JESUS (ucembrasil.blogspot.com)

“Enquanto oro, observo em minha mente o encontro com um Jesus de pele escura, feições fortes e másculas, típicas da região onde viveu. Seus olhos são cristalinos e serenos. Sinto cheiro de rosas e, na boca, sabor de mel. Quando fala, sua voz é firme e amorosa. Um calor materno me envolve o coração, agora totalmente livre de medo ou dúvida. Sei que esta é apenas uma percepção particular – aquela que me é útil agora. Formas mudam o tempo inteiro. Cristo nem mesmo é um corpo (e, ao mesmo tempo, pode refletir qualquer um). Não importa. Aquilo que sinto diante dele me faz lembrar que há um jeito diferente de viver: mais suave e doce. Através dele, compreendo profundamente que o amor é a maior força que existe. Que tesouro mais rico poderia haver do que sentar à mesa com ele e todos os outros num banquete de iguais? Poucos minutos de disponibilidade, Jesus se comunica comigo através da maneira que eu possa entender, em sua majestosa generosidade e compaixão. Sua fé em mim me comove: acredita em mim mais do que eu. Sabe que todos nós, cedo ou tarde, nos reconheceremos Cristo. Este é o nosso destino. E, enquanto ainda existe desejo por sonhar, ele nos aparece do exato jeito que precisamos naquele instante. Então, o comum se revela divino.”

VIA UCEM BRASIL

NÃO DEIS ATENÇÃO ÀS BRIGAS DAS IGREJAS. O GRANDE PORTADOR DA VERDADE, CRISTO JESUS, A CORPORIFICAÇÃO DO AMOR DIVINO, NÃO PERGUNTOU POR RELIGIÃO…

“É aqui que o ego é forçado a apelar para “mistérios”, insistindo que precisas aceitar o que não tem significado para salvar-te. Muitos tentaram fazer isso em meu nome, esquecendo que as minhas palavras fazem sentido perfeito porque vêm de Deus.”
(LT.9.IV.4:7-8)

“Não deis atenção às brigas das igrejas. O grande portador da Verdade, Cristo Jesus, a corporificação do amor divino, não perguntou por religião. O que, aliás, são hoje as confissões religiosas? Tolhimentos do espírito livre do ser humano, escravização da centelha de Deus que habita em vós; dogmas (Doutrinas de igrejas) que procuram restringir a obra do Criador e também Seu amor imenso nas formas estreitas do sentido humano, o que equivale a rebaixamento do divinal, desvalorização proposital. Todo investigador sincero é repelido por esse procedimento, pois através dele jamais poderá vivenciar a grande realidade, com o que tornar-se-á cada vez mais desesperançado seu anseio pela Verdade, fazendo-o por fim desesperar de si e do mundo! Por conseguinte, despertai! Destruí os muros dogmáticos dentro de vós, arrancai a venda para que a Luz pura do Altíssimo possa penetrar em vós. O vosso espírito lançar-se-á então, jubilando, para as alturas, sentirá, regozijando, o grande amor do Pai, que desconhece quaisquer fronteiras do intelecto terreno. Sabereis finalmente que sois uma parte dele e o compreendereis sem esforço e completamente, unir-vos-eis a ele, e assim ganhareis diariamente, hora após hora, nova força, como uma dádiva, que vos tornará evidente a ascensão para fora da confusão!”
(Abdruschin, Mensagem Do Gaal – Na Luz Da Verdade, da Dissertação 1. O QUE PROCURAIS?)

JESUS, QUERIDO JESUS!


“Eu tinha medo de Jesus. Pensei que fosse brabo e irritável. Hoje ele ri comigo do absurdo de projetar-lhe minhas fantasias de punição. Ele é um irmão presente e amigo, de quem não preciso guardar segredos, pois passou por tudo que passo hoje – a desesperança, o medo, a culpa, a dor e a tristeza de crer na morte. Também superou tudo isso, assim como todos nós havemos de fazer – cedo ou tarde. Me encanta o jeito como Jesus me ensina: corrigindo meus erros, sem o mínimo grau de julgamento ou raiva. Jamais conivente com minhas distorções, ainda sim me ama no infinito e me dá um abraço acolhedor. Obrigado, meu querido irmão. Obrigado por tudo.”
(VIA LUIZ MARCELO OLIVEIRA – UCEM BRASIL)

JESUS – A PALAVRA DA VERDADE (ABDRUSCHIN)

“Jesus anunciou a Verdade. Por conseguinte, suas palavras devem encerrar também todas as verdades de outras religiões. Ele não quis fundar uma igreja, mas mostrar o verdadeiro caminho à humanidade, o qual pode ser igualmente atingido pelas verdades de outras religiões. Por isso é que se encontram em suas palavras também tantas consonâncias com as religiões já existentes naquele tempo.” (Mensagem do Graal de Abdrushin: O Salvador)
(VIA NA LUZ DA VERDADE [WEBSITE])

SEDE DE DEUS – CARDEAL D. EUSÉBIO OSCAR SCHEID (Arcebispo da Arquidiocese do Rio de Janeiro)

SEDE DE DEUS

CARDEAL D. EUSÉBIO OSCAR SCHEID
Arcebispo da Arquidiocese do Rio de Janeiro

Nosso mundo vive uma grande sede de Deus e uma sentida saudade de Deus. O ser humano buscou o encontro com o Absoluto, procurou a resposta definitiva para as perguntas primeiras e últimas de sua existência. A busca de sentido para seu passado, seu presente e seu futuro, caracteriza a história das pessoas e dos povos. A memória do passado, a consciência do presente e a esperança do futuro, faculdades humanas moldadas pela sede e pela saudade de Deus, revigoram continuamente as civilizações. O íntimo de cada cultura é assinalado pela busca de Deus. As religiões, que perpassam o tecido de todas as culturas, em suas entranhas mais profundas, definem, de certa maneira, o modo de ser e de agir das civilizações e sociedades, as escolhas e comportamentos das pessoas e grupos. Não se conhece, em toda a história da humanidade, algum povo que não tenha recorrido à dimensão religiosa para responder às questões mais intrigantes da existência humana: “Por que e para que vivemos, de onde viemos e para onde vamos?”
Também a civilização ocidental, por mais que se defina agnóstica ou atéia, é marcada pela sede de Deus. Um século depois de grandes filósofos e críticos da religião terem previsto seu fim, em favor do predomínio absoluto da razão, eis que vivemos o retorno do sagrado, ouvimos o ruflar de anjos. Vivemos numa época em que os deuses combatem entre si pela posse do coração humano. De um lado, o Deus único e verdadeiro das religiões monoteístas e das grandes religiões orientais que ajudam o ser humano a situar-se no mundo, a buscar a verdade, a empenhar-se pela paz e pela justiça. De outro, os deuses do mercado, os ídolos do ter, do poder e do prazer, o dinheiro –deus-ídolo por antonomásia, o anti-Deus (Lc 16,13) – a dividir o coração humano, a massacrar multidões de vítimas em seus altares sanguinários. Teria o dinheiro tanto prestígio, não fossem as vítimas a ele oferecidas, por ele exigidas, em mortes estúpidas, por acidentes de trânsito e de trabalho, por doenças crônicas, por guerras e atos terroristas?
De certa maneira, pode-se até dizer que nunca, como na passagem de século e milênio que vivemos, o ser humano esteve tão ansioso pelo encontro com Deus. Nunca foi tão intensa a sede de Deus. É o que estão a revelar o pluralismo religioso, o mercantilismo religioso, o fanatismo religioso, o fundamentalismo religioso de nossos dias. Essa insistência no adjetivo “religioso” faz sentido. No âmbito da Igreja Católica, surgem, de tanto em tanto, novos movimentos eclesiais, de caráter apostólico ou espiritual. No âmbito do cristianismo, criam-se, a cada dia, novas igrejas ou pequenos grupos, que se referem, alguns sem o mínimo de rigor, ao Evangelho de Jesus Cristo. Num contexto mais amplo, difundem-se expressões e fenômenos religiosos, ligados a uma ou outra das grandes religiões universais. A religião está, continuamente, presente na mídia, através de reportagens, de notícias de entrevistas. Busca-se relacionar, de modo certamente injusto, a religião com o terrorismo e com a guerra. A religião está no mercado: há muita gente ganhando dinheiro às custas dessa sede de Deus. Afinal, uma igreja-empresa carece de pouco investimento, tem retorno financeiro garantido, tem clientela fiel, sobretudo no meio juvenil e nas camadas populares.
Essa sede, porém, não é jamais saciada. A sede de Deus é, de fato, permanente. Diz o salmista: “De ti tem sede a minha alma” (Sl 63,2). Nunca o ser humano conseguirá, neste mundo, saciar sua sede do infinito, responder às perguntas últimas de sua existência. Aqui está o drama da vida humana: procurar, sem encontrar. Melhor seria dizer: procurar sempre, sem jamais se satisfazer com o que se encontra. Porque o mistério de Deus só se deixa encontrar e experimentar na forma de aperitivo, por meio de apalpadelas, de toques e sinais. Deus vem a nós pela mediação dos sacramentos – da criação, da história ou da Igreja -, os quais são sinais, que, ao mesmo tempo em que nos revelam o mistério de seu amor, também nos esconde a clareza de sua plenitude e, mais ainda, nos fascinam, nos atraem e nos provocam a continuar a procurá-lo. Como um diafragma que controla a quantidade da luz, enquanto permite ver o sol, assim são os sinais de Deus. Em nossa busca permanente de Deus, caminhamos nos albores da madrugada e não na manhã clara, tateamos, às apalpadelas, vivemos de esperança em esperança. Como nos declara o Vaticano II, “só no mistério do Verbo Encarnado se esclarece, verdadeiramente, o mistério do ser humano” (G.S., n° 22).
O problema da atual sede de Deus é que se pretende acabar com ela, quer-se saciá-la de modo definitivo. Busca-se, então, um Deus-objeto, um tapa-buracos, um quebra-galhos. Cria-se uma religião de resultados, que solucione todas as crises, cure todas as doenças, resolva todos os problemas. Uma religião-terapia e não uma religião-aliança. Em vez de relacionar-se com Deus, como um amigo íntimo, um companheiro fiel, um pai extremoso, faz-se dele objeto de uso. Busca-se um deus feito pelo homem, que esteja sempre à disposição do homem. Criado à imagem de Deus, o ser humano quer agora criar seu deus, à sua imagem, invertendo as relações. Pretende possuir o mistério, delimitá-lo em suas categorias limitadas e mesquinhas, comprá-lo com suas posses, prendê-lo em suas instituições, usá-lo em seu favor. Por isso, a atual sede de Deus torna-se angustiante.
Com a presunção de ser religiosa, a atual sede de Deus é falsa, porque não busca o Deus vivo. Ela esconde, na verdade, a máscara dos modismos fáceis, dos devocionismos baratos, das soluções apressadas. Foi essa a denúncia que fez Jesus de Nazaré: “Uma geração perversa e adúltera busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal do profeta Jonas” (Mt 12,39). O sinal de Jonas revela-se no escândalo da “quenose”, no rebaixamento de Deus, na cruz. Enquanto se procura Deus no poder e na grandeza, ele se esconde e se encontra na simplicidade e nos pequenos atos de amor de cada dia. Enquanto se busca saciar a atual sede de Deus com mega-shows, vendas de produtos religiosos, estéreis elucubrações filosóficas e teológicas, ele se esconde e se encontra na celebração, na promoção e na defesa da vida, em gestos de solidariedade.
Como a sede, também a saudade de Deus sempre acompanhou a história da humanidade. Trata-se, porém, de uma saudade que não se volta somente para o passado. A História de Israel, de Jesus de Nazaré e das primeiras comunidades cristãs, mostra que Javé-Abbá é um Deus que cumpre, fielmente, as promessas feitas. Assim, de promessa em promessa, o povo e as pessoas vão aprendendo a se relacionar com Deus, no modo da aliança. Cada promessa cumprida torna-se motivo de nova esperança. Por isso, a verdadeira saudade, seja do povo judeu, seja dos cristãos, aponta, sobretudo, para o futuro. A memória do passado torna-se consciência do presente e esperança do futuro. A saudade torna-se esperança. Não é, pois, uma saudade nostálgica que faz chorar por coisas, lugares, situações e pessoas perdidas. É uma saudade que, como a sede, atrai, fascina e provoca a ir adiante, a buscar sempre mais. Na verdade, é uma saudade de quem se deixa encontrar por Deus. Afinal, é ele quem vem ao nosso encontro, agora e sempre.

VIA AMAI-VOS

NADA NA VIDA DO SENHOR É MAIS IMPRESSIONANTE DO QUE O SILÊNCIO DESTES 30 ANOS

“…NADA NA VIDA DO SENHOR É MAIS IMPRESSIONANTE DO QUE O SILÊNCIO DESTES 30 ANOS…”
O MISTÉRIO DA ENCARNAÇÃO É ENVOLVIDO DE INFINITO SILÊNCIO.

As grandes coisas são realizadas no silêncio. Não no ruído e na magnificência dos acontecimentos exteriores, mas nos sacrifícios e nas vitórias escondidas. Quando o coração é tocado pelo amor, a ação invoca a liberdade do espírito e o coração está fecundado pela obra futura. As forças do silêncio são realmente poderosas. O mais silencioso de todos os acontecimentos, aquele cujo silêncio está perdido em Deus e cujo acesso nos é vedado aparece em Lucas 1,26-38.
José não sabe da gravidez de Maria. José queria repudia – lá em silêncio (em segredo). Sem dúvida José amava muito Maria.
O próprio Deus, no silêncio da noite, se incumbiu de avisar o noivo. No mistério divino, o Verbo estava junto de DEUS, o Verbo era Deus, Nele se manifesta o ser divino, a plenitude da vida, o sentido (Logos). Enquanto um profundo silêncio envolvia todas as coisas, todas feitas pelo e para o Verbo, Ele entrou no mundo, algo que transcende a fronteira do nosso pensamento: Ele, o eternamente infinito, incomensuravelmente distante, entrou pessoalmente na história: se faz carne, um de nós! Os vôos da imaginação, as balbucies do raciocínio são incapazes de qualquer manifestação. Só o silêncio amoroso pode penetrar no mistério de Deus, sem compreendê-lo.
Nunca algo de grande na vida do homem sai do puro pensamento. Tudo se funda no coração, no amor: o amor tem seus próprios “porquês”. E quando é Deus que ama, de que não será capaz o AMOR?
Eis que uma criança nos é dada: chora, tem fome, dorme como as outras crianças e, contudo, é o Verbo feito carne: Deus não habita somente nela: esta criança é Deus!
Caso paire alguma duvida sobre isso no segredo o coração, vem em ajuda uma frase: “O amor tem destas coisas”.
A vida pública do Senhor durou, no máximo três anos: como é curto este espaço de tempo! Mas como se tornam densos de significado os 30 anos anteriores, nos quais Ele não ensinou, não lutou, não realizou milagres. Para a alma crente, nada na vida do Senhor é mais impressionante do que o silêncio destes 30 anos!
A criança da manjedoura é Deus; sua missão era realizar a vontade do Pai, levar a humanidade pecadora para o aniquilamento do sacrifício e, dela, à ressurreição, para a existência nova da graça.
Cristo foi Deus desde o começo da sua vida, mas a sua vida consistiu em realizar humanamente esta sua própria essência divina: levar a realidade divina e o seu sentido até à sua consciência humana; enxertar a força divina na sua vontade; cumprir a pureza santa com as suas inclinações humanas; executar o amor eterno com o seu coração; ir procurar na sua figura humana a infinita plenitude de Deus, a conquista da sua divindade pela sua humanidade.
De certo este pensamento é insuficiente, mas pode ajudar e pode abrir-nos para a voz deste silêncio, e dar-nos o sentimento respeitoso de quanto de prodigioso se consumava no interior de Jesus.
Vale a pena reler Lc 2,41-52
“E Jesus ia crescendo em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens”.
Ora et Labora, convida a adorar o Pai que gera o Verbo. O Verbo que se volta para o Pai e o misterioso Suspiro Divino que une Pai e Filho.
E tudo isso no eterno silêncio.
A Palavra desce em Maria no meio do profundo silêncio.
E Maria guardava a palavra no silencio do coração.
José é avisado no silencio da noite.
Jesus passa 30 anos no silêncio… E nós?

VIA ORAE ET LABORA

A MISSA SOBRE O MUNDO – Teilhad Chardin

A MISSA SOBRE O MUNDO Teilhad Chardin 28/09/2007

de: Francisco para:
Mario Palumbo
Repassando: Este texto tem uma profundidade e uma ressonância profunda sobre nosso eu.
A abrangência leva a uma modificação profundas da cosmovisão individual e à compreensão do mistério da encarnação de Cristo. F. Resende From: Carlos Roberto Carvalho
To: Aamigos Sent: Tuesday, September 25, 2007 7:57
PM Subject: A Missa sobre o Mundo – De Teillard de Chardin

A MISSA SOBRE O MUNDO

Teilhad Chardin

O texto místico mais importante de Teilhard é “A Missa sobre e o mundo” que Teilhard fez quando estava no deserto de Ordos (China), numa expedição científica e não tinha condições de celebrar a missa na festa da Transfiguração que ele particularmente amava. Para ele, a presença de Cristo na Eucaristia transbordava da hóstia sobre o mundo.
“Para além da hóstia transubstanciada, a operação sacerdotal se estende ao cosmo inteiro”.
“A transubstanciação se expande em uma divinização real, embora atenuada, de todo o universo. Do elemento cósmico onde está inserido, o Verbo age para subjugar e assimilar a si todo o universo”.
“A Eucaristia opera, além da transubstanciação do pão, o crescimento do Corpo místico, e a Consagração de todo o cosmo”.
O texto é de grande vibração mística e de muita beleza literária. Vejamos seu começo:
“Senhor, já que uma vez ainda, não mais nas florestas da França, mas nas estepes da Ásia, não tenho pão, nem vinho, nem altar, eu me elevarei acima dos símbolos até à pura majestade do Real, e vos oferecerei, eu, vosso sacerdote, sobre o altar da terra inteira, o trabalho e o sofrimento do mundo”.
“O sol acaba de iluminar, ao longe, a franja extrema do primeiro oriente. Mais uma vez, sob a toalha móvel de seus fogos, a superfície viva da Terra desperta, freme, e recomeça seu espantoso trabalho. Colocarei sobre minha patena, meu Deus, a messe esperada desse novo esforço. Derramarei no meu cálice a seiva de todos os frutos que hoje serão esmagados.”
“Meu cálice e minha patena, são as profundezas de uma alma largamente aberta a todas as forças que, em um instante, vão elevar-se de todos os pontos do Globo e convergir para o Espírito”.
“Outrora, carregava-se para vosso Templo as primícias das colheitas e a flor dos rebanhos. A oferenda que esperais agora, aquela de que tendes misteriosamente necessidade cada dia, para aplacar vossa fome, para acalmar vossa sede, não é nada menos do que o crescimento do mundo impelido pelo devir universal”.
“Recebei. Senhor, essa hóstia total que a criação, movida por vossa atração, vos apresenta na nova aurora”.
O texto continua, sempre comovente, mas é muito longo para ser lido na totalidade. Vem em seguida a passagem do fogo, certamente uma“visão” de Teilhard, seja como for entendida. Entendo-a como aquelas visões de Ezequiel, ou como as epifanias do Apocalipse. Sua visão era a do fogo que descia sobre a terra e a penetrava toda, fazendo-a capaz de produzir a vida por todos os seus poros. O livro do Gênesis descreve que o Espírito (o vento de Javé) pairava sobre as águas para que delas brotasse a vida. Aqui, no registro dos dois outros elementos, (fogo e Terra) é a mesma visão: o fogo de Deus penetra na Terra para que ele se torne a Mãe de todos os viventes. “Irmão Sol, Irmã Lua”, dizia Francisco. Teilhard diz a “Mãe Terra” que ama como se fosse seu filho. Para ele, estava esse mundo material totalmente impregnado de Deus, e na verdade, trabalhado em todos seus elementos pela presença de Cristo, como se fosse um prolongamento de seu próprio corpo, ou como se tendo assumido um corpo humano, por irradiação tivesse atingido todo o mundo material, que se tornou seu grande corpo cósmico. Pois Cristo tinha a missão de fazer convergir tudo para o Pai, e para isso se inseria em tudo, dando-lhe esse impulso a Deus a quem iria tudo entregar como também a si mesmo, no final dos tempos. A mística de Teilhard era, como toda a autêntica mística cristã, cristocêntrica. Só que, à diferença dos outros místicos, sentia a Cristo no palpitar da vida, na deriva e borbulhar da evolução.
“Calai-vos florinhas, pois já sei que é de Deus que me falais” dizia S. Inácio. Teilhard teria uma linguagem diferente: “crescei e subi criaturas todas, abri-vos em diversidade e convergi para a unidade, pois é em Cristo que está no mais íntimo de tudo, e em que tudo encontra sua consistência, sinto que confluis para Deus”. Para terminar vejamos mais alguns textos da “Missa sobre o mundo” (p.53ss).
“Cristo glorioso, influência secretamente difusa no seio da Matéria e Centro deslumbrante em que se ligam todas as fibras inúmeras do Múltiplo; Potência implacável como o Mundo e quente como a Vida; Vós que tendes a fronte de neve, os olhos de fogo, os pés mais irradiantes que o ouro em fusão; Vos cujas mãos aprisionam as estrelas, Vós que sois o primeiro e o último, o vivo, o morto e o ressuscitado: Vós que reunis em vossa unidade todos os encantos, todos os gostos, todas as forças, todos os estados: é por Vós que meu ser chamava com um desejo mais vasto do que o universo: Vós sois verdadeiramente meu Senhor e meu Deus!”
“Encerrai-me em Vós, Senhor!”
“Toda minha alegria e meu êxito, toda a minha razão de ser e meu gosto de viver, meu Deus, estão suspensos a essa visão fundamental de vossa conjunção com o Universo. Que outros anunciem os esplendores de vosso puro Espírito! Para mim, dominado por uma vocação que penetra até ás últimas fibras de minha natureza, eu não quero, eu não posso dizer outra coisa que os inúmeros prolongamentos de vosso Ser encarnado através da matéria: jamais poderia pregar senão o mistério de vossa Carne, ó Alma que transpareceis em tudo o que nos rodeia!”
“Ao vosso Corpo em toda sua extensão, isto é, ao Mundo tornado por vosso poder e por minha fé o crisol magnífico e vivo em que tudo aparece para renascer, eu me entrego para dele viver e dele morrer, ó Jesus”.

VIA ORAE ET LABORA