WASHINGTON AQUINO – O GRANDE DESAFIO DE FALAR SOBRE ESPIRITUALIDADE IV

Sem um ideal unificado é praticamente impossível vivenciar e reconhecer a dimensão espiritual da existência.
Nenhuma prática semelhante a religiosa que transforma a atividade dita “espiritual” numa atividade social, entre as muitas atividades cotidianas, tem o poder de conduzir seu aspirante a uma experiência genuinamente espiritual, ao contrário, contribui para a fragmentação da mente.
As mil e uma distrações são uma das maiores barreiras para o despertar espiritual.
Chamo de “as mil e uma distrações” as muitas preocupações da mente com aquilo que não é essencial ao ser, mas por se encontrar o indivíduo aprisionado pela percepção imediata e superficial de seus sentidos físicos, este perde a sua conexão com o sagrado e desta forma perde a conexão com o seu próprio ser.
A espiritualidade genuína sempre dará enfâse ao autoconhecimento e a experiência direta com o sagrado, nenhum livro pode ser mais importante do que o Ser, nenhum mandamento será mais importante que uma experiência mística, nem um julgamento ou preconceito estará acima do amor.
Muitos espiritualistas vivenciam o que eu costumo chamar de “a abertura do leque” que é o período de pesquisa, leitura, onde entramos em contato com muitas vertentes místicas, filosóficas e científicas e tal como uma criança nos sentimos deslumbrados diante das novidades que surgem ante aos nossos olhos curiosos e da nossa sede de saber.
No entanto, este período também faz parte “das mil e uma distrações”. É de fundamental importância que neste período o buscador possa encontrar um caminho que melhor se adeque a sua própria natureza e faça o seu “ser vibrar”, e a partir deste encontro dar início a realização de sua “grande síntese” e a partir daí aprofundar-se neste caminho, construindo um forte relacionamento que precisará de sua dedicação para o seu amadurecimento e crescimento.
Vivemos na era da informação, por um lado isto é magnífico, o acesso a informação é realmente um direito de liberdade dos mais importantes da sociedade moderna, respeitado por alguns Estados e menos por outros. A internet tornou-se o veículo mais poderoso neste acesso a informação, apesar de que a grande massa ainda, tem a televisão como vitrine para o mundo, no entanto, há um grande risco por de trás disso.
Receber uma gama de informações massificadas desnorteia a mente, deixando-a sem direção, no entanto, há alguns valores estabelecidos pela sociedade de consumo, que procura convergir os indivíduos em torno de uma causa (que é a propriedade privada, o bem de consumo e o acúmulo de capital), o que não é suficiente para eliminar dois corrosivos para o potencial da mente, a fragmentação e a dispersão.
Sendo a espiritualidade uma extensão mais profunda da existência humana, só é possível vivência-la através da concentração, dedicação a um caminho, vigilância e entrega.
Uma mente dispersa, uma vontade pouco intensa, uma motivação menor (como a curiosidade, a obtenção de conhecimento para conquista de erudição, cumprir com um dever para com a família, para com a sociedade), uma dedicação em tempo parcial (como dedicar o domingo de manhã para ir a missa ou fazer jejum uma vez por semana num dia considerado sagrado), ter muitos livros na estante sobre espiritualidade, nada disso apresenta a força necessária para romper com padrões de condicionamentos profundamentes enraizados e para desfazer os bloqueios que impedem o individuo de ter contato com o sagrado presente em seu próprio ser.
Isto quer dizer então que para um indivíduo ter acesso a espiritualidade ele precisa habitar num mosteiro ou transformar-se num sacerdote e se entregar em tempo integral a causa?
Não!
Se alguem sente-se impelido por sua natureza a seguir um desses caminho, ótimo! Mas não é necessário e obrigatório segui-los para ter acesso a espiritualidade genuína.
No livro Quatro Yogas de Auto-Realização, o seu autor; Swami Vivekananda nos apresenta quatro caminhos para o despertar espiritual, o caminho da ação ou obras, o caminho do conhecimento, o caminho da meditação e o caminho da devoção.
Vamos dizer que um indivíduo, devido as suas características de uma personalidade introvertida, decida por seguir o caminho da meditação, isto não significa que ele vai abandonar tudo em sua vida e só meditar, mais ele irá transformar por meio de sua consciência tudo aquilo que pertence a sua vida em meditação, caminhará com atenção plena, comerá, trabalhará, cuidará de sua higiene pessoal com presença de espírito, sentará muitas vezes no seu cantinho de paz para meditar, ou fechará os olhos dentro de um transporte publico vontando para dentro de si e também meditará, ou seja, o ponto de união e concentração para este individuo alcançar a realização da dimensão espiritual de sua existência será a meditação.
Eu como estudante de Um Curso em Milagres estabeleço a paz profunda como minha única meta e a partir deste propósito unificado, procuro desfazer tudo aquilo que pode perturbar a minha paz e assim superar todos os conflitos e limitações, seja qual for a atividade que eu esteja realizando neste momento, o propósito é de proporcionar paz ao meu semelhante e a mim mesmo, acredito que através deste estado de profunda paz, torne-se possível ouvir a orientação de uma mente unificada em Cristo e ter por este meio a revelação do Espírito e, desta forma, vivenciar a genuína espiritualidade.
Ou seja, se você busca a espiritualidade como um caminho de realização e vê na espiritualidade o seu propósito, é de suma importância trilhar um caminho ou ter um ideal unificado, que pode ser aplicado em todas as tuas atividades, permeando todos os seus pensamentos e ações, tornado-se uma força motriz, numa vontade que esteja acima de todas as outras, mesmo um instante de entrega plena é suficiente para a realização de milagres, só assim, através de uma entrega inequívoca será possível vivenciar a espiritualidade genuína.

Via Tempo De Despertar

WASHINGTON AQUINO – O GRANDE DESAFIO DE FALAR SOBRE ESPIRITUALIDADE III

A mente consciente possui algumas diretrizes bem definidas com relação ao que deve ou não permanecer em seu departamento, uma série de razões baseados na lógica da sobrevivência são fundamentais para esta tomada de decisão.
Uma vez tendo considerado altamente nocivo ou ameaçador um determinado pensamento cuja causa se apresenta como “insolúvel”, incômoda e inquieta, a mente trata de reprimir tais pensamentos colocando-os por debaixo do tapete (inconsciente), para que ele não seja mais visto, e desta forma, libere espaço para que a mente consciente possa continuar com o seu foco no cotidiano ordinário, buscando satisfazer suas necessidades superficiais e imediatas, dentro de sua lista de prioridades diversas.
O medo e os seus desdobramentos diversos são os “lixos” mais comuns a serem arrastados para debaixo do tapete. Quando há a decisão de fazer a faxina, se coloca o som na caixa (me diga onde você vai que eu varrendo, vou varrendo, vou varrendo, vou varrendo), e mãos a obra!
Afinal quem é que faz uma pausa no seu dia-a-dia para pensar e avaliar minuciosamente questões ligadas a morte e a impermanêcia da natureza biológica, astrológica e de todo o universo físico a não ser monges em templos distantes ou aos pés do Himalaia?
E a morte é sem dúvida alguma, um desses resíduos do pensamento consciente cujo “cheiro” insuportável é rapidamente removido do consciente para ser rapidamente varrido para debaixo do nosso tapete.
Mesmo num velório, já observaram os diálogos com os quais nos deparamos na maior parte do tempo em que nos encontramos num velório? Até piadas nós contamos! Projetos, vida profissional, férias, etc.
Um velório é como um encontro forçado, incomodo, (porque lembra o consciente, daquilo que foi varrido por ele e que está ali, mostrando não um pequeno vestígio, mas uma prova inegável do fato de que aquele lixo não pode ser completamente escondido).
E é óbvio que o grau de contato estabelecido com “aquele corpo” neste velório, determina a intensidade da tragédia ocorrida para cada um dos presentes, mas nenhum dos presentes deixa de se deparar com a questão pela qual procuramos ignorar sempre e sempre, como se corpos fossem realmente durar para sempre e desta forma podermos continuar a se preocupar com nossos problemas cotidianos.
O medo de ter que se deparar com o fato de que a personalidade tal como a conhecemos hoje, determinada pelas circustâncias da fatalidade social, econômica, geográfica, das experiências acumuladas desde a infância somado a nossas “grandes conquistas” como diplomas, status, frustrações, alta ou baixa alta estima, etc, irá de um momento para o outro – CABUM!
Não… Vamos deixar isto para lá… Deixemos isto aos loucos, aos religiosos, aos filósofos e aos monges do Tibet. Bola pra frente que atrás vem gente!
A morte é apenas um desses monstruosos medos escondidos e varridos pelo consciente, mas que obviamente não fica tão oculto assim quanto ele gostaria.
Há muitos outros medos varridos, ocultos, que não deixam de se manifestar naqueles sentimentos projetados que nós não fazemos idéia de afinal de onde surgiram…; um baixo astral que parece surgir do nada e nos faz sentir assim, por dizer meio down! Ou algum outro sentimento nauseante, ou uma irritação… Ou uma necessidade louca de comer, ou transar, ou fumar, ou beber, ou dançar, ou ler (seja qual for tua válvula de escape, porque afinal, muitas vezes ela é tua vassoura).
Acho que por medo do assunto principal, desta nova postagem em meu blog fantamasgórico, disposto a libertar-nos todos os nossos fantasmas, eu estou enrrolando e me esquecendo que blogs exigem uma liguagem menos prolixa.
O medo do desconhecido foi tão bem reprimido, tão bem compactado num formato cujo espaço geométrico encaixou-se tão perfeitamente a mandala do centro do tapete, que dá a impressão de ornamentá-lo através do auto-relevo que acompanha os detalhes da parte superior do mesmo, a ponto de raramente alguém sentir medo do desconhecido.
No entanto, este medo é tão evidente, que notamos o quanto o ser humano se agarra aos seus padrões repetitivos e encena diariamente a sua tragédia, ou tragicomédia, ou comédia ou sua pornografia, ou o que seja e evita de muitas formas, ter contato com aquilo que esta debaixo do tapete, com aquilo que pode neste momento nos rodear sutilmente ou com a arqueologia de seu próprio ser.
Percebo isto em mim mesmo, dentro do meu quarto em frente ao computador e sem sair de dentro de casa a dias.
É aí que entram as religiões, trazem respostas prontas, mandamentos, dogmas, livros sagrados e inquestionáveis para trazer o conforto as nossas mentes, (oferecendo um tapete maior e uma pá mais larga, com uma vassoura mais eficiente), como se ali não houvesse nada novo a ser explorado, nenhuma experiência mística para ser vivenciada, nenhuma transformação alquímica do ser, nada mais.
E muitos escritos sobre espiritualidade são na verdade meios de procurar tornar mais agradável o nosso velho cotidiano, acrescentando quem sabe um colorido maior, umas cifras a mais, algumas experiências humanas mais sutis e sustentáveis. (Oh! salvemos o planeta a nossa grande morada).
E existe uma lei de mercado que é a lei da oferta e procura e diante desta lei, podemos refletir sem medo, algo que eu vejo como um fato:
Há muitos seres inocentes, ludibriados por seus sonhos, que escrevem sobre espiritualidade de uma maneira tão “agradável”, preocupados em atenderem com suas ofertas a grande procura de pessoas ávidas pela prosperidade financeira, pela conquista de grandes desafios, pela obtenção de poder, pela materialização de seus desejos através da poderosa lei da atração! E desta forma elevam seus egos a altos patamares na lista dos mais vendidos da última semana de um tempo linear e absoluto! Amém!
Pessoas que vivenciam a espiritualidade genuína superaram o seu medo do desconhecido e caminham em direção ao inusitado, ao surpreendente, ao inconsciente e nem sempre encontram bases que se encaixam a lógica do mundo e de seus mercados. Eles encontram, se deparam ou se aproximam de um tesouro que não há igual na “terra” e definitivamente não estão preocupados em escrever best-sellers, às vezes, aquilo que estes possuem para oferecer não encontra grande demanda e a sua oferta é por isso tão escassa.
A espiritualidade genuína é uma revolução silenciosa.
São os ilustres desconhecidos, os anônimos iluminados.
Mas observo com grande alegria que alguns desses, estão começando a surgir para o mundo, chamando atenção para a espiritualidade genuína e cantando a maravilhosa, gloriosa e divina canção do despertar!

http://dedentrodamatrix.blogspot.com/2011/01/o-medo-do-desconhecido-da-serie-o.html

WASHINGTON AQUINO – O GRANDE DESAFIO DE FALAR SOBRE ESPIRITUALIDADE II

O Espírito tudo sabe, mas a mente nada sabe.
Enquanto a mente continuar a ser um escravo do corpo, uma mera ferramenta para manutenção e satisfação do seu conforto e de suas necessidades diárias, ela estará completamente ocupada com o plano imediato da percepção e da superficialidade e desta forma, jamais tornar-se-á um canal de comunicação com o Espírito.
Só é possível aproximar-se da espiritualidade tal como uma criancinha aproxima-se de um adulto como Jesus, com o espírito de total inocência, sem nenhum conhecimento, e com total respeito diante de um mestre.
Um adulto aproximar-se-ia de Jesus com muitas queixas e pedidos, no intuito de utilizar a espiritualidade como uma ferramenta que possibilite a manutenção de sua complexa vida material, ou seja, ele poderia falar de sua família, das dificuldades do relacionamento com seu conjugue, da educação dos filhos que não mais obedecem aos seus pais como antigamente, das dificuldades profissionais que tem vivenciado em seu emprego; inclusive com o risco de ser brevemente demitido, da manutenção necessária da reforma de sua residência ou da cirurgia que em breve precisará fazer e que espera que possa ocorrer tudo bem…
É desta maneira que as religiões oficiais e o homem pseudo-religioso trata a Deus, como um empregado, que esta ali para resolver questões do nosso cotidiano, alguém que precisamos rezar para fazer súplicas e pedidos, cujo corpo para o homem religioso, da mesma forma que para o homem materialista é o centro de todas as preocupações, o seu conforto, o seu prazer e a sua segurança.
É como se Deus além de empregado ocupasse um cargo de baixo escalão e sem nenhuma visão, incapaz de saber quais são as nossas necessidades, alguém com quem precisássemos realizar complexas negociações, do tipo daquela que se ensina para as crianças, se você se comportar bem durante o ano todo, com certeza o papai Noel vai atender o seu pedido, neste caso, se seguirmos os seus mandamentos e não pecarmos, com certeza ele nos reservará o paraíso.
O que é isto senão um subterfúgio utilizado para educar a humanidade em estado infantil? Uma maneira de amedrontar seres selvagens para estabelecer a ordem social, por meio da crença de que um inferno os espera, caso estes se comportem mal?
E a religião falhou totalmente na sua forma infantil de tratar a humanidade, pois não conseguiu “amansar as feras”, não estabeleceu a ordem social, não trouxe respostas, mas apenas aumentou as confusões, as separações, fomentou o ódio e a guerra e aumentou estigmas e preconceitos, tal como hoje vemos nas religiões evangélicas, cujos pastores passam tanto tempo pregando contra os homossexuais ao invés de ensinar o perdão, o amor ao próximo e de que a nós humanos não nos pertence o direito de julgar, respeitando assim os ensinamentos cristãos(com certeza, um homossexual que amar ao próximo como a si mesmo e a Deus acima de todas as coisas e com todas as suas forças, praticando o perdão, abrindo mão de julgamentos e vivendo com espírito de paz e fraternidade com seus irmãos, estará realizando o cristianismo dentro de si).
São por estes e muitos motivos que a religião caiu no ridículo e qualquer pessoa com um pouco de inteligência e amadurecimento se tornará anti-religiosa (a não ser que pratique o perdão), e desta forma, a própria religião fomenta o ateísmo, por este motivo também Nietzsche escreveu que só houve um cristão verdadeiro em todo o mundo, e este morreu na cruz.
A espiritualidade nada tem haver com a religião.
A espiritualidade abre uma porta para o autoconhecimento e por meio deste, um questionamento radical a respeito de todos os valores humanos, o espiritualista não questiona para colocar a crença dos outros em cheque, mas para colocar suas próprias crenças em cheque.
Ao conceber a hipótese da existência de um princípio espiritual, ele também concebe a hipótese de que este princípio é transcendente e esta além de todos os valores e conhecimentos humanos, e compreende a idéia de que o Espírito como criação de um Ser Perfeito (Deus), é também expressão da perfeição, da imortalidade, da plena bem-aventurança, da completa sabedoria e das qualidades intrínsecas da divindade.
São estes os motivos que faz do ato de escrever sobre espiritualidade algo profundamente complexo, porque a espiritualidade é a porta para o desconhecido do qual o único meio de contato com este universo espiritual é por meio da disponibilidade e experiência direta.
Mas para se chegar a isto, é muito importante o trabalho de desconstrução, para que possamos responder o que não é espiritual, retirando assim os bloqueios e as falsas crenças que impedem o indivíduo de abrir-se para a verdadeira dimensão da espiritualidade.
Portanto, todo ato de transformar a espiritualidade em uma ferramenta para facilitar a vida humana em suas relações materiais, sociais e econômicas, nada tem haver com a espiritualidade genuína, seja esta pregada por meio das grandes religiões na busca de satisfazer as necessidades das massas, ou seja por meio de um movimento alternativo que busca desenvolver habilidades “espirituais”, mentais ou mágicas. Tudo isto no intuito de satisfazer as mesmas necessidades que as religiões buscam satisfazer, trazendo desta forma a felicidade, tal como ela é concebida dentro dos valores da nossa sociedade de consumo, prosperidade material, obtenção de poder, realização amorosa, reconhecimento de suas qualidades especiais, etc.
Tudo isto, definitivamente não é e nunca foi espiritual.

http://dedentrodamatrix.blogspot.com/2010/12/deus-e-papai-noel-da-serie-o-grande.html

WASHINGTON AQUINO – O GRANDE DESAFIO DE FALAR SOBRE ESPIRITUALIDADE I

Muito se escreve sobre espiritualidade, mas pouco do que se escreve é escrito por meio da consciência espiritual.
Este texto, por exemplo, é mais uma reflexão sobre a espiritualidade, assim como os demais textos deste blog sobre espiritualidade, também podem ser chamados de reflexões.
O Espírito está muito além do que pode ser expresso, sua natureza divina e abstrata não pode ser reduzida a meros símbolos.
Ao falar sobre espiritualidade estamos estabelecendo um foco que tem por direção o caminho inverso ao dos sentidos, pois enquanto os sentidos estão direcionados para “fora” e são as origens de nossas percepções, a busca espiritual estará sempre direcionada para “dentro”, que é onde reside o conhecimento do espírito.
A busca espiritual genuína é rara, porque a maioria de nós seres humanos, nos orientamos a partir do autoconceito estabelecido de que nós somos o resultado histórico de um processo linear, limitado aos sentidos e ao corpo, desta forma, todos os nossos objetivos estão ligados a necessidades físicas e não espirituais.
Por esta razão, a grande massa busca as religiões não para encontrarem a verdadeira natureza do espírito e através desta vivenciar um estado de paz e plena bem-aventurança através do autoconhecimento, mas a sua busca está quase sempre relacionada a sua idéia limitada do que é segurança e de que todos nós sabemos exatamente aquilo que necessitamos para vivermos em paz. (Casa, carro, bens materiais, um excelente negócio ou emprego, realização amorosa, família unida, saúde, etc).
Por este motivo, grande parte dos livros sobre espiritualidade, escritos com boa intenção no intuito de auxiliar-nos em nossas vidas diárias, na verdade, tratam sobre leis da mente e não leis espirituais, desta forma, não visam a descoberta do espírito, mas meios de melhor utilizar nossas mentes e nossas relações, para alcançarmos o “sucesso”, tendo como parâmetro os mesmos valores estabelecidos pelo ponto de vista sócio-econômico de qualquer doutrina fundamentalmente materialista para determinar o que é o sucesso.
Por este motivo, vejo que é um grande desafio, escrever sobre espiritualidade e não há dúvidas de que poucas pessoas estão abertas e preparadas para vivenciarem a espiritualidade genuína em suas vidas.
Mas como tudo no plano da mente é um processo gradativo, mesmo a pseudo-espiritualidade é um estágio importante no amadurecimento do ser para a abertura de sua mente à genuína espiritualidade.
Manter a mente aberta é uma virtude.
Nas próximas postagens sobre espiritualidade, nosso foco será a desconstrução de algumas idéias espiritualistas amplamente aceitas, e que como veremos não são nada espirituais.
O intuito aqui não é desrespeitar crenças ou quem quer que seja (pessoa ou instituição), mas compartilhar reflexões, com àqueles cuja mente aberta se permitem ampliar horizontes através de um pensamento analítico, por meio do questionamento de todos os nossos valores, objetivando a expansão da consciência com relação a verdadeira natureza espiritual da vida.

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