POR QUE O EVANGELHO NÃO SE CUMPRE NA SUA VIDA? (CAIO FÁBIO)

POR QUE O EVANGELHO NÃO SE CUMPRE NA SUA VIDA?

Jesus disse que as Palavras Dele são espírito e são vida!
No entanto, o que Ele nos mandou obedecer como Sua Palavra se põe em oposição a tudo o que o mundo pode compreender; posto que viole as convenções da honra, da reputação, da justiça própria, da valentia que se expõe às brigas, do enfrentamento de quem deseje nos defraudar, da defesa ante a calunia, do julgamento que se tem por certo, do ódio ao que se assuma como direito em razão da ofensa; ou ainda: da antipatia que decorra dos maus tratos, ou mesmo da indiferença para conosco; e, também, dando complemento a isto, Ele fala de abrir mão do desejo de possuir, mesmo que se possa atender ao nosso capricho como poder —; e, em contrapartida a tudo, Ele recomenda a via dos otários; dos que não aceitam a provocação, dos que desviam seu caminho do enfrentamento odioso, dos que levam desaforo para casa em oração, dos que não topam o embate com o perverso, dos que dão a outra face, dos que oferecem além da capa demandada até mesmo o paletó que não foi pedido, dos que recolhem os seus direitos, os seus tesouros, as suas pérolas, por não terem nenhuma necessidade de demonstração de quem sejam ou do que pensem, especialmente quando os circunstantes tenham espirito de porco ou sejam cães raivosos.
Entretanto, mesmo sabendo que este é o espirito do ensino de Jesus para a vida, a maioria dos que se dizem Seus discípulos, odeiam tais mandatos, tal espírito e tal vida.
O interessante é que mesmo nada querendo com as palavras que são espirito e são vida segundo Jesus, esses mesmos discípulos querem que a Palavra de Jesus se torne real sem que tais realidades da Palavra — seus conteúdos —, se tornem fatos, princípios, atitudes, posturas, sentimentos, decisões e práticas de nossas vidas e cotidianos.
É como querer habitar a profundidade dos mares sem guelras, como desejar voar sem asas, como ambicionar correr sem pernas, como pretender respirar sem pulmões, como buscar ver sem olhos, ouvir sem ouvidos; ou seja: é como quer ser sem alma e sem espírito!
O que vejo nas ambições dos crentes que querem que a Palavra se cumpra sem obediência à própria Palavra é equivalente a todas as formas de insanidade!
O argumento da maioria é que Jesus disse o que disse para nos dar referencias superiores, mas que, de um modo ou de outro, se crermos Nele, não necessariamente em Suas Palavras, mas no Seu poder, nas Suas milagrices, nos Seus dons de cura, nas Suas magias, ou, em algumas ocasiões, cremos também numa espécie de sequestro da honra de Jesus, quando se diz: “Eu sei que tu és Deus; então não me desapontes, pois estou confessando com a boca que Tu és o Maior dos maiores; não me deixes ficar, portanto, envergonhado ante aqueles a quem eu declaro o Teu poder sobre os ídolos!” — Ele fica sem saída; sendo esta uma formula mágica de uma crença muito divulgada acerca do encurralamento de Deus; crendo-se, assim, que desse modo se O põe a trabalhar em nosso favor em nome da Honra do Nome de Jesus para os outros; embora, para nós, Jesus seja apenas um nome destituído de pessoalidade, caráter, ensino, verdade e convocação à obediência; sempre esquecidos de que Ele disse: “se me amais, guardareis os meus mandamentos”; e mais: “…vós sóis meus amigos se fazeis o que eu vos mando”.
Então com esse Nome/Crença na boca […] pulamos do pináculo do templo, aventuramo-nos contra os perversos, saímos no tapa em nome da honra ou da valentia; e mais: damos pérolas aos porcos, odiamos os que nos odeiam, antipatizamos os diferentes, julgamos quem achamos que deve ser julgado, andamos no caminho largo dos caprichos, edificamos nossa casa na areia, ficamos amigos do lobo vestido de ovelha [ou até casamos com ele ou ela]; enquanto, também, pedimos misericórdia de Deus para a nossa incapacidade de obedecer, de guardar puro o coração, de perdoar sempre, de amar os nossos inimigos, de orar pelos que nos perseguem; sim, rogamos a Ele que nos perdoe o adultério do qual nunca desistiremos, que nos justifique do que sabemos e não nos dispomos a pôr em prática em relação ao que ensinamos aos outros, mas, para nós mesmos, não acolhemos como espírito e vida.
Então […] — apesar de tudo isto, reclamamos que a Palavra não nos faz bem, não realiza o prometido, não trás a paz que excede a todo entendimento, não nos faz viver em contentamento verdadeiro, não qualifica a nossa existência com a vida em abundancia.
O conceito de insanidade é fazer sempre as mesmas coisas [erradas], esperando obter resultados diferentes!
Ora, no caso das Palavras de Jesus a insanidade é ainda maior, posto que Ele tenha dito que todo aquele que ouve e conhece as Suas palavras, e não as pratica, é um tolo que constrói sua casa na areia de uma praia na qual a maré sobe todo dia; e mais: as intempéries nunca deixam de assolar.
Eu teria muito mais a dizer sobre isto, mas deixo com você a busca de aplicar na sua existência, com toda simplicidade obvia […] estes pensamentos infalíveis; posto que não seja filosofia minha, mas a pura, simples e irrebatível Palavra de Jesus.
“As minhas palavras são espírito e são vida” — ; mas apenas para os quais elas [as palavras] se tornem espírito e vida mesmo; ou seja: interioridade, pensamento, entendimento, prática, atitude e comportamento. Do contrário, creia, é loucura pensar que não sendo assim possa realizar qualquer coisa em nossa vida.
Nele, em Quem somente é […] aquilo que Ele disse que é,

Caio
21 de janeiro de 2012
Lago Norte
Brasília
DF

VIA CAIO FÁBIO

PRESO NA ILUSÃO DE SI MESMO! Caught in the prison of himself!

PRESO NA ILUSÃO DE SI MESMO!
Caught in the prison of himself!

POR ALSIBAR BARBOSA

Quais os perigos da autoilusão e do autoengano? Qual é a dinâmica da autoilusão? Será que apenas os autoproclamados gurus correm o risco de ficarem presos em suas autoimagens e ilusões? Como podemos evitar esse problema? Qual a importância da meditação, reflexão e autorreflexão? Vamos refletir sobre isso?
Alguns assuntos dos meus posts surgem de repente. Não sei como. Não sei de onde. “Out of the Blue”. Vem do nada, como se diz em Inglês. Este que hora vos apresento surgiu assim. Achei um título forte e verdadeiro. Embora, até este exato momento, eu ainda não tenha a mínima noção sobre o que vou escrever. Claro que conheço do assunto. Mas ele é muito vasto e amplo. Pode versar sobre vários tipos de Ilusão: a ilusão do EGO, da autoimagem, da ignorância, dos desejos, do materialismo, das crenças etc. Enfim, o título acima pode versar sobre várias coisas. E você pode estar se perguntando porque estou escrevendo desta maneira. Explico-me: se vou falar sobre reflexão, devo começar refletindo sobre o próprio ato de escrever (metalinguagem).
A Ilusão detesta reflexão. Ela sabe que a reflexão liberta. Não é à toa que em todos os casos de lavagem cerebral, a primeira coisa que se destrói é a capacidade reflexiva da vítima. São como água e óleo. Sombra e luz- simplesmente um não pode coexistir com o outro. Ambos se anulam. A ilusão se instala quando morre nossa capacidade de refletir sobre nós mesmos e o mundo. Todos os iluminados (verdadeiros) sempre insistiram na importância da capacidade reflexiva. Foi assim com os maiores filósofos clássicos, foi assim com Jesus e Buda e também com os grandes iluminares contemporâneos. Sem reflexão e autorreflexão corremos um grande risco de nos desviarmos do caminho. E ficarmos presos na própria Ilusão. Não é raro isto acontecer. Pelo contrário, é muito comum e corriqueiro. É um grande risco na jornada do autoconhecimento. O caminho da percepção de si é longo e cheio de armadilhas. Por isso, iremos tratar deste assunto, com o máximo de reflexão e cuidado. Você é o nosso convidado nesta viagem para dentro das nossas próprias Ilusões . Seja muito bem vindo e boa leitura!
Por que será que é tão fácil iludir-se? Um simples deslize, uma simples distração e, de repente, estamos lá, presos em mais uma Ilusão. Não é a toa que o grande mestre Jesus insistia tanto no “orai e vigiai”. Ele sabia o quanto é fácil ao homem “cair em tentação”. Há vários tipos de ilusão: acreditar que somos somente matéria . Acreditar que o dinheiro compra felicidade. Acreditar que somos um EGO permanente e eterno. Acreditar que a Meditação tem haver com técnicas. Seguir os gurus acreditando que eles poderão lhe dar a iluminação, paz ou felicidade. Acreditar em um monte de coisas só porque aquilo me convém. Não acreditar em nada só porque me convém também. Acreditar nas religiões e nos movimentos religiosos como caminho para Deus. Acreditar que a Felidade está nas coisas ou numa pessoa específica. Ser dominado pelo medo, desejos e pensamentos descontrolados. Enfim, o leque de Ilusões é bem variado. O mundo está dominado por ela. Maya ou Ilusão, está na raiz de todos os nossos problemas, tanto em nível coletivo quanto individual. Mas, uma das ilusões mais destrutivas e sutis, é a ilusão que nos prende a nós mesmos. E como é isso? É o que veremos no próximo parágrafo.
Ora, quem somos nós? Para respondermos a esta pergunta, temos primeiro que nos autoconhecer. Alguma vez você já se olhou sem medo? Já viu seus motivos, suas raízes, aquilo que está na base das suas ações e atitudes? Se realmente você teve a coragem de se olhar, deves ter visto que a base da maioria de nossas ações é o medo e o desejo. Em outras palavras, somos medo e desejo. É daí que se desdobra quase todas – senão todas – nossas ações, fazendo-nos ser o que somos. Tendo estes dois venenos como base do nosso ser, surgem daí uma série de reflexões : por que faço o que faço do jeito que faço? Qual é a razão? Exemplo: porque creio nos gurus e os sigo? Porque vejo neles o caminho para o Céu, o Nirvana, para a Libertação ? E por que quero isso? Será que não existe aí uma prisão? E o que me prende? Não é o desejo? O desejo de ter o que não tenho, de ser o que não sou, o desejo de alcançar a iluminação etc? Quero ter o que penso que o guru tem. Geralmente paz, felicidade e sabedoria. Mas isso se alcança através do desejo? Será mesmo que alguém poderá me dar a felicidade, a paz e a sabedoria?
Nesta busca por Iluminação, o que geralmente vemos por aí é muita Ilusão. O processo é muito simples: leio alguns livros de sabedoria, ocultismo e filosofia, visito alguns “gurus”, escolas e mosteiros. E depois de um certo tempo me sinto um “iluminado”. Leia-se : alguém livre para explorar e ser explorado. Se é de forma consciente ou não- não sei. É daí que surge a maior e mais perigosa de todas as ilusões: considerar-se Iluminado. Existe algo que o EGO mais goste, mais aprecie, mais ame? Ele deixa de ser um reles “ João-Ninguém” e de, uma hora pra outra, vira “o guru Iluminado”. Alguém acima da massa ignara. Acima dos pobres mortais. Na maioria das vezes, isso se torna um grande negócio. Funda-se uma organização em que seu rosto e nome estão sempre estampados. Que raios de iluminado é esse? Onde já se viu iluminado, ser marqueteiro de si mesmo? E porque ele tem que viver a custa dos outros? Explorando os outros? Porque não dá o exemplo a partir de si mesmo? De sua própria vida? Como alguém assim pode considerar-se liberto e, ainda, preparado para libertar os outros?
Mas a ilusão dos “autoproclamado iluminados” é algo que ainda precisar ser estudado com mais cautela. Poderia haver estudos específicos sobre as características deste fenômeno psiquíco. O problema é que muita gente embarca nessa barca furada e quem passa por isso, nunca admitirá ser ‘estudado” ou analisado. Pelo contrário, são considerados os seres psicologicamente mais “sãos” do planeta – pelos discípulos e por ele próprio- obviamente. Em geral, começam uma organização que lhes dão todo apoio e sustentáculo. E a blindagem necessária para continuarem se sentindo seres “especiais”. Inicia-se, assim, uma deplorável tradição de “cegos guiando outros cegos”. E o absurdo disso tudo, é que , mesmo quando o cego fundador morre, os cegos seguidores continuam seu trabalho. E a cegueira se gereraliza. Antes, pelo menos, o líder, que geralmente tem um pouco de inteligência, estava ali. Era uma coisa viva. E quando ele “se vai” passam a cultuá-lo como um Deus. Passam a venerar lembranças mortas e vazias de alguém que já se foi. Em pouco tempo, o movimento torna-se apenas um centro de adoração e culto à personalidade do fundador. Preciso dar exemplos? Não serei tão tolo a este ponto. Os exemplos estão aí. “Quem tem olhos para ver, que veja”.
Mas, não são só os autoproclamados iluminados que me preocupam. Nós todos corremos este risco de ficarmos presos em nossa própria autoimagem. Se você se considera inteligente, sabido ou superior a qualquer pessoa… Cuidado! Sua autoimagem está começando a dominá-lo. E que triste é a nossa sina quando caimos escravos de nossas imagens. Se você se considera sábio, iluminado, salvo, “cabeça” e isso lhe dá uma sensação de superioridade em relação aos demais… Muito cuidado nessa hora. Faça uma autorreflexão. Uma grande ilusão pode estar se instalando no seu ser. Os clássicos estão cheios de exemplos em que a autoimagem torna-se uma praga, uma maldição. Foi assim com Narciso que tornou-se preso de si mesmo. Encantado com sua própria beleza. No clássico conto de fada, da Branca de Neve, o grande vilão era a Bruxa malvada e seu espelho bajulador. O espelho é o EGO, sempre lhe dizendo que você é o melhor, e sempre atiçando a inveja, o ciúme e a disputa insana.
Isso não significa que não devemos nos amar ou cuidar de nós mesmos. O que quero dizer é muito simples. E se você tem dificuldade de entender, talvez precise de uma autorreflexão- algo o está impedindo de ver uma verdade muito simples sobre si mesmo: amar a si mesmo é algo muito diferente de sentir-se superior ou melhor do que os outros. Sentir-se “Iluminado” deveria ser o primeiro “alerta”, o primeiro “alarme” de que algo está errado. Se a pessoa sente-se assim, é porque não é. Iluminação ou sabedoria, surgem quando não há mais a sensação de “Eu sou isso, ou eu sou aquilo”. É somente quando estamos totalmente esvaziados do conteúdo de nós mesmos – que é o EGO- é que realmente algo se instalou ali. Não há luz quando há trevas. Não há Iluminação se o EGO ainda lhe prende a uma autoimagem mental. Puro desejo de querer ser algo ou alguém. E por que queremos ser algo ou alguém? Por que queremos fama e dinheiro? Porque queremos ser reconhecidos? Por que procuramos nos “dar de bem” às custas dos outros? Por que interiormente me sinto um fracassado e através da imagem do guru quero ser aplaudido, adorado e bajulado? Olha aí de novo o desejo.
Mas, poderiam perguntar, como nos livrarmos desse engodo? Como podemos nos prevenir de tal escravidão ? A autorreflexão pode nos ajudar. Mas se não tivermos sinceridade em nossos corações não iremos muito longe, pois evitaremos refletir sobre o que realmente interessa e importa. Reflita sobre suas atitudes. Observe-as. Olhe seus motivos, suas raízes, sua base. Mas olhe com coragem e sinceridade. Será realmente que você é o “rei da cocada preta”? Será mesmo que você se “iluminou’? Mas, como pode ser, se “iluminação” nada tem a ver com a “idéia de iluminação”? Será que essa sensação de paz e felicidade que você diz sentir, vem da percepção da Verdade, ou do seu desejo de viver e sentir isso? Será mesmo que o êxtase e a Ananda que dizes sentir, provêm do Desconhecido, ou ainda está no campo do conhecido? Será que tudo o que digo sentir, não é apenas um resultado do meu desejo? Será que não estou com medo de admitir para mim mesmo e para os outros que estou me iludindo?
Mas… não! Como ficarão meus seguidores e bajuladores? O que direi para aqueles que depositaram em mim suas confianças, seu dinheiro, sua vida? Não. Não posso suportar a ideia de ser publicamente desmascarado, ridicularizado. É humilhação demais para o meu EGO. Ele não suportaria. Ou seja, tenha cuidado para não chegar até este ponto. Vigie, de modo a extirpar a raiz da Ilusão logo no começo. No comecinho, enquanto ainda estás livre das detestáveis organizações. Pois elas, as organizações, parecem um monstro que se vira contra seu dono. Elas passam a ser mais poderosas que seus fundadores e líderes. Uma organização, por natureza, precisa expandir-se, crescer e, para isso, precisa lucrar. E para lucrar muitos exageram na dose. Poucos, muito poucos tem a ética necessária para diferenciar o que é lícito, do que é ilícito. O que é razoável do que é exagero. Aí começam as velhas enganações e os velhos discursos: “ Não fazemos isso por nós, mas pela obra”. “ Estamos trabalhando por uma causa maior: libertar as massas”. “ Estamos a serviço de Deus e por isso vale tudo!” Será mesmo?
E assim, o EGO, Maya, usa de todos os artifícios para justificar para si mesmo e para os outros todo tipo de crueldade, abuso e exploração. Foi assim com as Cruzadas e os Tribunais de Inquisição. Está sendo assim agora, com todas as organizações religiosas que exploram o homem, na sua ânsia de expandir e crescer. Estão sempre se escondendo atrás da idéia de que estão à serviço de uma causa nobre, maior do que eles próprios. Mas na verdade estão a serviço de si mesmo, de sua própria manutenção e expansão. Tudo o que querem é crescer e expandir-se cada vez mais. Querem o poder e o dinheiro. Nada mais. E para isso vale tudo. O fim passa a justificar todos os meios. Por mais cruéis, abusivos, imorais e antiéticos que sejam. Por isso a corrupção se instalou no mundo. Porque ela está primeiramente dentro de nós. Porque nos consideramos muito puros, acima do bem e do mal. Mais uma vez a autoimagem nos destruindo. Mais uma vez cegamos nossos próprios olhos para não vermos o que nos salta aos olhos. E enquanto tivermos veneração por nós mesmos, enquanto não compreendermos que não somos nada e que nada, ABSOLUTAMENTE nada nos pertence, o EGO irá nos ludibriar, enganar e destruir. Mas o EGO se apossa desse discurso, fica preso a esta idéia e por isso nunca chegará a sentir um estado além de si mesmo. Pois este estado não é uma ideação. Se me sinto como “Deus” é porque ainda não me tornei. Quando realmente ultrapasso os limites da Ilusão e do EGO, não me sinto mais coisa nenhuma. Uma consciência livre é uma consciência que não afirma nada, que não diz nada, que não se apega a nada. Nem mesmo e, principalmente, a ideia de ser algo, ou alguém.
Tome um chá de autorreflexão diariamente. Ou, se possível, constantemente. Mas seja realmente sincero e sério em suas intenções. Do contrário, nada valerá ser autorreflexivo, pois suas reflexões serão limitadas. Mas quando realmente queremos crescer. Quando realmente queremos nos libertar das ilusões, então a autorreflexão se torna imprescindível. Olhar sempre para si, para seus pensamentos, intenções e sentimentos, ajuda no autoconhecimento. Se quando, em Meditação, te sentires importante, ou tiveres a sensação de que estás “evoluindo” ou se “iluminando”, reflita sobre isso com sinceridade. Veja isso e extirpe essa ideia ainda em sua gênese. Será mais fácil no começo do que no futuro -quando estiveres comprometido com seguidores, discípulos e organizações. Por isso, não deixe que ninguém o bajule, o idolatre ou o adore. Não permita que ninguém o chame de mestre. Isso é um grande risco. Muitos caíram por sentirem-se “mestres”, antes de sê-los. A coisa vai num crescendo: primeiramente sábio, depois mestre e o passo seguinte é sentir-se Iluminado, e finalmente, o Cristo. Daí por diante, a tragédia, o sofrimento e o caos se instalarão em sua vida como uma terrível maldição, uma herança maldita.
Fuja de qualquer tentativa de o endeusarem. Abomine as adorações e o culto. Isso é coisa da Índia. É algo de suas tradições e por isso, existem tantos falsos gurus lá. Todo mundo quer ser guru. Dá status. É o caminho mais fácil de se “dar bem na vida”. Não estou dizendo, com isso, que não existam os verdadeiros mestres e iluminados. Claro que existem. Mas eles não fazem propaganda de si mesmos. Não andam com uma placa dizendo: “ sou iluminado! Sigam-me”! Veja o caso de Babaji. Raramente aparece. E, quando aparece, se apresenta como um ser humano comum. Sri. Yuktéswar o viu, em um festival religioso, mas não o reconheceu. Não havia sinais externos que indicasse que ali estava um Avatar. Somente depois de um tempo, Babaji se revelou. E, assim, Sri Yuktéswar pôde perceber quem era aquela figura enigmática que lavava os pés de um monge. Veja o caso de Lahiri Mahasaya. Um simples contador. Um pai de família que ganhava sua vida honestamente, e nunca às custas dos discípulos. Durante boa parte de sua vida, ninguém desconfiou da grandeza espiritual de Lahíri Mahasaya-nem mesmo ele- de tão humilde que era. Só quando ele encontrou seu mestre Babaji em uma caverna secreta dos Himalaias, foi que ele percebeu quem ele era. Foi aí que ele lembrou-se que era um Iogue e que sua missão na Terra seria contribuir para o despertar da humanidade. Mas mesmo após essa revelação, continuou trabalhando na companhia de Trem. Nunca deixou de trabalhar, até aposentar-se. E a mesma atitude ele ensinava a seus discípulos. Entre eles, Sri. Yuktéswar o mestre de Paramahansa Yogananda. Sri. Yuktéswar era um Jnanavatar, mas quase ninguém sabia. Era uma pessoa muito discreta, não bajulava ninguém e nem gostava de bajulações. Seu sustento provinha das propriedades e negócios deixados por seus ancestrais. Yogananda dizia que seu mestre nunca “pavoneava-se” de sua sabedoria ou poderes. Pelo contrário, ocultava-os e evitava manifestá-los publicamente. A Bíblia diz que nem mesmo os irmãos de Jesus criam nele. Krishnamurti destruiu a Ordem que foi criada para endeusá-lo. Depois disso, passou a viver dos livros e da ajuda das Fundações que pagavam suas despesas. Que não eram muitas. Costumava dizer que nada possuía e nada precisava. Apenas coisas básicas como casa, roupas e comida. Enfim, percebemos que os verdadeiros iluminados, não tinham EGO. Não tinham autoimagem. Não tinham a ilusão de ser isso ou aquilo. Eles viviam em um estado de liberdade de si mesmo, que é difícil para nossa mente conceber.
Que possamos aprender com os verdadeiros sábios e iluminados, o valor da autorreflexão e que suas vidas nos inspire a vivermos honestamente do nosso trabalho, sem explorar ou enganar a ninguém- inclusive a nós mesmos. Como disse sabiamente o grande Lao Tsé:
“Quem está baseado no Tao, oferece aos outros da sua plenitude. Por isto, age o sábio: sem nada pretender para si, sem se apegar à sua obra. Sem nada QUERER SER, sem nada querer ter”. (Tao te Ching)
Que a MEDITAÇÃO a REFLEXÃO e a AUTORREFLEXÃO sejam nossos antídotos contra toda a forma de engodo, Autoenganação e Ilusão!

Muito obrigado por sua atenção e até a próxima!

Alsibar (inspirado)
http://alsibar.blosgspot.com
msn: alsibar1@hotmail.com

PARA QUE SERVEM OS TAIS ‘ILUMINADOS’?

Qual a necessidade de um Iluminado? Qual a diferença entre um iluminado verdadeiro e os “tais iluminados”? O que um iluminado pode ou não fazer por você? Por que os idolatramos tanto? Por que os seguimos? Será que desejamos algo deles? E esse “algo” eles podem nos dar? Vamos refletir sobre estes e outros temas afins?
No começo do Novo Milênio está acontecendo um fenômeno sem precedentes na história da espiritualidade: a popularização dos chamados “iluminados”. Obviamente, que sempre existiu pessoas com tais pretensões. Mas, a popularização da Internet, incluíndo redes sociais, blogs e chats- potencializaram mais ainda este fenômeno, dando-lhe mais publicidade, em níveis de rapidez nunca dantes visto. Quando falo “iluminados”, entre aspas, refiro-me àqueles que se autoentitularam como tais. São, em geral, indivíduos que foram discipulos de A ou B, ou que tiveram alguma experiência “mística”, ou simplesmente um “devaneio” ou outro surto qualquer. Isso lhes confereriam o status de “Despertos”. E ainda há os que não se autoentitulam assim, mas agem assim. São pessoas que fecham-se em seu próprio conhecimento e agem como se fossem donos da razão. Verdadeiros detentores do conhecimento Absoluto.
Mas, o presente artigo, não visa analisar as características de um iluminado- assunto que já explorei em diversas outras postagens do meu Blog. Pretendo, no entanto, fazer uma reflexão mais ampla, objetivando aprofundar a questão. Assim, qual o sentido de alguém dizer : “ sou iluminado”? E se ele não for? E se for, o que isto representa para mim? O que quero de um iluminado? O que é ‘isso” que ele tem para me dar? E será realmente que alguém pode me dar esse “algo”? E porque desejo tanto esse “algo”? Será que “isso” que tanto procuro e desejo, é realmente “aquilo” que tanto procuro e desejo? E se não for? E se for uma grande ilusão?Assim, parece-nos importante analisar qual a verdadeira necessidade de um iluminado e o que ele pode ou não fazer por você.
Vamos imaginar que você está fazendo uma viagem pelas praias do Nordeste. É a sua primeira vez. Você procura a casa -de um familiar ou amigo seu. Talvez você não tenha GPS e tudo ficará um pouco mais dificil. Além disso, às vezes há os imprevistos. Quem já viajou muito sabe disso: são pontes quebradas, desvios inesperados, interdições, obras em estradas etc. E, de repente, você se vê perdido, em meio a um lugar desconhecido. Alguém tem que lhe ajudar a encontrar o caminho que você quer. Ao procurar ajuda, você encontra alguém que diz saber onde fica o local que você tanto procura. Ele lhe orienta, dizendo o que tens que fazer e que rumos seguir para chegar ao seu objetivo. Isso parece bem racional. E é. Principalmente para uma concepção cartesiano do mundo. Ou para a “3D” ( o plano das 3 Dimensões como diz o pessoal da Nova Era). Explicando a história hipotética: O lugar em que você se encontra perdido é o mundo e a sua vida. O alguém que você encontra é um desses assim chamados “iluminados” que lhe mostra a rota a seguir. E o caminho são as práticas, rituais, técnicas de meditação e disciplinas que você deve executar para chegar aonde você quer. Parece perfeito, não? Mas, antes de seguir para o próximo parágrafo, faça o seguinte: releia o parágrafo e procure o erro ou erros no cenário que acabei de descrever . Tente descobri-lo, faça isso como algo pessoal, para você mesmo e só depois continue a leitura do próximo parágrafo.
Bom, talvez você tenha conseguido encontrar o “erro”. Talvez não. Mas, reflita junto comigo: é correto usar uma situação como esta, do mundo real, concreto, como referência para o mundo “espiritual”? Será mesmo que da mesma forma que procuro uma casa em um lugar desconhecido, deverei buscar “aquilo” que pressupõe-se estar também em um local desconhecido? Mas, como buscaremos o Desconhecido? E se o Desconhecido não estiver tão longe assim ? Uma casa pode estar longe, mas o Desconhecido está? Ora, e se o Desconhecido, Deus, não estiver longe? E se estiver bem pertinho? Tão perto que confunde-se com sua própria pessoa? E, se assim for, precisarei mesmo “buscá-lo” em algum outro lugar? E se não preciso buscá-lo em nenhum outro lugar: para que preciso dos tais “Iluminados”? Krishnamurti tinha, neste particular, um argumento fenomenal, ele costumava perguntar : “se conheço para onde quero ir, se conheço o meu objetivo, isso é o Desconhecido?”. A explicação é simples, mas sutil. Ora, se já conheço o meu objetivo, então ele é coisa do passado. Pela própria lógica da assertiva, só posso reconhecer o que já conheci no passado e o Desconhecido está no passado? Em outras palavras: como posso buscar o que não conheço? Se busco o que não conheço, como se o conhecesse, será que é realmente aquilo que busco? Como saberei?
Na Bíblia, no Tao-Te-Ching , no Bhagavad-Gita e nas palavras de Buda, Deus é considerado “algo” ou “alguém” que transcende o tempo, o espaço, o pensamento, os desejos e a lógica comum. Na Bíblia, Deus diz a Moisés : “aquele que vê minha face morre!” Obviamente é uma metáfora para dizer que somente quando o EGO morre é que Deus se revela. Jesus disse coisas parecidas tanto nos evangelhos canônicos quanto nos apócrifos. Paulo de Tarso identificou o Deus Desconhecido- como sendo o mesmo de seus patriarcas judeus (Atos 17:23). No Bhagavad-Gita, Árjuna, que representa o EGO, pede a Krishna ( Átman) para revelar sua glória. Mas quando Krishna atende ao pedido, Árjuna implora para Ele parar pois não suporta a visão da Glória de Deus. No Tao-Te-Ching, Lao Tsé começa suas memoráveis e sábias palavras dizendo: “ O Inonimável que se pode nominar, não é o Inonimável. O Inconcebível que se pode conceber, não é o Inconcebível”. E, por último, Krishnamurti em suas milhares de palestras, sempre ensinou que Deus é o Desconhecido. Essa visão, concorda com a de todos os verdadeiros sábios e iluminados .
Daí, concluímos que não podemos reduzir Deus a um local fixo no tempo e no espaço. Este foi o “erro” da história hipotética que apresentei no segundo parágrafo. E se Deus não é algo ou alguém com endereço fixo. Se ele não tem casa, nem está plantado em algum “lugar incipiente do céu” – como disse Sri. Yuktéswar a Yogananda- então, para que a viagem? Para que os “caminhos”? Para que as técnicas, práticas e disciplinas? Para que servem os assim chamados “iluminados”? A história hipotética da viagem que descrevi, agrada nossa mente que funciona – dentro desta concepção cartesiana de vida. Mas Deus, o Desconhecido não está sujeito as regras e imposições deste nosso plano que a própria Ciência já reconheceu ser apenas uma forma de se entender o Universo. E esta compreensão cartesiana, já foi ultrapassada pelas fantásticas descobertas da Física Quântica. Assim , se Deus não está em algum lugar fixo, onde estará? Se , não há “caminhos” para ele qual a necessidade dos tais “iluminados” ?
Vamos voltar para nossa historinha. Vamos imaginá-la de uma outra forma. Imagine novamente que você se vê, de repente, em um local desconhecido. Você está perdido. Não sabe onde está , não conhece ninguém e nem sabe quem você é. Tem uma vaga lembrança, vaga eu disse, sobre seu verdadeiro lar, familiares e amigos. Você sai à procura de alguém que possa ajudar-lhe . Que possa mostrar-lhe como encontrar o caminho de casa. Você procura e procura. Alguns dizem uma coisa, você segue e nada. De repente se vê mais perdido e confuso. Então, você continua sua busca, procurando e pedindo mais informações. Muitas vezes, você segue exatamente as instruções dadas, mas, quando chega no endereço que lhe fora ensinado, o dono diz não conhecer-lhe . E você, de novo, sai pelas ruas procurando. Chega um momento em que você se desespera e sai gritando pelas ruas, procurando desesperadamente pelo seu lar. Sua angústia vai aumentando, aumentando até que, de repente, você ouve alguém chamando-o pelo seu nome. É uma voz familiar, doce e conhecida. E quando, você se vira, de repente… você acorda com a voz de sua esposa, pai ou mãe. Eles livram você de um terrível pesadelo! Certamente, você começa a sorrir, sentindo aquela sensação de felicidade, agradecendo aos céus por estar ao lado dos seus entes queridos e por saber que nunca estivera longe do seu lar! Tudo não passou de um pesadelo, um delírio!
Mas, a verdade é que os verdadeiros iluminados não podem nem mesmo lhe acordar- como fizeram os pais no caso descrito acima. O sono da vida é muito mais pesado e despertar dele é muito mais difícil. O fato é que ninguém poderá acordá-lo por você. Se fosse assim, seria bom demais. Jesus teria despertado metade do mundo. Buda a outra metade e o restante ficaria com Lao Tsé. Na contemporaneidade, homens como Ramana Maharish, Babaji, Lahiri Mahasaya , Sri Yuktéswar e Krishnamurti teriam promovido o maior despertar em massa que a humanidade já conheceu. Mas não. Eles nada podem fazer isso, nem se quisessem. Essa é a nossa parte no “jogo de Maya”. Os verdadeiros iluminados estão constantemente gritando ao mundo: despertem! Acordem dos seus sonhos! Não há nenhum lugar para se ir, nada foi perdido, a separação é uma ilusão, não há nada a se alcançar ! Você já está em casa… apenas desperte! Não busque, não corra, não faça nada pois você está dormindo. Você precisa acordar… este é o primeiro passo! “O primeiro e último passo”- nas palavras de Krishnamurti. Parece enigmático? Parece absurdo? Será mesmo? Então medite nestas palavras de Jesus, o maior de todos os iluminados:
“ Se lhe perguntarem qual é o sinal do Pai em vós dizeis: é movimento e repouso ao mesmo tempo”. – Quinto Evangelho
É a mesma coisa que Krishnamurti disse, eles apenas usaram expressões diferentes para descrever o mesmo fenômeno. O EGO só existe enquanto estamos dormindo, na Ilusão do “fazer”, na ilusão dos caminhos, das práticas e técnicas. Quando “despertamos” deste sonho. Quando o EGO compreende sua pobreza e ilusão e morre por si mesmo . Então para onde caminhar? Para onde ir? Existe ainda o “fazer”, a “caminhada”? Não. Simplesmente porque começa um “outro movimento”. E este não é você quem produz, você não é o responsável por ele – ele existe por si mesmo. Então, quando você – representado pelo seu EGO, DESEJO e PENSAMENTO- pára totalmente, inicia-se um outro movimento, o movimento do Desconhecido, do Sagrado. O mesmo movimento que coordena os astros, as estrelas, os átomos e os ciclos da natureza. Depois que você “desperta” para esta compreensão e percepção o que mais terá que “fazer”? O “despertar” é o primeiro passo, depois dele… não há mais passo nenhum. Findou-se uma jornada que nunca existiu de verdade- tudo era um sonho, um pesadelo, e nada mais! A “caminhada” ilusória terminou! Já estamos aqui! Já estamos Nele!
Precisamos de Iluminados? Sim . Mas apenas para acordamos, e isso significa compreender as limitadas atuações deles no que concerne ao nosso despertar. Somos gratos a quem nos ajudou a despertar? Obviamente. Mas isso não significa prestar-lhe culto, adoração ou segui-lo cegamente. Temos que despertar nossa própria luz. Krishnamurti foi talvez o único defensor do “não-seguir”. Ele costumava dizer que não faz sentido usar a vela do outro para iluminar aquilo que é nosso. E Jesus dizia que “ um cego não pode guiar outro cego” . E como saberemos que o outro é cego se não despertarmos? Se não abrirmos nosso olho espiritual, se não acendermos nossa luz interior? O verdadeiro iluminado não se regala com bajulações ou adorações. Os tais “iluminados” querem apenas seguidores e discípulos pois buscam o poder e a expansão. Em geral, prometem tudo o que a mente mais gosta: felicidade, bem-aventurança, expansão da consciência, êxtase, prazer- e este não é caminho do Desconhecido, mas do conhecido. E, por isso mesmo, não é o Supremo!
Mas, se um dia acontecer de você encontrar alguém, que lhe diga que não há caminhos para casa, pois você já se encontra nela. Se não lhe pedir nada em troca, nem se autopromover através de nenhum meio ou subterfúgios. Se não lhe pedir dinheiro pois a Verdade não é uma mercadoria. Se não viver tagarelando um monte de asneiras verborrágicas, aparentemente poéticas e profundas ,mas que são apenas arrufos de falsa sabedoria que fascinam a mente. Se ele apenas lhe mostrar que o “caminho” não é um caminho. Se não fizer propaganda de si mesmo, nem se considerar o dono da verdade. Se for reflexivo e lhe ajudar de todas as formas a também ser reflexivo e humilde. Se não lhe prometer coisas como o céu, o Nirvana, a Iluminação, a Verdade , Deus- como se estes fossem propriedades de alguém. Se ele o ajuda a se autoconhecer, ser independente e a trilhar seu próprio “caminho”. Se lhe mostra os perigos e a infantilidade do “seguir alguém”. Enfim, se ele promove o seu Despertar e não o seu dormir- então este homem é um iluminado! Seja grato a ele e tenha-no como um irmão mais velho, um companheiro de viagem, um amigo mais maduro e experiente. Saiba que você não deve nada a ninguém pois tudo, absolutamente tudo é de Deus. Os verdadeiros iluminados sabem disso e, por isso, não se consideram autor ou “fazedor” de nada. Sabem que só existe um ator no Universo . Só existe uma única Força que move tudo e todos: chame-o de Deus, Krishna , Tao, Desconhecido… não importa o nome. Ele está além, muito além de todos os nomes e de todas as formas.
A Ele deves toda tua gratidão e todo o teu amor ! Mas, onde Ele está? Não o procure nos livros, nem nas religiões, nem nos gurus! Ele está onde você estiver e manifesta-se todos os dias em todas as coisas visíveis e invisíveis! Basta abrir os olhos para vê! Por isso, DESPERTE e veja! Como fazer isso? Medite! A Meditação verdadeira nada tem a ver com práticas, disciplinas, posturas e rituais! Tem a ver com “percepção” apenas. Por isso, não “pratique” a Meditação. Apenas “acorde”, apenas “veja”, apenas perceba “Aquilo que já é”!

Alsibar (inspirado)

REPOSTAGEM AUTORIZADA!

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OS MILAGRES CONTRA O AMOR…

O que diferencia as coisas de Deus das coisas dos deuses entre os homens, não são milagres, nem poderes, nem demonstrações, nem sinais, nem prodígios, nem coisas extraordinárias, posto que todas essas coisas sempre tenham se manifestado entre todos os povos da terra.
Línguas estranhas, profecias, sonhos e visões, curas, sinais prodigiosos, etc… — estão presentes em todos os registros de quase todos os povos primitivos.
Portanto, o que diferencia as coisas de Deus das coisas dos deuses não são fenômenos, mas um único fenômeno: o amor…
Não é o nome de um deus ou de “Deus” é o que faz a diferença, mas exclusivamente o amor…
Onde o diferencial é amor, não importa a cultura, o ambiente religioso, a ignorância, whatever…
Se há amor, aí há Deus…
Se não há amor, pode haver o nome de Deus, as doutrinas de “Deus”, culto a Deus, tudo a Deus — mas não haverá Deus aí…
Milagres sem Deus são comuns…
O incomum é o milagre de Deus…
O sobrenatural não é a marca de Deus…
A marca de Deus é o amor…
O mundo está cheio de milagres e de sobrenatural…, mas vazio de Deus!
Jesus fez muitos milagres, mais milagres do que qualquer outro ser humano…
No entanto, a leitura do Evangelho nos mostra que Jesus faz milagres como um gesto de amor pela fraqueza e pela dor humana, mas não como um recurso da revelação de Deus…
Ao contrário, Jesus denuncia a relação adoecida das multidões com os Seus próprios milagres; e diz: “Não foi por mim e nem pela Palavra que vocês voltaram, mas porque vocês comeram pão de graça”…
Jesus fez e aconteceu… até que “os judeus” começaram a “pedir sinais”…
Então Ele foi diminuindo…
A esta geração não será dado outro sinal senão o do profeta Jonas! — disse Jesus nessa hora.
Milagres do amor curam e não adoecem a alma…
Mas os milagres dos fenômenos, esses matam o espírito…; pois criam fé no milagre e não em Deus, e dão ao que busca o milagre a sensação errada de que o milagre valida a experiência da pessoa com Deus; e não é o caso…
Por isto é que no Evangelho o único milagre a ser sempre celebrado é o da conversão, é o do arrependimento, é o da novidade de vida, é o novo nascimento!…
Ora, esse milagre que o Evangelho busca e celebra, só acontece mediante o amor; pois, sem amor, todo milagre é apenas manifestação de um fenômeno…
“Ainda que tudo…” — sem amor nada aproveitará.
O problema é que os crentes, à semelhança dos judeus dos dias de Jesus, buscam sinais, mas não querem a Palavra!
Assim, buscando sinais não crêem no amor e na fé como sinais que superam todos os demais…
Ao final, o que acontece é que um milagreiro lê este meu texto e ri de mim, desse coitado, desse romântico, desse otário, desse bobo que fica aí falando de amor…
Eu, todavia, creio tanto nisto quanto em tudo o mais…, mas quero apenas ser discípulo dos milagres do amor de Deus, e não tenho desejo por nenhum poder que não nasça exclusivamente do amor.

Nele, de Quem aprendi que se não for assim […] de Deus não é,

Caio, 23 de setembro de 2009

Lago Norte
Brasília
DF

POR QUE VOCÊ FOGE TANTO DE VOCÊ MESMO?

POR QUE VOCÊ FOGE TANTO DE VOCÊ MESMO?

Somente existe liberdade interior e simplicidade de ações se houver amor no coração; e amor como ele é: sem fingimento e praticado em verdade clara e sábia; posto que não baste amar de algum modo…, por vezes amando sem consciência de que amor é uma decisão e uma escolha, sempre em bondade, justiça e verdade/realidade; visto que o amor é sábio e sabe se portar; por isso, não se realiza sem coerência com o tempo e o modo da sabedoria.
A simples definição acima soa utópica, ou assustadora, caso não seja utópica; e isto em razão de que a maioria vive em níveis tão básicos de raiva e de ressentimento, que, a simples expressão do que seja a liberdade pela via do amor [única liberdade possível], assusta; posto que pareça se distanciar como algo que seja alcançável por nós.
Ora, que dizer então do “conhece-te a ti mesmo”…? Ou do “sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração”…? Ou ainda da afirmação de “aquele que controla a sua própria língua é perfeito varão”…?
Interessante é que enquanto fugimos de nós mesmos nos inscrevemos para estudar Deus, para aprender teologia, ou para conhecer a vontade de Deus por revelação mística, ou mesmo para tentar saber o que nos aguarda no futuro; e indo mais distante ainda… acho muito interessante quando dizemos saber o que Deus pensa…, ou por que Ele fez as coisas como elas são…; ou quando reclamamos por não entendermos Quem Ele é ou a razão de Seus caminhos…
O homem diz que não consegue conhecer a si mesmo e nem escolher o caminho da liberdade pelo amor que se expressa em verdade e fatos de sabedoria — enquanto se candidata a saber Deus, a dizer Deus, a explicar Deus, ou a questionar Deus…
Sim, para dentro dele, do homem…, nada; mas em relação ao Infinito, o homem quer saber tudo.
Ou seja:
O homem foge de sua tarefa interior de auto-conhecimento enquanto se candidata a entender e explicar Deus!
Na realidade a tarefa do auto-conhecimento só nos é possível em amor e confiança na Graça de Deus, em total descanso em fé; pois, do contrário, o que o homem conhecerá em si mesmo não será exatamente quem ele próprio possa ser, mas apenas o abismo labiríntico no qual o seu interior se tornou…, enquanto ele busca partes de si na escuridão do nada…
Então, quer dizer que para me conhecer eu tenho que antes conhecer a Graça e o Amor de Deus…, ao mesmo tempo em que você diz que isto não é possível pela própria condição limitada do ser humano? — você indaga.
Sim! É isto mesmo!
Para conhecer a mim mesmo eu preciso conhecer a Deus pela via da entrega em fé, e não pela razão espremida pela lógica que aleijou a racionalidade que antes sempre esteve aberta para a Graça e para o milagre do encontro com Deus.
Daí a humanidade até hoje celebrar como mestres do auto-conhecimento justamente aqueles que viveram no tempo em que razão não era sinônimo de lógica; mas sim de um sentido para além da própria lógica: a verdadeira racionalidade; que é a não limitação do entendimento às lógicas da razão anã; ao contrário, trata-se da integração de todas as variáveis da realidade, as visíveis, as invisíveis, as quantificáveis, as não quantificáveis, as sensoriais e as extra-sensoriais, as pensadas e as intuídas.
Neste mundo somente conheceu a si mesmo aquele que se entregou a Deus sem nada nas mãos além de nada nas mãos, em entrega…
Assim, até a viagem do auto-conhecimento não acontece pela lógica, mas pela entrega à serenidade que repousa na aceitação do amor de Deus por todos nós.
Isto, no entanto, só acontece acontecendo…
Sim, tem que ser o resultado de uma decisão de loucura de confiança no sentido da vida, em Deus.
Sem tal insanidade para os padrões lógicos ninguém conhece a Deus.
Na verdade Deus é Loucura.
Tudo em Deus é Loucura para a mente do homem…
Portanto, a verdadeira entrega a Deus é entrega à fé como loucura.
Ora, é quando isto acontece que se começa a andar nas mãos de Deus, em chão invisível, em caminho não visto pelos olhos…
É também aí que naturalmente começa a surgir a luz que nos faz conhecer a nós mesmos, tanto mais quanto mergulhemos em Deus como loucura de fé.
Ou alguém pensaria ou imaginaria que o encontro entre o finito e o infinito seria algo que poderia acontecer fora do ambiente da contradição e da loucura?
Afinal, afirmar que foi o Amor que criou todas as coisas nos parece ser apenas poesia, mas não fato da existência…
Entretanto, como eu dizia no início…, como a maioria crê que existe, mas não crê mesmo que Deus exista e seja… — prefere-se estudar Deus, pois as implicações não nos alcançam no nível da implicação pessoal de andar em amor e verdade a fim de que se conheça a si mesmo.
É nesse limbo que os mais piedosos entre nós ainda vivem…
Mas a verdade é uma só:
Sem entrega louca ao amor de Deus ninguém conhece a Deus, e, portanto, ninguém conhece a si mesmo!
Qualquer outra hipótese não passa de mera falácia e diletantismo sem realidade.
Pense nisso!

Caio
14 de agosto de 2009
Lago Norte
Brasília
DF

VIA CAIOFABIO

DEZ PRINCÍPIOS PARA SER BEM-SUCEDIDO

01

Creia que sua vida cumpre um propósito divino na terra. Você é influenciado pelos genes que herdou de seus pais e é bastante “circunstancializado” pelo meio no qual vive. Entretanto, mais forte que as determinações genéticas e os condicionamentos do meio social, é o seu chamado para ser. Você foi criado como um sacerdote neste universo de Deus. Por isso, você existe e sabe que existe. Encha sua consciência com esse significado. Quando você assumir sua vocação para ser, as outras pessoas vão “encontrar” você.

02

Creia que seu dia ganha força e energia espiritual quando você ora. Portanto, ore sempre. Mesmo nos seus afazeres. Sempre que uma notícia ou informação lhe chegar, entregue-a a Deus. Ofereça a Deus os potenciais e as possibilidades que cada fato, percepção ou impressão lhe trazem ao coração. Além disso, pare um pouco todos os dias, ainda que seja só um pouco, e ore. Dê graças por tudo e abrace o Senhor no seu coração. Quando orar, peça coisas específicas, mas não se esqueça de sempre terminar de modo submisso e geral, dizendo: “Seja feita a tua vontade, assim na Terra como nos céu”. Afinal, você não sabe se o que quer é o melhor. Mas o Senhor sabe!

03

Creia que a maior inteligência que Deus lhe deu não é a intelectual nem a emocional, mas sim a inteligência. “O coração tem razões que a própria razão desconhece”. Usar a cabeça (inteligência intelectual) e saber se relacionar com o próximo e as circunstâncias (inteligência emocional) é fundamental. Mas não é essencial. O essencial habita os mistérios do espírito, no mundo do coração. Portanto, dê atenção aos seus sonhos noturnos e aos seus sentimentos perceptivos. Quando você tiver uma “impressão”, não a despreze de cara. Medite. Ore. Discirna. A resposta pode estar no passado. Mas, às vezes, trata-se de uma intuição profética. Pode ser um alerta sobre o futuro. Nesse caso, ore, corrija a rota e prossiga.

04

Creia que quando alguém ama a Deus e ao próximo e respeita a vida, então tudo ganha sincronicidade e conectividade. Isso é apenas um outra forma de dizer que “todas as coisas cooperam para o bem dos que amam a Deus”. O amor a Deus traz sentido para a sua vida. O amor de Deus transforma o cenário mais absurdo numa conspiração do bem.

05

Creia que a leitura bíblica feita com os olhos do coração ilumina a alma e os caminhos da Terra. Ler a Bíblia é importante. Mas lê-la com os olhos da alma é essencial. Quem lê com o intelecto enxerga textos e os compreende. Quem lê com o coração discerne “caminhos sobremodo excelentes”. Faça da leitura bíblica não apenas um meio de fortalecimento espiritual. Leia-a como caminho de descoberta e de insights para a sua visão do mundo, de si mesmo e de Deus.

06

Creia que uma atitude mental positiva tanto é resultado de uma espiritualidade sadia como também pavimenta o caminho de todo ser humano bem-sucedido. Eu costumo dizer que mesmo ateus-positivos se dão melhor na vida que ateus-negativos. O mesmo princípio se aplica a cristãos.

07

Creia que generosidade e dadivosidade são forças espirituais poderosas que atraem para quem as pratica as melhores oportunidades e possibilidades da vida. Por isso é tão importante dar dízimos e ofertas. Escolha causas, projetos e pessoas nos quais você acredita e dê no mínimo dez por cento dos seus ganhos para essas iniciativas. De fato, fazendo assim, você está abrindo portas invisíveis para você mesmo. E lembre-se: faça isso com entusiasmo e alegria.

08

Creia que o que diferencia o fazer do não-fazer é apenas uma decisão seguida de gesto simples. Assim sendo, nunca adie o início de qualquer coisa na qual você acredita se a oportunidade se apresentar e seu coração responder com paz e fé. O gesto necessário, tanto para se levantar de cama quanto para levantar a cama, é um só: colocar-se de pé. Daí Jesus ter dito: “Levanta-te, toma teu leito e anda”.

09

Creia que a melhor composição de imagem exterior e de virtude interior para um cristão é aquela que combina a “simplicidade dos pombos” (imagem exterior) com a “prudência das serpentes” (virtude interior). Sendo assim, seja astuto por dentro e simples por fora. Sempre dá certo e protege a vida.

10

Creia que a maior bênção de possuir uma consciência é poder usá-la para auto-examinar-se todos os dias. Quem se auto-examina resiste melhor às criticas, pois se utiliza delas para diminuir seus próprios equívocos, e se mostra imune a eles quando a consciência o convence de estar fazendo aquilo que é certo. Auto-exame é o que faz a diferença entre aqueles que vivem para preservar sua imagem e a reputação daqueles que vivem para o que é verdadeiro e real.

Caio
Copacabana
Escrito em 22/03/2003

Via CaioFabio.net

NADA NA VIDA DO SENHOR É MAIS IMPRESSIONANTE DO QUE O SILÊNCIO DESTES 30 ANOS

“…NADA NA VIDA DO SENHOR É MAIS IMPRESSIONANTE DO QUE O SILÊNCIO DESTES 30 ANOS…”
O MISTÉRIO DA ENCARNAÇÃO É ENVOLVIDO DE INFINITO SILÊNCIO.

As grandes coisas são realizadas no silêncio. Não no ruído e na magnificência dos acontecimentos exteriores, mas nos sacrifícios e nas vitórias escondidas. Quando o coração é tocado pelo amor, a ação invoca a liberdade do espírito e o coração está fecundado pela obra futura. As forças do silêncio são realmente poderosas. O mais silencioso de todos os acontecimentos, aquele cujo silêncio está perdido em Deus e cujo acesso nos é vedado aparece em Lucas 1,26-38.
José não sabe da gravidez de Maria. José queria repudia – lá em silêncio (em segredo). Sem dúvida José amava muito Maria.
O próprio Deus, no silêncio da noite, se incumbiu de avisar o noivo. No mistério divino, o Verbo estava junto de DEUS, o Verbo era Deus, Nele se manifesta o ser divino, a plenitude da vida, o sentido (Logos). Enquanto um profundo silêncio envolvia todas as coisas, todas feitas pelo e para o Verbo, Ele entrou no mundo, algo que transcende a fronteira do nosso pensamento: Ele, o eternamente infinito, incomensuravelmente distante, entrou pessoalmente na história: se faz carne, um de nós! Os vôos da imaginação, as balbucies do raciocínio são incapazes de qualquer manifestação. Só o silêncio amoroso pode penetrar no mistério de Deus, sem compreendê-lo.
Nunca algo de grande na vida do homem sai do puro pensamento. Tudo se funda no coração, no amor: o amor tem seus próprios “porquês”. E quando é Deus que ama, de que não será capaz o AMOR?
Eis que uma criança nos é dada: chora, tem fome, dorme como as outras crianças e, contudo, é o Verbo feito carne: Deus não habita somente nela: esta criança é Deus!
Caso paire alguma duvida sobre isso no segredo o coração, vem em ajuda uma frase: “O amor tem destas coisas”.
A vida pública do Senhor durou, no máximo três anos: como é curto este espaço de tempo! Mas como se tornam densos de significado os 30 anos anteriores, nos quais Ele não ensinou, não lutou, não realizou milagres. Para a alma crente, nada na vida do Senhor é mais impressionante do que o silêncio destes 30 anos!
A criança da manjedoura é Deus; sua missão era realizar a vontade do Pai, levar a humanidade pecadora para o aniquilamento do sacrifício e, dela, à ressurreição, para a existência nova da graça.
Cristo foi Deus desde o começo da sua vida, mas a sua vida consistiu em realizar humanamente esta sua própria essência divina: levar a realidade divina e o seu sentido até à sua consciência humana; enxertar a força divina na sua vontade; cumprir a pureza santa com as suas inclinações humanas; executar o amor eterno com o seu coração; ir procurar na sua figura humana a infinita plenitude de Deus, a conquista da sua divindade pela sua humanidade.
De certo este pensamento é insuficiente, mas pode ajudar e pode abrir-nos para a voz deste silêncio, e dar-nos o sentimento respeitoso de quanto de prodigioso se consumava no interior de Jesus.
Vale a pena reler Lc 2,41-52
“E Jesus ia crescendo em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens”.
Ora et Labora, convida a adorar o Pai que gera o Verbo. O Verbo que se volta para o Pai e o misterioso Suspiro Divino que une Pai e Filho.
E tudo isso no eterno silêncio.
A Palavra desce em Maria no meio do profundo silêncio.
E Maria guardava a palavra no silencio do coração.
José é avisado no silencio da noite.
Jesus passa 30 anos no silêncio… E nós?

VIA ORAE ET LABORA