Os 3 Tipos de Felicidade (Bhagavad Gita 18:36-39)

“Mas ouve agora de mim, ó Bharatarshabha”, sobre a tríplice felicidade. Aquela em que a pessoa se regozija depois de extensa prática e pela qual se alcança o fim de todo sofrimento. que no princípio é como veneno mas que, quando se transforma no decorrer do tempo, se torna semelhante ao néctar – proclama-se ter essa felicidade a natureza de sattva, nascida da graça-serenidade (prasada) da sabedoria (buddhi) do Si Mesmo.
Aquela que surge por meio da união dos sentidos com seus respectivos objetos, que é semelhante ao néctar no princípio mas, quando se transforma no decorrer do tempo, se torna como veneno – sustenta-se ter essa felicidade a natureza de rajas.
Aquela felicidade que no princípio e no final ilude o ser, decorrente do sono, da indolência e da desatenção – diz-se ter ela a natureza de tamas.”
(Bhagavad Gita 18:36-39)

Retirado da Nova Tradução de Georg Feuerstein, Editora Pensamento, 2015.

“MOMENTOS DE CRISE SÃO ABENÇOADOS” (ELIZABETH CAVALCANTE)

Momentos de crise são abençoados
:: Elisabeth Cavalcante ::

Quando estamos vivenciando um momento dificil, -em que tudo o que aprendemos, ou no que acreditávamos, parece repentimente inútil para iluminar nosso caminho, – sentimo-nos como alguém perdido em alto mar sem qualquer instrumento para se orientar.
Nestas ocasiões, aqueles que ainda não iniciaram a jornada interior são tomados pela angústia e pelo desespero. Muitos se perdem para sempre, entregues à insanidade, sem sequer buscar algum tipo de ajuda.
Outros, agarram-se aos tratamentos convencionais da medicina, que tratam apenas os sintomas, sem eliminar a causa raiz do sofrimento. Vivemos uma época desafiadora, em que os valores, até então, vistos como seguros e confiáveis começam a se desintegrar.
O que fazer para não sucumbir à loucura e ser capaz de encontrar nesta circunstância uma oportunidade valiosa de adentrar uma outra dimensão do ser, que a mente e sua pseudo-sabedoria jamais poderão conhecer?
Caminhos desconhecidos, até então, tornam-se agora a única saída para nos libertar das amarras as quais nos mantemos presos, unicamente pela nossa incapacidade de confiar em nossa percepção interior.
Somente quando o sofrimento se torna realmente insuportável é que começamos a questionar as bases nas quais fincamos nossa segurança, pois enquanto vivíamos apoiados nas verdades, ainda que ilusórias, que nos foram impostas pela sociedade, tudo parecia estar sob controle.
Agora chegou o momento de descobrir que existe dentro de nós um manancial inesgotável de sabedoria, capaz de nos guiar para a paz, a serenidade e a alegria, sejam quais forem as circunstâncias.
Aceitar esta realidade é o primeiro passo para que nos motivemos a iniciar a caminhada. Ainda que em princípio precisemos de auxílio para não deixar que a falta de confiança nos domine. Aos poucos, com paciência e perseverança descobriremos em nós o poder que emana de nossa fonte, o divino.
“Amado Osho,
Como o controle da sociedade sobre a mente das pessoas começa a se desintegrar, em tempos de crise social, como agora, parece haver uma tendência para um número crescente de pessoas ficarem abaixo da mente, na loucura. Além disso, é verdade que isto é acompanhado por uma tendência das pessoas a olhar para a possibilidade de ir além da mente para a iluminação?
Osho:
Tempos de crise são perigosos e extremamente importantes – perigosos para aqueles que não têm coragem de explorar novas dimensões da vida. Eles são obrigados a desintegrar-se em diferentes tipos de loucura – porque sua mente foi feita pela sociedade. Agora a sociedade está se desintegrando, a mente não pode permanecer; suas raízes estão na sociedade. É constantemente alimentada pela
sociedade – agora que a alimentação está desaparecendo.
Porque a sociedade está se desintegrando, uma grande suspeita, uma dúvida que
nunca esteve lá antes, é obrigada a surgir nos indivíduos. E se foram apenas pessoas obedientes que nunca foram além de qualquer limite que a sociedade decidiu, que sempre foram respeitados, cidadãos honrados – em outras
palavras, apenas medíocres – eles irão imediatamente enlouquecer.
Eles vão começar a cometer suicídio, eles vão começar a saltar do alto
de edifícios ou mesmo se eles viverem, agora eles não têm uma mente que possa ajudar -los a descobrir a situação de sua vida… podem tornar-se esquizofrênicos, divididos em duas pessoas – ou talvez uma multidão.
Em tempos de crise, o perigo é para aqueles que tenham gostado das vezes em que a sociedade foi resolvida, quando não havia nenhum problema, tudo estava à vontade, eles foram honrados, respeitados. Estas foram as pessoas que desfrutaram a obediência da mente, e estes vão ser os sofredores… Eles serão psicóticos, eles serão neuróticos – e estas palavras não fazem muita diferença.
…Mas os tempos de crise são de uma enorme importância para as almas ousadas que nunca se preocuparam sobre a respeitabilidade da sociedade, suas honras, que nunca se preocuparam sobre o que os outros pensam sobre eles, mas fizeram apenas o que eles sentiram certo fazer; que têm em certa maneira, foram sempre
rebeldes, individualistas.
Para essas pessoas, os momentos de crise são apenas de ouro – porque a sociedade está se desintegrando. Agora ela não pode condenar ninguém – ela própria é condenada, amaldiçoada. Ela não pode dizer aos outros que eles estão errados. Está se provando errada; toda sua sabedoria está provando apenas ser tola, supersticiosa.
Os indivíduos aventureiros podem aproveitar esta oportunidade para ir além da mente -, porque agora a sociedade não pode impedi-los… Agora eles estão livres.
Assim, momentos de crise são ambos … e é isso que está acontecendo em todo
o mundo. Nunca foi tão intensa a busca pelo crescimento espiritual, pela meditação. Mas nunca houve tanta loucura também. Ambos estão acontecendo porque o status quo não é mais poderoso, ele perdeu o controle.
…as pessoas mais inteligentes estão correndo em direção ao Oriente para encontrar alguma forma, algum método, alguma meditação – Yoga, hassidismo Zen, Sufismo,. Em algum lugar alguém deve saber como superar essa fase crítica, como ir além da mente tradicional e ainda se manter centrado, sensato e inteligente. Milhares de pessoas estão se movendo para o leste.
É muito divertido – porque milhares de pessoas estão vindo do Oriente
para o Ocidente para estudar a ciência, medicina, engenharia, eletrônica, e as
pessoas que sabem tudo isso estão indo para o Oriente, apenas para aprender a sentar-se silenciosamente e não fazer nada.
Mas é um momento bonito.. as pessoas que vão para além da mente irão criar o Homem Novo, a nova mente. E a coisa mais especial para ser lembrada sobre a nova mente é que ela nunca irá se tornar uma tradição, que será constantemente renovada. Se se tornar uma tradição, será de novo a mesma coisa.
A nova mente tem de se tornar continuamente nova, a cada novo dia, pronta para aceitar qualquer experiência inesperada, qualquer verdade inesperada… apenas disponível, vulnerável. Será uma emoção enorme, um grande êxtase, um grande desafio.
Então, eu não acho que esta crise é ruim, é boa. Algumas pessoas vão perder
suas máscaras, e vão ser realmente o que são – psicóticas, neuróticas –
mas pelo menos elas serão verdadeiras… Elas acreditaram muito na velha mente, e ela os traiu.
Mas o melhor da inteligência chegará a alturas desconhecidas antes. E se mesmo em um mundo tradicional, um homem como Gautama Buda ou Chuang Tzu ou Pitágoras foi possível, podemos conceber que na atmosfera que a mente vai criar, um povo mil vezes mais desperto, pessoas esclarecidas se tornará facilmente possível.
Se a nova mente pode prevalecer; então, a vida pode tornar-se um processo esclarecedor. E a iluminação não será algo raro, que acontece de vez em
quando a alguém muito especial, ela vai se tornar uma experência humana muito comum…”
OSHO – Além da Psicologia.

Elisabeth Cavalcante é Taróloga, Astróloga,
Consultora de I Ching e Terapeuta Floral.
Atende em São Paulo e para agendar uma consulta, envie um email.
Conheça o I-Ching
Email: elisabeth.cavalcante@gmail.com

VIA POSTAL STUM

“OLHOS PUROS COMUNICAM O PURO AMOR, A PUREZA …” (SHRI MATAJI NIRMALA DEVI)

“OLHOS PUROS COMUNICAM O PURO AMOR, A PUREZA …”
SHRI MATAJI NIRMALA DEVI

“Olhos puros comunicam o puro amor, a pureza. Com os olhos puros, você pode limpar as pessoas. Com os olhos puros você pode ajudar as pessoas, pode trazer a paz. A purificação dos olhos acontece através do seu Vishuddhi e do Agnya.”
(S.S. Shri Mataji Nirmala Devi, Itália, 16.08.1992)

VIA BLOG CONSCIÊNCIA “EU SOU”

O LEGADO DA MENTE INDIANA – POR PEDRO KUPFER

O LEGADO DA MENTE INDIANA
POR PEDRO KUPFER

Muito se fala sobre a mente indiana. Algumas pessoas tendem a ver a sociedade, a cultura e a civilização indianas como algo exótico e muito diferente do que é familiar para nós, e que chamamos de cultura ou civilização ocidental. Este texto tem o objetivo de descrever e ajudar na compreensão do que seria a mente indiana, bem como demonstrar que aquilo que parece exótico à primeira vista, talvez não seja tão diferente do que consideramos nosso.
Se formos levar em consideração a opinião do filósofo suíço Jean Gebser, a mente humana não variou significativamente nos últimos 100.000 anos. Tampouco haveria motivos para pensar que o psiquismo dos orientais seja diferente do dos ocidentais. Não obstante, a civilização indiana tem fascinado os estrangeiros, dos gregos aos persas, dos chineses aos afegãos, dos portugueses aos ingleses e demais povos asiáticos e ocidentais que ao longo da história, visitaram ou invadiram o subcontinente. Por outro lado, a influência cultural da grande civilização indiana se fez sentir no mundo antigo em lugares tão distantes como o Golfo Pérsico, o Sudeste Asiático e o Extremo Oriente.
Entretanto, pode surgir também um sentimento de espanto ou repulsa pelo desconhecido em algumas pessoas que olham para a cultura indiana. Esse estranhamento que esta cultura possa provocar é mais oriundo da sua sofisticação do que do seu exotismo. Por momentos, esse requinte desorientou visitantes ou estudiosos desavisados que, sem suspeitar a complexidade subjacente na aparente simplicidade das expressões culturais da Índia, julgaram estar diante de um povo primitivo, preguiçoso e dominado por superstições. Uma dessas pessoas foi o conhecido indólogo alemão Max Müller que, sem pejo da própria ignorância, declarou serem os indianos védicos, “uma raça de gente simplória”. Cabe anotar que Max Müller nunca esteve pessoalmente no subcontinente.
Já Mark Twain, o impagável e perspicaz escritor estadunidense declarou, durante uma prolongada visita à Índia que fez junto com sua família: “Índia é o berço da raça humana, o lugar do nascimento do discurso humano, a mãe da História, a avó da lenda, e a bisavó da tradição. Os mais valiosos e instrutivos materiais na História do homem estão entesourados apenas na Índia”. Romain Rolland, o grande escritor francês, disse, por sua vez: “Se há um lugar na face da terra onde todos os sonhos da humanidade encontraram um lar desde os primórdios, quando os homens começaram a sonhar com a existência, esse lugar é a Índia”. Somos da opinião de que Twain e Rolland acertaram onde Müller se equivocou. Procuraremos demonstrar isso nas próximas paginas.

A mente indiana e o nascimento da civilização.

A civilização dos vales dos rios Indo e do Sarasvati é uma das três primeiras da Humanidade, e a mais extensa e evoluída delas. Os Puranas, antigos textos hindus, incluem relatos sobre o início da civilização, que narram o domínio do fogo, o dilúvio, dentre outros fatos históricos, junto com instruções sobre espiritualidade e religião. Igualmente, esses textos nos permitem apreciar os conhecimentos técnicos sobre medicina, arquitetura e arte da época.
Observamos nesta civilização uma sofisticada planificação urbana, com ruas rigorosamente traçadas, casas com vastos pátios interiores, celeiros, piscinas públicas, água corrente, drenagens, diques e canalizações para irrigação artificial. É surpreendente nesta civilização a sua “alta adaptabilidade”, como afirma o arqueólogo indiano S. P. Gupta, aos mais variados terrenos: as costas do Oceano Índico, o deserto do Rajastão e Ásia Central, as neves do Hindu Kush e as planícies e vales dos rios no Afeganistão, Paquistão e Índia. Isto evidencia, entre outras coisas, o altíssimo nível da engenharia urbana aliada à uma grande capacidade de planejamento e administração.
Os antigos indianos vendiam e intercambiavam mercadorias com a Suméria, a Síria, as ilhas do Golfo Pérsico e regiões costeiras da Mesopotâmia, o Irã, a Turkmênia, o Uzbequistão, o Paquistão e o noroeste da Índia. Exportavam algodão, marfim, contas de pedra e madeira para fazer colares, cachorros de caça, pássaros e animais raros, pedras semipreciosas, madeiras de lei, entalhes em concha, balanças e pesos de quartzo, machados de cobre e outras ferramentas. Eram tão organizados que, quando os navios voltavam do Golfo Pérsico e da Suméria, aproveitavam a viagem de retorno para encher seus porões nas costas do Afeganistão e Turkmênia com turquesas, lápis-lazúli, chumbo e latão. Possuíam um completo e preciso sistema de pesagem, que hoje pode ser apreciado nos museus da Índia.
Há pelo menos quatorze maneiras diferentes de referir-se às casas no Rig Veda, indicando que esta civilização era notoriamente urbana. Ainda nesta mesma obra, encontramos fartas referências ao mar (samudra), rios (sindhi), barcos, navegação, movimento de comerciantes, transações em moeda, empréstimos, recursos minerais, domesticação do cavalo e indústria, que nos mostram um pouco da vida cotidiana deste povo.

A mente indiana na cultura.

Poucos países no mundo possuem uma diversidade cultural semelhante à indiana. Essa diversidade não se estende apenas pelo amplo território, mas também se expande no tempo, ao longo de milênios de cultura e civilização contínuas. Essa cultura foi enriquecida por sucessivas ondas migratórias que foram absorvidas pelo povo indiano, num belo exemplo de tolerância e respeito pelo outro. A variedade étnica do povo indiano é tão fascinante como suas manifestações religiosas, artísticas ou lingüísticas. À Índia antiga apresentava uma diversidade na sua unidade que poderia servir como modelo e inspiração para pautar as relações entre os povos.
Os valores essenciais sobre os quais estão construídas a civilização e a cultura indiana são certamente familiares para o amigo leitor. O mais conhecido sem dúvida é a não-violência, ahimsa, cujas manifestações são a tolerância, a flexibilidade, a unidade e a solidariedade. Outra característica desta cultura é o imenso valor que é dado à família. O sistema social está baseado no conceito da família estendida, que abrange não apenas pais, irmãos e filhos do núcleo familiar, mas toda uma intrincada rede de relacionamentos políticos com outros núcleos dentro do mesmo estrato social.
A história da arte da Índia é igualmente a história da mais flexível das culturas antigas. Ela é uma interessante amálgama de influências nativas e forâneas ao longo do tempo, que possui uma identidade própria muito característica. Por exemplo, as formas artísticas do oeste da Índia, têm um inegável sabor de Oriente Médio, enquanto que as do norte se assemelham bastante às das culturas tibetana e chinesa. No entanto, todas elas preservam um sabor indiscutivelmente indiano. As formas da arte indiana são tão fortemente influenciadas pela espiritualidade que todas essas expressões poderiam ser consideradas arte sagrada. Isso vale tanto para a escultura e a pintura, quanto para a música, a arte dramática e a literatura.
Existe uma teoria estética que permeia todas essas formas de arte, chamada rasa, palavra sânscrita que significa “essência”, e define as emoções básicas com as quais o artista irá trabalhar. Os rasas são nove: hasya (felicidade), krodha (raiva), bhibasta (desgosto), bhaya (medo), shoka (sofrimento), vira (coragem), karuna (compaixão), vismaya (surpresa) e shantah (serenidade). Quando o artista completa sua obra, seja um poema, uma dança ou uma peça musical, ele provocou todas as nove emoções no leitor ou espectador, e sempre conclui com shantah, um sentimento de tranqüila paz, que é para a arte o que moksha, a libertação, significa para o Yoga.
Quem já foi para a Índia fica curioso sobre o quanto a dança e a música permeiam o cotidiano das pessoas, trazendo alegria e cor a todos os momentos. A música indiana, chamada sangitam, abrange uma enorme série de expressões folclóricas, religiosas, populares e clássicas. As formas musicais mais antigas encontram-se no Sama Veda, o “Veda das Melodias”, que é uma seleção de hinos musicados do Rig Veda. Até hoje, alguns sacerdotes ainda guardam essa antiga ciência. Tive o privilégio de ouvir um deles ano passado em Rishikesh; foi uma das experiências mais marcantes que tive escutando música.
A música clássica é sempre de câmara, tocada com poucos instrumentos e, tradicionalmente, para audiências pequenas. Ela é dividida em dois tipos: a da Karnataka, no sul, que tem uma estrutura mais solta, parecida com os improvisos do jazz, e a do norte, chamada Hindustani. Esta, por sua vez, é dividida em dois estilos: o dhrupad e o kayal. O dhrupad é a música clássica antiga, dedicada ao deus Shiva, que tem como objetivo despertar no ouvinte o estado meditativo. Assim sendo, ela é mais lenta e explora os registros mais graves. O kayal é a música das cortes reais, mais leve e ornamentada. Geralmente, quando os ocidentais se referem à música clássica indiana, estão em verdade apontando para este sub-gênero, popularizado por artistas como Ravi Shankar, Hariprasad Chaurasia e Pandit Jasraj. A música folclórica abrange tanto poemas devocionais de bhaktas como Mirabhai ou Kabir, quanto temas profanos, mas ela está sempre muito próxima da música clássica, embora seja tocada com outros instrumentos. Dela nasceu a conhecida música dos filmes indianos.
A dança, chamada natya, é um capítulo aparte. Existem muitas formas de dança, associadas com os lugares onde elas nasceram e se desenvolveram. Cada uma dessas modalidades preserva o modo peculiar da sua região. Assim, encontramos estilos de dança clássica no sul, como o Bharata Natyam, o Odissi e o Kathakali, outros oriundos do norte, como o Bhangra e o Kathak, outros no oeste, como o Dandi e o Garba, e outros no leste, como o Manipuri e o Sattriya. A raiz comum a todas estas formas artísticas é um texto chamado Natya Shastra, do século II, atribuído ao sábio patriarca Bh€rata.
O interessante do natya é que desta forma de arte dramática não é apenas dança. Em primeiro lugar, natya é dança, sim, mas sagrada. Originalmente, dançava-se nos templos, para os deuses. O natya incorpora e transmite uma linguagem gestual (mudra) muito característica, que influenciou enormemente as outras manifestações artísticas do Sudeste Asiático, como as danças gestuais da Indonésia, da Tailândia e da China. Além do mais, natya é teatro: o dançarino conta uma história, narra os mitos do Ramayana ou dos Puranas. Essa história é contada não apenas através da expressão das mãos, mas igualmente de gestos feitos com a fisionomia e o olhar. O dançarino usa o corpo como um veículo para expressar sua devoção e celebrar as grandes verdades universais: o amor, a glória, a paz. Não obstante a complexidade da dança indiana, ela é extremamente fácil de se compreender, pois fala ao coração e não à mente.
Agora, cabe uma palavra sobre a vasta literatura indiana. O gênero literário mais antigo é o dos Vedas, uma ampla coleção de hinos e fórmulas rituais em forma de poemas, que evidencia uma visão da criação, do mundo e da vida humana. Esses textos surpreendem pela profundidade e beleza. Embora de temática aparentemente limitada, eles revelam-se obras primas do ponto de vista literário, dando-nos uma visão global da cultura, dos valores e da forma de vida do povo védico. Existem quatro Vedas: Rig, Sama, Yajur e Atharva.
O famoso poeta e dramaturgo Kalidasa, que já foi comparado a Shakespeare, escreveu, dentre outras obras, dois épicos inesquecíveis: o Raghuvamsa (“A Dinastia dos Raghus”) e o Kumaras?ambhava (“O Nascimento de Kumara”) e duas obras de teatro que são encenadas até hoje: Shakuntala and Meghaduta. Talvez o mais marcante poeta posterior a Kalidasa seja Jayadeva, que compôs a famosa Gita Govinda (“Canção de Govinda”). Outros autores relevantes são Chanakya, que escreveu o Arthashastra (“Ciência da Prosperidade”) e Vatsyayana, conhecido pelo Kamasutra. Afora a literatura clássica sânscrita, e tendo surgido a a partir do século XVI, existe ainda uma imensa literatura em línguas vernáculas, tais como prâcrito, tâmil, pali, bhojpuri, hindi, kannada, gujarati, bengali, kashmiri, marathi, oriya, punjabi, malayalam, telugu e urdu, entre outras.
Ainda no âmbito cultural, nasceram na Índia atividades como o boxe e as artes marciais. Dentre as mais de 4.200 esculturas de terracota achadas nos sítios arqueológicos do Vale do Indo, tem uma que representa um lutador em posição de defesa, com mãos e punhos enfaixados, da mesma maneira que os boxeadores da atualidade. O kalarippayatu (“luta do campo de batalha”), o vajramushti (“punho de diamante”) e outras artes marciais, da mesma maneira, tiveram sua origem na Índia. Essas artes marciais foram levadas para o Sudeste Asiático e, posteriormente, para o Extremo Oriente, pelo monje budista Bodhidharma. Na área da recreação, cabe lembrar que também jogos como o ludo (chaturanga) e o xadrez, (sh?atrañj ou ashtapada) são também criações da mente indiana.

A mente indiana na ciência.

Os árabes aprenderam as ciências exatas dos indianos. Eles chamaram as matemáticas hindse, que significa “da Índia”. Não sabemos quando o homem começou a contar, mas o conceito do zero (shunya, em sânscrito) é indubitavelmente uma criação do ??i Aryabhatta. Da mesma forma, são indianos o sistema decimal e a numeração que hoje se conhece como arábiga. Este conhecimento foi levado pelos árabes para o Oriente Próximo no século XII, de onde, através das cruzadas, atingiu a Europa, onde foi massivamente adotado, por ser muito mais lógico e fácil de usar que o desconfortável sistema romano. Uma vez, Albert Einstein disse: “devemos muito aos indianos, que nos ensinaram a contar, sem o que nenhuma descoberta científica válida teria sido feita.” O grande matemático La Place, por seu lado, afirmou: “foi a Índia quem nos deu o engenhoso método de expressar todos os números com dez símbolos. A enorme facilidade que isso deu a todos os cálculos coloca a aritmética no topo das invenções úteis, e deveríamos apreciar ainda mais a dimensão destas conquistas se lembrarmos que elas escaparam ao gênio de Arquimedes e Apolônio.”
Seria impossível construir as imensas estruturas de Harappa e Mohenjo Daro sem um conhecimento detalhado de engenharia, arquitetura e geometria. A ciência nasceu a partir do ritual: a arte de construir altares deu origem à arte de construir cidades. Num estudo que consumiu mais de vinte anos, o matemático e historiador da ciência A. Siedenberg demonstrou que os sistemas matemáticos egípcio e babilônico foram inspirados no Shulba Sutra. Os textos egípcios baseados nesta obra são anteriores ao ano 2000 a.C., o que prova que o conhecimento de matemática na Índia é bem antigo. Isto reforça ainda o ponto de vista que afirma que o movimento civilizatório se deu desde a Índia para Oriente Próximo e que Mesopotâmia e Egito são tributários da cultura índica.
No campo da medicina, o sistema de saúde chamado Ayurveda (“ciência da vida”), nasceu em solo indiano e foi ensinada na Universidade de Taxila, fundada em 700 a.C., que chegou a reunir mais de 10.000 estudantes. Esse sistema de medicina foi preservado através da obra de sábios como Charvaka e Su?ruta, que viveram há mais de 2.500 anos.
A astronomia também nasceu em solo indiano. O erudito estadunidense Ebenezer Burguess afirmou, mais de um século atrás, que as astronomias indiana, egípcia e grega, pareciam possuir a mesma base, e que sua origem deveria procurar-se na Índia antiga. Alguns hinos do Rig Veda e outros shastras começam ou terminam com a descrição da localização do sol em relação aos planetas e constelações. Os primeiros estudiosos ocidentais dos séculos XVIII e XIX desestimaram esse detalhe, pois não acharam possível que esses fossem dados astronômicos concretos.
A navegação e, igualmente, um feito que parece ter sido empreendido primeiramente pelos antigos indianos. O historiador R. K. Mookerjee disse: “a arte da navegação nasceu no rio Indus mais de 6000 anos atrás. A própria palavra navigation, em inglês, deriva do sânscrito navi gatih.” A palavra nave deriva igualmente do sânscrito nava. Por seu lado, os antropólogos Geldern e Ekholm afirmaram: “mil anos antes do nascimento de Colombo, os barcos indianos eram em muito superiores a qualquer um feito na Europa no século XVIII.” A bússola, maccha yantra em sânscrito, foi também criada por estes navegantes.
Considerando esses antecedentes, e a importância que sempre se deu nesta cultura à busca por uma expressão numérica da unidade que permeia todas as coisas, não surpreende que hoje a Índia seja o país que aporta mais cientistas ao mundo no campo das ciências exatas, pois os indianos levam no seu inconsciente coletivo uma cosmovisão completa, expressada por meio de números.

A mente indiana na espiritualidade.

Usamos aqui a palavra espiritualidade para abranger tanto as expressões religiosas quanto as filosóficas. Na Índia, não há separação entre vida e religião, entre arte e espiritualidade. Esse fato é um dos primeiros que impressiona o visitante. O povo indiano, seja hindu, muçulmano, budista, sikh ou parsi, parece viver o tempo todo com a devoção à flor da pele. Essa atitude do indiano faz parte de uma tradição maior, que remonta aos tempos védicos e permeia todas as formas desta cultura. Nesse sentido, poderíamos dizer que o indiano vivencia a espiritualidade de uma forma mais natural e intensa que outros povos. Isso é evidente no extenso calendário de atividades religiosas, festivais, celebrações e peregrinações, de todas as formas religiosas, hindus e não hindus.
Também é evidente no cotidiano desse povo que, apesar das agruras inerentes à vida daqueles que nasceram num país do Terceiro Mundo, mantém sempre um sorriso estampado no rosto. Cada povo tem sua idiossincrasia. Assim, costumamos ouvir e dizer que os japoneses são disciplinados, que os alemães são sérios, que os brasileiros somos alegres. Na mesma linha, os indianos consideram a si mesmos o povo mais khush do planeta. Mas, o que significa khush? Esta é uma palavra urdu que quer dizer intensa alegria, felicidade. Essa alegria nasce na natural devoção do povo que, por sua vez, parece derivar de uma confiança inata na vida. Essa confiança deriva do ensinamento do dharma.
Talvez o exemplo mais acabado dessa integração entre espiritualidade e cotidiano seja o conceito de dharma. Este termo, que significa literalmente “aquilo que mantém unido”, designa tanto a vocação individual e os meios para realizá-la, como o princípio da harmonia e justiça universais. Todas as filosofias e religiões da Índia outorgam um papel central à vida no dharma, que é uma vida centrada na correta compreensão da realidade e na percepção do Eu em tudo e em todos. Nesse sentido, podemos dizer que o dharma, tanto do ponto de vista hindu quanto do budista, parsi, sikh ou jaina, não é um esquema exclusivo, que rejeita pessoas desde dentro de um sistema fechado. Ele é inclusivo: todos têm um lugar, um papel para representar ou realizar na estrutura do dharma. Vi?e?a dharma é o dharma específico para um indivíduo numa determinada situação. Já samanya dharma é o universal, aplicável a todos e a tudo.
Tudo o que está aqui é uma manifestação da Consciência, que se manifesta na forma do dharma, da ordem universal. Todos os humanos sabem disso, embora a noção dentro de cada cultura possa variar bastante. A essência do ensinamento do sanatana dharma , o dharma eterno, é que o indivíduo é idêntico ao Ser ilimitado. Isto deve ser bem compreendido, e aceito, se quisermos uma vida tranqüila, apesar as dificuldades inerentes a qualquer existência humana. Essa não-dualidade existe e é um fato, apesar da distinção sujeito-objeto. A distinção sujeito-objeto não contradiz a não-dualidade. Este é o conhecimento do Veda. Está ao longo do Rig Veda e, especialmente, no fim dele, condensado nas Upani?ads. Esse ensinamento está presente ao longo de todos os textos sagrados, que são cheios de histórias e mitos que têm como objetivo transmitir o ensinamento da maneira mais clara para as diferentes gerações.
O propósito deste texto, como foi colocado no início, foi apresentar as contribuições da mente indiana ao pensamento humano. A civilização da Índia, como toda civilização tem seu lado B. O amigo leitor saberá nos perdoar por omitir esse aspecto. Namaste!

Pedro é praticante e professor de Yoga.

VIA YOGA.PRO.BR

NIRVANA SHATKAM, O SEXTETO DA ILUMINAÇÃO

NIRVANA SHATKAM, O SEXTETO DA ILUMINAÇÃO
Adi Shankaracharya

mano-buddhyahaṅkāra-chittāni nāhaṁ
na cha śrotra-jivhe na cha ghrāṇa-netre |
na cha vyoma-bhūmirna tejo na vāyuḥ
chidānandarūpaśśivo’haṁ śivo’ham || 1 ||
Não sou mente nem razão; não sou ego nem memória;
Não sou audição, nem paladar, nem olfato nem visão.
Não sou espaço nem terra; não sou fogo nem ar.
Minha natureza é consciência e plenitude. Sou Ser, sou Ser. 1.

na cha prāṇa-sañjño na vai pañchavāyuḥ
na vā saptadhātur na vā pañchakośāḥ |
na vāk pāṇipādau na chopasthapāyūḥ
chidānandarūpaśśivo’haṁ śivo’ham || 2 ||
Não sou o que se conhece como prāṇa nem os cinco alentos;
nem os sete elementos do corpo físico, nem os cinco kośas.
Não sou fala, nem mãos ou pés; nem sexo nem eliminação.
Minha natureza é consciência e plenitude. Sou Ser, sou Ser. 2.

na me dveṣa-rāgau na me lobha-mohau
mado naiva me naiva mātsaryabhāvaḥ |
na dharmo na chārtho na kāmo na mokṣaḥ
chidānandarūpaśśivo’haṁ śivo’ham || 3 ||
Não tenho apego nem aversão; nem ambição, nem ilusão;
orgulho e inveja não são meus; não tenho deveres,
nem objetivos, nem desejos, nem busco a libertação.
Minha natureza é consciência e plenitude. Sou Ser, sou Ser. 3.

na puṇyaṁ na pāpaṁ na saukhyaṁ na duḥkhaṁ
na mantro na tīrthaṁ na vedā na yajñāḥ |
ahaṁ bhojanaṁ naiva bhojyaṁ na bhoktā
chidānandarūpaśśivo’haṁ śivo’ham || 4 ||
Não sou virtude nem ação errônea; nem alegria nem sofrimento;
nem mantras nem lugares sagrados; nem escrituras nem rituais;
não sou prazer nem o que produz prazer, nem o desfrutador.
Minha natureza é consciência e plenitude. Sou Ser, sou Ser. 4.

na me mṛtyuśaṅkā na me jātibhedaḥ
pitā naiva me naiva mātā na janma |
na bandhurna mitraṁ gururnaiva śiṣyaḥ
chidānandarūpaśśivo’haṁ śivo’ham || 5 ||
Não sou morte nem medo; não tenho classe social;
nem pai, nem mãe, nem nascimento são meus;
não tenho parentes nem amigos; nem mestre nem discípulos.
Minha natureza é consciência e plenitude. Sou Ser, sou Ser. 5.

ahaṁ nirvikalpo nirākāra-rūpaḥ
vibhutvāchcha sarvatra sarvendriyāṇām |
na chāsaṅgato naiva muktirna bandhaḥ
chidānandarūpaśśivo’haṁ śivo’ham || 6 ||
Sou livre de pensamentos. Sou livre de estrutura e forma;
Estou conectado com os sentidos, pois permeio o existente.
Não sou apegado nem condicionado, nem [busco a] liberdade.
Minha natureza é consciência e plenitude. Sou Ser, sou Ser. 6.

Introdução ao estudo do Nirvāṇa Ṣaṭkaṁ.

Ādi Śaṅkaracharya é uma das grandes referências da tradição védica, um elo especial nessa corrente viva de transmissão do autoconhecimento, chamada paramparā, que foi transmitida de professor para estudante ao longo dos milênios, e que revela a natureza real do ser humano, mostrando-o como alguém intrínsecamente livre de limitações e sofrimento.
O nome Nirvāṇa Ṣaṭkaṁ significa em sânscrito “Seis Estrofes da Iluminação”. Em apenas 24 versos, o autor resume de maneira magistral todas as dúvidas existenciais, todas as falsas identificações com os papéis desepenhados na vida de um ser humano, bem como oferece as soluções para cada uma das charadas metafísicas que surgem naturalmente no cotidiano.
Este não é, a rigor, um texto sobre instrução, mas um exercício de nididhyāsana, uma contemplação sobre quem somos. O sânscrito é muito simples e acessível, o que torna o poema de fácil recitação e memorização. Não obstante essa simplicidade da linguagem, o significado é profundo e potencialmente transformador.
Podemos compreender o recado em minutos, mas aplicá-lo na vida pode nos levar anos e anos. Este tipo de texto é chamado prakarāṇa. Este termo é aplicado a textos que explicam aspectos peculiares do ensinamento, na forma de reflexões meditativas e, ainda, permitem inferir aplicações práticas desse ensinamento.

Estrofe 1.

mano-buddhyahaṅkāra-chittāni nāhaṁ
na cha śrotra-jivhe na cha ghrāṇa-netre |
na cha vyoma-bhūmirna tejo na vāyuḥ
chidānandarūpaśśivo’haṁ śivo’ham || 1 ||
Não sou mente nem razão; não sou ego nem memória;
Não sou audição, nem paladar, nem olfato nem visão.
Não sou espaço nem terra; não sou fogo nem ar.
Minha natureza é consciência e plenitude. Sou Ser, sou Ser. 1.

O texto começa citando uma série de associações que normalmente fazemos, tomando como certo que somos o conteúdo dos nossos pensamentos. A primeira pessoa à qual o texto se refere, “eu” não é, evidentemente, o ego ou a personalidade, mas Ātma, o Ser pleno, manifestado como a pessoa simples e tranquila, e não como uma personalidade exigente e não cessa de fazer cobranças de si mesma e do mundo.
No segundo verso, o autor reflite, e nos convida para fazermos a contemplação junto a ele, sobre o fato de que nós tampouco somos os órgãos sensoriais, nem aquilo que eles percebem, nem os elementos densos que constituem a natureza manifestada.
A identificação com os conteúdos do psiquismo é, embora natural, o produto da ignorância existencial. Poderíamos nos perguntar a razão pela qual o autor usa quatro termos diferentes para se referir ao psiquismo, que nós chamamos muitas vezes mente. O psiquismo se move em quatro direções diferentes, que determinam esses nomes. Śrī Śaṅkaracharya, na Vivekachudamani (ślokas 95 e 96), define o psiquismo nos seguintes termos:
“Antaḥkarāṇa, o órgão interno, é conhecido por quatro diferentes nomes: manas, buddhi, ahaṅkāra e chittam, de acordo com suas distintas funções. Quando há um movimento em forma de dúvida, isso é chamado manas, pensamento. Quando há um conteúdo em forma de afirmação, é chamado buddhi. Quando acontece uma lembrança, isso é chamado chittam. Independentemente do tipo de função, recebe o nome de antaḥkarāṇa.”
Portanto, qualquer movimento do psiquismo deve ser reconhecido como conteúdo, e não como Consciência, como o Ser invariável que observa esses movimentos. A palavra Śiva, que se repete, à guisa de adágio, como verso que encerra cada estrofe ao longo do poema, não designa, neste contexto, o deus hindu da dança e da transformação, mas à própria Consciência.

Estrofe 2.

na cha prāṇa-sañjño na vai pañchavāyuḥ
na vā saptadhātur na vā pañchakośāḥ |
na vāk pāṇipādau na chopasthapāyūḥ
chidānandarūpaśśivo’haṁ śivo’ham || 2 ||
Não sou o que se conhece como prāṇa nem os cinco alentos;
nem os sete elementos do corpo físico, nem os cinco kośas.
Não sou fala, nem mãos ou pés; nem sexo nem eliminação.
Minha natureza é consciência e plenitude. Sou Ser, sou Ser. 2.

Na sequência, o poema continua fazendo uma série de negações em relação ao corpomente, sua fisiologia, funções, qualidades e elementos constituintes. Similarmente às ações do psiquismo, o prāṇa, a força vital, também assume cinco formas, que realizam as diferentes funções fisiológicas: prāṇa, samāna, vyāna, udāna e apāna. Essas funções são, respectivamente, absorção, digestão, circulação crescimento e eliminação. Elas são chamadas vāyus, ou alentos vitais.
Depois é feita uma reflexão sobre a não-identificação em relação aos dhatus, os sete constituintes do organismo físico: medula, gordura, músculos, sangue, linfa, pele e cutículas. Os cinco kośas, ou “camadas” do jīva, o ser vivente, são mencionados por primeira vez na tradição do Yoga na Taittirīya Upaniṣad. Esses kośas constituintes do corpomente são os seguintes: annamayakośa, prāṇamayakośa, manomayakośa, vijñāmayakośa e ānandamayakośa. Respectivamente, as camadas de alimento (corpo físico denso), vitalidade, pensamento, intelecto e plenitude.
O autor nos convida, a seguir, para reconhecer que, além de não sermos nenhuma dessas funções fisiológicas ou sutis, tampouco somos os cinco órgãos de ação, karmendriyas: fala, mãos, pés, reprodução e eliminação. Muitas vezes nos identificamos com essas funções, e os tipos de ação que cada uma delas desempenha. Conclui-se esta estrofe com o adágio “Minha natureza é consciência e plenitude. Sou Ser, sou Ser”. Como ser autoefulgente, que brilha por si mesmo, sou plenitude.

Estrofe 3.

na me dveṣa-rāgau na me lobha-mohau
mado naiva me naiva mātsaryabhāvaḥ |
na dharmo na chārtho na kāmo na mokṣaḥ
chidānandarūpaśśivo’haṁ śivo’ham || 3 ||
Não tenho apego nem aversão; nem ambição, nem ilusão;
orgulho e inveja não são meus; não tenho deveres,
nem objetivos, nem desejos, nem busco a libertação.
Minha natureza é consciência e plenitude. Sou Ser, sou Ser. 3.

Todos os conteúdos do psiquismo, julgamentos e sentimentos como apego ou aversão, orgulho, raiva e demais emoções, naturalmente estão conectados com o antaḥkarāṇa e, dessa maneira, nada tem a ver com Ātma. Emoções e pensamentos pertencem à esfera do psiquismo, e a natureza desses conteúdos é dinâmica e mutante, enquanto que o Ser é o observador invariável, ilimitado e imutável
O terceiro verso desta estrofe faz uma clara referência aos puruṣārthas, os quatro propósitos humanos válidos, que são os seguintes:
1) Kāma, a busca da satisfação, o prazer e o conforto,
2) Artha, a realização de ações que tragam prosperidade e segurança,
3) Dharma, a conduta adequada, que rege o bom convívio, e
4) Mokṣa, a busca da liberdade, que é o mais elevado ideal da vida humana.
As regras do dharma, que visam cultivar valores universais em prol do bem comum, o convívio harmonioso e uma vida tranquila, não se aplicam àquele que resolveu estes conflitos com as próprias emoções e completou o processo de maturidade emocional e autoconhecimento, que culmina em mokṣa, a libertação. É por isso que, no início do terceiro verso, Śaṅkaracharya afirma “ eu não tenho deveres”.
Devemos lembrar que existe o perigo de avaliar incorretamente o que possamos chamar de “evolução espiritual” em relação a este tipo de apego. Isso significa, noutras palavras, que sempre devemos cultivar uma atitude aberta e humilde, e nunca, nunca mesmo, considerar que estamos “acima do bem e do mal” ou que estas regras dhármicas não precisam ser aplicadas em relação a nós mesmos.
A pessoa que completou esse processo, desta maneira, não busca mais a liberdade, já que conhece a si próprio como alguém intrinsecamente livre e pleno. Essa conclusão fica claramente estabelecida no verso final “Minha natureza é consciência e plenitude. Sou Ser, sou Ser”.

Estrofe 4.

na puṇyaṁ na pāpaṁ na saukhyaṁ na duḥkhaṁ
na mantro na tīrthaṁ na vedā na yajñāḥ |
ahaṁ bhojanaṁ naiva bhojyaṁ na bhoktā
chidānandarūpaśśivo’haṁ śivo’ham || 4 ||
Não sou virtude nem ação errônea; nem alegria nem sofrimento;
nem mantras nem lugares sagrados; nem escrituras nem rituais;
não sou prazer nem o que produz prazer, nem o desfrutador.
Minha natureza é consciência e plenitude. Sou Ser, sou Ser. 4.

O sábio não se identifica com suas ações, sejam elas puṇyaṁ ou pāpaṁ, certas e em harmonia com o dharma e o bem comum, ou erradas e contrárias a ele, pois ele sabe que Ātma não é o agente das ações. Isso, como foi explicado no comentário da estrofe anterior, não significa que as regras do dharma não se aplicam ao iluminado. Pelo contrário: ele é uma encarnação viva da plenitude e suas ações fluem dentro da compaixão, a gratidão, a solidariedade e a consideração.
Na segunda parte do primeiro verso, Śaṅkaracharya ainda fala sobre a necessidade de se desapegar de sentimentos opostos como alegria e tristeza, prazer e dor, já que eles são transitórios e o apego àquilo que é transitório termina sempre em mais sofrimento.
Enquanto Ātma, não sou karta, nem bhokta, nem duḥkhi: não sou o agente das ações, nem aquele que desfruta os resultados desejáveis, nem o que sofre com os frutos indesejáveis desses atos. Ātma é asaṅgaḥ, desapegado e independente desses conteúdos. Este termo, asaṅgaḥ, que se traduz habitualmente como desapego ou independência, irá aparecer na última estrofe do sexteto.
A pessoa que está firmemente estabelecida no autoconhecimento, o Brahmaniṣṭhaṁ, não tem necessidade de fazer rituais, preces ou peregrinações, uma vez que não há interesse em nenhum tipo de ganho ou mérito espiritual que possa advir desse tipo de ação. Se ela continua com suas meditações e atos rituais, é por um ato volitivo puro e livre.

Estrofe 5.

na me mṛtyuśaṅkā na me jātibhedaḥ
pitā naiva me naiva mātā na janma |
na bandhurna mitraṁ gururnaiva śiṣyaḥ
chidānandarūpaśśivo’haṁ śivo’ham || 5 ||
Não sou morte nem medo; não tenho classe social;
nem pai, nem mãe, nem nascimento são meus;
não tenho parentes nem amigos; nem mestre nem discípulos.
Minha natureza é consciência e plenitude. Sou Ser, sou Ser. 5.

Os papéis que representamos na sociedade, dentro da família, em relação ao meio ambiente ou aos demais, são sempre relativos. Esses papéis não são inerentes ao Ser. Porém, viver é representar papéis. Não há existência sem cumprir deveres, realizar ações e obrigações. Somos mãe ou pai, filho ou filha, irmão ou irmã e, em cada uma dessas posições, cultivamos atitudes e modos diferentes de nos comunicar.
Um papel é um dever, uma obrigação ou função que se cumpre na sociedade ou na família. Essas obrigações são chamadas vyavahāraḥ em sânscrito. O conceito de vyavahāraḥ é muito importante dentro da filosofia do Yoga. Ele pode ser traduzido como responsabilidade, esforço ou dever cotidiano. Obviamente, isso está vinculado com as maneiras corretas de agir, que sempre devem estar em conformidade com o dharma.
Atores e papéis.
Embora nossa existência não dependa da representação de quaisquer papéis, nós não podemos fugir deles. Portanto, deveríamos permanecer cientes de que a nossa felicidade não depende de representar ou deixar de representar um dado papel. A personagem somente existe porque o ator existe. A existência do ator não depende da representação do papel. Comparemos os papéis que desempenhamos na sociedade com a situação do ator que representa diferentes personagens, através de dois exemplos ensinados por Swāmi Dayānanda.
Caso 1: confusão entre o ator e o papel.
Digamos que o ator João representa o papel do operário Luiz. O roteiro da peça indica que o operário Luiz leva uns socos do capataz Bernardo, representado pelo ator Francisco. Porém, acontece que o João naquele dia está sem paciência e confunde as coisas. Aí, após o primeiro sinal de agressão por parte do capataz, o operário revida os golpes e machuca de verdade o ator Francisco. Finda a peça, o diretor vai tirar satisfações com o João, que responde: “revidei porque não ia deixar que ele me batesse mais. Eu não levo desaforo para casa!”
Este é o típico caso da pessoa que, envolvida como está com os papéis que representa, esquece que ela não é nenhum desses papéis. O ator João não agiu. Ele apenas reagiu emocionalmente. O amigo leitor pode achar engraçada esta situação, mas isso já aconteceu de verdade numa encenação do épico Rāmāyāna em Tamil Nadu, sul da Índia. O ator que representava o príncipe Rāma enloqueceu e feriu com golpes de espada o ator que encarnava o demônio Rāvaṇa.
Caso 2: representação consciente de um papel.
Numa outra hipótese, o ator João, que faz sucesso e prosperou graças ao seu talento, representa o papel de um mendigo que sofre e chora. O ator pode sorrir e pensar para si mesmo enquanto derrama copiosas lágrimas: “Que felicidade! Estou chorando bem como nunca!” Apesar dos graves problemas vividos pela personagem, o ator não é atingido por esses problemas.
Ele sabe perfeitamente que a representação é uma representação e mais nada. No fim da peça, pendura as roupas do mendigo, veste as suas e sai alegremente para jantar com os amigos. As lágrimas ficaram para trás. Neste caso, João era plenamente ciente de estar apenas representando um papel. A consciência de si mesmo como João estava presente antes, permaneceu durante a encenação do sofrimento do mendigo e permanece depois que a peça termina.
Relacionamentos inteligentes.
Relacionamentos inteligentes se constróem pela descoberta do espaço que há entre quem nós somos e os papéis que representamos. A realidade de qualquer relação é que sempre há um fator variável e um constante. Desde seu ponto de vista, você é o invariável, e todos aqueles que nos relacionamos com você (inclusive eu, ao escrever estas linhas), mudamos constantemente.
Essa pessoa invariável que você é assume diferentes atitudes, dependendo dos papéis que estiver representando. No entanto, se você fizer uma lista dos seus problemas, descobrirá que eles estão ligados unicamente a esses papéis. Em suma, objetivamente falando, você não tem problemas para chamar de seus. Os problemas são inerentes aos papéis que você representa, mas não são seus.
Swāmi Dayānanda ensina: “Se você tiver problemas como pai, filho, esposo ou esposa, você deve compreender que está confundindo a si mesmo com seus papéis. Se você confunde um papel com si mesmo, não há problema algum. Mas, se confunde a si mesmo com um papel, então, definitivamente, essa confusão vai levar você a um estado de sofrimento e desespero.
“Você precisa compreender que o Eu é livre de todos os papéis e situações, livre até mesmo da própria mente. Apenas com essa compreensão dos truques da mente você irá se tornar mestre dela, usando-a como um instrumento para aprender, para apreciar, para amar.” A estrofe termina do modo habitual, com o bordão “Minha natureza é consciência e plenitude. Sou Ser, sou Ser”.

Estrofe 6.

ahaṁ nirvikalpo nirākāra-rūpaḥ
vibhutvāchcha sarvatra sarvendriyāṇām |
na chāsaṅgato naiva muktirna bandhaḥ
chidānandarūpaśśivo’haṁ śivo’ham || 6 ||
Sou livre de pensamentos. Sou livre de estrutura e forma;
Estou conectado com os sentidos, pois permeio o existente.
Não sou apegado nem condicionado, nem [busco a] liberdade.
Minha natureza é consciência e plenitude. Sou Ser, sou Ser. 6.

Como foi visto até este ponto, Ātma não está condicionado pelas limitações intrínsecas ao corpomente. Havendo uma absoluta identidade entre Ātma e Brahman, o Ser individual e o Ser não-manifestado, Ātma é ilimitado e invariável, assim como Brahman. Qualquer tipo de apego será uma forma de identificação com as coisas do corpo ou do psiquismo.
Mokṣa, a liberdade, não é uma experiência, nem ganhar algo que não se possui. É, pelo contrário, destruir a ignorância em relação a si mesmo. Ao ganharmos autoconhecimento percebemos que, em verdade, não houve escravidão em nenhum momento. Percebemos que sempre fomos libertos, mas não sabíamos disso.
Asaṅgataḥ significa não-condicionado, não-identificado. Libertação é o reconhecimento de que já somos Brahman, ao invés de um corpomente limitado, como é explicado na tradição do Vedānta com o exemplo do pastor distraído, que busca aflito no vale o cordeiro que está carregando em seus próprios ombros. Mokṣa é dar-se conta, é reconhecer e firmar-se naquilo que já somos. Namaste!

ॐ ॐ ॐ ॐ ॐ ॐ ॐ ॐ ॐ ॐ ॐ ॐ ॐ ॐ ॐ ॐ ॐ ॐ ॐ ॐ ॐ

Texto para distribuição livre, desde que você dê um beijo nos seus seres amados hoje. Um agradecimento especial ao meu guru, Swāmi Dayānanda, e aos bons amigos e companheiros de caminhada na senda do Yoga e o autoconhecimento. Existem algumas versões deste sexteto, que apresentam pequenas variações em alguns versos, notadamente na terceira linha da última estrofe. A que aqui apresentamos é a que aprendemos com o nosso mestre. Ela pode ser encontrada uma tradução ao inglês no livro Vedic Heritage Teaching Programme, de Swāminī Pramāṇānada Sarasvatī e Śrī Dhīra Chaitanya, publicado pelo Pūrṇa Vidyā Trust de Tiruvannamalai, Índia, em 2009.
Tradução e comentários de Pedro Kupfer.
Hariḥ Oṁ!

VIA YOGA.PRO.BR

ORAÇÕES – SATSANGA COM SWAMI DAYANANDA SARASWATI


Swamiji, você pode nos dizer como a oração funciona e como a oração feita por alguém pode afetar particularmente esta pessoa?

Como você não pode se alimentar por outra pessoa, pode parecer, no entanto, que a oração não possa ser feita para uma outra pessoa. Mas orar não é como se alimentar. Não é como aquele que tem fome e que precisa ser satisfeito. Orar é uma ação, um karma, como tomar banho. Não apenas você pode banhar o seu próprio corpo, mas você pode dar banho no corpo da sua criança. Orar, então, não é como se alimentar; é mais como tomar banho. Ou seja, orar é um processo de pensar, um tipo particular de pensar.
Numa oração, há alguém que ora e um altar em que a pessoa oferece a sua oração. Há também uma maneira de se orar envolvida, a qual difere de pessoa para pessoa. Uma oração pode ser feita com palavras simples ou pode ser elaborado um ritual altamente tradicional que é aprovado pelas escrituras. Ela pode ser puramente oral ou mental. 
Ramana Maharishi, na Upadesa Saram, descreve a oração como uma ação que envolve três atos ou Karma: físico (kayikam), oral (vasikam) e mental (manasam). O ritual é uma forma física de orar. Cantar em louvor ao Senhor, (bhajans) é uma forma oral de orar e cantar um mantra mentalmente é uma forma mental de orar.
Junto ao sujeito que ora e o altar, a oração sempre tem um propósito como qualquer ação. Você sempre ora porque quer alguma coisa. Sem um objeto de desejo não há uma oração. Você pode querer alguma coisa específica ou você pode querer clareza mental (antahkarana suddhi). Ou você pode orar “Permita que o senhor fique contente com a minha oração”, porque você quer fazer parte da lista dos bonzinhos do Senhor. Você quer que ele olhe por você agora e depois.
Ainda que o Senhor tenha olhos que escaneam a todos, você pode sentir, de algum modo, que é sempre inspecionado. Ele parece olhar para os outros o tempo todo, mas quando se dirige a você, algo acontece – Ele pisca ou fecha os olhos ao mesmo tempo. Você pode não pedir por um olhar direto, ma apenas por uma olhadinha.
Mesmo que eu ore com o fim de alcançar algo para mim ou para alguém e até mesmo quando eu ore em benefício de uma outra pessoa, a oração ainda é a minha oração. Quando eu noto alguém que está infeliz, que está sofrendo, eu também sofro porque eu sou humano.
Eu sou afetado pela condição daquela pessoa e eu não posso suportar isso. Eu quero que a pessoa seja feliz, o que verdadeiramente significa que eu quero ser feliz. Portanto, uma oração feita para os outros é também feita em interesse da minha própria felicidade.
Tudo está centrado apenas em mim. E, então, eu não sou, deste modo, uma pessoa embotada, insensível, que fica feliz quando alguém por perto se sente infeliz. Portanto, toda vez que eu oro por alguém, eu estou orando pela minha própria felicidade. Até mesmo quando eu sou culturalmente maduro o suficiente para orar, “Permita que o mundo todo seja feliz”, isto é porque eu não posso ficar em um mundo que seja infeliz.
Eu estou falando aqui, certamente, em nível empírico. Eu gosto de ver os outros felizes e então eu posso ser feliz. Então, toda oração é apenas para o meu bem. Quando eu oro para a minha esposa ou minha criança, quando eu digo, “Permita que minha família esteja protegida”, há um prolongamento de mim, que eu edito o tempo todo.
Não é preciso ser americano, por exemplo, para ser influenciado pelo fato de um americano ter sido feito refém. Qualquer ser humano será influenciado, uma vez que ele ou ela saiba sobre as possíveis conseqüências de tal ação. Assim, orar pelos outros é eficaz, mas a oração é para você mesmo.
Para ver como uma determinada oração é eficaz, como produz resultados, nós temos que analisar a natureza daquele que ora. Duas coisas acontecem quando você ora. Pois, orar é importante. Não é fácil sentar e orar, mas quando você o faz, um tipo de ação acontece. Por outro lado, você não poderia apenas sentar e orar, pois o ego não iria permitir.
Alguns oram porque acreditam que Deus vai ficar zangado se você não orar. Elas são pessoas simples que não tem entendimento de si mesmas ou do Senhor, mas elas oram. Há outros que não podem orar ou que acham muito difícil orar. Mas, você pode orar e produzir um resultado que é imediato (drstaphalam). Portanto, você já fez alguma coisa.
Quando a oração é para ter clareza mental, “Permita que minha mente fique limpa”, a oração por si só é uma auto-sugestão. E pedindo por algo, você está aceitando um outro poder, um poder mais elevado do que você mesmo, um poder que é absoluto. Você também está aceitando a limitação do seu próprio conhecimento. Isso é um simples pragmatismo. Geralmente você tende a esquecer as limitações do seu próprio poder e conhecimento e então a oração por si só faz você se lembrar deles. Se uma pessoa tem que ser objetiva, ele ou ela deve conhecer as suas limitações.
Não ser capaz de aceitar uma derrota, por exemplo, significa que nós não conhecemos os nossos limites e aqui está o problema. Mesmo que eles sejam conhecidos, nós não queremos aceitar as nossas limitações. Na verdade, não há derrotas, por causa de nossas limitações, pois nós achamos que nós temos sido um sucesso. Em todas as áreas da vida, nós encontramos algum sucesso. Toda vez que nós cruzamos a estrada, nós somos um sucesso, se nós fizermos isso! Quando nós dirigimos um carro e chegamos a nosso destino, nós somos bem sucedidos. Esses sucessos requerem muita graça. Se você pode orar, isto é uma grande coisa, porque isto implica uma aceitação da sua parte, não apenas das suas limitações, mas também a aceitação de uma fonte ilimitada, que pode trazer algumas mudanças. Isto por si só é muito belo e é o que significa ser um resultado imediato (drstaphalam) da oração. Você pode chamar isso de efeito psicológico ou o que quer que seja, mas o resultado é visível. Há também um resultado não visto (adrstaphalam) da oração, que está onde a fé aparece. O fazedor, o agente da ação de orar diz “Isto é o que eu quero”. A ação e o que foi expresso traz um resultado o qual é puramente sutil em espécie, não percebido. Este resultado não percebido manifestará no tempo e é o que nós chamamos de graça. Ele é produzido pela ação e provém do agente da ação, aquele que ora.
Se você aceita a lei do karma, você pode vir a perceber que a maioria dos problemas são trazidos por um karma passado, desta vida ou de vidas passadas. Um problema no estomago ou câncer, por exemplo, pode ser o resultado de uma karma do passado; ou você diz que o problema é hereditário ou genético, o que é apenas um jeito diferente para explicar isso. No mesmo sentido, isto é a mesma coisa. Indo mais longe, você poderia perguntar por que nasceu com esses genes particulares. Por que você deveria estar nesta situação? Por que você não teve pais diferentes? Se você fizer estas perguntas a um biólogo, ele ou ela desistirá de responder e dirá “Vá e pergunte a um Swami, este não é meu campo.”
Nós dizemos que há uma seleção natural de país que acontece de acordo com certas leis. Se há esta tal coisa como a uma alma sobrevivendo à morte, deve haver leis que governam uma grande gama de combinações possíveis. Muitos aspectos tem que ser organizados – tempo, lugar, ascendência, a posição dos pais, significando as condições pelas quais eles estão casados – tudo o que afeta, de algum modo, a criança que vai nascer. Desse modo, cada pessoa tem um tipo particular de karma. 
Karma é uma grande rede e é puramente mecânico. Do ponto de vista do Karma, sua dor no estomago pode ser um resultado tanto de um karma do passado ou de um karma do presente. Isto pode ser devido a algumas inúmeras razões: excesso de comida, álcool ou a condição da sua mente, as quais podem ser vistas em termos de tanto do imediato ou do passado remoto. Se você se preocupa com isso, você apenas adiciona mais a seu passado. Portanto, afligir-se é inútil. O passado já aconteceu e não pode ser mudado. Eu aceito isto e então eu oro. Certos danos podem ter sido feitos ao meu estomago por causa de eventos passados. E, então, há alguma coisa que eu possa fazer quanto a isso agora? Sim, eu posso orar “Permita que esta oração produza resultados que poderão neutralizar o karma passado.”
A lei do karma é sutil. Nós não sabemos o que é o karma passado. Nós apenas nos damos conta disso quando alguma coisa ocorre e isto pode ser devido a um karma passado. Talvez você ganhe na loteria e chame isso de sorte ou perca alguma coisa e chame isso de má sorte. Tudo isso é karma do passado. Ao invés de todos os esforços e planos, situações que nós chamamos de má sorte continuam acontecendo. Não apenas acontecimentos extraordinários são considerados pelo karma. O karma está se revelando todos os dias. 
O que você está fazendo neste exato momento pode ser devido a um karma passado. Você pode nem vê-lo. Quando acontecimentos extraordinários ocorrem e nós não podemos imediatamente nos dar conta por essas causas, nós recorremos a algum karma do passado para explicá-los.
Se o resultado é favorável você chama isso de sorte. Até um sério e não doutrinado ateísta explica tal evento em termos de sorte sempre que ele ou ela pega um ônibus, por exemplo. O ônibus parte tão logo que a pessoa entra, deixando outras pessoas para trás. Olhando de volta, ele ou ela diz “Que maravilhoso! Que sorte! Da mesma forma, quando a pessoa perde o ônibus, ele ou ela chama isso de má sorte. Pessoas perdem ônibus na vida e há muitos ônibus. Não importando como cuidadosamente nós nos planejamos, no último minuto alguma coisa pode acontecer o que nos faz pensar em má sorte. Esses acontecimentos são puramente sutis, indicadores da existência de alguma coisa em que nós não somos capazes colocar o nosso dedo. Nós não sabemos onde isso existe, o que é, ou como se desenrola. Nós apenas sabemos que continua acontecendo e há algum padrão nisso.
Como eu posso neutralizar o passado imediato e o remoto? Há certas coisas que eu posso fazer. O que eu tenho que fazer, eu faço, usando o meu esforço. Junto com o esforço eu necessito de entusiasmo, coragem, conhecimento, recursos, disposição e capacidade para enfrentar os obstáculos. E, com tudo isso, eu posso ainda perder o ônibus e é por isso que eu necessito orar. Se estas seis qualidades estiverem presentes, o Senhor pode ajudar, se eu orar. Todas as seis devem estar lá. Eu não posso simplesmente sentar e orar. O senhor oferece a sua ajuda para nós quando oramos. Isto é porque, a ação de orar é prescrita três vezes ao dia, ao nascer do Sol, ao meio dia e novamente ao por do Sol.
O propósito da oração é agradar ao Senhor e eliminar ou neutralizar as ações equivocadas de alguém. Mesmo que você não esteja compromissado às ações que não são equivocadas, naquele dia, sempre há uma pendência do passado que está se revelando a cada dia.
Todo ser humano é uma mistura de boas ações (punya) e ações equivocadas (papa). Não existe exceções. Punya significa, aquela situação conducente que se revelará e papa significa aquela não conducente ou a dolorosa situação que se revelará. Algumas vezes você verá tanto punya ou papa virem em ondas num período de tempo, em alguns anos, em alguns meses ou em algumas semanas, uma após a outra. Pode não haver nada, mas papa por um período de tempo e então, posteriormente, você percebe que tudo vai indo bem, em termos gerais. Mas, num certo dia, você perceberá que há sempre uma combinação dos dois, punya e papa.
A manhã pode ser maravilhosa, mas porque o Sol está brilhando, você sai para jogar tênis e torce seu tornozelo. Por quatro dias você não pode fazer nada. E é assim que funciona. A vida nada mais é do que uma mistura de punya e papa porque o corpo nasceu disso. Portanto, nós encontramos acontecimentos que nos agradam e que não nos agradam o tempo todo. Todos sabemos disso. Nós bem sabemos o que nós não ditamos os desígnios da vida. Nós até temos uma filosofia pessoal para enfrentarmos isso, como essa: “É assim que a vida é! O bom e o mau estão prontos a acontecer.”
Nós precisamos de uma filosofia pessoal para lidar com as situações agradáveis e desagradáveis que sempre estão lá. Tudo pode estar indo bem, mas o carro não pega. Ou o carro pega, mas para no meio da via expressa, nas altas horas da noite, a seis milhas do posto de gasolina. Teria sido melhor se não tivesse funcionado logo no início. Tais situações podem ser devido a omissões e ordens de um passado imediato ou talvez devido a papas antigos os quais você tem que neutralizar ou diminuí-los. E isto é o que se entende por resultado invisível da oração. Um resultado invisível é neutralizado por um outro resultado invisível.
Suponha que enquanto você está dormindo, seus bolsos estão cheios de dinheiro e cartões de créditos e você sonha que está faminto e que não tem nada para comer por três dias e que você não tem dinheiro. Que utilidade tem o dinheiro no seu bolso? Eu nem posso comprar uma coca-cola no sonho. Para comprar uma coca-cola sonhada você precisa de um dinheiro sonhado. Similarmente para encontrar punya e papa que estão se revelando diariamente, minuto a minuto, você tem que continuar reunindo anticorpos neutralizadores. Orar faz isso. Orar não é apenas para a clareza mental. Ao produzir resultados que não são vistos, estes resultados também podem cuidar previamente das ações que são erradas. Assim, orar é eficaz. Então você pode dizer; “Eu tenho orado, mas nada acontece.” E para isso eu digo: “ Se você não orar. Muitas outras coisas podem acontecer.” Como nós podemos saber que elas não iriam acontecer?
Havia uma senhora idosa que recitava mantra (japa) com seu rosário o dia todo. Mesmo que ela fizesse isso religiosamente, ainda ela criava problemas para a sua nora. Ela somente parava o tempo suficiente para lhe dizer: “O leite está fervendo,” ou “Faça isso, faça aquilo.”
Assim, ela atrapalhou a vida da pobre garota que era uma recém chegada aos serviços domésticos. Após vários anos de convivência na mesma casa, a nora me disse que mesmo que a sogra tivesse feito muito japa, ela não notou qualquer mudança nela. “Ao passar de dez anos, eu apenas tenho visto as contas do rosário se tornarem mais finas, desgastadas, enquanto que a mente dela e comportamento continuavam tão áspero como eram antes. Apenas as contas do rosário é que perderam a aspereza.”
Minha resposta foi: “Suponha que ela não tivesse feito japa, imagine o que ela poderia ter feito no lugar disso.” Teria sido impossível viver na mesma casa com ela. Como você sabe que isto não teria sido pior? A idosa que orou na forma de japa produziu resultados, talvez não muitos, porque há um longo caminho a percorrer; mas, definitivamente, isto produziu algum resultado.
Há leis que tomam conta de tudo isso e então tudo o que temos a fazer é orar, pois orar é uma parte inteligente de um esforço inteligente que uma pessoa faz. Uma pessoa inteligente é aquela que leva vários fatores em conta antes de fazer algo. E, nós desconsideramos as nossas limitações e oferecemos uma oração, assim mesmo; então, as leis cuidam dos resultados.

OM TAT SAT.

VIA YOGA.PRO.BR

O PARADIGMA DO EMPREGO (DeRose)

O PARADIGMA DO EMPREGO
DeRose

Que época rica em almas inspiradas! Alexandre Dumas, Victor Hugo, George Sand, Honoré de Balzac, Lizst… Esses e tantos outros, todos juntos numa só época e num só lugar!
Balzac já havia escrito uma carrada de livros, era o mais lido em Paris e suas obras um sucesso pelo mundo afora. A essa altura sua mãe lhe disse: “Honoré, você não nasceu para escrever. Maldita hora em que enfiou essa idéia na cabeça. Você deveria ter um emprego regular e receber um salário, ao invés de viver cheio de dívidas e ser insultado nos jornais pelos críticos que o ridicularizam com suas caricaturas!” Até a Igreja colocou o nome de Balzac na lista negra, considerando seus livros perniciosos. Balzac, o herege, o maldito.
Ah! Se Balzac tivesse ouvido sua mãe… Ah! Se eu tivesse ouvido a minha mãe… Hoje a literatura não teria La Comédie Humaine e eu seria um empregado numa empresa qualquer. Não teria escrito mais de vinte livros, não teria viajado o mundo todo tantas vezes, não teria mudado para melhor a vida de tanta gente. Teria me limitado a trabalhar para viver e viver para trabalhar como as legiões de empregados infelizes, sem motivação, que viveram e morreram sem nunca saber a que vieram ao mundo. Nesta idade, provavelmente, eu estaria velho, pobre e doente, como em geral estão os empregados nessa fase da vida, ansiando por uma aposentadoria que, longe de ser libertadora, constituiria o prenúncio do fim.
Mas, se a instituição do emprego é nociva, por que nossos pais nos aconselham a sermos empregados? Pior: eles nos doutrinam, pressionam e, muitas vezes, obrigam a esse destino desafortunado e sem perspectivas.
Conscientize-se desta realidade humilhante. Um amigo pergunta: “O que o seu filho faz?” E o pai tem que responder: “Ele é um empregado.” Numa situação assim embaraçosa, é normal que esse genitor justifique: “Mas ele está muito bem. É uma carreira de futuro. Uma grande empresa.” (Com sorte e se trabalhar direito, dentro de vinte anos ele poderá estar ganhando bem, se não for despedido antes.)
Quando escuto isso sinto como se o pai de um escravo no Império Romano estivesse respondendo: “Meu filho é escravo. Mas ele está muito bem. Trabalha para um rico senhor, muito conceituado.”
E se o filho ou filha encontra um caminho melhor, instala-se em casa um clima de tragédia e tortura psicológica. Mas os pais não querem justamente o bem dos seus filhos?
Querem. Contudo, são condicionados pelo Sistema e acham honestamente que o melhor é ser empregado.
PRIMEIRO PARADIGMA: O SISTEMA DE ESCRAVAGISMO
Os historiadores estimam que nos últimos 50.000 anos, desde o período pré-histórico até o final do século XIX, o escravagismo era um princípio aceito e praticado por quase todos os povos. Pode-se declarar, então, que a humanidade sempre explorou a escravatura e que a supressão dela no século XX foi um pequeno espasmo, um soluço na história laboral. Era considerada uma prática natural, pois, se não fossem os escravos, quem construiria as grandes obras e quem trabalharia nas residências? O trabalho escravo parecia ter todas as vantagens e sempre contou com o beneplácito da religião. Mesmo pessoas tidas como bondosas e inteligentes não viam nada demais em ter escravos.
SEGUNDO PARADIGMA: A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
Num dado momento, ocorreu um espasmo de transição reforçado, em grande parte, pela revolução industrial. A maior parte das nações e todos os intelectuais, repentinamente, despertaram da sua letargia e declararam-se contra a escravidão. A nova onda era o emprego! O que eles não confessaram – talvez nem se tenham dado conta – é que a legião de empregados era apenas uma leve adaptação do sistema de escravagismo. Ninguém quis reconhecer que a instituição da mão de obra descartável beneficiava a todos, menos aos empregados que eram explorados para que o Sistema se mantivesse em movimento. Sem a massa anônima de empregados, as indústrias não funcionariam; o comércio entraria em colapso; e os serviços, quem os faria? Portanto, o melhor sempre foi usar um tapa-olho e enxergar só a metade que convinha à sociedade. Nessa ótica, os empregados são como os soldados de um exército. Os generais sabem que os soldados estão ali para ser sacrificados. Antes de uma batalha são avaliadas as expectativas de baixas: 30%, 50%, 70% – mas a batalha precisa ser ganha. Para a instituição militar, se o comandante tivesse pena de enviar seus comandados para a carnificina, estaria subvertendo o Sistema e seria, ele próprio, sacrificado. Na instituição do emprego é a mesma coisa. Os empregados ganham mal, são humilhados, contraem doenças laborais e vivem na corda bamba, já que a qualquer momento podem ser demitidos. E o serão, indiscutivelmente. Todo empregado já esteve desempregado e sabe que o estará outras vezes. Então, por que cargas d’água nossos pais nos empurram para esse destino impiedoso? Porque toda a sociedade tem que ser condicionada, mediante uma verdadeira lavagem cerebral sistemática, a considerar que a única opção é ser empregado.
É a mesma coisa com o militarismo. É melhor achar bonito um batalhão marchando ao som de hinos marciais, com seus uniformes e armas viris; é melhor louvar o heroísmo e condecorar os mortos. Porquanto, se questionássemos isso, o que poríamos no lugar? Como garantiríamos a soberania nacional? Como defenderíamos nossos lares?
Assim, mandamos nossos filhos para o sacrifício do emprego, um verdadeiro holocausto, achando que é para o bem deles. Não é. É para o bem da sociedade, que se nutre das vidas dilaceradas de tantos jovens que são obrigados a humilhar-se por um salário ofensivo, em um emprego sem segurança. Mas, se não tem segurança, por que nossos pais aplicam o chavão “a segurança de um emprego”?
É sabido que as empresas demitem. É sabido que se você for demitido com mais de trinta anos de idade será difícil conseguir outra colocação. Com mais de trinta e cinco será quase impossível. Conheço profissionais capacitados, com vários diplomas, que ficaram desempregados por vários anos. Por que ocorre isso? Primeiro, porque o Sistema educa as pessoas para ser empregadas como ideal de vida. Os cursos técnicos e as faculdades todos os anos despejam milhões recém-formados no mercado de trabalho. Isso cria uma oferta maior que a procura, o que desvaloriza o profissional e o obriga a aceitar condições indignas. Segundo, porque um recém-formado tem mais entusiasmo, dedica-se mais, exige menos regalias e aceita um salário mais modesto. Tudo isso, porque ele é jovem, cheio de esperanças, está ali para vencer e quer tomar o lugar dos mais antigos. Como vantagem adicional, tendo sido formado mais recentemente, deve estar mais atualizado. Quem você acha que o empregador vai preferir? O veterano que tem quase dez anos de casa, está mais velho, mais acomodado, já tem família, precisa ganhar mais, exige regalias e não aceita certas tarefas nem hora extra. Quem você acha que o empregador vai preferir? Isso mesmo. Qualquer um escolheria o mais novo. A tão propalada segurança do emprego é uma balela.
TERCEIRO PARADIGMA: A OBSOLESCÊNCIA DA RELAÇÃO PATRÃO/EMPREGADO
Em pleno século XXI, podemos afirmar sem margem de erro que o conceito de emprego e a relação patrão/empregado estão obsoletos. Ainda vão durar bastante, pois a mudança de paradigma demora muito para se processar. Contudo, hoje já existem plenas condições de sucesso para os jovens que optarem por carreiras não convencionais. Aliás, é onde se encontram as maiores e melhores oportunidades.
Fazer faculdade é importante, mas só para quem quer ser empregado.
Acontece que toda a sociedade está estruturada para produzir um contingente humano que constitua força de trabalho. Por isso, desde pequenos sempre escutamos: “Você tem que estudar para conseguir um bom emprego.” Tudo gira em torno disso. Emprego para o homem e casamento para a mulher. Até parece que estamos escrevendo no início do século passado! No entanto, as coisas continuam assim. É como os cadarços dos sapatos. Há mais de meio século, quando eu ainda era criança, lançaram os primeiros calçados sem cordão. Eram os sapatos de fivela. Tempos depois introduziram o elástico. Depois, o velcro. Depois, o zíper. E até hoje a maior parte dos sapatos continua usando os absurdamente unpractisch cadarços que dão trabalho para calçar, para descalçar e desamarram-se o tempo todo, fazendo crianças e adultos tropeçar e cair. Por que continuam usando uma coisa dessas, trabalhosa, sem praticidade e perigosa, ao invés de substituí-la por alguma das muitas alternativas mais modernas? A explicação é que o humanóide demora a incorporar as mudanças.
Com a universidade é a mesma coisa. Antigamente, poucos tinham o privilégio de estudar. O diploma era cobiçado. Os tempos mudaram, não obstante, ainda hoje é assim, especialmente para aqueles que não puderam estudar na época em que ter diploma era chique. Naquela época era um diferencial. Hoje todo o mundo tem diploma. E ele não vale mais nada. Foi banalizado. Quem cursa uma faculdade “para conseguir um bom emprego” vai ficar desempregado se não fizer uma pós-graduação no exterior, mestrado, doutorado, especializações, etc. Isso custa caro. Custa tempo. Anos verdes de vida, anos preciosos de início de carreira na juventude. Quando o brilhante e esforçado estudante consegue ingressar no mercado de trabalho terá perdido tanto tempo que jamais aprenderá a ganhar dinheiro, como o aprenderam aqueles que, sem diploma algum, começaram a trabalhar em tenra idade.
Estaríamos pregando que os jovens deixassem de estudar? De forma alguma. Mas defendemos o direito de quem quiser estudar para ser empregado numa carreira comum, que o seja; mas, por outro lado, que respeitemos a liberdade de escolha de quem quiser seguir uma carreira nova, criativa, inusitada, que o realize e gratifique mais. Ainda que seja a de saxofonista ou a de instrutor de Yôga!

VIA BLOG CONSCIENCIA “EU SOU!”

PARA UM HOMEM DE GRANDE CORAÇÃO, O MUNDO INTEIRO É O UNIVERSO (SHRI MATAJI NIRMALA DEVI)

“Para um homem de grande coração, o mundo inteiro é o universo, tudo está dentro, tudo é seu. Quando você experiencia um coração assim dentro de você mesmo, então a Kundalini dispara, porque, como vocês sabem, o Sahasrara é o Chakra do Coração. Não há como o Sahasrara bloquear, se você tem um grande coração.”
(S.S. Shri Mataji Nirmala Devi, Itália, 21.06.1992)

Para saber mais sobre o Sahasrara Chakra e o Chakra do Coração, acesse:
http://www.sahajayoga.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=237&Itemid=119
http://www.sahajayoga.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=234&Itemid=116

VIA BLOG CONSCIENCIA “EU SOU”

AMEM A SI MESMOS! (SHRI MATAJI NIRMALA DEVI)

“Desobstruam-se. Limpem-se; cuidem-se; respeitem a si mesmos; amem a si mesmos. Vivam com sua dignidade. Coisas vulgares, coisas frívolas, coisas fúteis não devem ser feitas, e façam seu ego ser desafiado. Deixem alguém insultá-los e certifiquem-se de que vocês não retruquem. Apenas observem isso, não se irritem. Tentem fazer seu ego não reagir.”
(S.S. Shri Mataji Nirmala Devi, Itália, 04.05.1986)

Para saber mais sobre o Agnya Chakra, acesse:
http://www.sahajayoga.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=236&Itemid=118

VIA BLOG CONSCIENCIA “EU SOU”

MAGIA, PODER E PERIGO NO CAMINHO DO MEDITADOR (MAGIC, POWER AND DANGER ON THE MEDITATOR’S WAY)

Você sabe como funciona a magia? Sabia que usamos esse poder naturalmente em nosso dia-a-a ? Qual a relação entre poder e meditação? Faça conosco uma viagem rumo ao universo da magia e do poder, refletindo sobre estas e outras questões.

O MAGO
A magia negra esteve, durante muito tempo, relacionada à idéia de rituais macabros, feitiços, porções, maldições, sacrifícios de animais etc. Mas, o que pouca gente sabe é que a magia trabalha com o domínio de forças da natureza, invisíveis , imperceptíveis e ignoradas pela grande massa. O mago aprende a identificar e dominar conscientemente essas energias, direcionando-as conforme sua vontade e desejo. A diferença entre um mago e uma pessoa comum é que enquanto o primeiro manipula essas forças de modo consciente, o segundo não tem consciência de como estas forças atuam em suas vidas. Assim, além de não saberem direcionar essas forças para benefício próprio, tornam-se vítimas delas sendo, inclusive, usadas por elas. Essas forças atuam constantemente em nosso dia-a-dia e , muitas vezes não percebemos o estrago que elas nos causam. São muitas vezes responsáveis por discórdias, brigas, desentendimentos, separações e até tragédias, refletindo também sobre nosso campo mental, espiritual e físico.

AS FORÇAS
Deixando um pouco de lado o clima de mistério, muitas dessas forças são bem conhecidas de todos nós pois são comuns em nossa vida. Pensamentos, desejos, intenções, emoções e vontades- são poderosas forças do Universo. Elas influenciam nossa vida, as pessoas e o meio em que vivemos. Pensamentos e sentimentos de ódio, fúria ou inveja são verdadeiras bombas energéticas que, quando detonadas, causam danos a si mesmo e aos outros-incluindo o ambiente. Quem nunca se sentiu mal ao chegar em um local com atmosfera “pesada”? Ou não suportou a “energia” de uma pessoa? Estamos continuamente usando ou manipulando essas energias em nossa vida diária.Por isso que a vigilância é tão importante. Aqueles que se vigiam protegem tanto a si mesmo, quanto aos outros. Além disso, vigiar-se é uma forma eficaz de se autoproteger contra os ataques energéticos dos outros. É assim que em nossa vida diária atuamos como verdadeiros magos, manipulando forças ou sendo manipulados por elas, mesmo que não saibamos ou não estejamos conscientes disto.

OS PODERES E A CONSCIÊNCIA PARCIAL
Todavia, há poderes que só tem eficácia quando usados de forma consciente e proposital. São os poderes da mente, da vontade direcionada, do desejo intenso , da visualização, da palavra intencional, do pensamento controlado e da “mentalização”. Neste tipo de poder, a pessoa está em um nível mais elevado de consciência mas ela ainda é limitada e parcial. Daí o grande perigo. O problema é que, mesmo usando esses poderes de forma consciente o indivíduo ainda não está livre da ILUSÃO do EGO. Isso me lembra aquelas cenas em que os super-vilões vibram quando tem em mãos armas superpotentes prontos para dominar o mundo. Assim também é o EGO quando descobre o grande poder que ele tem em mãos. Poder que pode controlar quase tudo. Ainda bem que é “quase”, já imaginou o estrago que um EGO superpoderoso causar às pessoas, ao ambiente, ao mundo? A história está cheia de exemplos desses.

OS PERIGOS DO USO DOS PODERES
Devemos ter cautela ao usar estes poderes para realização de sonhos, objetivos e planos. Muitas pessoas, por imaturidade, ingenuidade ou maldade mesmo, usam desses poderes para influenciar fatos, manipular, e prejudicar as pessoas. Obviamente, nem sempre são bem sucedidas . Mas, uma coisa é certa, a força que movemos para o bem ou para o mal retornam para nós com muito mais força. Mas mesmo aqueles que movem essas forças apenas para alcançar objetivos e realizar sonhos, que não estão causando mal a ninguém, correm um sério risco . Quando você se dedica a algo com bastante intensidade e energia, a chance de alcançá-lo é grande. O problema é quando nos tornamos excessivamente ambiciosos, materialistas, ou tiranos. O indivíduo torna-se totalmente cego, o que leva ao enfraquecimento das dimensões emocional, social, espiritual de sua vida. Quando se dá conta da gravidade da situação, muitas vezes já é tarde demais. É quando vem a doença, as tragédias ou até mesmo a morte. O filme “ O Advogado do Diabo” com Keanu Reeves e Al Pacino ilustra com maestria esse processo . Por isso que a meditação é tão necessária. Sem ela o homem caminha num limbo, perdido em meio à escuridão, sujeito às surpresas, ataques e perigos de seu próprio EGO.

OS SIDHIS OU PODERES IÓGUICOS
Outro tipo de poder são os do iogues, místicos e santos. A tradição cristã tem vários casos e exemplos deste tipo em sua história, Francisco de Assis, Santo Expedito, Santo Antonio e muitos outros. A tradição hindu, ao longo dos séculos e milênios, produziu grandes iogues em sua história. Por isso, a tradição iogue reconhece os poderes como eventos naturais no processo de evolução e desenvolvimento do ser. Os sidhis – como são conhecidos – são tratados por Patanjali, no Yoga Sutras, como resultado natural da meditação profunda ou Samadhi. No livro Autobiografia de um Iogue, de Paramahansa Yogananda, há vários relatos desse poderes fantásticos, tais como: telepatia, bilocação, materializações, curas, premonições, ressuscitamento, dentre outros. Mas o que pouca gente sabe é que mesmo um iogue pode se tornar um mago negro. Basta, para isso, que ele use seus poderes – geralmente alcançado após anos de prática de alguma técnica- passe a usá-los para fins unicamente pessoais e egoístas.

O IOGUE LADRÃO
Sri Yuktéswar, o mestre de Yogananda, contou que conheceu “um muçulmano autor de prodígios”. Este muçulmano, chamado Afizal Khan, aprendera uma técnica com um mestre iogue que lhe dava domínio sobre um dos reinos invisíveis. Após anos e anos de prática, ele finalmente alcançou o domínio completo do poder de materialização e teletransporte de objetos. Mas, lamentavelmente, passou a usá-lo para roubar as pessoas. Sri. Yukteswar contou que o viu fazer várias materializações. Não eram jóias pequenas, nem cinzas, nem objetos produzidos num palco de fundo preto. Ele viu um banquete inteiro ser produzido na sua frente saído do “nada”. Mas então porque ele roubava? A explicação dada foi a seguinte: os objetos astralmente produzidos tem pouca durabilidade, ou seja, desmaterializam-se rapidamente. Ao contrário dos objetos do mundo material cuja durabilidade e consistência é bem maior. Por isso, ele ambicionava as coisas produzidas pelo processo natural, por serem mais duráveis e, portanto , mais valiosas. Não contarei detalhes, nem o final desta história fascinante descrita no Autobiografia. Citei esse caso aqui, apenas para mostrar que mesmo um iogue, ou meditador corre também o risco de se perder ao longo do caminho- talvez até mais do que os outros .

O CASO FAMOSO DE UM SUPOSTO “ IOGUE” DO MAL
É importante registrar que a literatura espiritualista já registra vários casos de iogues que passaram para o “outro lado”. Tudo indica que não resistiram à tentação dos poderes e passaram a usá-los de forma incorreta e egoísta. Se há egoísmo é porque ainda há EGO. O que demonstra que existe sim possibilidade dos poderes se desenvolverem mesmo que a pessoa não esteja ainda totalmente livre das ilusões. Quando isso acontece, o estrago é grande. Joyce Collin Smith, prestigiada escritora e pesquisadora britânica, no livro, “NÃO CHAME NINGUÉM DE MESTRE”*, cita o caso de um conhecido “iogue e guru” espiritual que fez muito sucesso nos anos 60. Por ter sido sua secretária particular durante muito tempo, ela testemunhou vários absurdos cometidos por este senhor e como ele usava seus poderes de telepatia e hipnotismo para alcançar seus objetivos. Segundo seu relato em primeira mão, este homem foi tornando-se cada vez mais estranho e arrogante, até trasnformar-se num completo e perigoso “bruxo do mal”. Estes casos alertam-nos para os perigos ao longo do caminho do meditador . Todavia, não são apenas os meditadores e iogues que podem tornar-se magos negro. Qualquer pessoa que não se vigie, pode, mesmo inconscientemente, atuar como um mago das trevas.

VIGILÂNCIA SEMPRE!
Por isso que a vigilãncia é tão importante. Àqueles que buscam apenas realizar seus objetivos através das famosas técnicas de desenvolvimento dos poderes da mente, tais como, mentalização, visualização, força de vontade etc. Cuidem-se ! Pois enquato o EGO ainda estiver atuando, se ainda houver qualquer vestígio de desejo e ambição, o risco de problemas no presente e no futuro é grande. Para aqueles que meditam e buscam a libertação ou despertar, o cuidado deve ser redobrado, pois quando os poderes despertam, a tentação de usá-los para fins pessoais é maior ainda. É bom lembrar que ao longo da nossa vida, movemos e manipulamos forças desconhecidas e por isso devemos ter cautela, para não nos tornarmos presas fáceis de forças e energias negativas. Para que isso não aconteça, e não venhamos a sofrer as consequências do uso errado dessas forças, temos que vigiar nossos pensamentos, emoções e ações. Como se processa essa vigilância? Para que não haja mal entendidos vamos explicar melhor. Para as pessoas que não são meditadoras ou buscadoras, mas apenas querem ter uma vida “normal”, é importante vigiarem seus pensamentos , sentimentos, ações, palavras e emoções negativos, para que não atraiam coisas ruins para suas vidas. Lembrem-se o quanto essas coisas são poderosas e perigosas.Para aqueles que usam esses poderes conscientemente para realização de objetivos, devem cuidar ou vigiar, para não serem tragados pela ambição, autoritarismo, egoísmo, orgulho ou materialismo exacerbado. Faça autorreflexões periódicas, reze, ore ou medite, procure sempre manter o equilíbrio entre as diversas dimensões da vida.

A VIGILÂNCIA NÃO-DUAL DO MEDITADOR
Por último, se você é um buscador ou meditador, fica uma importante advertência: tenham mais cuidado pois “ a quem mais foi dado, mais será pedido”. Todavia, esta vigilância do buscador não se dá de forma dualística, como normalmente acontece com as outras pessoas. A vigilância do meditador ocorre na Unidade, quando não há observador e objeto observado. Nesse estado de pura e simples observação, sem interferência ou qualquer tipo de ação direta por parte do meditador é que a verdadeira vigilância acontece. Não há alguém vigiando, nem nada para ser vigiado. Há apenas o estado de VIGILÂNCIA ou ALERTA. Nesse estado de Unidade, Tranquilidade e Paz, o meditador não precisa temer o despertar dos poderes – contanto que permaneça um simples expectador dos mesmos. Aconteça o que acontecer deve continuar fixo na Unidade da Meditação ou Consciência Passiva, sem que o Ego interfira ou se utilize dos mesmos para seus propósitos egoístas. Esta é, normalmente, a orientação de todos os sábios, iogues e iluminados, é o “movimento em repouso”- citado por Jesus no quinto evangelho.

“CHORO E RANGER DE DENTES”
Este é o caminho mais seguro para evitar que o meditador transforme-se num perigoso Mago Negro. É bom lembrar que todo aquele que usar seus poderes, ocultos ou não, terá que prestar contas ao Universo. Caso tenha feito bom uso dos mesmos, terá sua recompensa , caso contrário, pagará caro pela inconsequência e irresponsabilidade de seus atos. E aí “haverá choro e ranger de dentes”- como disse o grande mestre nazareno.

AUTOR: ALSIBAR (inspirado)
http://alsibar.blogspot.com
MSN: alsibar1@hotmail.com
*O livro Não Chame Ninguém de Mestre de Joyce Collin Smith pode ser baixado gratuitamente no link abaixo:
http://www.4shared.com/document/umXCtaOe/Joyce_Collin-Smith_-_No_Chame_.htm

VIA ALSIBAR