mais um pouco de Deus, é como se Deus reconhecesse em nós algo em comum e viesse nos dar um “olá!”.
Então… Quer ser curado? Perdoe! Quer ser liberto? Perdoe! Quer ser realmente feliz? Perdoe!
Talvez você até encontre alguma dificuldade para dar este primeiro passo, mas tenha certeza que o Doce e Santo Espírito de Deus é quem nos auxilia em nossas fraquezas. Ninguém melhor que o Criador para sondar sua mente e espírito nesta hora e saber exatamente do que você precisa. Ele já lhe deu neste dia um coração batendo, isto já é o suficiente para você, como eu, reconhecer que sem Ele nada somos. Acredite! Mesmo no conturbado e obscuro mundo em que vivemos, mesmo diante da morte, da dor, de poderes sobrenaturais da maldade, com a perturbação do passado, do amedrontado presente ou da incerteza do futuro, nada é capaz de nos separar deste gigantesco amor de Deus por nós. Precisamos dele, esta é a mais pura realidade. A única coisa a fazer então é dizer: Deus, me ajude! O resto já é com ele.

O Deus que ensina a perdoar te abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!

Pablo Massolar – Via Ovelha Magra

VIA HERMES C. FERNANDES (VISITEM!)