Medo de Olhar para Dentro

A seguinte transcrição foi tirada de um diálogo entre o Orador e vários participantes numa pequena reunião. A seção do texto a que se refere está no Capítulo 21, Razão e Percepção; seção 4, O Medo de Olhar para Dentro.

Orador: Um tema comum que está surgindo seja tomando a forma de fadiga ou letargia ou resistência para ler o livro ou vir para as reuniões… resistência é somente uma expressão de medo e é por isso que esta seção ‘O Medo de Olhar para Dentro’ pode ser útil. É para isto que nós realmente precisamos olhar. “Lembre-se que o ego não está sozinho. O reino do ego é moderado, e seu “inimigo” desconhecido, Quem ele nem mesmo pode ver, ele teme.”
O ego não tolera olhar para a luz. Ele sente que existe algo maior do que ele, mas ele não tolera olhar para isso. “E se você olhasse para dentro e não visse pecado? Esta questão “amedrontadora” é uma que o ego nunca pergunta. E você que pergunta isso agora está ameaçando todo o sistema defensivo do ego tão seriamente que ele se incomoda em fingir que é seu amigo.”
Essas pequenas sentenças realmente começam a nos dar algum insight que a mente está começando a questionar, “E se eu for inocente? E se eu não tiver pecados e culpas?”. O ego está aterrorizado com o questionamento. Ele quer voltar ao questionamento trivial das coisas do mundo. “E se eu pudesse fazer isso melhor? E se eu pudesse fazer isto ou aquilo? Consigo obter uma ilusão melhor?” Este é o tipo de questionamento que o ego pode tolerar.
“Sua liberação ainda é somente parcial; ainda limitada e incompleta, mesmo assim inata em você. Não estando totalmente insano, você tem estado disposto a olhar para muitas das usas insanidades e reconhecer essas loucuras. Sua fé está se movendo para dentro, além da insanidade em direção à razão. E o que a sua razão te diz agora o ego não ouviria. O propósito do Espírito Santo foi aceito pela parte da sua mente que o ego não conhece. Nem você conhecia. E ainda assim esta parte, com a qual agora você se identifica, não tem medo de olhar para ela mesma. Ela não conhece o pecado. Como, então, ela poderia ter estado disposta a ver o propósito do Espírito Santo como a dela mesma.”
Estes parágrafos me fazem lembrar de uma citação que eu estava lendo um outro dia sobre um diagrama de uma espiral. A citação era, “Você ainda não voltou o suficiente.” É um passo bem grande só para começar a questionar tudo, mas a dor e a resistência vem do “você ainda não voltou o suficiente”. A única liberação que será uma liberação verdadeira será quando você chegar no início. É como se quando você está questionando as coisa, você estivesse relaxando, relaxando e cada vez mais relaxando. A resistência parecerá surgir de tempos em tempos porque a mente ainda acredita no ego, e conforme ela relaxa, relaxa, relaxa que a morte espera por ele. Então Deus o cegará. Ou que haverá algum tipo de punição envolvida. É quando a resistência entra. É um medo de olhar para o que está por baixo do medo.
Participante 1: Este pensamento serve para mim e parece ser algo que eu posso apontar como um medo. E se refere ao que nós conversamos ontem, quando você estava dizendo “Eu senti dor no passo, então você pode apostar que vai acontecer no futuro.” Tem que haver esta conexão que eu estou fazendo na mente para dizer ‘Eu sei como foi sentir aquela dor’, e se foi intolerável então apenas olhando para a dor do meu medo real de Deus vai acabar comigo. Eu sinto que ela lá no fundo, e que é aonde a resistência parece vir. Até mesmo quando conversamos sobre isso, há uma pergunta que surge na minha mente que é “Como abordar isto? Como chegar perto daquele medo na mente, o medo de Deus?” Parece tão obscuro na maioria das vezes. Então, para mim isto simplesmente assim, você sabe quando você diz algo que sentimentalmente é legal… soa bem… Este ainda é o sentimento que eu tenho quando eu leio isso.
Orador: Bem, vamos olhar para o medo. Anteriormente em grupos do Curso e conforme eu rodeei, quando entrei nas emoções e assim por diante, posso dizer quão veemente foram as respostas às vezes quando eu digo que o medo não é uma emoção real. Eles dizem, “O que você quer dizer!”
Participante 1: Eu gosto disso, eu não me oponho a isso. Eu gostaria de vivenciar isso….
Orador: Mas você não acredita nisso.
Participante 1: Com certeza não.
Orador: Aí é que está. Você está dizendo que há está associação como se ‘Uau, aquilo realmente me fez sentir mal e isso só pode ser pior ou só uma pontada da dor que vou sentir no futuro.’ Você pode ver o investimento ou a crença na realidade da emoção.
Participante 1: Então, essa crença obviamente tem que ser questionada. Eu não sei como chegar por baixo dessa crença para questioná-la.
Orador: Como estamos nesta discussão, eu diria que a seção que realmente trata especificamente deste assunto no Curso é o “Obstáculos à Paz”. Fala sobre a atração à dor e a atração à culpa e medo. Realmente fala sobre isso em termos de interpretação da invenção da mente. Em outras palavras, dor é apenas uma testemunha, como discutimos outro dia, e o ego interpreta isso como uma prova do pecado. É por isso que dói tanto. Porque o ego está lá dizendo, “aha, aha, aha! O pecado deve ser real.” O ego uso a dor como uma justificativa ou uma interpretação de que o pecado é real. Mas é uma percepção equivocada. A dor é somente uma percepção equivocada. A dor não prova nada a não ser que você queira.
Participante 2: A dor não prova nada… Você decide o que ela significa, você até mesmo decide relacionar a palavra ‘dor’ a ela, para dar a ela esta definição. Para mim parece que uma vez que a mente relaciona a definição de dor com algo, então é um caso encerrado.
Participante 1: Então o que eu estou tentando provar é que eu sou pecador.
Orador: Através das lentes do ego, sim é isto. E se nós pegar aquela seção e examinar mais de perto, de novo é aquela coisa do prazer-dor. O ego chama algumas dores de prazer. Ele literalmente define algumas dores como prazeres. Você consegue imaginar ter um monte de dores e arrancar algumas acreditando que você tem algo diferente. A dor e o prazer são apenas nomes diferentes para a mesma coisa.
Participante 2: São todas para provar que o que eu sou é pequenez. Este corpinho.
Orador: Uma outra coisa é que o corpo apenas segue as ordens. Obviamente que a mente designou esse significado ou esse sentimento a ela [dor]. Ela diz, ‘você vai sentir isto.’ Mas para onde realmente voltamos é, qual é o propósito? Em relação a tentar lidar com a dor, enquanto que você estiver alinhado com o propósito do ego, então você terá estas sensações irreais, uma delas é a dor. Você vê quão crucial é começar a desvendar o propósito do ego. Orgulho, prazer e ataque. A única saída da dor e ver que a experiência é irreal, ver que não tem realidade, é examinar o propósito do ego e ver muito claramente que você não quer compartilhar com este propósito. Enquanto você compartilhar um propósito com o ego, você está alinha com o ego e vai parecer que você vivencia dor, medo, culpa, depressão e todos os tipos de transtornos. Não é uma coisa significativa dizer ‘leva esta dor para longe de mim’, quando foi você quem a escolheu. Você deve olhar para as condições e os propósitos do ego então não compartilhar esses propósitos. Esta é a fuga. Você estava perguntado como escapar do medo. Você escapa por não compartilhar nenhum propósito que o ego tenha para qualquer coisa.
Participante 1: Isto parece muito drástico para mim. Mesmo você dizendo isso eu estou pensando “Tá bom, vou desistir do ataque, desistir da dor, mas vou desistir do prazer por último.”
Orador: Talvez isto parece ir por este caminho. Mas eu te garanto que você desistirá dele alegremente. A alegria que você vivencia quando você está no propósito de fazer a sua brilhar e conforme você estende isso vai parecer crescer e crescer. Talvez possa parecer desse jeito [desistir do prazer por último], mas isso não será nada em comparação a alegria que você irá sentir.
Participante 1: Isso parece bom para mim. Mas dizer ‘desista disso primeiro!’… eu não quero.
Participante 2: Apenas queira a experiência de ter isso comparado como nada.
Participante 1: Está bem. (risadas)
Orador: (rindo) Isto parece negociável!
“Sua fé está se movendo para dentro, além da insanidade e em direção à razão. E o que o seu raciocínio te diz agora o ego não ouviria. O propósito do Espírito Santo foi aceito pela parte da sua mente que o ego não conhece. Nem você conhecia. E ainda assim esta parte, com a qual você se identifica agora, não tem medo de olhar para ela mesma. Ela não conhece o pecado. Como, de que outra forma, ela poderia estar disposta a ver o propósito do Espírito Santo como dela própria?”
É isto que quer dizer que enquanto alguém se identificar com o ego, esse alguém terá medo olhar para ele. A crença que há tanta negrura, tanta imundície e tanta sujeira na mente que ela é incapaz de olhar para ela mesma.
Participante 1: Essas reuniões… todo o propósito delas é olhar para dentro. Não pode ser o propósito do ego. O ego não pode estar feliz com isso.
Orador: O propósito destas reuniões é olhar. Não é só sobre luz, amor e alegria. Tivemos reuniões onde entramos nas coisa e no final não houve a experiência do sentimento de liberação, ou de alegria. Então vocês continuam questionando. Isto que vocês fazem. Não vai ter batidas na cabeça ou chicotadas se você não entendeu, apenas continue a questionar. Jesus menciona nas primeiras partes do curso que inicialmente vai parecer necessário muito esforço consciente para estar alinhado com ele. Parece precisar de um milagre, inicialmente é necessário muito esforço consciente.
Participante 1: E assim mesmo ainda é questionável.
Participante 2: … como quanto a capacidade. Certamente que um pensamento entra com freqüência, “Consigo fazer isso?”
Orador: Não faz sentido que depois de você ter tido um verdadeiro impulso construtivo, depois da mente ter sido treinada que ela não precisa mais fazer esforço.
Participante 1: Absolutamente, isto faz muito sentido para mim. Esforço não parece ser consistente com o Espírito Santo. Estas duas palavras não combinam.
Orador: Conforme você se torna esclarecido, entende melhor, é assim que a sua mente fica protegida. Você verá além das ilusões, você não vai pegar a isca. Você se renderá a sua alegria e a estenderá porque isto que significa se tornar esclarecido.

Via Professor Dos Professores

Querendo a Experiência do Perdão

P: Perdoar ilusões significa perdoar o que o corpo faz?
Se um corpo trai ou mente, machuca o nosso corpo, ou pega alguma coisa na tapeação, ainda assim não é tapeação porque nós estamos apegados àquela alguma coisa e isto pode incluir o nosso próprio corpo que são ilusões. É o nosso apego ou crença nas ilusões das coisas ou corpo que nos faz julgar outros e nos sentirmos magoados ou com raiva e dizer que isso foi injusto.
Se nós reconhecermos que somente o espírito existe e que ele é todo poderoso e não pode ser machucado, então nada do que acontece aqui importa. E nós vemos tudo e todos do ponto da integridade. Até mesmo a coisa ‘enganosa’ que aconteceu provavelmente nos ensina a lição de não valorizar nada deste mundo, incluindo o corpo. Assim nós vemos a impecabilidade em todas as pessoas, coisas e eventos.
Se algo perturbador (amedrontador) acontece nós só precisamos pensar que isso não terá nenhum efeito no nosso ser. Isto é realmente difícil. Nós temos medo de perder nossos amigos, família, nossas condições de sobrevivência, etc. Eu só tenho uma compreensão desses princípios, mas não tenho nenhuma convicção firme. Então nós também precisamos desenvolver confiança presente que o Espírito Santo irá prover todas as nossas necessidades enquanto elas são necessárias. Mas primeiro precisamos vivenciar os milagres e que nós somos espírito para que a convicção e conhecimento interior venha. Não é? Senão, isto será somente baseado em teoria. Como obtemos essas experiências de milagre e Espírito? Apesar de estudar UCEM, eu não tive nenhuma experiência que eu possa falar. Pelo menos esta é a minha compreensão da visão de Cristo. Você nos daria algum insight sobre isso? Como sempre sua visão digna é tremendamente apreciada. Obrigado.
R: Amado Milagre
Agradeço por compartilhar o que está se passando no seu coração e pela sua sincera abertura para o Espírito interior. Você escreveu aquilo que você está só começando a entender:
“É o nosso apego ou crença nas ilusões das coisas ou corpo que nos faz julgar outros e nos sentirmos magoados ou com raiva e dizer que isso foi injusto. Se nós reconhecermos que somente o espírito existe e que ele é todo poderoso e não pode ser machucado, então nada do que acontece aqui importa. E nós vemos tudo e todos do ponto da integridade. Até mesmo a coisa ‘enganosa’ que aconteceu provavelmente nos ensina a lição de não valorizar nada incluindo o corpo deste mundo.”
Milagres trazem convicção, pois eles demonstram aquilo que você acabou de escrever – a desvalorização do corpo e o mundo e o valor do Espírito Que é imutável.
Milagres são experiências que dissolvem a crença e colapsam o tempo. Se você está disposto a questionar o que você parece acreditar e aplicar as palavras que você falou em tudo na sua consciência, a experiência da paz interior será evidente. Se você parece ter “medo de perder nossos amigos, família, nossas condições de sobrevivência, etc.” então existe um apego de identidade com essas coisas que está bloqueando a experiência do milagre. O milagre não custa nada e oferece um vislumbre do Tudo. Não existe sacrifício em Conhecer a Vontade de Deus e a nossa Vontade é Uma com a Vontade de Deus. Nada real é perdido ou desistido ao servir a Deus porque o temporário nunca teve absolutamente nenhum valor.

Via Professor Dos Professores

Amor

Existe uma experiência que acaba com todas as incertezas e todas as perguntas. A experiência do Amor é Divinamente Inspirada e imutavelmente Eterna. O Amor não vem e vai e nasce e se põe como o sol, nem brilha intensamente somente para desvanecer e desaparecer por um tempo. O Amor não é pessoal ou específico. É impossível Amar algo específico, porque o Amor é Íntegro e não conhece partes. O Amor não tem um oposto, sendo Tudo que Deus cria para sempre. A Mente Divina é Deus, é Amor, é Você, é Tudo.
Você nunca pode deixar para trás ou ser separado do Amor. Ilusões inevitavelmente desvanecerão, mas o Amor permanece Eterno e se estende continuamente para sempre. O Amor abrange tudo e não pode ser limitado. O Amor pode parecer temporariamente esquecido ou encoberto na consciência pela crença no tempo de forma linear. Entretanto o Instante Santo está sempre presente agora e sempre.
Deus é Amor. Deus, Sendo Amor, é Único e Abstrato. Deus, Sendo Amor, não toma formas diferentes ou vem em uma variedade de graus e graduações. Neste mundo parece haver muitos pensamentos, emoções e percepções que escondem a consciência do Amor. Contudo, são meramente tentações para esquecer que o Amor é Tudo que Existe. Toda vez que a tentação para negar o Amor surge, lembre-se que Você é Amor e Deus é Amor e nada pode separar a Unidade do Amor de Deus.
Deus, Sendo Amor, não tem opostos. Deus é Todo-Sabedoria, Todo-Poderoso e Todo-Amoroso. Ilusões trazidas para o Amor devem desaparecer, como a escuridão acaba na Presença da Luz. O Amor é Tudo como Deus é Tudo. Deus, Sendo Amor, não tem nada a ver com o medo. Deus, Sendo Amor, não tem nada a ver com doença, depressão, dor, tristeza ou qualquer forma que o medo possa tomar. Ilusões do tempo parecem colocar um véu na Face do Amor, mas o Amor permanece intocado. O Amor só pode ser Ele Mesmo e só conhece a Ele Mesmo. Amor e medo, Deus e o mundo, não têm um ponto de encontro. A consciência Una implica a não-existência de outra. Os cinco sentidos do corpo parecem enganar por um tempo, mas o Amor é revelado como Único e Tudo através da Visão Interior que o mundo não conhece. Ore sinceramente e deixe a sua prece ser um desejo unificado pelo Amor, por Deus. A Visão Interior conduzirá à lembrança do Amor que É Você e que É Deus, um Amor sem opostos.
O ego é faz-de-conta. Pode o faz-de-conta ser real se somente o Amor é real? Ego é opinião. Pode o Amor eterno e incondicional conhecer opinião? Ego é falsidade. Pode o Amor, sendo verdadeiro, ter consciência da falsidade? O Amor é verdadeiro e real e somente o amor é verdadeiro e real. O Amor é Único e, portanto, está além da “possibilidade” de comparação e transigência. O que pode a crença na dualidade, no passado e futuro ter a ver com o Amor Eterno? E o que poderia quebrar o Amor separando o que é Único para sempre?
O Amor Se estende, Sendo O Que Ele É. O Amor é Todo-extensão. Ao estender, o Amor permanece amoroso, pois o Amor permanece Ele Mesmo. Não há perda ou ganho no Amor, pois o Amor é completamente sem escassez ou limites. Conhecer o Amor é conhecer a completeza e a realização. Como poderia a Integridade algum dia entender alguma coisa senão Ele Mesmo? E o que o Amor poderia “precisar”, já Sendo Tudo para sempre?
Não questione o Amor. Se você acredita em questionamento, questione tudo que parece ser “não-Amor” e esteja disposto a aceitar somente Aquilo Que É Verdadeiro Para Sempre. Acabe com a espera agora! Aceite agora o Amor Eterno de Deus. O que mais poderia ser mais valioso do que a sua aceitação? Não há nada para buscar e nada para encontrar! Obrigado Deus por Ser Amor e estender Amor para sempre!

(Via Professor Dos Professores)

1984 Entrevista com William Thetford

1984 Entrevista com William Thetford

Bill Thetford foi um dos dois primeiros estudantes de Um Curso Em Milagres no mundo, ajudando a introduzi-lo no mundo para que as pessoas pudessem usá-lo como um meio de lembrar de Deus. Bill foi muito sincero e receptivo, e mesmo assim não muito tem sido escrito sobre esta bela testemunha do Amor de Deus. Esta entrevista com Bill foi publicada na Revista New Realities em set/out de 1984. Com muita alegria transmito-a para todos agora.
Faça bom proveito!

Entrevista com William N. Thetford, Ph.D
New Realities Magazine: Set/Out 1984

(Via Professor Dos Professores)

Uma conversa exclusiva e imparcial com umas das duas “personalidades ocultas” por trás da manifestação de um dos mais enigmáticos e profundos sistema de pensamento do Século – Um Curso Em Milagres. Uma vez que um agnóstico confesso, Dr. Thetford que agora discute abertamente seu papel secreto transcrevendo o Curso e como isso o afetou pessoalmente e em seu trabalho na psicologia, como também as posições de prestígio que ele mantinha como Professor de Psicologia Médica da Universidade de Columbia da Faculdade de Médicos e Cirurgiões, e como Diretor do Departamento de Psicologia do Hospital Presbiteriano na cidade de Nova Iorque.

NR: Como um dos responsáveis por transcrever “Um Curso Em Milagres,” qual o impacto que ele tem causado na sua vida?
WT: Mudou totalmente a minha vida. Eu me recordo estar datilografando os primeiros cinqüenta princípios dos milagres que vieram através de Helen Schucman no outono de 1965, e percebi que se esse material fosse verdadeiro, então absolutamente tudo que eu acreditava teria que ser desafiado – que eu teria que reconstruir todo o meu sistema de crença. Naquela época, no entanto, pensei que seria impossível; eu não sabia como poderia fazê-lo. Mesmo assim senti que era uma exigência, já que o material que veio através de Helen no começo da fase pareceu autentico e genuíno demais. Fiquei estado de choque por um breve período, imaginando como seria possível fazer tal mudança tão abrupta na minha percepção da vida e do mundo. Mais tarde percebi que Deus é misericordioso, e não nos pede para fazer mudanças tão abruptamente, que haveria uma tempo adequado para gradualmente começar a mudança na minha percepção.
Eu acho que o que foi importante foi a minha disponibilidade para mudar, não dominar o material. E, é claro, me mudei do meio de Manhattan, onde tinha vivido por vinte e três antes para Tiburon, Califórnia, algo que eu pensava que nunca aconteceria. Eu tinha me acomodado à minha rotina como Nova-iorquino, e achava que a Big Apple era o centro do Universo, e o lugar ao qual eu pertencia. Aquela mudança foi provavelmente o maior choque cultural que eu já tinha vivenciado, fazendo uma transição abrupta do tumulto de uma vida agitada em Nova Iorque para a tranqüilidade de Tiburon, Califórnia. Eventualmente também deixei a comunidade acadêmica. Primeiro ao me aposentar do cargo de Diretor do Departamento de Psicologia do Hospital Presbiteriano do Centro Médico Presbiteriano de Columbia, e vários anos mais tarde aposentando da minha posição de Professor de Psicologia Médica da Faculdade de Médicos e Cirurgiões da Universidade de Columbia.

NR: Isso foi para se devotar tempo integral ao curso ou perseguir outros interesses?|
WT: Uma combinação, eu acho. Depois de vinte anos na Columbia senti que era hora de deixar a academia. Parecia natural sair quando o Curso foi publicado.

NR: Qual foi exatamente o seu papel no processo de transcrição do Curso? Você também ouviu uma voz?
WT: Ambos eu e Helen sabíamos desde o inicio que era uma tarefa colaborativa, embora eu não ouvisse a voz. Enquanto a Helen ouvia o ditado interno, ela era incapaz de transcrever o material diretamente sozinha, já que ela achava que o conteúdo do Curso muito ameaçador. Meu papel era oferece o apoio e confiança necessária a cada dia para que Helen continuasse com suas anotações no caderno de taquigrafia. Então, ela lia o material para mim e eu datilografava diretamente do seu ditado.

NR: Já que o Curso desafiou sua própria crença e seu sistema de pensamento também, porque você simplesmente não o rejeitou, jogou fora?
WT: Bem, meu intelecto se rebelou algumas vezes. Mas era eu quem tinha pedido por “um outro jeito”, um jeito melhor, em relação ao contexto profissional extremamente estressante em que Helen e eu estávamos tentando fazer funcionar. Quando o material de Um Curso Em Milagres começou a vir, para mim era óbvio que esta era a resposta para a minha questão, muito claramente a resposta. Então, para rejeitá-la ou até mesmo desconsiderá-la nunca foi cogitado

NR: O que especificamente sobre ele fez com que fosse óbvio para você que esta era realmente a sua resposta?
WT: Talvez o fato de que era tão totalmente diferente do jeito que eu vinha trabalhando em toda a minha vida. Mas a autenticidade do material me afetou mais do qualquer outra coisa. Eu sabia que a Helen não tinha inventado isso, mesmo com a sua imaginação mais fértil.

NR: A autenticidade… ?
WT: Bem, o material era algo que transcendia qualquer coisa que qualquer um de nós dois pudéssemos conceber. E como o conteúdo era bem alheio aos nosso conhecimentos, interesses e instrução, para mim era óbvio que veio de uma fonte inspirada. A qualidade do material era muito convincente, e sua beleza poética acrescentado ao seu impacto.

NR: Parece muito incomum que você, um psicólogo consagrado mantendo duas posições de prestígio, pudesse até mesmo considerar adotar tal material, considerando sua instrução e princípios rígidos dentro da academia dos quais você sem dúvida consentiu e aderiu.
WT: Eu acho que se não tivesse sido pelas muitas experiências extraordinárias que ocorram durante o verão de 1965, nem eu nem a Helen teríamos estado dispostos a aceitar o material que ela transcreveu. Você relatou algumas dessas experiências nessas página na matéria sobre o novo livro do Robert Skutch “Journey Without Distance, The Story Behind A Course In Miracles”. No entanto, nossa experiência associada com a Clínica Mayo em Rochester, Minnesota, não foi relatada na “New Realities.” Talvez tanto quanto qualquer coisa, esta série de eventos cristalizaram toda a nova direção que tomaríamos.

NR: O evento da Clínica Mayo ocorreu em setembro e o Curso não começo no mês seguinte em outubro?
WT: Sim. Tinha me solicitado para ir a Clínica Mayo e descobrir por que eles lucravam com as operações de serviço psicológico deles, enquanto a Columbia-Presbiteriana parecia que estava sempre perdendo dinheiro. Eu pensei que soubesse da resposta para a questão porque nós atendíamos principalmente pacientes que não tinham condições de pagar taxas, e os pacientes na Clínica Mayo eram de classe média ou alta e capazes de pagar. Apesar disso, parecia que era uma viagem importante a fazer e eu pedi a Helen que me acompanhasse. Logo que nós decolamos – eu acho que foi na noite anterior – Helen teve uma vívida imagem de uma igreja, que ela descreveu para mim com muitos detalhes, até mesmo fez um esboço dela. Era uma antiga igreja com diversas pequenas torres e torres. Ela pensou que fosse provavelmente uma Igreja Luterana. Ela estava convencida de que de alguma maneira, nós veríamos aquela igreja pela janela do avião quando estivéssemos prestes a pousar in Rochester. Aquilo, é claro, parecia um tanto improvável, já que aeroportos pelo que eu sei não são construídos perto de igrejas. De qualquer forma, mantivemos nossa atenção focada na janela durante a aterrissagem, e para a decepção e angústia de Helen nenhuma igreja como aquela foi vista. De fato, Helen estava tão aborrecida por não ter encontrado a sua igreja que eu não tinha muita esperança de cumprir com os nossos negócios no dia seguinte a menos que ela pudesse de alguma forma ser reanimada. Meio que desesperado sugeri a Helen pegarmos um táxi e ver se conseguíamos encontrar a igreja dela em algum lugar na área metropolitana de Rochester.
Então, Helen e eu fomos à caça da igreja. No começo, pensamos que poderíamos nos restringir às igrejas Luteranas. Eu acho que havia duas delas, e nenhuma era nem um pouco parecidas com a imagem de Helen. Assim, decidimos que poderíamos ver todas as outras igrejas enquanto estivéssemos nisso. Eu acho que havia vinte sete nos arredores de Rochester. E nenhuma delas tinha qualquer semelhança com a imagem de Helen. Obviamente, ela ficou muito arrasada , mas nos recompusemos para preparação dos negócios no dia seguinte.
No dia seguinte depois de termos completado nossa pesquisa com sucesso, Helen e eu preparávamos para deixar o hotel. Desci para o saguão e esperei por ela com a bagagem, e notando uma banca de jornal decidi comprar um. Em vez disso, eu vejo um pequeno folheto com o título “A História da Clínica Mayo.” Achando que seria bom ter uma lembrança da nossa visita, eu comprei o folheto por um dólar.
Conforme eu o folheava muito rapidamente, eu vi a foto da antiga igreja de Helen, exatamente como ela a tinha descrito com todas as pequenas torres e torres. Era uma igreja Luterana. O único problema era que ela tinha sido demolida e na verdade a Clinica Mayo foi construída no terreno a antiga igreja Luterana. Foi um momento muito dramático, estava ansioso para compartilhá-lo com Helen.
Quando ela desceu, eu disse rapidamente, “Helen você realmente não estava louca afinal. Sua igreja estava lá mas não está mais. Quando você pensou que estava olhando para ela por cima como se fosse de um avião você estava na verdade olhando para trás através do tempo.”
Helen demonstrou uma estranha mistura de emoções. Por uma lado, alívio que ela não estava totalmente louca, e por outro, estava claro que ela estava fazendo algo que ela se referia como altamente para-normal, e isso era uma área que a fez se sentir muito desconfortável.
No nosso caminho de volta à Nova Iorque, tivemos que trocar de avião em Chicago. Enquanto estávamos na sala de espera, Helen observou uma jovem mulher no canto lendo uma revista e parecendo um tanto infeliz do jeito que as pessoas freqüentemente ficam quando estão esperando por aviões nos aeroportos. Fiquei surpreso quando Helen me disse, “Está vendo aquela mulher logo ali, está realmente encrencada – ela tem um monte de problemas.” Helen insistiu que iria lá e falar com essa mulher. Conforme a conversa ocorreu a mulher, cujo nome era Charlotte, nunca tinha estado num avião antes. Ela tinha voado com a companhia aérea Ozark até Chicago com rota para Nova Iorque e estava em pânico. Ela não sabia nada de Nova Iorque. Mais tarde descobrimos que ela estava deixando o marido e dois filhos, e estava angustiada.
Charlotte estava registrada no mesmo avião que o nosso. Durante o vôo, sentamos um a cada lado dela, segurança sua mão, e tentando acalmá-la e sossegá-la. Perguntamos onde ela ia ficar em Nova Iorque já que ela não conhecia ninguém. Ela disse que como era Luterana, ela pensou em contatar uma igreja Luterana e de alguma forma eles encontrariam um lugar para ela na cidade. Foi naquele momento que Helen e eu trocamos olhares. A mensagem era clara para ambos. Helen ouvir sua voz interior dizendo, “E está é a minha verdadeira igreja, ajudando seu irmão que está em necessidade; não o edifício que você viu antes.” A autenticidade desta voz interior tornou-se cada vez mais familiar para ambos quando o Curso iniciou algumas semanas mais tarde, em outubro.

NR: Deve ter sido de alguma forma penoso durante aquele período, vivendo uma vida dupla recebendo e lidando com os materiais dos milagres que vinham e continuando sua vida acadêmica normalmente.
WT: Sim, de um modo era como viver em dois mundos diferentes. Meus sentimentos eram tão complexos é difícil expressar isso muito simplesmente. Obviamente, Helen não tinha ficado louca, nem tinha perdido a cabeça. O material fazia sentido, mas havia um sentimento de ter mergulhado em algo que estava além da nossa compreensão e para o qual não estávamos preparados.
Naturalmente não conversávamos disso com nosso colegas, e nenhum dos nossos associados profissionais tinha conhecimento de que isto estava ocorrendo como uma dimensão adicional na minha vida e da Helen. Ao mesmo tempo, não podíamos separar completamente o Curso das nossas responsabilidades acadêmicas, e uma boa parte da datilografia do material foi feita no Centro Médico. Helen me ditava suas anotações durante nosso horário de almoço ou momentos estranhos. Mas isso não interrompeu o curso dos nossos compromissos profissionais que incluíam dar palestras. Escrever pesquisas de bolsas e artigos para publicação, como também uma infinidade de tarefas administrativas – todas aquelas coisas que fazem uma vida profissional muito ocupada. Então a experiência que passamos durante aquele período foi realmente uma experiência muito incomum.

NR: Não houve momentos que Helen considerou seriamente ir a um psiquiatra ou psicólogo? Ou talvez considerar tomar alguma medicação que poderia acabar com a voz ditando para ela?
WT: Não era uma voz neste sentido em absoluto. Helen não foi perseguida por vozes; era uma sensação específica de comunicação canalizada que vinha para ela de tempos em tempos, ela sabia que havia material para ser transcrito, e ela podia fazer isso quando queríamos. Não havia pressão para largar imediatamente o que ela estava fazendo para tomar notas. Em vez disso, o material estava lá quase como se tivesse sido pré-gravada e estava esperando pela atenção dela. Ele se apresentava a ela numa parte separada e muito distinta de sua mente, ela não vivenciou isso como uma voz externa em absoluto.

NR: Ainda assim o fato de alguém ouvir uma voz – no sentido psicoterapêutico tradicional – qual você acha que teria sido o diagnóstico ou prognóstico de Helen, sem compreender as dinâmicas envolvidas?
WT: Eu acho que as pessoas que fazem coisas incomuns desse tipo são provavelmente consideradas de alguma forma dissociadas ou possivelmente esquizofrênicas. No entanto, apesar da habilidade da Helen a função de psicóloga não foi prejudicada de forma alguma durante este período era uma clara indicação de que ela não sofria de um sistema delusório. Se qualquer coisa, eu digo que a habilidade dela para trabalhar profissionalmente foi enriquecida conforme continuávamos com este trabalho. Durante o tempo que estávamos trabalhando no Curso, na verdade parecia que aumentávamos nossa produtividade e qualidade profissional. Uma confirmação disso é que quando completamos o manuscrito, ambos fomos conferidos os títulos de professores.

NR: Helen parecia ter muito mais dificuldade de adotar o material do Curso do que você. Houve alguma tipo de educação espiritual ou religiosa na sua vida ou qualquer outra coisa?
WT: Bem, certamente não foi devido a nenhum conhecimento religioso. Eu freqüentei a Escola Cristã Science Sunday até os sete anos de idade, quando minha irmã faleceu repentinamente e meus pais perderam o interesse em toda religião. Mais tarde na minha juventude freqüentei várias igrejas Protestantes, mas na época que comecei meu trabalho de graduação na Universidade de Chicago, eu tinha certamente desistido de qualquer interesse em religião. Além do mais, me recordo como a Universidade de Chicago era freqüentemente descrita como uma Universidade Batista onde professores ateus ensinavam alunos judeus filosofia Tomística! Com esse tipo de educação, eu acho que é evidente que qualquer crença religiosa que eu pudesse ter tido simplesmente teria tornado mais confuso.

NR: Qual você diria que era a sua visão filosófica ou espiritual naquele tempo?
WT: Eu me descreveria como um agnóstico. Eu não estava realmente preocupado se a realidade espiritual era fato ou não. Freud se referia à religião como uma ilusão, e eu acho que muitos dos alunos de pós-graduação e os docentes com quem me relacionaram naquela época, encaravam a religião como algo que carecia de respeitabilidade intelectual.

NR: Dada a sua visão agnóstica naquele tempo, houve algo com que você se envolveu que poderia ter marcado a sua fase de catalisador para “Um Curso Em Milagres?”
WT: Não como tal, apesar de ter sido um dos primeiros alunos de pós-graduação do Carl Rogers depois que ele veio para a Universidade de Chicago em 1945. Ele ensinou que “respeito verdadeiro incondicional” era um pré-requisito para terapeutas centrados nos pacientes. Agora eu entendo o que Rogers estava enfatizando realmente era que a total aceitação em nosso relacionamentos significava expressar amor perfeito. Embora eu soubesse o quão distante estava de estar apto a praticar este conceito em minha via, eu cresci para apreciar esta contribuição para o meu próprio desenvolvimento espiritual.
Na verdade, eu sempre pensei que uma Autoridade Superior deve ter dado uma mancada escolhendo eu e a Helen para esta missão. Uma vez quando Helen perguntou a voz por que ela tinha sido escolhida para este papel, a resposta que ela obteve foi, “Você obviamente é a pessoa certa porque você está fazendo isso.”

NR: O que é muito curioso é que ambos – Helen a ateísta e Bill o agnóstico – recebessem o conceito de fazer algo assim. Como você conciliou isto? Certamente algo deve ter desencadeado dentro de você.
WT: Durante o verão de 1965, tivemos muitas experiência que chacoalharam meu sistema de crença e me levaram a ser mais receptivo para a possibilidade da intervenção divina. Quando o Curso começou, eu diria que não era realmente mais um agnóstico.
Helen, no entanto, teve grandes dificuldades com o Curso considerando suas próprias crenças pessoas. Ela continuou a questionar o que estava acontecendo com ela no tempo em que ela estava transcrevendo o Curso, e não tenho certeza ela algum dia foi capaz de conciliar o que ela estava fazendo com o que ela era.

NR: É interessante como você freqüentemente usa a palavra “missão” em relação ao seu envolvimento e o de Helen com o Curso. Por que?
WT: Bem, os eventos que vivenciamos conduzindo o ditado do Curso parecia para nós uma preparação para uma missão que de alguma forma, em algum lugar, tínhamos combinado em fazermos juntos. No sentido de estarmos cumprindo com a nossa função.

NR: Os evento que você refere como precedentes ao ditado do Curso pela Helen envolveram um número de experiências físicas e psíquicas que ela teve. Você teve experiências similares?
WT: Sim, mas nunca pareciam tão dramáticas como os da Helen. No entanto, um que teve um efeito profundo em mim ocorreu no domingo de Páscoa de 1970. Eu tinha combinado levar Jean, uma artista idosa, para jantar no Greenwich Village com alguns outros amigos artistas. Estava muito frio, um dia típico de inverno tempestuoso, com chuva de granizo e ventos fortes – incomum para aquela época do ano. Estando sem carro, percebi que ia ter muita dificuldade para conseguir um táxi, então meditei brevemente sobre o que fazer. Recebi uma mensagem clara que eu devia ir para a esquina da rua 78 com a Quinta Avenida, perto de onde eu morava, exatamente às 3:15, e o problema teria sido resolvido. Tive uma resistência enorme para fazer isso, mas do mesmo jeito vesti minha roupa de tempestade, andei até a esquina, e tentei chamar um táxi. Como eu estava competindo com todos os porteiros da Quinta Avenida, parecia totalmente inútil.
Então só por um momento fechei meus olhos e abandonei todos os meus pensamentos conturbados, dizendo para mim mesmo: “Obrigado, Pai, isto já está feito.” E por um instante eu realmente acreditei nisso. Quando abri meus olhos, uma limusine guiado por um chofer tinha parado bem na minha frente na esquina e o motorista baixou os vidros e perguntou, “Posso te ajudar senhor?” Isto, como qualquer um que esteve em Nova Iorque ou morado lá, sabe que era altamente improvável de acontecer.
Eu fiquei muito tentado de perguntar porque ele tinha parado para mim, e então percebi que esta seria uma pergunta inapropriada. Eu devia simplesmente aceitar este presente. Entrei e fomos até a Jean para pegá-la. Ela ficou felicíssima que eu fui apanhá-la numa limusine!
Uma coisa interessante, também, é que eu não tinha discutido o preço com o motorista. Ele simplesmente me pegou sem nenhuma pergunta, e quando chegamos no nosso destino perguntei quanto era, e ele me disse algo ridículo como cinco dólares. Eu acho que dei a ele muitas vezes mais do que aquela quantia fora a enorme gratidão e alívio.

NR: Que outras experiências semelhantes?
WT: Enquanto estávamos no processo de transcrição do material do Curso, eu rezei para que pudéssemos encontrar um exemplo vivo de professor – alguém que incorporasse esses ensinamentos em sua própria vida. Mais ou menos nesta época um padre amigo meu, Padre Michael, me falou de Madre Teresa da Índia. Devidamente impressionado, eu obtive uma copia de “Something Beautiful for God” de Malcolm Muggeridge, o primeiro livro que descreve espantoso trabalho de cura da Madre Teresa com os mais pobres dos pobres.
Pouco depois de ter lido o livro, Padre Michael me informou que Madre Teresa atualmente estava em Nova Iorque. Recentemente ela tinha fundado um Centro em Nova Iorque para sua ordem no Sul do Bronx – naquela época, a pior de todas as áreas dominada pela pobreza e criminalidade em Nova Iorque – e tinham pedido a ele para ajudar a facilitar seus preparativos do local. Ele convidou a Helen e a mim para juntar-se a ele para visitá-la no Bronx.
Inicialmente, me senti apreensivo por ter minhas preces respondidas, como eu não tinha a certeza que eu estava para encontra uma santa viva. No entanto, quando está minúscula mulher nos encontrou graciosamente com suas palmas estendidas, senti quase que uma sensação de alívio instantâneo. Era como se eu a sempre tivesse conhecido. Completamente abnegada e sem pretensão, ela radiava alegria do total compromisso espiritual. Mais tarde, quando ela se virou para mim e disse, “Doutor, você não gostaria de ir à Índia? Há tanto que você poderia fazer para ajudar os pobres.” Senti um impulso quase irresistível para responder, “Sim!”
Eu me encontrei com Madre Teresa em inúmeras ocasiões desde aquele tempo, incluindo uma visita que ela fez com o Padre Michael em nossos consultórios no Centro Médico um ano antes da Helen se aposentar. Para mim, sua vida é uma demonstração de importância de total dedicação e consistência completa no caminho espiritual. Nossas preces são respondidas, embora freqüentemente das formas mais inesperadas.

NR: Houve uma especulação de que você e Helen editaram o Curso. Editaram?
WT: Não. Tenha em mente que no começo não sabíamos exatamente o que estava acontecendo. Então fizemos perguntas de natureza pessoal e registramos as respostas que Helen recebia. Eu datilografava essas respostas como parte de um processo contínuo, sem distingui-los do ditado interior que Helen estava registrando com seu caderno de taquigrafia. Mais tarde, quando percebemos que este material obviamente não era parte do Curso, nós realmente apagamos. É verdade que houve edição de maiúscula, pontuação, parágrafos e títulos de seção no Texto. No entanto, essas mudanças foram pequenas e o Livro de Exercícios e o Manual para Professores também aparecem exatamente como foram anotados por Helen.

NR: Poderia dar um exemplo do material pessoal que vocês apagaram?
WT: Ah, havia perguntas como, “Há alguma coisa que deveríamos estar fazendo que aumentaria nossa habilidade para meditar melhor?” Havia também alguns comentários sobre teorias psicológicas que foram introduzidas como digressão intelectual no início, que não tinham nada a ver com o Curso.

NR: Resumidamente, qual você acha que é o propósito do curso?
WT: Nos ajudar a mudar nossas mentes sobre quem somos e o que é Deus, e nos ajudar a desapegar, através do perdão, nossa crença na realidade da nossa separação de Deus. Aprendendo como nos perdoarmos e perdoarmos os outros é realmente o ensinamento fundamental do Curso. O Curso nos ensina como nos conhecermos e como desaprender todas aquelas coisas que interferem com o nosso reconhecimento de quem somos e sempre fomos.

NR: Por que você acha que ele foi nomeado “Um Curso Em Milagres” Por que não um Curso em Amor ou Perdão ou Verdade?
WT: Por uma boa razão, nós percebemos mais tarde. Eu me lembro, no entanto, quando Helen me ligou naquela noite memorável e disse que uma voz interna estava ditando para ela e ficava repetindo, “Este é um curso em milagres, por favor tome notas.” Naquela época, eu certamente não respondi positivamente ao título. No entanto, quando você entra no Curso e então na definição do que é um milagre, realmente faz sentido. De fato, é o único nome apropriado para o Curso.

NR: E um milagre é …
WT: Eu acho que um milagre é o amor que sustenta o universo. É a mudança na percepção que remove as barreiras ou obstáculos para nossa consciência da presença do amor em nossas vidas.
O Curso também nos diz que não há ordem de dificuldades em milagres – um não é mais difícil do que outro, já que a expressão do amor é sempre máximo.

NR: Qual foi a sua reação como um psicólogo quando o Curso apresentou o conceito de que há somente duas emoções: amor e medo?
WT: Eu me lembro bem nitidamente datilografando esta seção, “Você tem somente duas emoções, medo e amor, uma você fez e uma foi dada a você.” E me lembro de pensar que conceito realmente toma conta do problema psicológico de diferentes estados emocionais por completo. E é verdade, por exemplo, que raiva é simplesmente uma expressão de medo em ação. Não posso ficar bravo a menos que primeiro me sinta ameaçado de alguma forma, que significa que estou com medo. O amor é realmente a única outra emoção que existe, e ele simplificou bem as coisas para se reconhecer isso como um fato.

NR: E o que é amor pela sua definição?
WT: Muito simples, amor é ausência de medo. Você poderia também dizer que medo é ausência de amor. Amor e medo não podem co-existir ao mesmo tempo, embora muitos de nós tentemos viver como se eles pudessem. Nós tentamos equilibrar um pouco de medo com um pouco de amor, e esperamos que possamos saber a diferença. Ainda assim quando nos desapegamos do medo por um instante, o amor está lá automaticamente. Não é algo que temos que achar ou procurar, amor simplesmente é.
É bem parecido com o sol que está escondido pela neblina num dia enevoado. Embora não possamos ver o sol, sabemos que ele está lá. No momento que a nuvem sobe podemos vê-lo. É o mesmo caso para nós, no momento que paramos com os nossos pensamentos de medo podemos aceitar o amor e a luz que sempre está lá.

NR: Isto realmente implica em confiar que está sempre lá, ainda assim parece que somos sempre trazidos para um lugar, quase um precipício, e pedem para sairmos, com fé de que ainda está lá. É realmente difícil de ser fazer, ou reunir a confiança para fazer.
WT: Freqüentemente me refiro a isso em minha própria vida como “brinkmanship* celestial” – quando estamos lá fora, caminhando sobre a prancha sem saber o que vai acontecer em seguida. Mas de que outra maneira pode ser o aumento da nossa consciência do nosso potencial dado por Deus se não nos arriscamos mergulhar no desconhecido? Eu acho que todos nós temos que ser pelo menos parcialmente disposto para tentar descobrir se há uma maneira diferente e melhor de viver, senão nós simplesmente preservaremos o mesmo velho padrão das nossas vidas.
*A prática de buscar vantagens, dando a impressão de estar disposto e ser capaz de levar adiante uma situação extremamente perigosa até o limite em vez de ceder.

NR: O Curso também faz uma distinção entre o ego e o Ser em outros termos que não são convencionais. Qual foi a sua reação a isso como um psicólogo?
WT: O termo “ego” como usado no Curso se refere ao no Ser superficial ou falso, que se identifica com o corpo como sua forma de expressão externa. Esta identificação corpo-ego é o ser que nós fizemos como contraste com o Ser espiritual que Deus compartilha conosco. O ego é realmente nossa crença num ser separado de Deus. A projeção deste pensamento de separação ergue um mundo de forma. O ego acredita que este mundo fenomenal existe independentemente, apesar de não ter existência à parte da mente dividida que o projetou.

NR: Um dos conceitos mais provocativos do Curso apresenta é que este mundo é ilusório, não real, e que Deus não está realmente envolvido. Que Deus está somente envolvido e preocupado conosco, não as nossas coisas, e que somos nós que as valorizamos, e não Deus. Este é um conceito muito difícil de se agarrar e lidar, não é?
WT: Sim realmente. É um desafio e um problema para todos nós. Mas como você sabe, muitos médicos do século vinte escreveram extensivamente sobre as implicações da mecânica quântica do misticismo e pensamento místico.
Ken Wilburn recentemente editou um livro intitulado “Quantum Questions” que lida com o assunto da realidade física e experiências místicas nas anotações de Einstein, Heisenberg, Eddington, Schroedinger e diversos físicos vencedores do Prêmio Nobel. Wilber salienta que todos estes notáveis cientistas desenvolveram uma visão transcendental ou mística do mundo. Enquanto físicos modernos não provam que o misticismo é verdadeiro, não remove nenhum dos principais bloqueios teoréticos da possibilidade da realidade espiritual. De fato, o material sólido do universo se dissolveu em uma serie de equações matemáticas abstratas.
A questão aqui é que muitos físicos vêem o mundo material da mesma forma que o Curso vê: que este mundo é ilusório já que a matéria física não é mais compreensível em termos de consciência sensorial. De alguma forma nós estamos percebendo algo que não está lá, e é a nossa percepção que dá realidade. Então a questão é qual é a natureza do poder que sustenta e está por trás de todas as formas?
A ênfase do Curso em mudança ou deslocamento de percepção se aplica a tudo em nossas vidas, não simplesmente ao universo externo, e mais particularmente aos nossos relacionamentos – a forma que olhamos para nós mesmo e os outros. Conforme mudamos esta percepção, ou melhor, conforme mudamos nossas atitudes de medo para amor, de culpa para total aceitação, então o que vemos como o universo limitado e confinado também muda.
Qualquer coisa que é perecível é visto como uma ilusão, e qualquer coisa que é eterna é conhecimento verdadeiro e vem de Deus. O objetivo do Curso, então, é nos capacitar a mudar nossa percepção ao ponto onde Deus pode nos levar para o domínio do conhecimento. Seu propósito imediato é nos ajudar a remover os obstáculos da nossa consciência da presença do amor em nossa vida diária. Que é tudo sobre o milagre. Quando começamos a reconhecer e aceitar a presença do amor de Deus em nossas vidas, muitas dessas outras questões que levantamos simplesmente desaparecem. Elas não tem mais relevância nenhuma, porque são questões que o ego pergunta baseado na percepção de um limitado universo confinado.

NR: Um outro conceito difícil de lidar no Curso é que quando reconhecemos ilusões pelo que são não conseguimos rir deles. Bem certamente crises emocionais são bem verdadeiras e não são engraçadas para muita gente, tais como morte, tristeza, dor, fome, etc. como você lida com isso?
WT: O Curso sugere que esquecemos de rir no momento em que, pela primeira vez começamos a acreditar que ilusões eram reais. Talvez uma maneira que podemos encontrar nosso caminho de volta para nossa natureza real é começar a rir da tolice de muitas das nossas crenças. Norman Cousins já demonstrou a importância do riso no processo da cura.
Por exemplo, a fim de ajudar alguém, tanto em psicoterapia com no dia-a-dia, eu não acho que podemos nos identificar com o problema. O que precisamos fazer é nos identificarmos com a Resposta. Já que qualquer problema é sempre alguma forma de medo, culpa ou separação. Nossa responsabilidade é nos identificarmos somente com a Resposta que funciona. Ao oferecer o Amor de Deus de qualquer forma que seja é apropriado, estamos oferecendo a única resposta que é possível dentro deste mundo. Isto certamente não implica uma falta de compaixão, muito pelo contrário. Se eu me identifico como o problema que você ou qualquer outra pessoa tem, isto simplesmente significa que eu vou sofrer também. E quando eu me junto com você em sofrimento, ninguém ganha – em vez disso ambos perdemos por reforçar o problema.
O Curso diz que todos os nossos problemas brotam de uma crença que somos separados de Deus, e a única saída para isso é estender o milagre do amor, que é a nossa herança natural.

NR: Algumas das pessoas que começam a estudar o Curso, inicialmente ficam desapontadas que ele não lida especificamente com algumas questões pessoais e vitais, como o sexo. Por que ele não lida com isso?
WT: Como você sabe, o enfoque real do Curso está no treinamento da mente. Sua ênfase está no desenvolvimento espiritual do que reforçar nossa identificação do corpo-ego.
Mas não há nada no Curso que proíba o sexo. O que ele diz é que o corpo é um veículo neutro para a comunicação do amor. O que eu acho que o Curso está tentando ressaltar é que a união física nunca poderá resolver o problema do nosso senso de separação de Deus. Só pode ser um substituto para nossa tentativa de união com Deus. E por isso que satisfação física como uma meta num relacionamento nunca é duradouro, nunca permanente para unir indivíduos. E o mesmo é verdade para muitos outros impulsos físicos e emocionais que temos que brotam do ego – coisas que nós fazer para tentar permanentemente nos unir com outros, que sempre resulta em fracasso.

NR: Um outro assunto específico não discutido no Curso e uma preocupação para aqueles que o estudam é o assassinato – lidando com isso como uma ilusão ou através do perdão.
WT: Talvez a dificuldade está em perceber o outro como somente um corpo. Eu acho que esta é a equação fundamental do corpo-ego, que é responsável por uma quantidade enorme da nossa infelicidade, o real âmago disso.
Sem dúvida nenhuma, assassinato é uma assunto muito emotivo para todos nós. Mas a transformação interior da qual estamos nos referindo aqui tem a ver com a nossa própria mudança na percepção, nossa própria habilidade para reconhecer que o medo é um problema que todos nós temos. Se ele toma a forma de assassinato, ataque ou perda, o que nós queremos aprender é como ensinar amor para que o medo não mais seja parte da nossa consciência. Na medida em que mudamos nossa própria consciência e nossa própria conscientização, nós estamos ajudando todo mundo a fazer a mesma coisa, e eu acho que é através desse processo que nós fazemos a nossa contribuição para uma sociedade mais sã e um mundo mais são.

NR: Uma outra preocupação vital da vida nesta vida é a morte, morrer. Por que o Curso não lida com isso para a paz da nossa mente?
WT: Eu acho que ele o faz. O Curso declara muito claramente “Não há morte. O Filho de Deus é livre.”
De certo modo, já que nós fomos criados eternos, nós literalmente nunca nascemos, portanto, nunca podemos morrer. Isto é, dentro a estrutura da eternidade, nós temos sempre existido como uma extensão do Amor de Deus. Eu acho que a noção almas recém-nascidas vindo a este mundo material por alguns anos, e então seguindo para o além não é uma lição que o Curso ensinaria. O Curso repetidamente declara que nós permanecemos como Deus nos criou; permanecemos aspectos eternos do espírito e nunca fomos limitados à forma. Quando o corpo não mais está vivo e animado, simplesmente significa que não temos mais uso para ele. Nosso corpo não tem nada a ver com estar vivo ou morto porque nosso corpo não é a nossa verdadeira identidade.

NR: E quanto aos animais, então? Já que o Curso não os menciona também, onde eles se encaixam, ou até mesmo os insetos ou plantas e árvores?
WT: O Curso freqüentemente usa a frase “todas as coisas vivas”. Mais uma vez, o que quer que tenha vida tem vida eterna. Já que toda vida brota de Deus e é um e inseparável, certamente a força da vida que dá vida aos animais e plantas é a mesma força da vida que nos dá vida. E eu estou sempre impressionado com o que os animais podem nos ensinar. Quão rapidamente um cão, por exemplo, consegue nos perdoar por pisarmos em sua pata. Ele não guarda rancores, mas nos demonstra amor instantâneo no momento em que abrimos a porta. Qualquer que seja as mágoas que poderiam haver não são levadas na mente de um cão. Então eu acho que animais de estimação são professores maravilhosos do perdão para todos nós. Eles são extensões do amor de Deus para trazer alegria e dimensões adicionais de amor para dentro de nossas vidas.

NR: E quanto a matar certos animais e comê-los? Como isso se encaixa com o abraçar todo a vida e tentar não ser separado dela?
WT: Muitas pessoas escolheram ser vegetarianos por razões muito boas. Qualquer coisa que aumente o nosso senso de culpa não estaria em nosso esclarecido interesse próprio. Então acho que os estudantes do Curso irão determinar o que é certo para eles por ouvirem suas próprias orientações internas.
Jesus nos ensinou a não ficar tão preocupado com o que colocamos na nossa boca, quanto o que deixamos sair dela. Então não é o que nós comemos, mas os nossos pensamentos e como nos relacionamos com os outros que testemunha o nosso progresso espiritual. O que é importante é a oportunidade que temos a cada momento que escolhemos entre expressar medo ou amor em nossas vidas.

NR: Por esta premissa, então, poderíamos concluir que corpos não são vida.
WT: O corpo é um veículo de comunicação e aprendizado – a fonte da vida é sempre espiritual.
O Curso nos ensina que toda vez que temos perguntas sobre qualquer uma de nossas decisões ou escolhas nesta vida nós podemos pedir ajuda, fazendo isso do nosso guia interior ou como o Curso refere-se a ele, o Espírito Santo.

NR: Em relação à orientação interna, o Curso nos previne sobre obtê-la do ego, não previne? Como se distingue entre ele e o Espírito Santo? Como você sabe quem está falando?
WT: Bem, o Curso diz que o ego sempre fala primeiro e que está errado. A fim de ouvir nossa orientação interna devemos aquietar nossas mente, estarmos dispostos a abandonar qualquer investimento na resposta e ouvi-la em quietude, a pequena voz dentro de nós. O fato de que a nossa orientação interna nunca é estridente, mas que fala conosco com uma voz amorosa e pacífica, é um sinal de sua autenticidade, eu acho que todos nos temos que aprender com a prática para fazer esta distinção.

NR: Como você pessoalmente lida com este problema?
WT: Se eu não me sinto em paz, eu estou escutando a superfície estática do meu ego. Então escolho de novo, e tento abandonar as interferências para que eu possa ouvir a voz gentil do meu guia interno.
O Curso identifica esta Voz como a do Espírito Santo. Ele também diz que Jesus está igualmente disponível para todos nós desta maneira, o tempo todo. Desta forma, Jesus é referido como nosso sábio irmão mais velho, cuja mensagem não é diferente da mensagem do Espírito Santo, já que os professores de Deus todos têm a mesma mensagem.

NR: Você acha que tais referências tão inconvencionais a Jesus e ao Espírito Santo, como também aos outros “novos” conceitos em relação ao Cristianismo, são contraditórios aos Cristãos tradicionais?
WT: Bem, eu acho que se você voltar aos ensinamentos originais de Jesus, a resposta é não.
Por exemplo, o Curso ilumina e amplia os ensinamentos de Jesus sobre a importância fundamental do amor e do perdão. Eu acho, talvez, que a religião institucionalizada tem às vezes perdido de vista a essência daquela mensagem, por sua ênfase na culpa.

NR: Então, você não acha que o Curso desafia o Cristianismo, ou qualquer uma das religiões de hoje?
WT: Eu acho que o Curso está claramente de acordo com a perpétua filosofia essencial de todas as grandes religiões. Embora, haja algumas diferenças fundamentais, como o Curso enfatiza sobre desistir da nossa crença na realidade do pecado e culpa. Religião, como eu a vivenciei quando era mais jovem, parecia enfatizar os aspectos negativos.
O Curso, no entanto, continuamente nos diz que somos sem culpa; que permanecemos como Deus nos criou; que podemos estar enganados, mas que enganos pedem correção e não punição. Conceitos de culpa, pecado e punição são totalmente alheio à orientação do Curso. O Curso afirma inequivocadamente que o amor é a nossa única realidade e, “Amor não mata para salvar.”
Qualquer religião que enfatiza o medo, a culpa e a separação de Deus, obviamente teria problemas com o conceito da total unidade e amor do Curso. No entanto, o Curso não discuta religião institucional, e não aconselha ninguém a desistir de ser membro de uma Igreja. Na verdade, eu acho que o material do Curso seria muito enriquecedor para as pessoas que querem desenvolver uma vida espiritual mais rica dentro da sua própria tradição; é ecumênico.
Eu sei que há alguns pastores, George McLaird da Igreja Presbiteriana em Sausalito, Califórnia é um deles, que ensinam o Curso regularmente em suas igrejas. E muitas pessoas afiliadas a Unity Church em todo o país estão ativamente envolvidas nos ensinamentos do Curso como está o Rev. Terry Cole-Whittaker, que tem um ministério de grande alcance na televisão.

NR: Você diz que o curso é ecumênico, mas o Curso é decididamente de natureza Cristã, utilizando os fundamentos Cristão do Pai, Filho e Espírito Santo.
WT: Isso é verdade. O Curso realmente utiliza a terminologia Cristã, mas ao mesmo tempo ele transmite verdades espirituais que é talvez a razão pela qual pessoas de todas os credos podem achá-lo valioso. Eu acho que o curso declara isso muito bem quanto diz, “Uma terminologia universal é impossível, mas uma experiência universal não é somente possível como necessária”.
Logo depois que começamos a transcrever o material, eu comecei a ler muito vastamente a literatura mística do mundo. Um dos escritores mais antigos que me impressionou profundamente foi Vivekananda, em sua exposição da filosofia Vedanta da Índia. Ele foi um discípulo do Ramakrishna que no final de 1800 e no início deste século fundaram diversos ashrams de Ramakrishna e centros de ensino neste país. A filosofia Advaita Vedanta como exposta pela Vivekananda parecia ter algumas similaridades gritantes com os ensinamentos do Curso, embora o contexto e linguagem sejam diferentes. Ao mesmo tempo eu me lembro de ter pensado que o Curso poderia ser descrito como uma forma de Vedanta Cristã.
Estudantes do Budismo me dizem que as similaridades entre o Curso e os ensinamentos Budistas são muito gritantes. Interessantemente também, é o fato de que muitas pessoas afiliadas ao Curso vieram de educação Judaica, e acharam extraordinariamente significativo e útil apesar da terminologia Cristã.
Então, estou impressionado do quão ecumênico o Curso é, e que o seu propósito não é aumentar o nosso senso de separação, mas unir as pessoas. E estou vendo isso acontecer por todos os lado com centenas de grupos de estudo que são feitos de pessoas de todas posições sociais e religiões que vem regularmente discutir e estudar o Curso. Para mim, isto demonstra a junção espiritual, e uma disposição de abandonar o sendo de separação um com o outro ou de Deus. Isto é realmente tudo o que o curso é.
As experiências que somos capazes de retirar por seguir os ensinamentos do Curso são muito mais importantes do que ser pego em qualquer armadilha semântica sobre os termos em particular. Então, eu sou a favor do extenso uso ecumênico dos conceitos do Curso em uma variedade de contextos, e sei que as pessoas estão fazendo isso, eu aplaudo isso.

NR: E quanto ao uso exclusive dos termos masculinos no Curso, tais como Pai e Filho, Dele ou Ele, em relação às estudantes?
WT: Eu sei que algumas mulheres ficaram perturbada pelo uso da terminologia masculina e pensaram em substituir para termos femininos. Muitos que consideraram fazer isso concluíram que Mãe e Filha, Dela e Ela somente iria para a outra polaridade. Outros acham que usando a palavra “Espírito” – um termo totalmente neutro e andrógeno – resolve os problema deles.

NR: Como tem sido a reação de tudo isso entre os seus antigos amigos e colegas? Complacentes, amparadores, dissociativos, preocupados?
WT: Não tenho tido contato com muitos deles, embora os poucos com quem tenho contato são complacentes com o material. Eu não tenho idéia de qual seria a reação geral entre meus antigos colegas, nem tentei descobrir. No entanto, tenho certeza que muitos deles teriam pensado em mim e Helen como loucos naquela época se eles tivessem sabido o que estávamos fazendo. Apesar disso, tenha em mente que tudo começou em 1965, e agora é 1984, eu acho que há muito mais receptividade aos conceitos espirituais do que havia dezenove anos atrás. Então, talvez não é realmente justo especular isto agora.

NR: Então, naquela época, você e Helen não mostraram nada para ninguém, mantiveram escondido e suas atividades completamente em segredo.
WT: Sim. E certamente eu não teria mostrado isso a eles. Eu tinha mais senso do que isso. Minha missão como eu encarei era eu mesmo aprender o que tinha no material e não confundir minhas responsabilidades no Centro Médico com a nossa transcrição do Curso. Mas como eu disse, este é um outro dia, muito mais brilhante.

NR: O que você acha disso tudo agora; o fato de que você era uma parte especial e integral daquilo que algumas pessoas proeminentes têm se referido a “Um Curso Em Milagres” como uma dos documentos mais importantes do século?
WT: Francamente, Helen e eu não tínhamos a intenção de publicar o Curso quando estávamos transcrevendo-o. Muito pelo contrário. O material parecia especificamente para a nossa educação espiritual. Nós nos referíamos a ele como nosso “segredo culposo” algo que nos comprometemos a fazer, mas naquela época não havia nenhuma indicação de que deveríamos compartilhá-lo com outros.
Quando nós concordamos em tê-lo publicado anonimamente, eu pensei que pouquíssimas pessoas se interessariam em mudar as suas percepções através dos métodos sugeridos pelo Curso – achei isso difícil demais. Certamente em toda a minha vida, eu nunca esperei que milhares de pessoas se refeririam ao Curso como o mapa deles para casa.
Sou grato por Helen e eu termos sido capazes de completar nossa parte em tornar o Curso disponível, e sou igualmente grato ao grande número de estudantes hoje que estão fazendo suas próprias contribuições de muitas maneiras diferentes. Com muitas traduções já a caminho, é evidente que os conceitos do Curso continuarão a alcançar crescentemente muitos leitores.
É maravilhoso saber que tantas pessoas espalhadas no mundo todo estão utilizando o Curso para facilitar o despertar espiritual delas mesmas. Eu acho que o Curso declara o que está acontecendo com clareza poética na seguinte passagem:
“Uma mente adormecida deve despertar, à medida que ela vê sua própria perfeição espelhando a Senhor da Vida tão perfeitamente ela se desvanece refletida lá. E agora não é mais um mero reflexo. Ela se torna a coisa refletida, e a luz que faz a reflexo possível. Nenhum visão agora é necessária. Pois a mente desperta é aquela que conhece a sua Fonte, seu Ser, sua Santidade.”

NR: Quais são seus planos de agora em diante?
WT: Atualmente estou trabalhando num livro com Jerry Jampolsky, um psiquiatra, e Pat Hopkins, um escritor e editor, baseado nos conceitos relacionados do Curso. Este livro será publicado pela Bantam ano vem. Recentemente, completei um capítulo com Roger Walsh, um outro psiquiatra, para o “The Comprehensive Textbook in Psychiatry,” editado por Freedman e Kaplan, que também será publicado no começo de 1985. Meus objetivos imediatos são continuar a exploração de maneiras nas quais os conceitos do Curso possam ser aplicados na minha vida e estendidos para ajudar os outros.

Graças a Jesus! Obrigado Bill! Obrigado Helen! Suas contribuições são para sempre profundamente apreciadas. Façamos um momento de Silêncio em gratidão a Ajuda Sempre Presente que é oferecida a todos através de Um Curso Em Milagres e muitos outros símbolos em todo o cosmos.