DEUS TEM UM CORAÇÃO….

“Deus tem um coração que abraça o mundo. Mas é fato que nem todo o mundo deseja seu abraço.”
Ed René Kivitz

VIA SALVOS PELO AMOR

A ORAÇÃO SIMPLES

Não existe oração errada. Aliás, a oração errada é aquela que não é feita. A Bíblia Sagrada ensina que se deve orar a respeito de tudo. Orar por qualquer motivo, qualquer hora, qualquer lugar, sempre que o coração não estiver em paz. Tão logo o coração experimente apreensão, preocupação, medo, angústia, enfim, seja perturbado por alguma coisa, a ação imediata de quem confia em Deus é a oração.
O apóstolo Paulo diz que não precisamos andar ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, com ação de graças, devemos apresentar nossos pedidos a Deus, tendo nas mãos a promessa de que a paz de Deus que excede todo o entendimento, guardará nossos sentimentos e pensamentos em Cristo Jesus (Filipenses 4.6,7). A expressão “coisa alguma” inclui desde uma vaga no estacionamento do shopping center até o fechamento de um negócio, o desejo de que não chova no dia da festa até a enfermidade de uma pessoa querida.
Esta experiência de oração é chamada de oração simples: orar sem censura filosófica ou teológica, orar sem se perguntar “é legítimo pedir isso a Deus?” ou “será que Deus se envolve nesse tipo de coisa?”. Simplesmente orar.
A garantia que temos quando oramos assim é a paz de Deus em nossos corações e mentes. A Bíblia não garante que Deus atenderá nossos pedidos exatamente como foram feitos: pode ser que a vaga no estacionamento não seja encontrada e que chova no dia da festa. A oração não se presta a fazer Deus trabalhar para nós, atendendo nossos caprichos e provendo o nosso conforto. Já que a causa da oração simples é a ansiedade, a resposta de Deus é a paz. O resultado da oração não é necessariamente a mudança da realidade a respeito da qual se ora, mas a mudança da pessoa que ora. A mudança da situação a respeito da qual se ora é uma possibilidade, a mudança do coração e da mente da pessoa que ora é uma realidade. Deus não prometeu dizer sim a todos os nossos pedidos, mas nos garantiu dar paz e nos conduzir à serenidade. Não prometeu nos livrar do vale da sombra da morte, mas nos garantiu que estaria lá conosco e nos conduziria em segurança através dele.
O maior fruto da oração não é o atendimento do pedido ou da súplica, mas a maturidade crescente da pessoa que ora. Na verdade, a estatura espiritual de uma pessoa pode ser medida pelo conteúdo de suas orações. Assim como sabemos se nossos filhos estão crescendo observando o que nos pedem e o que esperam de nós, podemos avaliar nosso próprio crescimento espiritual através de nossos pedidos e súplicas a Deus. As orações revelam o que realmente ocupa nossos corações, o que realmente é objeto dos nossos desejos, o que nos amedronta, nos desestabiliza e nos rouba a paz.
O apóstolo Paulo diz que quando era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Mas quando se tornou homem, deixou para trás as coisas de menino (1Coríntios 13.11). Não existe oração certa e errada. Mas existe oração de menino e oração de homem. Oração de menina e oração de mulher. A diferença está no coração: coração de menino e de menina, ora como menino e menina. A nossa certeza é que Deus também gosta de crianças.

Via Edrenekivitz.com

SÚPLICA PELOS QUE CHORAM

ED RENÉ KIVITZ

PAI CELESTIAL, HOJE ERGUEMOS NOSSAS VOZES EM INTERCESSÃO PELOS QUE CHORAM SEUS MORTOS.
RECONHECEMOS QUE ÉS DEUS DE AMOR E BONDADE, DEUS DE TODA CONSOLAÇÃO, PLENO EM COMPAIXÃO E RICO EM MISERICÓRDIA, E POR ISSO CLAMAMOS QUE DERRAMES SOBRE TODOS OS CORAÇÕES PORÇÃO SUFICIENTE DE TUA PAZ QUE EXCEDE TODO O ENTENDIMENTO.
ROGAMOS QUE TOMES PELA MÃO AQUELES QUE ESTÃO PERDIDOS EM MEIO À ESCURIDÃO, AMEDRONTADOS NO VALE DA SOMBRA DA MORTE, E OS CONDUZA EM SERENIDADE PARA A LUZ, DANDO-LHES NOVO FRESCOR PARA A ALMA, RENOVANDO-LHES A ESPERANÇA PARA A CONSTRUÇÃO DO AMANHÃ, FIRMANDO-LHES OS PÉS PARA A CONTINUAÇÃO DA JORNADA, DEVOLVENDO-LHES A FORÇA PARA VIVER.
ROGAMOS QUE ENXUGUES CADA LÁGRIMA, RECEBENDO-AS COMO A MAIS PURA ORAÇÃO, ACOLHENDO-AS COMO TRIBUTOS AOS QUE SE FORAM, DANDO-LHES SENTIDO E SIGNIFICADO, TRANSFORMANDO-AS EM MEMÓRIAS FELIZES E LEMBRANÇAS DE AMOR E SAUDADE QUE PRODUZAM FRUTOS DE VIDA.
ROGAMOS QUE COM TUA PRESENÇA AMOROSA PREENCHAS O VAZIO DEIXADO PELAS AUSÊNCIAS, SUPRINDO AS FALTAS, RECOLHENDO EM TEU COLO DE PAI CADA UM DOS QUE HOJE CHORAM E DANDO-LHES A PROVISÃO EM RESPOSTA ÀS SUAS AFLIÇÕES, ANGÚSTIAS E MEDOS, MOSTRANDO-TE COMPANHEIRO E PARCEIRO PARA A VIDA QUE SEGUE.
ROGAMOS QUE CONSOLES AS MÃES E PAIS QUE PERDERAM SEUS FILHOS E FILHAS, OS APAIXONADOS QUE PERDERAM SEUS AMORES, AS CRIANÇAS QUE PERDERAM SEUS PAIS, OS AMIGOS QUE PERDERAM SEUS PARES, E QUE DERRAMES PORÇÕES DE AMOR SUFICIENTE PARA QUE A FALTA DOS QUE SE FORAM SEJA REDIMIDA POR RECONCILIAÇÕES, APROXIMAÇÕES E APROFUNDAMENTO DOS LAÇOS DE AFETO DE TODOS QUANTOS AINDA TEMOS VIDA E OPORTUNIDADE DE AMAR.
ROGAMOS A TI, QUE ÉS O SENHOR DA VIDA, QUE DETENHAS O PODER DA MORTE, E CUIDES DOS QUE ESTÃO VESTIDOS DE LUTO PARA A QUE A MORTE DE SEUS AMADOS NÃO LHES ROUBE A ALEGRIA DE VIVER; CLAMAMOS QUE DETENHAS O PODER DESTRUTIVO DESTA TRAGÉDIA, INSPIRANDO ATOS DE SOLIDARIEDADE, COMPAIXÃO E COMUNHÃO; E SUPLICAMOS QUE TRANSFORMES A INDIGNAÇÃO E REVOLTA DESTES DIAS EM SEMENTES QUE FLORESÇAM PARA A BELEZA E FRUTIFIQUEM PARA A JUSTIÇA.
ROGAMOS, NOSSO PAI, QUE FORTALEÇAS AQUELES QUE PERDERAM SEUS AMADOS PARA QUE ERGAM MEMORIAIS DE HONRA AOS QUE SE FORAM, PARA QUE VENÇAM A MORTE COM A INSISTÊNCIA EM VIVER, O MEDO COM FÉ, A DESESPERANÇA COM A INSISTÊNCIA EM SEMEAR A TERRA REGADA PELO SANGUE DOS INOCENTES.
PAI CELESTIAL, EM NOME DE TEU FILHO JESUS, QUE VENCEU A MORTE E TROUXE À LUZ A VIDA E A IMORTALIDADE, ROGAMOS QUE ENVIES TEU ESPÍRITO SANTO A CONSOLAR TODOS OS QUE CHORAM, A CUIDAR DOS QUE ESTÃO COM O CORAÇÃO QUEBRANTADO E A POR, SOBRE OS QUE DE LUTO ESTÃO, UMA COROA EM VEZ DE CINZAS, VESTES DE ALEGRIA AO INVÉS DE PRANTO, MANTO DE LOUVOR AO INVÉS DE ESPÍRITO ANGUSTIADO, AFIM DE QUE SE LEVANTEM COMO CARVALHOS DE JUSTIÇA, PARA A TUA GLÓRIA. AMÉM.

DEUS É AMOR (Ed René Kivitz, Guia De Estudos Bíblios da IBAB)

DEUS É AMOR
Amados, amemos uns aos outros, pois o amor procede de Deus. Aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor.
[1João 4.7,8]
CRESCENDO NO CONHECIMENTO DE DEUS
“Toda a história da Revelação é a da conversão progressiva de um Deus visto como poder a um Deus adorado como amor. Nessa perspectiva é que seria necessário reler toda a Bíblia e estudar a história das religiões. É normal que o homem, a princípio, considerasse Deus como Todo-Poderoso. Ponham-se no lugar dos primitivos, que se viam jogados a um mundo perigoso, que conheciam a fragilidade e a precariedade de sua existência e o fato de estarem submetidos às ameaças das feras, das tempestades, das trombas d’água e das epidemias. Buscavam espontaneamente uma potência que os protegesse. Os pagãos sacralizavam tudo o que dava impressão de poder: o raio, o sol, as árvores, a lua, etc.”“Mas a ideia de poder é demasiado ambígua, um poder tanto pode fazer grande bem como muito mal; existem poderes que esmagam, anulam, dominam […] Os pagãos, diante desse poder ambíguo, tentaram torná-lo favorável, conciliar-se com ele, oferecendo-lhe sacrifícios e orações.”
“Pouco a pouco – e nisso consiste toda a história do Antigo Testamento –, realizou-se a conversão do Deus-poder ao Deus-amor. No âmago desta evolução, os profetas revelam que Deus é desígnio de justiça: vocês buscam, dizem eles, conciliar-se com o todo-poderoso, torná-lo favorável, e para isso queimam incenso, oferecem touros e bodes, multiplicam, festas e cerimônias, celebram as luas novas; convençam-se de que não têm senão um meio de tornar favorável o todo-poderoso: pratiquem a justiça entre si, pois Deus é desígnio de justiça. É a grande etapa dos profetas, em pleno núcleo do Antigo Testamento” (VARILLON, François. Crer para viver. São Paulo: Edições Loyola, 1991).

“Para que me oferecem tantos sacrifícios?”, pergunta o Senhor. “Para mim, chega de holocaustos de carneiros e da gordura de novilhos gordos. Não tenho nenhum prazer no sangue de novilhos, de cordeiros e de bodes! Quando vocês vêm à minha presença, quem lhes pediu que pusessem os pés em meus átrios? Parem de trazer ofertas inúteis! O incenso de vocês é repugnante para mim. Luas novas, sábados e reuniões! Não consigo suportar suas assembléias cheias de iniqüidade. Suas festas da lua nova e suas festas fixas, eu as odeio. Tornaram-se um fardo para mim; não as suporto mais! Quando vocês estenderem as mãos em oração, esconderei de vocês os meus olhos; mesmo que multipliquem as suas orações, não as escutarei! As suas mãos estão cheias de sangue! Lavem-se! Limpem-se! Removam suas más obras para longe da minha vista! Parem de fazer o mal, aprendam a fazer o bem! Busquem a justiça, acabem com a opressão. Lutem pelos direitos do órfão, defendam a causa da viúva. Venham, vamos refletir juntos”, diz o Senhor. “Embora os seus pecados sejam vermelhos como escarlate, eles se tornarão brancos como a neve; embora sejam rubros como púrpura, como a lã se tornarão.
[Isaías 1.11-18]
O jejum que desejo não é este: soltar as correntes da injustiça, desatar as cordas do jugo, pôr em liberdade os oprimidos e romper todo jugo? Não é partilhar sua comida com o faminto, abrigar o pobre desamparado, vestir o nu que você encontrou, e não recusar ajuda ao próximo? Aí sim, a sua luz irromperá como a alvorada, e prontamente surgirá a sua cura; a sua retidão irá adiante de você, e a glória do Senhor estará na sua retaguarda. Aí sim, você clamará ao Senhor, e ele responderá; você gritará por socorro, e ele dirá: Aqui estou. “Se você eliminar do seu meio o jugo opressor, o dedo acusador e a falsidade do falar; se com renúncia própria você beneficiar os famintos e satisfizer o anseio dos aflitos, então a sua luz despontará nas trevas, e a sua noite será como o meio-dia.
[Isaías 58.6-10]
Acaso tem o Senhor tanto prazer em holocaustos e em sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? A obediência é melhor do que o sacrifício, e a submissão é melhor do que a gordura de carneiros. Pois a rebeldia é como o pecado da feitiçaria, e a arrogância como o mal da idolatria.
[1 Samuel 15.22,23]

Deus é reconhecido e temido como Todo-Poderoso. Depois é visto como desígnio de justiça.
Finalmente, Jesus revela que Deus é amor.
DEUS É AMOR

Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele.
[João 3.16,17]

“Muitos cristãos propõem o Todo-Poderoso como pano de fundo e depois acrescentam: Deus é Amor, Deus nos ama. Isso é falso! Se Deus é Todo-poderoso, ele o é pelo Amor, o Amor é que é Todo-poderoso.”
“Às vezes dizemos: “Deus pode tudo!” Não, Deus não pode tudo, Deus só pode o que o Amor pode. Pois ele é todo Amor. E todas as vezes que saímos da esfera do Amor, erramos sobre Deus e estamos em vias de fabricar algum tipo de Júpiter!”
“Amo algumas pessoas, mas meu amor não é Todo-Poderoso; sei perfeitamente que não sou capaz de dar tudo pelos que amo, isto é, de morrer por eles. Em Deus, não existe outro poder senão o poder do amor […] A morte de Cristo nos revela o que é o poder total de Deus […] Ele é todo amor e esse amor é todo-poderoso […] Que é um amor todo-poderoso? É aquele que atinge o ápice do amor. E o poder total do amor é a morte: ir até o ápice do amor é morrer por quem se ama.” (VARILLON)

Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos.
[João 15.13]

“Amar é viver para outro e viver pelo outro. Amar é renunciar a viver em si, por si e para si […] Eis o mistério da trindade” (VARILLON).
O amor, por sua própria natureza, a saber, a recusa de viver em si, por si e para si, torna necessário que haja diversas pessoas em Deus. Aí está o mistério e a absoluta coerência em afirmar que Deus é Triuno: Pai, Filho e Espírito Santo. O Deus revelado por Jesus é uma comunidade de amor.

Sob o nome de Deus a fé cristã vê o Pai, o Filho e o Espírito Santo em eterna correlação, interpenetração e amor; de tal sorte que são um só Deus uno. A unidade significa a comunhão das Pessoas divinas. Por isso, no princípio não está a solidão do Uno, mas a comunhão das três divinas Pessoas.
[Leonardo Boff]

O fato de sermos criados à imagem e semelhança de Deus implica a necessidade de relacionamentos. Uma pessoa sozinha não pode expressar a imago Dei, pois Deus é uma comunidade, Deus é plural.
O Deus cristão é três pessoas em um só Deus, é Tri-Uno, Deus Pai – Deus Filho – Deus Espírito Santo. Deus é uma comunidade e amor ilimitado. Note que não estamos falando de três manifestações da mesma pessoa, como por exemplo o José, que é marido da Rosa, pai do João e filho do seu Pedro. O José é uma pessoa só, em três relações diferentes. Mas Deus não é assim. Conforme Atanásio, Bispo de Alexandria (século IV), em seu Credo: “… a fé universal é esta, que adoremos um único Deus em Trindade, e a Trindade em unidade. Não confundindo as pessoas, nem dividindo a substância. Porque a pessoa do Pai é uma, a do Filho é outra e a do Espírito Santo, outra. Mas, no Pai, no Filho e no Espírito Santo há uma mesma divindade, igual em glória e co-eterna majestade. O que o Pai é, o mesmo é o Filho e o Espírito Santo”.
A afirmação do mistério da Santíssima Trindade traz consigo a convicção de que Deus não conhece solidão. Por esta razão, ao nos criar à sua imagem e semelhança, sabe que “não é bom que o homem esteja só” [Gênesis 2.18].
Este é o fundamento bíblico-teológico a partir do qual a visão da Ibab afirma que desejamos “ser um sinal histórico do reino de Deus, levando o evangelho todo para o homem todo, priorizando relacionamentos”.

ALEGRIA “FORA DE HORA”

Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança. E a perseverança deve ter ação completa, a fim de que vocês sejam maduros e íntegros, sem lhes faltar coisa alguma. (Tiago 1.2-4)
Tiago, irmão de Jesus, escreveu uma carta aos cristãos que estavam sofrendo perseguição. Eles haviam sido expulsos de Jerusalém e deixado para trás seus bens, familiares e amigos. Estavam começando vida nova em outro lugar, e precisavam construir novos relacionamentos, redefinir sua carreira profissional e ainda por cima se defender dos ataques daqueles que se opunham à sua fé em Jesus Cristo.
Um dos conselhos de Tiago para aqueles cristãos em situação tão adversa foi que deveriam receber com alegria as tribulações e provações que a vida colocava diante deles. Tiago justificou seu conselho apresentando três conseqüências das tribulações.
As tribulações provam a nossa fé, isto é, revelam a qualidade dos alicerces onde construímos nossas vidas. Outra maneira de dizer isso é que as tribulações nos mostram quem de fato somos. Muitas pessoas vivem iludidas em relação a si mesmas, e por esta razão constroem suas vidas em alicerces falsos – e vice-versa. Cedo ou tarde estes alicerces são desmascarados e tudo o que está sobre eles pode ruir, como por exemplo: auto-estima, esperança, prazer de viver, relacionamentos, sonhos de futuro, carreira profissional. As situações da vida que confrontam nossos alicerces existenciais são de fato oportunidades extraordinárias para nos reinventarmos, tanto substituindo o que identificamos como inadequado, quanto no desenvolvimento do que identificamos frágil.
As tribulações produzem perseverança, isto é, nos fortalecem para enfrentar a vida. O ditado popular diz que “Deus dá o frio conforme o cobertor”. Acredito nisso. Acredito que o exercício de viver nos coloca diante de desafios proporcionais à maturidade. Uma é a dificuldade da criança, outra, do adolescente, e outra, dos adultos que já não acreditam em Papai Noel e já deixaram a prepotência juvenil de lado. As dificuldades que enfrentamos no caminho nos ajudam a encarar a vida e continuar andando rumo ao futuro desejado. À medida que vamos encarando e superando as tribulações, vamos perdendo o medo de cara feia, até que a vida mostra sua face mais terrível e se surpreende com nossa capacidade de superá-la.
Finalmente, as tribulações nos fazem pessoas maduras e íntegras, sem falta de nada. Atravessar tempos difíceis exige de nós a descoberta e o desenvolvimento de recursos interiores. As tribulações nos tiram todos os pontos externos de apoio: nos sentimos solitários, incompreendidos e injustiçados; perdemos posição, status e privilégios, além de dinheiro e conforto; e descobrimos que as bases onde escorávamos nossa identidade e as fontes de onde tirávamos forças para viver eram falsas ou insuficientes. Nesse momento, olhamos para dentro e para o alto. E descobrimos uma fé mais amadurecida, que nos aproxima mais de Deus, e recebemos a coragem de continuar vivendo. Estranhamente, vamos percebendo que precisávamos de bem menos do que imaginávamos para a nossa felicidade, até que surpresos, nos deparamos com a sensação de que muito embora o mundo lá fora esteja em convulsão, o mundo de dentro do coração, está em paz e serenidade. Quando chegamos nesse ponto de integridade (integralidade) é que passamos a desfrutar dos poucos recursos, dos amigos raros e das pequenas alegrias do dia-a-dia como suficientes para a felicidade. Aí sim, somos homens e mulheres de verdade. Construídos na forja das tribulações. Livres das ilusões. Prontos para viver, dar e construir.

http://www.ibab.com.br/artigos.php?id=4

ESPIRITUALIDADE X RELIGIAO II

No episódio envolvendo os jogadores do Santos numa visita ao Lar Espírita Mensageiros da Luz, que cuida de crianças com paralisia cerebral para entregar ovos de Páscoa, uma parte dos atletas, entre eles, Robinho, Neymar, Ganso e Fabio Costa, se recusou a entrar na entidade e preferiu ficar dentro do ônibus do clube, sob a alegação que são evangélicos e não sabiam que se tratava de uma casa espírita.Os meninos da Vila pisaram na bola. Mas prefiro sair em sua defesa. Eles não erraram sozinhos. Fizeram a cabeça deles. O mundo religioso é mestre em fazer a cabeça dos outros. Por isso cada vez mais me convenço que o Cristianismo implica a superação da religião, e cada vez mais me dedico a pensar nas categorias da espiritualidade, em detrimento das categorias da religião.A religião está baseada nos ritos, dogmas e credos, tabus e códigos morais de cada tradição de fé.A espiritualidade está fundamentada nos conteúdos universais de todas e cada uma das tradições de fé.Quando você começa a discutir quem vai para céu e quem vai para o inferno, ou se Deus é a favor ou contra à prática do homossexualismo, ou mesmo se você tem que subir uma escada de joelhos ou dar o dízimo na igreja para alcançar o favor de Deus, você está discutindo religião. Quando você começa a discutir se o correto é a reencarnação ou a ressurreição, a teoria de Darwin ou a narrativa do Gênesis, e se o livro certo é a Bíblia ou o Corão, você está discutindo religião. Quando você fica perguntando se a instituição social é espírita kardecista, evangélica, ou católica, você está discutindo religião.O problema é que toda vez que você discute religião você afasta as pessoas umas das outras, promove o sectarismo e a intolerância. A religião coloca de um lado os adoradores de Allá, de outro os adoradores de Yahweh, e de outro os adoradores de Jesus. Isso sem falar nos adoradores de Shiva, de Krishna e devotos do Buda, e por aí vai. E cada grupo de adoradores deseja a extinção dos outros, ou pela conversão à sua religião, o que faz com que os outros deixam de existir enquanto “outros” e se tornem iguais a nós, ou pelo extermínio através do assassinato em nome de Deus, ou melhor, em nome de um deus, com d minúsculo, isto é, um ídolo que pretende se passar por Deus.Mas quando você concentra sua atenção e ação, sua práxis, em valores como reconciliação, perdão, misericórdia, compaixão, solidariedade, amor e caridade, você está no horizonte da espiritualidade, comum a todas as tradições religiosas.E quando você está com o coração cheio de espiritualidade, e não de religião, você promove a justiça e a paz. Os valores espirituais agregam pessoas, aproxima os diferentes, faz com que os discordantes no mundo das crenças se deem as mãos no mundo da busca de superação do sofrimento humano, que a todos nós humilha e iguala, independentemente de raça, gênero, e inclusive religião.Em síntese, quando você vive no mundo da religião, você fica no ônibus. Quando você vive no mundo da espiritualidade que a sua religião ensina – ou pelo menos deveria ensinar –, você desce do ônibus e dá um ovo de páscoa para uma criança que sofre a tragédia e miséria de uma paralisia cerebral.

Autor: Ed. René Kivitz – cristão, pastor evangélico.

http://busca-espiritual.blogspot.com/2010/08/espiritualidade-x-religiao.html

Eu Também Não Te Condeno – Pastor Ed René Kivitz

Pode procurar que você não vai achar. Não importa aonde vá, estou absolutamente convencido de que há duas coisas que você nunca vai achar. Você pode correr o mundo e o tempo, e tenho certeza que jamais conseguirá achar alguém que não se envergonhe de algo em seu passado. Para qualquer lugar que você vá, lá estarão elas, as pessoas que gostariam de apagar um momento, uma fase, um ato, uma palavra, um mínimo pensamento. Todo mundo tenta disfarçar, e certamente há aqueles que conseguem viver longos períodos sem o tormento da lembrança. Mas mesmo estes, quando menos esperam são assombrados pela memória de um ato de covardia, um gesto de pura maldade, um desejo mórbido, um abuso calculado, enfim, algo que jamais deveriam ter feito, e que na verdade, gostariam de banir de suas histórias ou, pelo menos, de suas recordações.
Isso é uma péssima notícia para a humanidade, mas uma ótima notícia para você: você não está sozinho, você não está sozinha. Inclusive as pessoas que olham em sua direção com aquela empáfia moral e sugerem cinicamente que você é um ser humano de segunda ou terceira categoria, carregam uma página borrada em sua biografia, grampeada pela sua arrogância e selada pelo medo do escândalo, da rejeição e da condenação no tribunal onde a justiça jamais é vencida. Você não está sozinho. Você não está sozinha. Não importa o que tenha feito ou deixado de fazer, e do que se arrependa no seu passado, saiba que isso faz de você uma pessoa igual a todas as outras: a condição humana implica a necessidade da vergonha.
A segunda coisa que você nunca vai encontrar é um pecado original. Não tenha dúvidas, o mal que você fez ou deixou de fazer está presente em milhares e milhares de sagas pessoais. Não existe algo que você tenha feito ou deixado de fazer que faça de você uma pessoa singular no banco dos réus – ao seu lado estão incontáveis réus respondendo pelo mesmíssimo crime. Talvez você diga, “é verdade, todos têm do que se envergonhar, mas o que eu fiz não se compara ao que qualquer outra pessoa possa ter feito”. Engano seu. O que você fez ou deixou de fazer não apenas se compara, como também é replicado com absoluta exatidão na experiência de milhares e milhares de outras pessoas. Isso significa que você jamais está sozinho, jamais está sozinha, na fila da confissão.
Talvez por estas razões, a Bíblia Sagrada diz que devemos confessar nossas culpas uns aos outros: os humanos não nos irmanamos nas virtudes, mas na vergonha. Este é o caminho de saída do labirinto da culpa e da condenação: quando todos sussurrarmos uns aos outros “eu não te condeno”, ouviremos a sentença do Justo Juiz: “ninguém te condenou? Eu também não te condeno”.
É isso, ou o jogo bruto de sermos julgados com a medida com que julgamos. A justiça do único justo reveste os que têm do que se envergonhar quando os que têm do que se envergonhar desistem de ser justos.

Fonte: Outra Espiritualidade